Prévia do material em texto
INTRODUÇÃO AOS MÉTODOS INSTRUMENTAIS DE ANÁLISE Profa. Renata Luz UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE Instituto de Ciência Exatas Departamento de Química Química Analítica Qualitativa A química analítica é uma ciência metrológica que busca desenvolver, otimizar e aplicar ferramentas analíticas para obter informações a respeito da composição química, bioquímica e da estrutura da matéria, visando a resolução de problemas científicos, técnicos, econômicos e sociais. Química Analítica Química Analítica Análise Quantitativa Análise Estrutural Análise Qualitativa Análise Qualitativa Tem como objetivo a identificação do analito na amostra: íons moléculas espécies atômicas grupos funcionais Origina uma resposta binária: sim/não. A incerteza é dependente do método ou da técnica adotada. Exemplos: identificação de íons metálicos em uma amostra, hidrocarbonetos aromáticos na atmosfera, pesticidas em alimentos, drogas no sangue, etc. Análise Quantitativa Tem como objetivo determinar a quantidade de um analito em uma porção do material (amostra): íons moléculas espécies atômicas grupos funcionais Origina uma resposta numérica. A incerteza dessa resposta está implicitamente relacionada às incertezas de todas as etapas adotadas durante o procedimento experimental. Análise Estrutural Tem como objetivo principal estabelecer a estrutura de uma espécie química ou bioquímica. A informação pode-se referir a uma substância pura (ex. proteína) ou no conjunto (ex. distribuição espacial dos componentes em uma amostra). Análise qualitativa Análise quantitativa Análise estrutural Métodos Analíticos Clássicos Métodos Analíticos Instrumentais Métodos Analíticos Clássicos Os métodos clássicos surgiram nos primeiros anos da química. Ou seja, após o desenvolvimento de métodos de separação (precipitação, destilação e extração), conseguiu-se isolar o analito, que era então tratado com reagente, gerando um produto de reação que poderia ser identificado qualitativamente ou quantitavamente. Os métodos clássicos apresentam três características importantes relacionadas à obtenção das informações qualitativas e quantitativas: uso dos sentidos (mudança de cor e cheiro) uso de balança (gravimetria) e bureta (volumetria) emprego de reações químicas como operações prévias fundamentais do procedimento analítico Métodos Analíticos Instrumentais Os métodos instrumentais apresentam como característica principal a obtenção das informações por meio de instrumentos, diferentes aos utilizados nas análises clássicas: Técnicas Ópticas: Espectrofotometria molecular (absorção e emissão), Espectrometria atômica (absorção e emissão) Técnicas Eletroanalíticas: Condutometria, Potenciometria, Polarografia, Coulometria, Voltametria Técnicas Magnéticas: Espectrometria de massas, Ressonância magnética nuclear Técnicas Térmicas: Análise térmica diferencial, Termogravimetria Técnicas Radioquímicas: Análise por ativação neutrônica Introdução à Análise Instrumentais Classificação INSTRUMENTAIS Baseados em propriedades físicas (químicas em alguns casos) Eletroanalítico Espectrométrico Cromatográfico Propriedades elétricas Propriedades ópticas Empregados na separação de compostos A análise Instrumental São tipos de análises realizadas em instrumentos (equipamentos) por analistas que conhecem as características e funcionamento dos mesmos Principais características dos Instrumentos: -Vantagem de utilizar pouca amostra e pouco reagente, permitindo mais repetições; -Cada instrumento tem uma aplicação relacionada ao tipo de amostra e no tipo de resultado que se quer obter; -Cada instrumento possui vantagens e desvantagens. Introdução à Análise Instrumentais Seleção do Método A seleção de um método é baseado na natureza do problema analítico:- O analito de interesse e suas características físico-químicas; -A matriz analítica ao qual o analito encontra-se sorvido (água, solo, ar fluido biológico, sedimento, planta, resíduos industriais, etc; -Seu estado fisíco (sólido, liquido ou gasoso); -necessidade de obtenção do