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Autora Socorro Rabelo Planejamento de demanda Expediente Direção Geral: Prof. Me. CláuDio ferreira Bastos Direção Geral aDMinistrativa: Prof. Dr. rafael raBelo Bastos Direção De relações instituCionais: Prof. Dr. CláuDio raBelo Bastos Direção aCaDêMiCa: Prof. Dr. valDir alves De GoDoy CoorDenação PeDaGóGiCa: Prof. Me. antônio alexanDre iório ferreira CoorDenação neaD: Profa. Me. luCiana roDriGues raMos Duarte FICHA TÉCNICA autora: PatríCia Maia DesiGn instruCional: Jasson Matias PeDrosa / João Paulo s. Correia ProJeto GráfiCo e DiaGraMação: franCisCo Cleuson Do n. alves / franCisCo erBínio alves roDriGues / luCiana roDriGues r. Duarte CaPa: franCisCo Cleuson Do n. alves / PaBlo valentiM De freitas trataMento De iMaGens: franCisCo Cleuson Do n. alves PaBlo valentiM De freitas FICHA CATALOGRÁFICA Índice para Catálogo Sistemático 1. Educação Ensino Superior I. Título FATE : Faculdade Ateneu. Educação superior – graduação e pós-graduação: Fortaleza, 2016. Para alunos de ensino a distância – EAD. 1. Educação Superior I. Título Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, total ou parcialmente, por quaisquer métodos ou processos, sejam eles eletrônicos, mecânicos, de cópia fotostática ou outros, sem a autori- zação escrita do possuidor da propriedade literária. Os pedidos para tal autorização, especificando a extensão do que se deseja reproduzir e o seu objetivo, deverão ser dirigidos à Direção. Apresentamos aqui um material focado no estudo detalhado do Curso de Extensão em Logística. Objetivamos mostrar a você desde os fundamentos básicas de Planejamento, Programação e Controle da Produção bem como a Previsão de controle. Para a demanda, destacaremos as previsões, os padrões e o gerenciamento, tudo isso utilizados dentro do ERP é uma sigla derivada do nome Enterprise Resource Planning que, traduzido ao pé da letra, significa “Planejamento dos recursos da empresa”. Os controles e os planejamentos de estoques serão abordados por meio da Demanda independente com abordagem de como será aprovada a lista de Materiais e Interfaces Funcionais. Em sistemas empresariais, serão estudados a abordagem de Planejamento das Necessidades de Materiais (MRP), os tópicos de fatores importantes para o MRP, suas resultantes e Just-in-time dentro de uma linha de produção. Desse modo, levaremos você a estabelecer os objetivos de aprendizagem de forma clara e expressa sobre as formas, as características, os processos e o planejamento de uma demanda logística. Todos os comentários terão embasamento no mercado logístico nacional e serão utilizados para demonstrar de forma clara e precisa alguns sistemas, estruturas qualitativas e análise de demanda de mercado a fim de proporcionar a você uma correlação entre a demanda e a gestão de produtos. Para o estudo do primeiro e do segundo capítulos, abordaremos as características, os fundamentos, as noções e as previsões de planejamento, dando continuidade com as particularidades de demanda, estabelecendo uma correlação entre a cadeia de suprimentos, as previsões e os padrões de demanda, até mesmo seu gerenciamento e planejamento em ERP. Passamos, assim, para os capítulos 3 e 4 nos quais destacaremos, na área específica de estocagem, noções gerais de demanda independente e dependente bem como a utilização das Listas de Materiais e ressaltar os modelos de gestão para estes estoques. Então, encerraremos nosso estudo com destaque a alguns fatores importantes para um planejamento MRP, como o Time-phased Order Point (TPOP), Just-in-time, lead time e os resultados obtidos com a aplicação desses processos de gestão de estoques. Em resumo, passaremos os conhecimentos que lhe ajudarão no processo de estudo deste módulo e possibilitaremos uma boa verificação de seus conhecimentos logísticos de planejamento de demanda. Então, vamos lá! Seja bem-vindo! Sumário CAPÍTULO 01 FUNDAMENTOS DO PLANEJAMENTO DE CONTROLE 1. funDaMentos Do PlaneJaMento ..........................................................................................8 1.1. Noções de processo de organização .........................................................................16 1.2. Previsão de controle ...................................................................................................19 CAPÍTULO 2: A DEMANDA NA CADEIA DE SUPRIMENTOS 1. CaDeia De suPriMentos .....................................................................................................26 1.1. Previsão de demanda .................................................................................................28 1.2. Padrões de demanda .................................................................................................32 1.3. Gerenciamento da demanda ......................................................................................37 1.4. Planejamento dos recursos empresarias (erp) ...........................................................43 2. PlaneJanDo a DeManDa .....................................................................................................48 CAPÍTULO 3: PLANEJAMENTO E CONTROLE DE ESTOQUES 1. noções Gerais De estoques .............................................................................................58 2. DeManDa inDePenDente x DePenDente ................................................................................63 2.1. Lista de materiais .......................................................................................................66 2.2. Modelos de gestão de estoques .................................................................................70 CAPÍTULO 4: PLANEJAMENTO DAS NECESSIDADES DE MATERIAIS (MRP) 1. fatores iMPortantes Para o MrP .....................................................................................80 1.1. Time-phased order point (TPOP), just-in-time (JIT) e lead-time ................................82 1.2. Resultados de MRP ....................................................................................................86 7 Objetivos de aprendizagem • Focar no conhecimento das etapas do planejamento e processos bem como a previsão de controle, abrindo novos horizontes profissionais das pessoas que a compõem; • Identificar como cada indivíduo e cada unidade organizacional, desempenhando seu papel tendo por finalidade os objetivos comuns empresariais de gerar recursos sustentáveis; • Aperfeiçoar o planejamento de produção de uma empresa, sempre buscando a melhoria nos custos da produção; • Apontar os processos de organização de gestão dentro das companhias; • Apontar os meios de previsão de controle empresarial de demanda. A gestão da produção é algo que está presente no cotidiano da maioria das empresas cujos processos necessitam de uma excelente organização. Atualmente, ser administrador não requer apenas uma gestão do presente, fatos correntes, mas uma preocupação contínua com o futuro, em explorar a situação corrente visando à missão futura da companhia a ela destina a gerir. Todas as decisões visam à meta original de qualquer entidade, à continuidade da mesma, ao estabelecer de um plano, a um planejamento voltado para o futuro da gestão empresarial. Capítulo 01 – Fundamentos do Planejamento De Controle 8 O planejamento está voltado para o futuro, que requer uma atenção especial. É para ele que a organização deve estar preparada a todo instante. Em suas decisões, o gestor configura uma continuidade para sua companhia ou unidade organizacional que administra. O controle será abordado como o processo pelo qual são fornecidas as informações sobre a execução dos processos anteriormente planejados, assumindo vários e diferentes significados. Contudo, sob um pontode vista mais amplo, trataremos deste como um sistema automático de regulação: utilizado para manter automaticamente um grau constante no fluxo ou no funcionamento de um sistema. Quando algo está sob o controle, significa que está dentro do normal ou da expectativa. Na área de produção, serão abordados os níveis de controle operacional, direcionando à gestão acurto prazo, abordando tarefas ou operações, focalizando cada processo e dando ênfase na eficiência da produção. Para atingir as ações com meio a objetivos traçados para demanda, destacamos as interpretações destes mesmos, onde: Interpretar os objetivos propostos pela organização e transformá-los em ação organizacional por meio de planejamento, organização, direção e controle de todos os esforços realizados em todas as áreas e em todos os níveis da organização a fim de alcançar tais objetivos da maneira mais adequada à situação (CHIAVENATO, 1998, p. 9). 