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PROJETO MONOGRAFIA

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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE 
 INSTITUTO DE HISTÓRIA 
 CURSO DE GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA 
 
 
 
 
 APROPRIAÇÃO DO DESFILE DA BEIJA FLOR DE 2015 NOS 
DISCURSOS DO GOVERNO E DOS ATIVISTAS POLÍTICOS DA 
GUINÉ EQUATORIAL 
 
 Bianca Guimarães Santoro 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Niterói, 
 Dezembro, 2017 
 
 
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Projeto de monografia apresentado na Faculdade de História da Universidade Federal 
Fluminense como requisito básico para a conclusão do curso de graduação. 
 Oriantadora: Marina Annie Martine Berthet Ribeiro 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1. Introdução - Tema e Problematização 
 Acerca da colonização da atual Guiné Equatorial há um consenso na historiografia sobre a 
negligência da metrópole em relação à colônia. No século XIX a principal atividade dos colonos 
espanhóis era o comércio de escravos.1 Neste período muitos escravos eram enviados da Libéria 
para trabalharem em outros territórios, principalmente a ilha de Fernando Pó. Tratava-se de um 
embarque forçado, a fim de que estes escravos trabalhassem para os espanhóis. A Sociedade da 
Liga das Nações instou a Libéria a pôr fim ao tráfico, porém a Espanha não sofreu nenhuma 
punição.2 
 Essa posição de negligência por parte da metrópole frente a uma maior exploração da colônia 
de Fernando Pó mudou apenas após a guerra civil espanhola. Franco impôs mudanças na 
colônia, promovendo mudanças e investimento na produção promovendo lucros para a 
Espanha. 
 Após esse período, a Guiné Equatorial é apresentada como uma colônia de assimilação.3 A 
partir da década de 1960 alguns hispano-guineenses participam da corte em Madri. Revoltas e 
lutas pela emancipação já ocorriam na colônia, desde a década de 19504. Diante das revoltas e 
da pressão da ONU, em 1968 a Guiné Equatorial conquista a independência. Eleições são 
realizadas, na qual Francisco Nguema se torna presidente. 
 O período de presidência de Nguema foi marcado pela censura às mídias e aos intelectuais. 
Bibliotecas foram fechadas e intelectuais foram perseguidos pelos agentes do governo5. A 
outrora próspera economia do café do cacau entrou em colapso6. De forma geral, a economia 
do país encontrava-se estagnada. 
 Este governo é acusado de perseguição às massas opositoras, com diversos mortos7. O governo 
de Francisco Nguema é acusado de perseguição ao povo Bubi e tal fato surge como legitimador 
do golpe de Estado de 1979. Todos estes apectos serviram para enfraquecer o governo do 
primeiro presidente da Guiné Equatorial. Teodoro Obiang, sobrinho de Francisco Nguema, 
assume o poder, cargo que ocupa ainda hoje. 
 
1 História Geral da África Unesco. Volume 7. 
2 IDEM. 
3 KI-Zerbo.1972. 
4 FAGE, John. 2010. 
5 Disponível em: http://egjustice.org/post/equatorial-guinea 
6 DIsponível em: http://egjustice.org/post/equatorial-guinea 
7 KI-ZERBO,. 1972. 
 
 
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 De acordo com a EG Justice, alguns desafios foram superados com a queda de Francisco 
Nguema do poder, porém o país enfrenta ainda o desrespeito aos direitos humanos por parte do 
Estado e há grandes desafios socioeconômicos, incluindo falta de distribuição de renda e os 
escândalos de corrupção8. Além disso, todos os meios de comunicação do país são controlados 
pelo governo, prejudicando a atuação da mídia independente e o acesso à informação por grande 
parte da população. Mídias como a EG Justice atuam fora do país, pois este tipo de mídia não 
é permitido na Guiné Equatorial. 
 Desde 1991 ocorrem eleições multipartidárias no país, porém relatórios de observadores 
internacionais apontam para graves fraudes. Nas eleições Obiang ganha com 95% dos votos 
registrados. Grande parte dos partidos são aliados à Obiang com a oposição ocupando poucos 
assentos no parlamento.9 
 O governo de Obiang é acusado por diversos ativistas e por entidades do mundo todo de 
negligência dos direitos humanos, prisões, tortura e extermínio de opositores. Outro desafio 
enfrentado pelo governo diz respeito ao petróleo. Este gera grande renda ao país, porém há 
pouco investimento na sociedade. Além disso, o país encontra-se na lista dos governos mais 
corruptos, sendo acusados por diversos órgãos internacionais como a ONU e organizações de 
ativistas10. 
 Os aspectos sociais são negativos de acordo com índices internacionais, apesar dos 
significantes recursos em petróleo, com um dos maiores índices de produção per capita do 
mundo. Porém, apenas a elite política do país possui acesso a estas riquezas. O acesso ao 
saneamento básico também é restrito no país. No setor da saúde, apesar dos investimentos e 
avanços dos últimos anos, maiores melhorias poderiam ser atingidas utilizando-se o recurso do 
petróleo, por exemplo, de acordo com especialistas. 
 O contexto apresentado nesta introdução constrói uma imagem negativa da Guiné Equatorial 
no contexto internacional. Grandes mídias e organizações internacionais sempre apontam os 
aspectos negativos do pais em questão. Corrupção, miséria, violação dos direitos humanos, 
prisões arbitrárias são sempre apontadas como as maiores características do país. Podemos nos 
questionar, se, tratando-se de um país africano, essa mídia não está a alimentar ainda mais os 
 
8 Disponível em: http://egjustice.org/post/equatorial-guinea 
9 Disponível em: http://egjustice.org/post/equatorial-guinea 
10 Disponível em: http://egjustice.org/post/equatorial-guinea 
 
 
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estereótipos acerca do continente. Por se tratar de uma ditadura na África, ela irá sempre ser 
representada como um dos governos mais catastróficos do mundo11. 
 Porém há diversos outros aspectos relevantes a serem abordados, tais como a atuação social 
dos ativistas e a riqueza de suas reivindicações. Outro aspecto importante é como o próprio 
governo irá utilizar a imagem negativa que tem no exterior e manipulá-la a seu próprio favor. 
Nota-se que ambos os grupos se utilizam dessa imagem negativa com o propósito de atingir 
objetivos diferenciados. 
 O governo da Guiné Equatorial utilizou-se de diversas estratégias para melhorar a imagem do 
país no exterior e buscar aliados. Em 2014 após oitos anos pleiteando a entrada na CPLP, com 
pedidos negados devido à manutenção da pena de morte na Guiné Equatorial, o pedido foi 
aceito. Entendemos esta reivindicação como uma tentativa do país se manter no cenário 
internacional, já que 90% da população fala espanhol12. É notável que um aliado do presidente 
Obiang encontram-se na comunidade, o presidente de Angola José Eduardo Nascimento. 
 Devemos observar o olhar positivo que o ativismo político pode ter encarado a entrada do 
país na CPLP. Ponciano Nvó, advogado e ativista, que discursou destacando a possibilidade 
das exigências da CPLP serem cumpridas pelo governo, dentre elas a abolição da pena de morte. 
Outra possibilidade de melhoria seria a maior vigilância destes países estrangeiros em relação 
à Guiné Equatorial. 
 Foi possível, inclusive, que um grupo de ativistas recorressem aos países membros da CPLP 
com o pedido de que averiguassem as violações de direitos humanos no país. Até hoje, pouco 
mudou no país e violações de direitos humanos continuam ocorrendo. Porém, podemos buscar 
compreender