Classificação das Normas Jurídicas
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Classificação das Normas Jurídicas


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Classificação das Normas Jurídicas
Quanto ao Sistema (normas nacionais, normas estrangeiras)
Normas nacionais- São normas jurídicas produzidas no âmbito interno de um dado sistema jurídico (por exemplo, tratando-se do sistema jurídico brasileiro temos a Constituição Federal de 1988, o Código Penal de 1940, o Código Civil de 2002).
Normas estrangeiras\u2013 São normas jurídicas produzidas no âmbito externo, gestadas fora dos limites do ordenamento jurídico de um determinado Estado soberano, no âmbito da comunidade jurídica internacional (por exemplo, sob a perspectiva do sistema jurídico brasileiro, a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, promulgada pela ONU).
Quanto à fonte de produção (normas legislativas, normas jurisprudenciais, normas doutrinárias, normas costumeiras, normas negociais e normas do pluralismo social)
Normas Legislativas - Se apresentam como normas jurídicas gerais, abstratas e proclamadas obrigatórias pela vontade de uma autoridade competente, geralmente oriunda do Poder Legislativo ou do Poder Executivo, revestindo-se da forma do direito escrito (jus scriptum). No direito pátrio, integram o conceito de amplo de legislação, em âmbito federal, as espécies normativas previstas no art. 59 da Carta Magna de 1988, tais como as normas constitucionais, as leis delegadas, as medidas provisórias, os decretos legislativos e as resoluções legislativas, afora as leis ou os atos normativos similares produzidos no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Normas Jurisprudenciais - São aquelas normas jurídicas escritas que defluem da repetição de decisões judiciais, no mesmo sentido tendente a constituir um padrão interpretativo que será capaz de inspirar a realização dos futuros julgamentos do Poder Judiciário sobre casos semelhantes. São geralmente sintetizadas na fórmula de súmulas, como sucede com a súmula vinculante, cuja forma de produção está prevista no art. 103-A da Carta Magna brasileira.
Normas Doutrinárias - São aquelas proposições normativas que resultam do conjunto de obras e pareces produzidos pelos grandes jurisconsultos, exprimindo, assim, a vasta produção teórica da comunidade de cientistas do direito (communis opinio doctorum), que se revela apta para embasar e orientar a formação do livre convencimento judicial diante de um dado conflito de interesses. Um curso de direito civil, produzido por um jurista renomado, pode ser enquadrado como manifestação doutrinária e, portanto, capaz de oferecer argumentos de autoridade para a fundamentação das decisões judiciais.
Normas Costumeiras - São aquelas pautas normativas que decorrem do processo vivo, concreto e espontâneo de reiteração das práticas sociais, que se qualifica como manifestação do direito consuetudinário pela convicção de sua necessidade jurídica, revestindo-se da forma oral ou não escrita (jus non scriptum). Como exemplo de costume jurídico, pode ser referido o uso do cheque pré-datado no âmbito das operações realizadas no comércio brasileiro.
Normas Negociais - São aquelas normas individualizadas, expressas ou orais, decorrentes de acordos de vontades que são celebrados mormente por particulares, no exercício de suas esferas de autonomia privada. É o que ocorre, por exemplo, quando os sujeitos de direito, exercitando o poder negocial, celebram um contrato de locação de um imóvel ou um contrato de prestação de serviços.
Normas do Pluralismo Social - Resultam do exercício da prerrogativa conferida pelo sistema jurídico aos grupos sociais para a criação de seus respectivos ordenamentos jurídicos, submetidos, contudo ao sistema normativo posto genericamente pelo Estado. Sob a égide desse pluralismo jurídico, podem ser vislumbrados exemplos de manifestação do poder normativo dos grupos sociais como fontes de normatividade jurídica, tais como os regulamentos elaborados dentro das empresas, os estatutos de associações esportivas e as convenções aprovadas pelos moradores de condomínios privados.