1. Fundamentos do planejamento Caso se faça uma retrospectiva da história da humanidade, ver-se-á que o ser humano já fazia o planejamento de suas tarefas em épocas muito antigas. Notamos, em livros de história, que o homem pré-histórico já tinha a habilidade de planejar suas excursões de caça, pois disso dependia a sua sobrevivência. Mais adiante, nessa mesma trajetória, o homem organizava as primeiras sociedades agrárias, já sabiam elaborar, de forma rudimentar que fosse, suas estratégias para plantar, colher e armazenar comida. No artigo científico, Orçamento empresarial, o autor, Tomislav Femenick (2005, p. 3) expõe: 9 A função do planejamento empresarial, que deu origem àquela que conhecemos hoje em dia, começou a ser usada no início do século XVIII, juntamente com a Revolução Industrial, e a partir de então vem se aperfeiçoando. Porém, o Planejamento, como é conhecido atualmente, começou a ser desenvolvido nos anos setenta do século passado, provocado pela primeira crise energética, quando houve uma instabilidade de âmbito mundial, no macro ambiente econômico. Fique atento Um planejamento, é um processo que lida com maiores incertezas e turbulências políticas e econômicas, que oferece instrumentos ágeis para se enfrentar essas mudanças. Na visão de Oliveira (1999, p. 33), [...] o Planejamento corresponde ao estabelecimento de um conjunto de providências a serem tomadas pelo gestor, para a situação em que o futuro tende a ser diferente do passado, entretanto, a empresa tem condições e meios de agir sobre as variáveis e fatores de modo que possa exercer alguma influência; o planejamento é ainda um processo contínuo, um exercício mental que é executado pela empresa independentemente de vontade específica dos gestores. Já Mintzberg (2000, p. 44) afirma que para a função planejamento, confluem todas as tendências da teoria da administração e todas as práticas da administração empresarial. Por isso, ele é essencial, não apenas quanto ao aspecto organizacional mas também quanto à sobrevivência e ao crescimento da empresa, quando se almeja atingir um alvo. Segundo Welsch (1983, p. 29), “planejar é desenvolver, de maneira imaginativa, novas potencialidades de lucros e melhorar as atividades geradoras de lucros já existentes na empresa”. Essa busca demanda por novos objetivos que devem ser estabelecidos sistematicamente com a formulação de estratégias, táticas e planos claros, incisivos, prontos, diretos e sem rodeios. 10 Fique atento Todo planejamento deve ser baseado na necessidade de um processo decisório que visualize três dimensões temporais: antes, durante e depois de sua elaboração e implementação na organização. Memorize Planejamento é o padrão que integra as principais metas, políticas e sequência de ações de uma organização em um todo coerente. Segundo Parson e Culligan (1988, p. 20), “um planejamento superior é o alicerce sobre o qual todas as práticas comerciais saudáveis precisam se fundamentar. Não há muita margem para a sorte em um mundo altamente competitivo”. Em síntese, planejar é desenvolver características tais como o despertar para a curiosidade em todos os setores da sociedade, o desejo de descobrir novidades, pesquisar incessantemente as transformações que ocorrem no mundo de acordo com seus interesses ou não, levando a uma tomada de decisão, considerando alternativas de execução. Traçar metas para o futuro de forma coerente à realidade da organização, para que não haja frustração. Incentivar a agilidade dos processos, onde todos os níveis hierárquicos da empresa possam acreditar nas metas e nos objetivos estabelecidos e superar os obstáculos de sua realização, dando o melhor de si. Assim, a companhia será capaz de reunir todas as outras características em uma fórmula vencedora. Diante de toda essa teoria, podemos descrever que o planejamento orçamentário deve manter uma visão ampla e geral de todas as situações e medidas por elas tomadas. Ao conhecer o comportamento empresarial, seu presente e futuro, suas políticas e destinar assim metas atingíveis de sucesso, as dificuldades, maiores ou menores, permitiram ao administrador, gerir os fatos futuros indesejáveis, quebrando-os desde as primeiras observações de ocorrências. Tudo isso permitirá alcançar os resultados almejados. 