PNEUMONIA
13 pág.

PNEUMONIA


DisciplinaFisioterapia Respiratória4.174 materiais40.503 seguidores
Pré-visualização1 página
Definição
A pneumonia é um processo inflamatório secundário a um processo infeccioso das vias aéreas periféricas, alvéolos e interstício pulmonar. A presença de condensação pulmonar causado por exsudado, que pode acumular-se nos alvéolos e vias aéreas distais, torna o pulmão menos complacente e, assim sendo, pode-se caracterizar a pneumonia como uma doença restritiva. Alguns autores dividem a pneumonia da seguinte forma: 
*Pneumonia adquirida na Comunidade
As pneumonias adquiridas na comunidade é o tipo mais comum, podendo se manifestar sem que o paciente tenha tido contato com alguma unidade de saúde, tendo contato apenas com o agente causador. 
Podem ser classificadas da seguinte forma:
*Pneumonia Bacteriana
*Viral
*Germes atípicos
*Fúngicas
As maiores incidências dos casos de internação por pneumonia acometem as faixas etárias de crianças com menos de 5 anos e em idosos com mais de 80 anos. A taxa de mortalidade varia de acordo com a faixa etária e aumento de incidências no decorrer dos anos que se passam nas faixas etárias acima de 70 anos.
Os microrganismos podem chegar ao parênquima pulmonar pelas seguintes vias: aspiração de secreções da orofaringe; inalação de aerossóis; disseminação hematogênica.
Pneumonia Nasocomial
*Pneumonia relacionada com cuidados de saúde \u2013 PRCS
*Pneumonia associada a ventilação mecânica \u2013 PAVM
São complicações ocorridas frequentemente em pacientes hospitalizados, principalmente em pacientes admitidos nas UTI´s. É a segunda infecção hospitalar mais comum e a primeira em termos de morbidade, mortalidade e custos.
PRCS \u2013 Ocorre após 48h da admissão hospitalar, por germe que estava incubado, sem ter ralação com procedimentos médicos, não relacionada à intubação endotraqueal e à ventilação mecânica.
O principal fator de risco para o surgimento de pneumonia nasocomial é a ventilação mecânica e um dos principais fatores responsáveis por pneumonia associada a ventilação mecânica é a aspiração de secreções de bucofaringe.
Classicamente, as pneumonias nosocomiais têm sido tratadas por 2 a 3 semanas, embora não haja evidências científicas para essa conduta, aceita desde longa data.
Quando o tratamento inicial da pneumonia é correto, a melhora clínica ocorre, habitualmente, com menos de 7 dias. O uso excessivamente prolongado de antibióticos, além de aumentar o custo do tratamento, expõe o paciente aos riscos dos efeitos adversos dos medicamentos. Portanto, se o preenche os critérios de melhora clínica e laboratorial, e assim se mantém por 48h, pode-se suspender o antibiótico com 7 ou 10 dias. Em contrapartida, para bactérias multirresistentes não existe consenso sobre isso. Habitualmente, o tratamento é de no mínimo 10 a 14 dias.
Escala de Avaliação
Os pacientes com diagnóstico de PAC devem ser avaliados quanto à gravidade da doença, o que orientará a decisão do local de tratamento, a intensidade da investigação etiológica e a escolha do antibiótico.
Por sua simplicidade, aplicabilidade e facilidade de uso, as Diretrizes Brasileiras para a pneumonia adquirida na comunidade em adultos imunocompetentes sugerem a utilização do escore CURB 65 como critério apropriado para a estratificação da gravidade no nível de atenção primária e na emergência.
Quadro Clínico
Quadro Clínico das Pneumonias
Pneumonia Comunitária Típica
*Aguda
*Febre alta
*Calafrios
*Dor Torácica
*Tosse produtiva
Pneumonia Comunitária Atípica
*Inicio Gradual
*Febre baixa
*Traqueíte (infecção da traqueia causada por bactéria)
*Tosse improdutiva
Nota Clínica
Diagnóstico da Pneumonia Nosocomial
*Febre persistente (>38ºC)
Aumento da secreção pulmonar (piora do aspecto)
