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LEGISLAÇÃO FISCAL, TRABALHISTA E PREVIDENCIÁRIA (86)

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sentido pe-
jorativo. Envolvia apenas a força física. A dignidade do homem consistia em 
participar dos negócios da cidade por meio da palavra. Os escravos faziam 
o trabalho duro, enquanto os outros poderiam ser livres. (Grifo nosso)
Para que possamos fazer uma localização espacial da história do Direito do Trabalho, 
utilizaremos os apontamentos de Amauri Mascaro Nascimento (2000, p. 39-46), que apresentam 
as seguintes fases: “período pré-industrial, período industrial e o surgimento da Legislação 
Trabalhista”, das quais tecemos a descrição sequencialmente.
2.1 PERÍODO PRÉ-INDUSTRIAL
A escravidão perdurou por longo tempo, aliás, tinha-se a impressão de que se perpetuaria 
desta forma. Mesmo após longo lapso temporal, a época dos senhores feudais, quando a 
escravidão foi sobreposta pela servidão, o trabalho continuava sendo considerado um castigo, 
os servos não eram livres, os nobres não trabalhavam, os servos entregavam parte de sua 
produção rural para os senhores feudais em troca de proteção e do uso da terra.
O trabalhador era considerado simplesmente coisa (mercadoria), não sendo sujeito 
de direitos, mas apenas de obrigações. Seu trabalho era gratuito e forçado, com castigos 
perversos aos escravos rebeldes.
Na Idade Média surgem as CORPORAÇÕES DE OFÍCIO. Não tínhamos a ordem jurídica 
como a encontrada atualmente, entretanto, já começava a florescer uma certa liberdade aos 
trabalhadores. 
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Nas corporações de ofício existiam três personagens: os mestres (proprietários das 
oficinas), os companheiros (percebiam o salário dos mestres) e os aprendizes (recebiam dos 
mestres o ensino metódico do ofício ou profissão).
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Os aprendizes, nesta época, trabalhavam a partir dos 12 ou 14 
anos, e em alguns países já se observava a prestação de serviços 
em idade inferior, com longas jornadas de trabalho que podiam 
chegar a 18 horas diárias.
Profere Martins (2008a, p. 4) que: “As corporações de ofício tinham como características: 
a) estabelecer uma estrutura hierárquica; b) regular a capacidade produtiva; c) regulamentar 
a técnica de produção”.
Ainda na fase pré-industrial tivemos a LOCAÇÃO DO TRABALHO, dividida em dois 
tipos: locação de serviços e a locação de obra ou empreitada. A primeira acontecia quando se 
contratava uma pessoa para prestar serviços à outra. A segunda, quando se contratava alguém 
para executar uma obra, mediante remuneração.
2.2 PERÍODO INDUSTRIAL
O trabalho assalariado surge somente com a Revolução Industrial, que iniciou em 
1775, banindo as Corporações de Ofício. Alguns autores, como Sérgio Pinto Martins (2008a, 
p. 5), entendem que:
Somente nessa fase se pode falar em contrato de trabalho, antes disso a 
relação era apenas de serviço: a Revolução Industrial acabou transformando 
o trabalho em emprego. Os trabalhadores, de maneira geral, passaram a tra-
balhar por salários. O direito do trabalho e o contrato de trabalho passaram a 
desenvolver-se com a Revolução Industrial.
Com o surgimento da máquina a vapor, nasce a necessidade de contratar pessoas para 
operar os equipamentos, consequentemente, o trabalho assalariado é explorado.
Essa é uma das fases mais importantes do Direito do Trabalho. Nesse momento histórico, 
os trabalhadores começaram a se organizar. Houve a percepção de que unidos poderiam ter 
seus direitos reconhecidos, surgindo assim o sindicato. Neste momento, o direito de se associar 
foi TOLERADO pelo Estado.
Ratifica este entendimento Martins (2008a, p. 6):
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Daí nasce uma causa jurídica, pois os trabalhadores começam a reunir-se, 
a associar-se, para reivindicar melhores condições de trabalho e de salários, 
diminuição das jornadas excessivas (os trabalhadores prestavam serviços 
por 12, 14 ou 16 horas diárias) e contra a exploração de menores e mulheres.