11 Memorize O planejamento, o processo e o mecanismo de controle detectam possíveis desvios ou irregularidades e proporcionam automaticamente a regulação necessário para voltar à normalidade, monitorando o desempenho da produção e corrigindo possíveis desvios. O planejamento orçamento dispõe de artifícios para se manter eficaz. Em sua fase inicial, o projeto estabelecido pela gestão deve caracterizar uma série de indagações tais como: qual o intuito da organização em relação ao seu macro ambiente? Qual a capacidade produtiva, de venda e administrativa da empresa? Quais são as políticas econômicas e sociais que representam os interesses da organização? Como e quando essas políticas devem ser executadas? O que a empresa deve desenvolver em termos de produtos e relacionamento com os clientes e com os fornecedores e como fazê-lo? Dentre muitas outras que trarão ao gestor, uma visão clara de como se apresenta a situação empresarial. Antes mesmo do início do planejamento do orçamento, outras decisões empresariais devem ser tomadas de forma preventiva para evitar problemas estruturais do sistema a ser elaborado. Algumas dessas decisões envolvem a identificação de aspectos relacionados com uma análise de SWOT, dentre outros pontos significativos da situação problema, identificando: • Pontos fortes, fracos, ameaças e oportunidades da empresa com relação ao mercado, disponibilidade de capitais, tecnologia utilizada, qualificação dos recursos humanos, grau de intensidade de uso de marketing, os produtos e os serviços que devem ser desenvolvidos, entre outros; • Diretrizes para o futuro em relação ao macroambiente (aí entendendo-se fatores inerentes à organização e mesmo aqueles que dela não dependam), com vista às oportunidades e às ameaças futuras, mesmo sabendo-se que os estudos têm por base situações do passado e do presente; • Metas e objetivos, os quais serão estabelecidos em curto, médio e longo prazos; • Estratégias e táticas a serem adotadas para que as metas e os objetivos sejam alcançados; • Sistema de acompanhamento e avaliação do desempenho dos vários setores, em relação às metas e aos objetivos do orçamento. 12 Memorize Análise SWOT consiste na identificação das estruturas internas (pontos fortes e fracos) e externas (oportunidades e ameaças) enfrentadas pelas companhias diante de um determinado questionamento problema. Dessa forma, são identificadas cinco dimensões relacionadas com a “função do planejamento” nas organizações – aí também está incluído o planejamento do orçamento, o qual, para maior credibilidadee sustentação técnica, pode exigir sustentação a ser obtida por pesquisas. No caso dos planos de orçamento, elas podem atingir assuntos como: lançamento de novos produtos, campanha de marketing, finanças, recursos humanos e produção, dentre outros. Podemos também envolver elementos da fase de planejamento propriamente dito – metas, objetivos, estratégias, táticas, propósitos, políticas, procedimentos, normas e outros a fim de obter alcance temporal do planejamento – que pode ser a curto, médio e longo prazos. Segundo Welsch (1983, p. 30), “as decisões administrativas voltadas para o futuro defrontam-se com uma questão básica: o dimensionamento temporal do planejamento e do processo decisório”. Já o que traz Oliveira (1999, p. 32), “corresponde às unidades organizacionais onde o julgamento é elaborado e nesse caso pode se ter planejamento corporativo, de subsidiárias, grupos funcionais, divisões, departamentos, produtos etc.”. Fique atento A estrutura do planejamento pode ser elaborada de forma complexa ou simples; com abordagem quantitativa, qualitativa ou mista; formal ou informal; necessitando de muitos recursos financeiros ou poucos; estratégicos ou táticos. Segundo Oliveira (1999, p. 32), “estes aspectos das dimensões não são mutuamente excludentes nem apresentam linhas demarcatórias muito claras”. Porém, dão uma visualização ampla do assunto planejado. Assim, são elementos básicos para um programa orçamental são analisar a situação e as referências estratégicas; demonstrar o nível do planejamento em relação ao potencial operacional da empresa; justificar as metas e os objetivos, quantificando-os em quantificação e valor e verificar a viabilidade de execução das metas e objetivos nos prazos estabelecidos – curto, médio e longo prazos. De forma a esclarecer segue o quadro: 13 Quadro 1: Posicionamento estratégico. POSICIONAMENTO CONTEÚDO PRAZOS TESTE Estratégico Genérico, sintético e abrangente Longo Macro-orientado, com abordagem empresarial do todo. Visa à eficácia. O que fazer? Tático Um pouco mais específico e mais