*Leucocitose (indica presença de infecção)
*Consolidação pulmonar ao exame físico
Ao exame clínico, o paciente apresenta FTV (Frêmito Toraco Vocal) aumentado \u2013 utiliza-se as mãos para sentir as vibrações causadas pelos sons vocais do paciente (o famoso \u201cdiga 33\u201d) e macicez(som obtido pela percussão dos órgãos maciços do corpo) á percussão torácica, pela presença de condensação. Á ausculta pulmonar, pode-se verificar ruído traqueal no tórax em decorrência da passagem do ar por VA solidificadas e crepitações ao final da inspiração, pela redução da elasticidade pulmonar gerada pela formação de exudato (fluído inflamatório extravascular que possui alta concentração de proteínas) e, por isso, pode ocorrer reabertura súbita das VA ao final da inspiração.
Fisiopatologia
Os pulmões são estéreis, principalmente nas partes posteriores aos brônquios principais mesmo tendo uma grande flora nas vias respiratórias superiores. Ao respiramos principalmente quando dormimos arrastamos alguns microrganismos para partes mais inferiores das vias respiratórias, porém não causam infecções.
A perda do reflexo da tosse, do epitélio ciliado ou das defesas imunitárias predispõe a infecção das vias respiratórias inferiores.
A patogenia, ou seja, a origem da infecção se divide em 4 etapas:
*Edema
*Hepatização vermelha
*Hepatização cizenta
*Resolução
Fase de Edema e Hepatização Vermelha
O micro-organismo provoca uma transudação de líquido rico em proteínas para o alvéolo provocando uma congestão dos capilares causando uma infiltração de células inflamatórias e eritrócitos.
Fase de Hepatização Cinzenta e Resolução
Esta fase se inicia de 2 dias ou mais e depende do êxito do tratamento, onde os macrófagos irão fagocitar os neutrófilos, eritrócitos e restos celulares e bacterianos. Ocorre uma 
diminuição da congestão vascular, o exsudado se elimina e o pulmão vai regressando a sua normalidade progressiva.
Sintomas:
*Mal estar geral, calafrios violentos e febre
*Tosse com esputo e com o avanço da doença o esputo se altera e pode apresentar sangue com cor de ferrrugem ou ser muito mais purulento.
*Hipoxemia(insuficiência de oxigênio no sangue), disnea, dor pleurítica que se intensifica com movimentos respiratórios.
Tratamento fisioterapêutico
Administração de fármacos específicos associado a fisioterapia.
Principais objetivos da fisioterapia respiratória:
*Prevenir o acúmulo de secreções nas vias aéreas
*Melhorar a eficácia da ventilação
*Promover a limpeza e a drenagem das secreções
*Promover a reexpansão de um segmento pulmonar
*Aperfeiçoar o mecanismo respiratório e o controle da respiração
*Melhorar a resistência e a tolerância à fadiga
*Melhorar a efetividade da tosse
Técnicas fisioterapêuticas \u2013 Tratamento
A vibração manual torácica ou vibro compressão:
São movimentos vibratórios aplicados manualmente nas porções dorsal, ventral ou lateral do tórax, acompanhando o movimento da caixa torácica;
Drenagem Postural consiste em alterar o posicionamento do paciente para favorecer a ação da gravidade sobre as secreções brônquicas;
Aceleração de fluxo expiratório é uma manobra de desobstrução brônquica para expulsão fisiológica das secreções pulmonares. Pode ser rápido ou lento. É aplicada em um movimento toracoabdominal na expiração.
 
Caso Clínico
Paciente D.C.L, 35 anos, residente na Rua Titã, nº1011, bairro Vicente Pizon \u2013 relata que gripa com frequência e que a mais ou menos um mês apresentou febre, dor no peito e falta de ar. Procurou uma unidade de saúde onde foi realizado o exame de raio x do tórax. O mesmo deu positivo para pneumonia. A paciente foi internada na unidade de saúde, onde permaneceu por um semana com a administração de antibióticos específicos.