Projetos de Edificações (Módulo 2)
39 pág.

Projetos de Edificações (Módulo 2)


DisciplinaProjetos de Engenharia15 materiais93 seguidores
Pré-visualização12 páginas
2.1 O que é o projeto de edificações e como contratá-lo? \u2013 Parte 1 
2.1.1 A importância de um bom projeto para a futura atividade de manutenção 
predial da edificação 
Ao final deste tópico, o aluno será capaz de: 
\u2022 Identificar os principais conceitos para o desenvolvimento de um projeto 
eficiente. 
Os projetos da construção civil, nesses incluídos os projetos de edificações, além de 
serem, por sua natureza, roteiros para as atividades que concorrerão para a execução do 
objeto, são igualmente ferramentas de análise para as possíveis soluções técnicas a serem 
aplicadas no processo construtivo. 
A palavra projeto significa, genericamente, intento, desígnio, empreendimento e, 
também, um conjunto de ações, caracterizadas e quantificadas, necessárias à 
concretização de um objetivo. Embora este sentido aplique-se a diversos campos de 
atividades, em cada um deles o projeto materializa-se de forma específica. 
O objetivo principal de um projeto é a execução da obra idealizada pelo 
arquiteto ou engenheiro. Essa obra deve adequar-se aos contextos naturais e 
culturais em que se insere e responde às necessidades do cliente e dos futuros 
usuários do objeto construído. As exigências do cliente e dos usuários exprimem-se 
por meio do programa de necessidades que define metodologicamente o produto 
final. 
Diante disso, as soluções técnicas que deverão ser empregadas para a consecução da 
obra devem atender aos princípios da racionalidade, da economicidade, da funcionalidade 
e do desempenho. 
Considerando os conceitos de Vitrúvio (2007, p. 82),14 os projetos de arquitetura 
devem atender cumulativamente aos princípios básicos \u201cutilitas\u201d (utilidade, uso, 
funcionalidade, proveito, vantagem), \u201cfirmitas\u201d (solidez, firmeza, consistência, robustez) 
e \u201cvenustas\u201d (beleza, elegância, estética). Tais conceitos resumem as qualidades que se 
pretende para o projeto arquitetônico, demonstrando que o objeto construído deve 
conciliar desempenho, economia e estética. Pode-se, assim, concluir que o edifício ou a 
obra deve ter características que atendam à sua durabilidade e conservação. 
Com esse objetivo, o projeto deverá também servir à correta escolha de soluções que 
determinem o melhor funcionamento do objeto construído, muito além da sua concepção 
ou construção. No projeto é que são definidos os conceitos e as técnicas que garantirão a 
permanência da construção, principalmente no quesito manutenção. 
Recentemente, a ABNT editou um conjunto de normas aplicado ao desempenho das 
edificações. Muito embora tal norma traga na sua origem a destinação às edificações 
habitacionais, pode-se tomá-la como referência para qualquer tipo de edifício em que se 
pretenda condições de bom desempenho. Uma das premissas básicas dessa normativa é a 
durabilidade dos elementos da construção, denotando grande preocupação com a 
manutenção do edifício. 
A Administração Pública, por suas características (necessidade de racionalização dos 
custos, orçamentos limitados e inconstantes, falta de equipes permanentes para 
conservação), tem como um dos grandes desafios a manutenção do seu patrimônio 
construído. 
Por essa razão, boas escolhas na fase de projeto definirão o custo para a 
Administração na conservação e na manutenção das suas construções por longo 
período. 
Percebe-se, dessa condição, que o projeto, muito além de ser um roteiro para a 
construção do objeto, é, antes de tudo, uma ferramenta para experimentação das soluções 
para o bom desempenho da obra ou do edifício, possibilitando a escolha das melhores 
soluções técnicas, aquelas que trarão o equilíbrio entre custo de construção, custo de 
manutenção e funcionalidade, aí considerados a eficiência e o conforto. 
Você, como gestor do contrato de projeto, ao elaborar o seu Termo de Referência ou 