detalhado do que o estratégico feral Médio Aborda cada unidade da empresa separadamente. De que forma posemos fazer? Operacional Detalhado, especí- fico e analítico das operações Curto Micro-orientado, abordando apenas cada tarefa ou operação. Visa à eficiência do processo. Como fazer? Fonte: David A. Taylor (2005). Os gestores se apropriam das probabilidades de acertos ofertadas pelos procedimentos e pelas diretrizes traçadas para obter o maior índice de assertiva, eliminando assim as possibilidades de erros e evitando o desperdício de tempo, visando ao desenvolvimento hábil e real das organizações. As organizações que presam por esse tipo de gestão fazem uma abordagem filosófica e cultural do ambiente no qual está inserida a organização. Suas características, seus pontos vitais e seus participantes estão inseridos no processo de prospecção da personalidade da companhia, apontando sua flexibilidade a adequações em determinadas situações. Fique atento O bom senso empresarial aliado a uma elevada faculdade de julgamento de oportunidade, se adapta às circunstâncias através do planejamento e da execução orçamentária, deixando de ser um mero elenco de intenções e se transformarão em realidade, pois o mercado se altera, a tecnologia avança e as leis são modificadas. Segundo Francisco Coelho Oliveira (2015, p. 2), em Fundamentos do Planejamento, destaca que todo planejamento se subordina a uma filosofia de ação, destacando assim três filosofias deste planejamento: 14 Planejamento conservador: é o planejamento voltado para a estabilidade e para a manutenção da situação existente. As decisões são tomadas no sentido de obter bons resultados, mas não necessariamente os melhores possíveis, pois dificilmente o planejamento procurará fazer mudanças radicais na organização. Sua ênfase é conservar as práticas atualmente vigentes. Está mais preocupado em identificar e sanar deficiências e problemas internos do que em explorar oportunidades ambientais futuras. Sua base é predominantemente retrospectiva no sentido de aproveitar a experiência passada e projetá-la para o futuro. Planejamento otimizante: é o planejamento voltado para a adaptabilidade e inovação dentro da organização. As decisões são tomadas no sentido de obter os melhores resultados possíveis para a organização, seja minimizando recursos para alcançar um determinado desempenho ou objetivo, seja maximizando o desempenho para melhor utilizar os recursos disponíveis. Geralmente está baseado em uma preocupação em melhorar as práticas atualmente vigentes na organização. Sua base é predominantemente incremental no sentido de melhorar continuamente, tornando as operações melhores a cada dia. Planejamento adaptativo: é o planejamento voltado para as contingências e para o futuro da organização. As decisões são tomadas no sentido de compatibilizar os diferentes interesses envolvidos, elaborando uma composição capaz de levar a resultados para o desenvolvimento natural da empresa e ajustá-la às contingências que surgem no meio do caminho. O planejamento adaptativo procura reduzir o planejamento retrospectivo voltado para a eliminação das deficiências localizadas no passado da organização. Sua base é predominantemente aderente no sentido de ajustar-se às demandas ambientais e preparar-se para as futuras contingências. Como expressa Oliveira (1999, p. 117), ao se fixar definições de um orçamento e dos meios para alcançá-las, se estabelece um processo de tomada antecipada de decisões. Isso porque, como já foi dito, nesse processo há tempos diferentes para a realização de cada uma das decisões, etapas que envolvem épocas que se situam antes, durante e após – fixação das metas e objetivos (antes), registro da realidade empresarial (durante) e verificação do comportamento (após). Para podermos, como gestor, confiar em uma estrutura orçamentária, devemos deter da qualidade técnica uma perfeita interfase entre as autoridades envolvidas, bem como a concordância e o aceite dos orçamentos, assumindo a responsabilidade pelo que ocorrer em seus respectivos setores de gestão. 