O Estado, por sua vez, deixa de ser abstencionista, para se tornar interven-
cionista, interferindo nas relações de trabalho.
Podemos concluir que o Direito do trabalho surge neste momento, para proteger o ser 
humano da crescente exploração de mão de obra. O Estado percebe que precisa proteger o 
trabalhador (mais fraco) da opressão industrial (mais forte). O Estado precisa regular as formas 
de concretização das relações de emprego que estão vinculadas ao contrato de trabalho, e com 
isto as condições da execução de direitos e deveres de patrões e empregados, para realizar 
o bem-estar social e melhorar as condições de trabalho.
2.3 LEGISLAÇÃO TRABALHISTA
Nos ensinamentos de Amauri Mascaro Nascimento (2007, p. 42-45) registram-se as 
primeiras leis trabalhistas com real significado para o Direito do Trabalho, que foram:
	 I.	Constituição do México de 1817: foi a primeira constituição a dispor sobre o Direito 
Laboral. O Art. 123 da referida norma estabelecia: jornada de oito horas, proibição de 
trabalho de menores de 12 anos, limitação da jornada dos menores de 16 anos a seis 
horas, jornada máxima noturna de sete horas, descanso semanal, proteção à maternidade, 
salário mínimo, direito de sindicalização e de greve, indenização de dispensa, seguro social 
e proteção contra acidentes de trabalho.
	 II.	Constituição de Weimar, de 1919 (Alemanha): disciplinava a participação dos 
trabalhadores nas empresas, autorizando a liberdade de coalização dos trabalhadores; 
tratou, também, da representação dos trabalhadores na empresa. Criou um sistema 
de seguros sociais e também a possibilidade de os trabalhadores colaborarem com os 
empregadores na fixação de salários e demais condições de trabalho.
	 III.	Carta Del Lavoro, de 1927 (Itália): instituiu um sistema corporativista-fascista, que 
inspirou outros sistemas políticos, como os de Portugal, Espanha e, especialmente, do 
Brasil. O corporativismo visava organizar a economia em torno do Estado, promovendo o 
interesse nacional, além de impor regras a todas as pessoas. Amauri Mascaro Nascimento 
(2007, p. 43) cita parte importante constante nessa legislação: “tudo dentro do Estado, 
nada fora do Estado, nada contra o Estado”. (Grifo nosso)
	 IV.	Martins menciona (2008, p. 9) a “Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 
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dezembro de 1948, que prevê alguns direitos aos trabalhadores, como limitação razoável 
do trabalho, férias remuneradas periódicas, repouso e lazer”.
	 V.	Destinatários das leis trabalhistas: as leis surgiram para controlar a situação 
desumana que se perpetrava, principalmente contra menores e mulheres. O empregado 
não é igual ao empregador e, portanto, necessita de proteção. Alguns registros apontam 
para a existência de trabalhadores com seis anos de idade e jornadas excessivas.
Você consegue perceber por que a expectativa de vida nessa época era de 18 anos? 
Hoje, a expectativa de vida é de 74,6 anos (2014)! Muita diferença!
Sérgio Pinto Martins (2008a, p. 9) ainda traz outra classificação ou fases dos direitos 
trabalhistas, em gerações, sendo elas:
Direitos de Primeira Geração: são aqueles que pretendem valorizar o homem, 
assegurar liberdades abstratas, que formariam a sociedade civil.
Direitos de Segunda Geração: são os direitos econômicos, sociais e culturais, 
bem como os direitos coletivos e das coletividades.
Direitos da Terceira Geração: são os que pretendem proteger, além do in-
teresse do indivíduo, os relativos ao meio ambiente, ao patrimônio comum da 
humanidade, à comunicação, à paz. (Grifos nossos).
Interessante destacarmos que estamos vivendo um PERÍODO PÓS-INDUSTRIAL, em 
que os empregados das indústrias diminuíram