resultado a custo, médio ou a longo prazo de tempo; -Existência de método analítico desenvolvido e/ou validado que atenda aos limites de detecção ou de quantificação exigidos; -Possíveis interferências causadas pelos componentes da amostra; -Custo por amostra. Nem sempre o equipamento mais sofisticado é o que fornece resultado mais extato Introdução à Análise Instrumentais Características do Método A confiabilidade dos resultados vai depender da resposta do instrumento à analise que se quer realizar. Essa resposta depende de vários fatores como: -Especificidade/seletividade; -Sensibilidade; -Exatidão; -Precisão; -Robustez; -Limite de detecção; -Limite de quantificação. Introdução à Análise Instrumentais Características do Método -Especificidade capacidade do método em detectar o analito na presença de outros componentes da matriz ou impurezas. - Sensibilidade capacidade do método em distinguir , com determinado nível de confiança, duas concentrações próximas . A sensibilidade de um instrumento ou método é uma medida de sua habilidade em discriminar pequenas diferenças na concentração de um analito. -Exatidão grau de concordância entre o valor medido (média de várias replicatas) e o valor de uma referência padrão. -Precisão grau de concordância mútua entre os dados que foram obtidos do mesmo modo. Fornece uma medida do erro aleatório, ou indeterminado, de uma análise. -Robustez é a medida da sua capacidade permenecer inalterado sob pequenas variações nos parâmetros do método. Introdução à Análise Instrumentais Características do Método Exemplo: Análise do pesticida X em amostras de morango Especificidade e sensibilidade: diferenciação do pesticida x em meio a outros compostos e capacidade de gerar sinal da substância de interesse em meio à outra substância com concentração próxima. Exatidão: comparação com materiais/análises de referência. Precisão: repetição das medidas para analisar discrepância no método. Robustez: varia os métodos de análise (parâmetros) para verificar se há alterações significativas nos valores encontrados. Introdução à Análise Instrumentais Características do Método -Limite de detecção é a menor concentração do analito que pode ser detectada, mas não necessariamente quantificada, sob condições experimentais estabelecidas -Limite de quantificação é definido como a menor concentração do analito, que pode ser quantificada na amostra, com exatidão e precisão aceitáveis, sob as condições experimentais adotadas. Introdução à Análise Instrumentais O instrumento converte a informação armazenada nas propriedades físicas ou químicas do analito em uma informação que pode ser manipulada e interpretada. É necessário um estímulo (radiação eletromagnética, energia elétrica, mecânica ou nuclear) para provocar uma resposta. Fonte de Energia Sistema em Estudo Informação Analítica Estímulo Resposta Instrumentos para Análise Passos gerais que devem ser seguidos para uma medida por análise instrumental 1- Amostragem – Escolha da parte e quantidade de material levado à análise. Deve- se ter cuidado nessa etapa para que a amostra escolhida seja representativa do todo estudado. 2- Preparação– Procedimentos que tornam a amostra compatível com a análise. Exemplo: moagem, dissolução, extração, etc. 3- Geração de sinal – Registro da resposta de uma substância a um sinal imposto, como corrente elétrica,diferença de potencial e radiação eletromagnética. 4- Sistema de detecção – a informação gerada é detectada e traduzida para uma forma de saída útil que pode ser convertida e compreendida pelo analista. Instrumentos para Análise Exemplo: Problema– Após a morte de três cervos em uma reserva florestal , investigadores resolveram investigar um possível envenenamento por arsênio, elemento presente em herbicidas Amostragem– Os investigadores retiraram os rins dos cervos, que foram triturados e homogeneizados e selecionados aleatoriamente uma parte equivalente a 10 g. Preparação– a amostra foi calcinada e o sólido resultante foi solubilizado em ácido clorídrico para separar as espécies de arsênio. Geração de