15 Fique atento O sistema de orçamento tem que prever e acompanhar a ordem do desencadeamento dos fatos com o intuito de definir e ajustar (quando necessário). Uma gestão que estabelecer tais critérios para uma perfeita estrutura orçamentária poderá facilmente destacar os objetivos e as metas, gerais ou setoriais, a fim de identificá-las e qualificá-las de forma confiável. A adoção do planejamento financeiro e orçamentário pela empresa pressupõe a prévia análise de todos os fatores relevantes dos sistemas operacionais estratégicos. Os principais aspectos dos processos de planejamento e controle financeiro deverão ser definidos antes de ser estruturado um programa equilibrado do plano geral de operações para o período em questão (ZDANOWICZ, 2000, p. 26). Pratique 1. O gestor precisa saber em qual rumo deseja que sua organização siga, tomar as decisões necessárias e elaborar os planos para que isso realmente aconteça. Como podemos caracterizar o planejamento desta gestão? _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 2. O planejamento orçamento dispõe de artifícios para se manter eficaz. Estabeleça uma situação e aponte como esta pode ser claramente solucionada diante das indagações propostas na fase inicial deste planejamento. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________16 3. Quais as estratégias utilizadas pelos gestores que possam proporcionar às organizações uma abordagem filosófica e cultural do ambiente? _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 1.1. Noções de processo de organização A função planejamento envolve uma série de atividades. Entretanto, tem como principais características aquelas que se identificam com o maior rigor técnico na previsão de acontecimentos que ainda estão para ocorrer. Entre essas atividades de forma processual, podem-se elencar: • Atuar de forma sistêmica, cobrindo as atividades de todos os departamentos da organização; • Fazer a interação entre os setores de produção e de venda com os demais departamentos da empresa; • Atuar tendo por base as melhores alternativas dentro de uma perspectiva do ciclo de planejamento; • Realizar um plano de ação contínuo, dando condições à empresa para acompanhar as inovações tecnológicas e as alterações de comportamento do mercado; • Ser flexível às mudanças, preparando a empresa para se moldar às novas tendências do mercado; • Inovar administrativamente com o objetivo de atingir um diferencial no seu segmento de mercado. Tudo mencionado resume-se em um processo de planejar identificando objetivos, organizar e implementar o planejamento, a direção de manutenção destas rotinas, avaliando, controlando e ajustando tudo na busca de uma meta de resul- tado, onde servirá de base para a retomada do processo de planejamento em um ciclo contínuo como mostra a figura a seguir. 17 Figura 1: Ciclo de planejamento. Recursos Controle Organização Desempenho Planejamento Humanos Monitorar as Atividades e Corrigir os desvios Formular objetivos e Os meios para alcança-los Desenhar o trabalho, Alocar recursos e Coordenar atividades Objetivos Produtos Serviços Eficiência Eficácia Financeiros Materiais Tecnológico Informação Direção Fonte: Dawison Calheiros “2015” (Adaptado). Alguns estudiosos nesta temática podem destacar em suas pesquisas uma série sequencial de seis passos na busca do processo de planejamento. Para Francisco Coelho Oliveira (2015, p. 2-3), estes passos são: 1. Definir os objetivos que se pretende alcançar, servindo de direção a todos os principais planos, servindo de base aos objetivos específicos departamentais e a todos os objetivos das áreas subordinadas a fim de obter resultados desejados para conhecer os passos intermediários; 2. Verificar a situação atual avaliando em relação aos objetivos desejados, verificar onde se está e o que precisa ser feito; 3. Desenvolver premissas futuras que constituem os ambientes esperados dos planos em operação, suas operações em ambientes complexos, gerando cenários alternativos para os estados futuros das ações, onde a previsão é um aspecto importante no desenvolvimento de premissas. A previsão está relacionada com pressuposições antecipatórias a respeito do futuro; 4. Analisar alternativas de ação na busca e na análise dos cursos alternativos de ação. Trata-se de relacionar e avaliar as ações que devem ser tomadas, escolher uma delas para perseguir um ou mais objetivos, fazer um plano para alcançar os objetivos; 5. Escolher um curso de ação dentre as várias alternativas, uma tomada de decisão, em que se escolhe uma alternativa e se abandona as demais. A alternativa escolhida se transforma em um plano para o alcance dos objetivos; 6. Implementar o plano e avaliar cuidadosamente os resultados até a chegada ao cliente para assegurar o alcance dos objetivos, seguir através do que foi planejado e tomar as ações corretivas à medida que se tornarem necessárias, adaptando-se à variação de mercado em um planejamento participativo. 