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O Ato Conjugal - Tim e Beverly Lahye

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da mulher devem 
servir para proporcionar prazer tanto a ela como ao marido. 
Se os dois não gozarem de um relacionamento agradável, 
Deus tem uma solução para o problema. Portanto, oremos a 
respeito da questão, e esperemos que ele nos dirija a uma 
solução adequada. "Até agora nada tendes pedido em meu 
nome; pedi, e recebereis, para que a vossa alegria seja 
complata." (Jo 16.24.) 
1. Sex and the Single Eye, Letha Scanzoni. 
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8 
A Mulher Frustrada 
Uma encantadora senhora de vinte e nove anos, mãe de 
três filhos, de nome Karen, procurou-nos para aconselhamen-
to. "Pastor, amo realmente meu marido, mas ultimamente 
venho notando que meu ressentimento para com ele está 
aumentando muito. Se não encontrarmos uma solução logo, 
vou terminar odiando-o." Embora encontrasse certa dificul-
dade em abrir-se totalmente, afinal ela acabou reconhecendo 
que o problema era seu relacionamento sexual. "Ele é o único 
que tem prazer. Sempre me considerei uma mulher carinhosa, 
e raramente me recuso a ter relações com ele; mas no 
momento em que começo a ficar realmente excitada, ele faz o 
pênis penetrar e logo tudo se acaba. Ele se vira para o outro 
lado, e daí a pouco dorme profundamente — e é aí que eu fico 
como louca de raiva. E levo uma hora mais ou menos para 
passar a raiva e poder dormir. Ele diz que devo ser frígida." 
Karen não era nada frígida. Como muitas outras mulheres 
frustradas, ela conhecia muito pouco acerca do sexo, e muitas 
das noções que possuía eram erradas. Infelizmente, seu 
marido, Jeff, sabia menos que ela. Sem ter procurado um 
conselheiro antes do casamento, e limitando sua busca de 
informações ao controle da natalidade, esses dois jovens cren-
tes haviam se casado nutrindo a ingênua noção de que seu 
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amor era tão forte, que "tudo se encaixaria direitinho". Isso 
pode dar certo quando se trata de gravidez, porém não se 
aplica ao orgasmo feminino. Mas com um pouco de orienta-
ção e incentivo, dentro de dois meses, ela era uma nova 
mulher. 
Durante todos esses anos em que tenho exercido o pasto-
rado, tenho efetuado o aconselhamento pré-nupcial dos jovens 
antes da cerimônia do casamento. Depois de haver realizado 
quase 450 casamentos, precedidos dessas sessões de aconse-
lhamento, estou convencido de que, mesmo nessa nossa era de 
ampla informação sexual, muitos jovens ainda se casam na 
mesma ignorância no assunto que caracterizou Karen e Jeff. 
Ao submeter cada casal de noivos a uma discussão de uma 
hora sobre o ato sexual, tenho ficado admirado ao observar 
como são poucos os que já ouviram os princípios básicos que 
regem o relacionamento de marido e mulher. Muitas moças se 
casam com a idéia de que seus maridos conhecem todos esses 
princípios, mas isso raramente acontece. Como já vimos, 
grande parte dos jovens está saturada de informações acerca 
do assunto, mas muitas delas são noções erradas. Aliás, a 
ignorância deles contribui grandemente para a frustração das 
esposas, e é causa de muita desarmonia conjugai. Mas se a 
ignorância deles é a maior fonte de problemas, ela pode ser 
revogada com uma informação correta, desde que ambos 
estejam dispostos a encarar o problema de frente. 
O maior paradoxo no estudo da sexualidade humana é a 
idéia amplamente divulgada de que a capacidade orgásmica 
da mulher é menor que a do homem, quando, na realidade, 
pode ser até maior. Igualmente difícil de entender é por que 
uma experiência tão agradável e maravilhosa tenha sido 
negada a tantas mulheres, enquanto seus maridos, quase 
universalmente, gozam das delícias da ejaculação. Nenhuma 
pesquisa ou tradição jamais sugeriu que a capacidade orgás-
mica do homem fosse questionada em qualquer cultura do 
mundo. Contudo, a trágica farsa da frustração sexual femini-
na abriu caminho e encontrou guarida em quase todps os 
povos e tribos, deixando bilhões de mulheres casadas sexual-
mente frustradas. Felizmente, não existe mais nenhuma razão 
para que se continue a impingir esta inverdade em potencial-
mente metade dà população mundial. 