sinal – A análise se deu por espectrofotometria, na qual o analito (de cor vermelha) foi submetido à radiação eletromagnética e averiguada sua capacidade em absorver essa radiação. Detecção – O espectrofotômetro na região do vísivel forneceu dados relativos à absorbância, que é proporcional à concentração das espécies de arsênio na amostra. Para transformar o valor de absorbância em concentração , utilizou-se uma curva de calibração. Instrumentos para Análise As análise instrumentais sempre vão gerar um sinal/resultado que é proporcional à concentração do analito. A calibração determina a relação entre a resposta analítica e a concentração do analito, com o uso de padrões químicos Curva de calibração - Representação gráfica da resposta do instrumento (sinal analítico) em função da concentração do analito proveniente de soluções-padrão (padrão externo). Também chamada de curva de trabalho ou curva de calibração. Calibração dos métodos de Análise Qualquer que seja o método instrumental, o sinal analítico será sempre uma função da concentração do analito (atividade). Vtitulante S in al a n al ít ic o Curva de titulação potenciométrica pH S = f(C) Calibração dos métodos de Análise Qualquer que seja o método instrumental, o sinal analítico será sempre uma função da concentração do analito (atividade). Vtitulante S in al a n al ít ic o Curva de titulação condutimétrica ou espectrométrica K ou L, A S = f(C) Calibração dos métodos de Análise Qualquer que seja o método instrumental, o sinal analítico será sempre uma função da concentração do analito (atividade). [Analito] S in al a n al ít ic o SA = mCA + Sbr Curva Analítica A E (V) I (A) R (W) Etc... S = f(C) Calibração dos métodos de Análise -Para a realização da calibração, vários padrões (pelo menos 5) que contém concentrações conhecidas do analito são introduzidas no instrumento e feita a leitura, sob as mesmas condições da amostra. -Os padrões são considerados “externo” pois são preparados e analisados separadamente das amostras. -Normalmente são utilizados soluções com concentrações crescentes do padrão do analito e correlacionando-se a resposta instrumental com a concentração, se obtêm uma curva de calibração. Calibração com Padrão Externo -É desejável que a concentração da amostra deva estar dentro da faixa de concentração das soluções padrão. -A leitura dos padrões é corrigida pelo valor da leitura de uma solução apenas da matriz da amostra, sem o analito de interesse (branco). Vantagem: É uma técnica simples e se aplica a vários tipos de análise instrumental. Desvantagem: Não leva em conta o efeito da matriz, ou seja, os interferentes que podem alterar o sinal analítico. Calibração com Padrão Externo Calibração com Padrão Externo A curva linear é mais adequada , pois apresenta a mesma sensibilidade para toda a faixa de calibração. Os métodos dos mínimos quadrados é aplicado a uma curva de calibração a fim de se obter uma relação linear entre a resposta da medida do aparelho y e a concentração padrão do analito x. Relação matemática – equação da reta: Y = ax + b Onde b é o intercepto (valor de y quando x é igual a zero) e a é a inclinação da linha. Calibração com Padrão Externo Cálculo x computador Calibração com Padrão Externo Exemplo: Quantificação do teor de Eugenol no óleo do cravo da índia Calibração com Padrão Externo Exemplo: Quantificação do teor de Eugenol no óleo do cravo da índia R- coeficiente de correlação (linearidade do gráfico) R = 1 correlação perfeita 0,91< R < 0,99 correlação fortíssima Limitação da curva de calibração normal - Quando se utiliza a curva de calibração normal, assumimos que qualquer diferença entre a matriz dos padrões e a matriz da amostra não afeta a inclinação da curva (sensibilidade) -Um erro proporcional determinado é introduzido quando as diferenças entre as duas matrizes afetam a sensibilidade, como ilustrado na figura. Calibração com Padrão Externo Para se avaliar se as diferenças entre as inclinações das curvas são significativas, pode se aplicar os testes estatísticos F e t. Limitação da curva de