18 Fique atento Para que o gestor possa atingir essas etapas do processo, o mesmo deve observar fatores determinantes que levam ao sucesso do planejamento. Observe alguns desses fatores na figura a seguir. Figura 2: Fatores que influenciam a programação do processo planejado estrategicamente. Ambiente econômico /demográfico Ambiente tecnológico e natural Ambiente sociocultural Ambiente político-legal Órgão Reguladores Fornece- dores Públicos Concorrentes An áli se Am bie nta l Planejamento estratégico Im ple me nta çã o de es tra tég ias Controle e monitoração Consumidores alvo (Adaptado de: Kotler-Princípios de marketing) An áli slis e Am bie nta l ie t Planejamento me jam estratégi o atégico Im ple me nta çã o Im ple me nta çã de es tra tég ias e e str até gié tra té Controole ee monitoraçãoã oração çã umidoConsu ores alvoa Produto Preço P re ça P ro m oç ão Fonte: Dawison Calheiros “2015” (Adaptado). No macro ambiente do processo, as companhias observam o ambiente internacional na unificação de desenvolvimentos no mundo; conhecimentos científicos e tecnológicos acumulados pelo ramo de negócios influenciando a maneira de produzir; as políticas econômicas e legislações vigentes; tradições culturais, valores, ideologias e hábitos sociais; densidade e crescimento populacional; ambientes naturais que circulam nesse processo, tudo envolvido de forma macro para obtenção do melhor planejamento estratégico na busca do processo ideal. Fique atento Existem ferramentas de programa de estratégias que facilitam as organizações em sua gestão, como técnicas de priorização, de identificação e ideias, análise SWOT, matriz BCG com análise do portfólio de produtos, as cinco forças do Modelo de M. Porter (Entrantes potenciais – Fornecedores – Concorrentes – Comprado- res – Produtos Substitutos) e o Balanced Scorecard, todas na busca das melhores decisões de processos. 19 Dentro das organizações, os dirigentes, diante de um processo, não serão capazes de dominar todas as áreas do planejamento sozinhos nem conhecer todas as informações necessárias para a tomada de decisão. Assim, destacamos as pessoas capazes para controlar este fluxo, iniciando uma criação e ambiente de diálogo criativo e construtivo na busca pelo controle. Isso será abordado logo mais a seguir. Pratique 1. Estabeleça uma companhia para efetuar sua pesquisa e descreva, dentro de uma situação problema, um ciclo de planejamento com a finalidade da tomada de uma decisão futura mais assertiva. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 2. Para esta mesma companhia e setor, estabeleça os fatores que influenciam a programação do processo de planejamento estratégico de uma determinada demanda de produto. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 1.2. Previsão de controle Para estabelecer uma definição fácil sobre o “controle”, podemos dizer que este caracteriza-se como uma forma de analisar o desempenho, corrigir os pontos de fuga e garantir que o planejamento orçamentário seja executado da maneira como foi elaborado. Possui função de atuar como um padrão e/ou plano a ser seguido, medir a atividade desenvolvida e comparar as quantidades e os valores previstos com as quantidades e os valores realizados. 20 Fique atento Só por meio do controle se pode constatar se o que foi previsto no planejamento foi realizado. É por meio dele que se pode apurar seas metas e os objetivos almejados pelo planejamento foram alcançados. Em conjunto com o planejamento, proporciona técnicas e direcionamentos administrativos que servirão para avaliar situações futuras uma vez observadas as decisões realizadas correntes, tendo em vista que o planejamento indica as diretrizes a serem seguidas e os meios de torná-las realidade, atendendo as decisões na organização. Memorize O controle define-se como um conjunto de diretrizes a serem seguidas no alcance das metas e dos objetivos estabelecidos em um ambiente de incerteza. Os elementos básicos para um controle do processo orçamental compreendem um contexto empresarial e econômico, onde podemos expor: a analisar a situação e referências estratégicas; demonstrar