Resumo Hermenêutica - aulas Norberto
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Resumo Hermenêutica - aulas Norberto


DisciplinaHermenêutica e Hermenêutica Jurídica595 materiais3.296 seguidores
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Hermenêutica Jurídica \u2013 1º Semestre 
Resumo por Caroline Johann 
 
1. Formalismo jurídico: identificação entre Direito e texto legal. 
 
a) Afirmação da interpretação como atividade puramente cognitiva (isto é, não 
valorativa) dominada pelo silogismo¹. 
b) Subordinação do intérprete à vontade do legislador histórico. 
c) Ciência jurídica limitada à exposição da legislação, em suas conexões internas 
(intra e interlegislativas) 
 
2. Desgaste das premissas políticas do formalismo: crise do Estado Liberal e 
da democracia representativa. 
 
¹ Um silogismo (do grego antigo \u3c3\u3c5\u3bb\u3bb\u3bf\u3b3\u3b9\u3c3\u3bc\u3cc\u3c2, "conexão de idéias", 
"raciocínio"; composto pelos termos \u3c3\u3cd\u3bd "com" e \u3bb\u3bf\u3b3\u3b9\u3c3\u3bc\u3cc\u3c2 "cálculo") é um termo 
filosófico com o qual Aristóteles designou a argumentação lógica perfeita, 
constituída de três proposições declarativas que se conectam de tal modo que a 
partir das duas primeiras, chamadas premissas, é possível deduzir uma conclusão. A 
teoria do silogismo foi exposta por Aristóteles em Analíticos anteriores. 
Num silogismo, as premissas são um ou dois juízos que precedem a 
conclusão e dos quais ela decorre como consequente necessário dos antecedentes, 
dos quais se infere a consequência. Nas premissas, o termo maior (predicado da 
conclusão) e o termo menor (sujeito da conclusão) são comparados com o termo 
médio, e assim temos a premissa maior e a premissa menor segundo a extensão dos 
seus termos. 
Um exemplo clássico de silogismo é o seguinte: 
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Todo homem é mortal. 
Sócrates é homem. 
Logo, Sócrates é mortal. 
 
3. Ascensão do Estado Social e Transformações do Direito. 
 
Estado Liberal (séc. XIX) 
\uf0d8 Tomou lugar do absolutismo 
\uf0d8 Primeiro modelo de Estado de Direito com características de 
democracia 
Confiança na \u201cvirtude\u201d do Poder Legislativo \u2192 capaz de exercer plenamente 
a representatividade do povo. 
Se o povo elegesse os representantes, sua vontade estaria representada na 
elaboração das leis. 
Havia uma premissa política que sustentava o formalismo. Leis teriam sentido 
normativo, estando acima das demais fontes, que ficariam em segundo plano 
(interpretação do Direito é secundária e não pode mudar a lei). 
Neste contexto insere-se a escola francesa da Exegese: 
\uf0d8 Intérprete tem que buscar a interpretação de acordo com a lei (na 
direção pretendida pelo legislador). 
\uf0d8 Como? \u2192 Interpretação textual: limitada às palavras do texto. 
\uf0d8 Literalismo seria sempre a melhor opção \u2192 significado mais óbvio, 
mais juridicamente usado 
Limitação da ciência do Direito \u2192 papel do cientista limitado a uma 
descrição do ordenamento jurídico. Este deveria conhecer e descrever o conteúdo 
das leis, de forma sistemática. 
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Características do ordenamento jurídico 
a) Pleno 
b) Consistente 
c) Determinado (dotado de certeza) 
 
a) Ordenamento Pleno 
Se é dotado de plenitude, não tem lacunas. Tudo que é necessário está 
regrado. Se uma demanda não é coberta, significa que não havia necessidade de 
regramento (princípio simplista) 
b) Ordenamento consistente 
Se o ordenamento é coerente, então tem ausência de antinomias profundas 
(afirmação simultânea de duas proposições contraditórias) \u2192 Sem contradições 
(incoerências). 
Antinomias profundas são aquelas de valor \u2192antinomias simples são aceitas. 
Ex: 
 contrabando x importação de drogas ilícitas 
Lei geral x lei especial 
 
c) Ordenamento determinado 
Mito da \u201cúnica interpretação correta\u201d (certeza) 
Pode-se admitir que o Direito deveria ser assim \u2192 como uma aspiração. Mas 
dizer que o Direito é assim é um equívoco. 
 
