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LEGISLAÇÃO FISCAL, TRABALHISTA E PREVIDENCIÁRIA (86)

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consideravelmente. A ideia, atualmente, é de 
cooperação e trabalho intelectual. Ganham espaço aqueles que detêm a informação e não 
mais a força física.
ATEN
ÇÃO!
ATENÇÃO! É importante aprofundarmos o conhecimento sobre o 
período pós-industrial, por dois principais motivos: a) é o período 
que estamos vivenciando; b) é a necessidade de informação que 
todos buscam para a competitividade!
Nas palavras de Sérgio Pinto Martins (2008a, p. 7): “A história do Direito do Trabalho 
identifica-se com a história da subordinação, do trabalho subordinado. Verifica-se que a 
preocupação maior é com a proteção do hipossuficiente e com o emprego típico”.
Após essa breve abordagem pelo surgimento do DIREITO DO TRABALHO no mundo, 
iniciaremos uma descrição deste histórico no território brasileiro.
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3 DIREITO DO TRABALHO NO BRASIL
Iniciamos este item lembrando a Abolição da Escravatura (Lei Áurea), que aconteceu 
no dia 13 de maio de 1888, marco importante para os trabalhadores que agora, não mais 
escravos, se tornaram mão de obra que deveria ser assalariada.
Um contingente enorme de mão de obra foi lançado ao mercado sem nenhuma proteção 
trabalhista, além dos imigrantes que chegavam ao país e se somavam aos desempregados.
Em seus apontamentos, Martins (2008a, p. 9-10) descreve a evolução do Direito do 
Trabalho nas constituições brasileiras:
Constituição de 1824: tratou apenas de abolir as corporações de ofício (Art. 
179, XXV), pois deveria haver liberdade no exercício de ofícios e profissões.
Constituição de 1891: reconheceu a liberdade de associação (parágrafo 8º do 
Art.72), determinando que a todos era lícita a associação e reunião, livremente, 
sem armas, não podendo a polícia intervir, salvo para manter a ordem pública.
Constituição de 1934: primeira Constituição brasileira a tratar especificamente 
do Direito do Trabalho, com a garantia da liberdade sindical (Art.120), isonomia 
salarial, salário mínimo, jornada de oito horas de trabalho, proteção do traba-
lho das mulheres e menores, repouso semanal, férias anuais remuneradas 
(parágrafo 1º do Art.121).
Constituição de 1937: marca uma fase intervencionista do Estado, de cunho 
eminentemente corporativista. Foi instituído o sindicato único imposto por lei, 
vinculado ao Estado. Estabeleceu-se a competência normativa dos tribunais 
do Trabalho, que tinha por objetivo evitar o entendimento direto entre traba-
lhadores e empregadores. A greve e o Lockout foram considerados recursos 
antissociais, nocivos ao trabalho e ao capital, incompatíveis com os interesses 
da produção nacional (Art.139).
Constituição de 1946: considerada uma norma democrática, rompendo com 
o corporativismo da Constituição anterior. Encontramos a participação dos 
trabalhadores nos lucros (Art.157, IV), repouso semanal remunerado (Art.157, 
VI), estabilidade (Art. 157, XII), direito de greve (Art. 158).
Constituição de 1967: manteve os direitos estabelecidos nas constituições 
anteriores, em seu Art.158, sendo que a EC nº 1, de 17/10/1969, repetiu a 
Norma ápice de 1967, em seu Art.165.
Constituição de 1988: trata dos direitos trabalhistas nos Arts. 7º a 11, em 
seu Capítulo II, Dos Direitos Sociais, do Título II, Dos Direitos e Garantias 
Fundamentais.
Diferente do que aconteceu na Europa, no Brasil, as conquistas decorrentes das relações 
de emprego e trabalho não foram obtidas pelos trabalhadores, mas inseridas pelo Estado para 
acalmar as massas.
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Em 1919 havia cerca de 12 mil fábricas no Brasil e 300 mil 
operários disponíveis para o trabalho.
No período anterior à Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT (1943), que vige até 
hoje, tivemos várias leis esparsas. Como exemplo, citamos algumas, trazidas por Amauri 
Mascaro Nascimento (2007, p. 48-49):
● Lei do Ventre Livre, 1871: estabelecia que o filho de escravo nascesse livre.
● Lei Saraiva Cotegipe, 1885: assegurou aos raríssimos escravos liberdade 
quando completassem 60 anos.
● Código Civil de 1916: tratou da locação de serviços.
● Organização Internacional do Trabalho (OIT) – 1919: organização mundial 
que protege os trabalhadores e estipula convenções no sentido de uniformi-
zar as legislações trabalhistas no mundo, aplicando o princípio da dignidade 
humana.
As prerrogativas dispostas na Constituição da República Federativa do Brasil e a 
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) serão estudadas com maior profundidade no próximo 
tópico desta unidade. No entanto, é necessário que tenhamos conhecimento do que trata 
especificamente o Direito do Trabalho, item que explanaremos a seguir.
4 CONCEITO DE DIREITO DO TRABALHO
A expressão “Direito do Trabalho” teve seu surgimento na Alemanha em 1912. No 
Brasil, sua inserção com esta denominação acontece com a Constituição de 1946, em seu 
Inciso I, do Art. 22, e em nosso país abrange a discussão dos direitos não só dos trabalhadores 
“empregados”, mas também dos temporários, dos avulsos, dos rurais, dos autônomos, das 
domésticas, dos eventuais etc.
Conceituamos o Direito do Trabalho de acordo com as expressões dos doutrinadores 
a seguir.
Dispõe Maurício Godinho Delgado (2010), com o conceito de direito do trabalho: 
complexo de princípios, regras e institutos jurídicos que regulam a relação empregatícia de 
trabalho e outras relações normativas específicas, englobando, também, os institutos, regras 
e princípios jurídicos concernentes às relações coletivas entre trabalhadores e tomadores de 
serviço, em especial suas associações coletivas.
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Corrobora Sérgio Pinto Martins (2008a, p.16):
Direito do trabalho é o conjunto de princípios, regras e instituições atinentes 
às relações de trabalho subordinado e situações análogas, visando assegurar 
melhores condições de trabalho e sociais do trabalhador, de acordo com as 
medidas de proteção que lhe são destinadas.
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Martins (2008a, p. 16) assevera: A palavra conjunto revela que 
Direito do Trabalho é composto de várias partes organizadas 
formando um sistema, um todo; os princípios são proposições 
genéricas dos quais derivam as demais normas; as regras versam 
sobre a matéria contida em sua maioria na CLT; as instituições 
(Ministério do Trabalho, Justiça do Trabalho) perduram no tempo 
e não os institutos que compreendem um conjunto de regras. 
(Grifo nosso)
Diante do exposto, temos o entendimento de que tudo que está relacionado aos 
trabalhadores está inserido como assunto de pauta para o Direito do Trabalho, que será visto 
agora, fazendo referência aos seus princípios.
5 PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO
Acadêmico(a)! Os princípios são considerados os alicerces do Direito do Trabalho. 
Compreendê-los é de suma importância para a aplicação de suas regras. Na eminência da 
ausência de norma trabalhista, para a situação concreta, ou seja, para a ação trabalhista em 
discussão naquele momento, o Poder Judiciário, ou outros órgãos competentes, farão uso dos 
princípios trabalhistas para respaldar suas decisões.
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O Art. 5º, XIII, da Constituição dispõe: é livre o exercício de 
qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações 
profissionais que a lei estabelecer.
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 prevê os valores sociais, da 
dignidade da pessoa humana, que inclui o TRABALHADOR. Eis a importância do respeito aos 
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