calibração normal - Quando o efeito de matriz é esperado e a matriz da amostra é conhecida, pode-se realizar uma curva por ajuste de matriz (matrix matching) -Neste método de calibração, a matriz da amostra é adionada nos padrões de calibração de modo a se compatibilizar a matriz e minimizar os erros. OBS: nem sempre se consegue realizar o ajuste de matriz, pois muitas vezes é difícil obter a matriz sem o analito. Calibração com Padrão Externo Calibração com Adição de Padrão Interno - É uma forma de calibração muito utilizada quando se tem efeito de matriz e não é possível realizar o ajuste de matriz. - Neste método de calibração, quantidades conhecidas do analito são adicionadas a balões contendo volumes fixos da amostra, branco e nos padrões de calibração da análise. Posteriormente, o volume do balão é completado com um diluente adequado (água, ácidos diluídos, solventes orgânicos, etc) -Um padrão interno escolhido e empregado adequadamente pode compensar diversos tipos de erros. -A calibração por esse método envolve a construção de uma curva que relaciona a razão entre o sinal do analito e o sinal do padrão interno em função da concentração do analito nos padrões. Calibração com Adição de Padrão Interno Exemplo do preparo de uma curva de calibração por adição de padrão Calibração com Adição de Padrão Interno Cuidados -Deve-se ter uma ideia de concentração do analito na amostra para se definir a alíquota da amostra a ser tomada e as adições do padrão que serão realizadas. -A faixa linear da técnica de medida deve ser respeitada, ou seja, a soma da concentração do analito na amostra e da adição do padrão no último ponto deve ser menos que limite da faixa linear. Calibração com Adição de Padrão Interno -Como a curva de calibração por adição de padrão é construída na amostra, ela não pode ser estendida para a análise de outras amostras. Desta forma, para cada amostra deve-se construir uma curva de calibração. Este fato dificulta a aplicação deste método de calibração para análises de rotina, onde um grande número de amostras precisa ser analisado. -O método de adições de padrão pode ser utilizado para checar a validade da curva de calibração por padrões externos (avaliação do efeito de matriz). -O sucesso da utilização dos métodos de calibração com padrões internos e de adições de padrão depende da habilidade do analista manusear amostras e padrões reprodutivelmente e da estabilidade do equipamento. Calibração com Adição de Padrão Interno -Quando o procedimento não pode ser controlado de forma que todas as amostras e padrões são tratados igualmente, a exatidão e precisão do método podem sercomprometidos. -Nos casos onde o processo analítico não é reprodutível, a padronização é possível se o sinal do analito for referenciado ao sinal gerado por outra espécie que foi adionada em concentração fixa e conhecida em todos os padrões e amostras. -A espécie adicionada é chamada de padrão interno e deve ser essencialmente diferente do analito. Calibração de Métodos Instrumentais Método da adição de padrão -Desde que o analito e o padrão interno em qualquer amostra ou padrão recebem o mesmo tratamento e estão sujeitos as mesmas variações, a razão dos sinais não será afetada. -Se uma solução contém um analito de concentração CA e um padrão interno de concentração CPI , então o sinal devido ao analito, SA, e ao padrão interno, SPI, são : -Sendo kA e kPI as constantes de proporcionalidades do analito e do padrão interno. Para facilitar a aplicação do padrão interno, plota-se a curva de calibração relacionando-se a razão sinal do analito (AS)/sinal do padrão interno (SPI) x a concentração do analito (CA) -Para se obter a concentração do analito na amostra, basta utilizar a razão sinal do analito na amostra/sinal do padrão interno e jogar na equação da curva de calibração Calibração com Padrão Interno Exemplo: Quantificação do teor de Eugenol no óleo do cravo da índia Carvona padrão interno Calibração com Padrão Interno Exemplo: Quantificação do teor de Eugenol no óleo do cravo da índia Carvona padrão interno