Quanto aos âmbitos de validade, normas jurídicas podem ser agrupadas conforme o espaço (validade espacial), o tempo (validade temporal), o alcance do destinatário (validade pessoal) e o conteúdo (validade material).
Validade Espacial - Podem ser vistas as normas gerais e as normas especiais. As normas gerais são aquelas normas válidas na totalidade de um dos Estados soberano (por exemplo, as leis federais produzidas pelo Congresso Nacional brasileiro), enquanto as normas especiais são normas validas em circunstâncias político-administrativas determinadas (por exemplo, as leis estaduais produzidas pelas Assembleias Legislativas e as leis municipais geradas pelas Câmaras Municipais no Brasil).
 Validade Temporal \u2013 Convém examinar as distinções entre (Normas de vigência determinada e normas de vigência indeterminada, normas de incidência imediata e normas de incidência mediata, normas irretroativas e normas retroativas.
Normas de vigência determinada \u2013 São normas jurídicas cujo término de validade se define antecipadamente, como na hipótese das medidas provisórias, regulada pelo art. 62 da Carta Magna 1988, cuja atual sistemática contempla um prazo de vigência de 60 dias para sua conversão em lei, admitindo-se sua prorrogação uma única vez por igual período, totalizando, portanto, o lapso temporal de 120 dias.
 Normas de vigência indeterminada \u2013 São aquelas normas jurídicas cujo término da validade normativa não está previamente delimitado, permanecendo válidas até que sejam revogadas, total ou parcialmente, de forma tácita ou expressa, por outras normas jurídicas de igual ou superior hierarquia. Nesse sentido, é possível asseverar que o Código de Defesa do Consumidor de 1990 apresenta vigência indeterminada, permanecendo ainda hoje vigentes os seus dispositivos normativos.
Normas de incidência imediata e normas de incidência mediata \u2013 São aquelas cujo início da vigência coincide com a data de sua publicação, ao contrário das normas de incidência mediata, cujo início da vigência ocorre em momento posterior a data da vigência ocorre em momento posterior à data de publicação, prevendo-se um lapso temporal da vacância normativa, que é conhecido, pela ciência jurídica, como vacatio legis. Nesse atual Código Civil brasileiro, que foi publicado em 2002 e iniciou sua vigência em 2003. No art. 2044, o legislador estabeleceu que a referida codificação iniciara sua vigência um ano após a sua publicação, prevendo-se, portanto, prazo de vacatio legis de um ano.
Normas irretroativas \u2013 São aquelas normas jurídicas que não se aplicam as situações sociais ocorridas em momento anterior a sua vigência. A irretroatividade resulta de dois importantes princípios do direito intertemporal, a saber: o princípio da segurança jurídica e o princípio de que o tempo reage o ato (tempus regit actum). No sistema jurídico brasileiro, desponta a irretroatividade como a regra geral em matéria de direito intertemporal, preservados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada
Normas retroativas \u2013 As normas retroativas são normas jurídicas que produzem efeitos pretéritos, alcançando situações sociais ocorridas em momento anterior a sua vigência. Admite-se, em situações excepcionais, a retroatividade de leis e atos normativos.
Validade pessoal \u2013 Cumpre diferenciar as normas genéricas, que, pela abstração dos seus preceitos, dirigem-se a destinatários indefinidos, alcançando a comunidade jurídica globalmente considerada (por exemplo, a Constituição Federal de 1988) e as normas individualizadas, que, pela particularização do objeto regulado, dirigem-se a destinatários definidos e, portanto, a sujeitos de direito especificamente considerados (por exemplo, as normas de um contrato de compra e venda celebrado entre particulares).
Validade material \u2013 No que tange a validade material, embora se trate de dicotomia que vem sofrendo profunda reformulação paradigmática, podem ser diferenciadas, ao menos para fins didáticos, as normas de direito público das normas de direito privado.
Normas de direito público \u2013
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