Projeto Básico, deve observar com cautela tais premissas, de forma a conduzir a sua 
elaboração pelo caminho da racionalidade, da economia e do desempenho. As definições 
e as exigências dadas no Termo de Referência ou Projeto Básico devem ser tais que 
condicionem a elaboração do projeto, para que esse atenda aos objetivos aqui já 
mencionados. 
Essas escolhas recairão sobre os tipos de materiais, a forma de ordenação dos 
espaços, a morfologia dos elementos etc. Assim, é importante que se observe a vantagem 
que se terá sobre a escolha de um material em detrimento de outro, do tamanho da 
edificação frente às necessidades do órgão, ou até mesmo da observância ao índice de 
compacidade ou da forma do edifício. 
Como exemplo, citamos a escolha de esquadrias de ferro para a vedação das fachadas 
externas de um edifício em zona litorânea. Certamente toma-se aqui a condição extrema 
e até mesmo inadmissível, visto que, nas condições atmosféricas daqueles ambientes, 
jamais se optaria pela escolha de elementos ferrosos para tal uso. A escolha correta nesse 
caso seria, por exemplo, esquadrias de alumínio, com pintura por anodização ou 
eletrostática, com durabilidade adequada àquelas condições ambientais. Muito embora 
seja senso comum no meio da arquitetura e da engenharia, a obviedade por tal escolha 
(esquadrias de alumínio para a vedação de fachadas em edificações de ambientes 
litorâneos), ainda assim é possível encontrar projetos (mal) especificados trazendo aquela 
condição (especificação de esquadrias de ferro naqueles ambientes). 
Nos órgãos públicos, os setores que são responsáveis pelos projetos 
normalmente são diversos daqueles responsáveis pela manutenção das edificações 
(ou outras obras da construção civil ou de infraestrutura viária). A boa 
especificação, quando da elaboração desses projetos, poderá contribuir para a 
desoneração do trabalho e do custo despendidos futuramente pelos seus setores de 
manutenção. 
Ao final deste tópico, o aluno será capaz de: 
\u2022 Reconhecer a importância do projeto no ciclo de vida de uma edificação. 
No tópico anterior, foram apresentadas as relações existentes entre a boa 
especificação de um projeto e o custo de manutenção do objeto construído. Veja que as 
escolhas corretas no momento das especificações têm, entre outros quesitos, a função de 
desonerar o custo de manutenção futura das edificações ou outras obras. 
O custo de um projeto é sensivelmente menor do que os custos envolvidos na 
execução da obra. Por essa razão, perceba que é mais lógico e sensato concentrar esforços 
nessa importante etapa, evitando, por exemplo, economias irresponsáveis e permitindo 
que nessa ocasião possam ser avaliadas todas as possibilidades técnicas para a consecução 
do objeto pretendido. Afinal, é infinitamente mais fácil alterar um desenho, ou até mesmo 
descartar-se um conjunto de elementos impressos, do que demolir uma estrutura de 
concreto. O projeto, portanto, é o momento para a experimentação e o teste de 
possibilidades. 
Para ilustrar a importância que tem um projeto na construção civil, veja a imagem a 
seguir. 
 
Perceba, portanto, algumas verdades sobre o projeto: 
 
Diante disso, você, na condição de gestor público, deve observar criteriosamente 
alguns aspectos na sua contratação: 
 
Em relação à manutenção do futuro objeto construído, a questão ganha ainda mais 
importância. De acordo com a Lei de Sitter,15 ou \u201cLei dos 5\u201d, tomando-se novamente 
como exemplo uma estrutura de concreto, o custo para uma intervenção de correção, 
desde o projeto até a manutenção corretiva, aumenta em progressão geométrica, de razão 
5 (SITTER, 1984 apud HELENE, 1992)16. Assim, pode-se dizer que, arbitrando que o 
custo para uma eventual correção de erro no objeto seja 1, durante a fase de elaboração 
do projeto, a mesma correção na fase de execução da obra terá custo 5, na fase de 
manutenção preventiva terá custo 25 e, finalmente,