Em meados do Séc. XIX o formalismo jurídico era duramente criticado e 
passou a ser repelido. As suas próprias características e idéias contribuíram para isso, 
além de outros fatores (sociais, econômicos,...). 
 
 
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Revolução Industrial 
Provocou muitas transformações sociais e econômicas: 
\uf0d8 Êxodo rural: Imigração massiva para grandes centros urbanos. 
\uf0d8 Elevação do desemprego nestes centros. 
\uf0d8 Marginalização da sociedade. 
\uf0d8 Indústrias nascentes passaram a realizar produção em massa. 
\uf0d8 Aumento da criminalidade em função do surgimento de novos fatores 
criminológicos. 
\uf0d8 Surgimento de sindicatos 
 
Direito naquela época: 
\uf0d8 Ausência do Direito do trabalho, previdenciário, tributário, financeiro. 
\uf0d8 Na área trabalhista não havia idade mínima, não havia previsão de 
jornada de trabalho, crianças e gestantes trabalhavam indistintamente, não havia 
férias. 
\uf0d8 O Direito do Estado Liberal não era projetado para atender a esta nova 
realidade: estava em crise e havia necessidade de mudanças para acompanhar essas 
novas demandas sociais. 
 
Reações à superação do formalismo 
 
a) 2 linhas: 
\uf0d8 Positivismo jurídico moderno (Kelsen) 
\uf0d8 Aglomerado de correntes anti-formalistas 
 
b) Mudanças do Estado Liberal (com mínima intervenção estatal) para 
Democracia Social (bem-estar social e máxima intervenção estatal \u2192 Inglaterra, 
países escandinavos, Holanda, Bélgica. 
 
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c) Estado Social não respeita a divisão clássica dos poderes, 
principalmente pela deficiência do Legislativo, que não consegue acompanhar as 
mudanças sociais. 
 
d) Executivo passou a realizar a função Legiferante: Decreto-Lei, 
Medida Provisória. 
 
e) Interpretação autêntica (Kelsen): o juiz faz a interpretação autêntica, 
ou seja, ele decide conforme sua interpretação. Maior liberdade interpretativa: 
 
\uf0d8 O juiz deveria perseguir a interpretação correta, não a única, mas 
sempre com fundamentação, para que as pessoas entendessem e pudessem 
concordar com a decisão. 
\uf0d8 Lançar mão de boa argumentação 
\uf0d8 Não cabia aos juristas analisar a qualidade da decisão. 
 
2) 
Comandos (mandamentos) 
Uma das principais características do Direito: é um conjunto de prescrições 
(mandamentos ou comandos). 
Estes comandos estão divididos em vários níveis: alguns mais abrangentes, 
como a Constituição; outros bem específicos, como as normas de um condomínio, 
por exemplo. 
 
Comunicação 
\uf0d8 a transmissão dos comandos ocorre por um meio de comunicação. 
\uf0d8 Normalmente o meio utilizado é a escrita. 
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\uf0d8 Cada um que lê um comando o interpreta de uma forma. 
Não é possível que a interpretação seja feita de qualquer forma pelos 
operadores do Direito, em função da repercussão social, econômica e outras. 
\uf0d8 Não pode haver subjetividade na interpretação. 
\uf0d8 Há necessidade de disciplina. 
\uf0d8 O intérprete é responsável pala repercussão da sua interpretação \u2192 
quem julga o caso concreto tem um nível de responsabilidade maior. 
 
 
Linguagem jurídica 
A linguagem jurídica é uma linguagem natural. 
\uf0d8 A linguagem natural é a utilizada no cotidiano para a comunicação. 
\uf0d8 Esta linguagem não tem um repertório limitado, pode até mesmo ser 
considerada infinita. 
 
Gramática normativa 
\uf0d8 Uma tentativa de impor, pelo sistema educacional, uma linguagem, uma 
convenção. 
\uf0d8 É uma forma de padronizar a linguagem. 
O legislador faz um esforço no sentido de padronizar a linguagem, evitando, 
por exemplo, a utilização de estrangeirismos ou gírias na escrita das leis. 
\uf0d8 Ex: na definição de homicídio utiliza o verbo matar ao invés de 
\u201capagar\u201d 
Além deste esforço, há necessidade de cuidados com algumas dimensões da 
linguagem: 
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1) Dimensão semântica: sentido das palavras, cuidado com o significado 
atribuído às palavras. 
 
2) Dimensão sintática: combinação das palavras. O lugar da palavra no 
texto, contextualização. 
 
3) Dimensão pragmática: interpretação