Muitas idéias imaginosas tentam explicar por que este 
dilema foi criado, embora seja inteiramente desnecessário. 
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Ê verdade que o orgasmo feminino não é essencial à propaga-
ção da espécie, enquanto que a ejaculaçâo masculina o é, mas 
ambos precisam da satisfação psicológica que o orgasmo 
empresta às relações conjugais. Muitas pessoas culpam a 
religião; outras criticam a sociedade. Na verdade, ninguém 
sabe ao certo por que uma fraude tão unilateral tem sido 
aceita universalmente, durante séculos. Até mesmo os Drs. 
Masters e Johnson já reconhecerem o seguinte: "Nem totens, 
nem tabus ou mandamentos religiosos parecem aceitar a 
responsablidade completa da força com que o orgasmo femi-
nino é negado como reação psicológica normal."' 
Graças à disseminação das informações científicas basea-
das em pesquisas detalhadas do comportamento sexual, a 
maioria das mulheres, hoje, já não aceitam acomodar-se a 
uma situação insatisfatória, quando podem insistir e alcançar 
a experiência do êxtase sexual. Hoje em dia, temos mais 
conhecimento da capacidade, funções e reações sexuais femi-
ninas do que se tinha antes. Alguns irão, sem dúvida, utilizar 
estas informações para pisar os princípios divinos quanto à 
santidade do ato conjugai — com riscos para eles próprios, 
naturalmente — mas um casal cristão inteligente poderá 
utilizar esses conhecimentos para entender melhor as funções 
do próprio organismo, e, conseqüentemente, enriquecer o 
prazer mútuo. 
Este capítulo aborda, de forma aberta e franca, vários 
aspectos íntimos da sexualidade feminina, que alguns poderão 
considerar controversos. Ê nossa esperança que esta informa-
ção seja útil para aqueles que se encontram sexualmente 
frustrados, ou se acomodaram a um plano insatisfatório de 
relação. Se o leitor se choca com franqueza da intimidade, é 
possível que deseje saltar estas páginas. Porém, enterrar a 
cabeça na areia nunca foi uma boa solução para ninguém, 
nem para o avestruz. 
A GRANDE FRAUDE DO SEXO 
Até por volta do início do século, milhões de mulheres, 
todos os anos, estavam sendo privadas do emocionante clímax 
sexual de que a maioria dos homens goza regularmente. Se 
não eram totalmente privadas dele, o que acontecia era que se 
acomodavam a uma experiência insatisfatória, muito inferior 
à que Deus determinou que gozassem. Ao invés de se "revolta-
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rem contra essa imposição masculina", elas sofriam em 
silêncio. Mas, de lá para cá, a cada década, fazem-se novas 
pesquisas que vão ampliando nosso conhecimento desse as-
sunto de aspecto tão íntimo. Quando aplicados de maneira 
correta, esses conhecimentos contribuem para a emancipação 
pessoal de milhões de mulheres casadas. Infelizmente, este 
processo tem se desenvolvido lentamente. 
O Dr. Ronald M. Deutsch, em sua excelente obra The Key 
to Feminine Response in Marriage (O segredo da reação 
feminina no casamento) cita diversos pesquisadores no campo 
da satisfação sexual feminina. Ele escreve o seguinte acerca do 
"Relatório Kinsey": 
Mas,tirando-se uma média geral, parece que ao final do 
primeiro ano de casamento talvez pouco mais que um terço 
das mulheres experimentam orgasmos relativamente bons. 
Pelo décimo ano do casamento, esta porcentagem sobe um 
pouco, para cerca de 40%. 
Em estudos mais recentes, os Drs. Paul Wallin e Alexander 
Clark concluíram que, provavelmente, não mais de quinze por 
cento das mulheres americanas contam com uma vida sexual 
plenamente satisfatória. E descobriram também que uma 
pequena minoria, nunca teve um orgasmo. 
Aparentemente, a maioria das mulheres americanas relata 
um certo fracasso sexual. Em 1950, os pesquisadores Kroger e 
Freed apresentaram a seguinte estimativa noAmerican Journal 
of Obstetric and Gynecology (Boletim de obstetrícia e gineco-
logia): "Ginecologistas