o nível do planejamento em relação ao potencial operacional da empresa; justificar as metas e os objetivos, quantificando-os em quantificação e valor e verificar a viabilidade de execução das metas e dos objetivos nos prazos estabelecidos – curto, médio e longo prazos. O projeto de um sistema de controle exige que o planejamento corresponda a um acompanhamento contínuo do resultando orçamentário, principalmente em relação aos objetivos e às metas que forem estabelecidos. O controle deve fixar um sentido lógico, deve avaliar os resultados obtidos com o intuito de evidenciar os desvios. Como diz Oliveira (1999, p. 117): As definições dos dois processos expressam a interligação entre os dois, o planejamento expressando o futuro desejado e o orçamento detalhando esses planos no curto prazo e a forma como ele vai sendo executado, avaliando as necessidades de correção do rumo ou não. 21 Fique atento Controlar é submeter a exame e vigilância, monitorar, exercer ação restritiva, conter, regular, assegurar o controle imediato de algo por meio de fiscalização ou por habilidade. É exercer poder e autoridade sobre alguém ou alguma coisa, frear e moderar impulsos, corrigir desvios, manter a direção. Segundo Welsh (1983, p. 29), controlar “é exercer continuamente um controle dinâmico, agressivo e flexível das operações para assegurar conformidade realista com os planos e os objetivos”. A administração deve avaliar e aperfeiçoar de forma contínua por meio de avaliações e feedback, com a flexibilidade de aceitar mudanças e aderir a novas experiências. A maneira mais usual de controle da execução orçamentária é a adoção de Relatórios de Controle do Orçamento, por meio dos quais se faz a comparação de dados reais de receitas e despesas com os números e os valores orçados, referindo-se a um determinado mês ou aos meses decorridos – nesse último caso com resultados acumulados. A função controle é de atuar como um padrão e/ou plano a ser seguido, medir a atividade desenvolvida e comparar as quantidades e os valores previstos com as quantidades e os valores realizados, de forma hierárquica, tratando em sua base o Nível Operacional (em junção com a execução operacional de funcionários trata as operações de supervisão), logo acima, a nível intermediário, a gestão ad- ministrativa e, em seu topo e nível institucional, a gestão da presidência e diretores. Por sua vez, trata-se de um Orçamento Empresarial, uma explanação geral, um instrumento, o ato de orçar, avaliar, calcular e computar os dados que permite uma visualização da situação global da companhia, de forma que, por meio dele, se pode planejar e controlar o seu desempenho, implantando medidas corretivas para possíveis desvios que possam ocorrer, tendo, assim, total domínio da organização. O controle pode ser explanado se dividirmos o mesmo em quatro fases: a de padrões, observações de desempenho, comparabilidade e ações corretivas, estas devem funcionar de maneira cíclica, facilitando assim o processo de planejamento de tomada de decisão. Para ter uma visão assertiva, devemos estabelecer como aponta o Balanced Scorecard de forma a englobar os demais aspectos de gestão: estratégia – controle – mediação – aprendizagem – volta a estratégia. 22 Figura 3: Controle de produção por Balanced Scorecard. Para ser bem-sucedido financeiramente, como devemos nos mostrar para os nossos acionistas? Para satisfazer nossos acionista e clientes, em que processos de negócio devemos nos sobressais? Para atingir nosso ponto de vista, como sustentaremos nossa capacidade para mudar e melhorar? Para cumprir nosso ponto de vista, como sustentaremos nossa capacidade para mudar e melhorar? cartões com placares mantidos de maneira equilibrada PERSPECTIVA FINANCEIRA PERSPECTIVA DO CLIENTE PERSPECTIVA DE PROCESSO INTERNO APRENDIZAGEM e PERSPECTIVA DE CRESCIMENTO OBJETIVOS MEDIDAS METAS INICIATIVA OBJETIVOS MEDIDAS METAS INICIATIVA OBJETIVOS MEDIDAS METAS INICIATIVA OBJETIVOS MEDIDAS METAS INICIATIVA Condutores de Performance – Olve, Ray e Wetter – 2001 Fonte: Dawison Calheiros “2015” (Adaptado). Podemos medir a eficiência da projeção orçamentária de controle pela grandeza das variações percentuais, calculadas entre as posições “previsto” e “realizado”, bem como a forma minoritária de variância, onde observamos que se tornam menos confiável em um sistema já implantado de orçamento, e podem assim, sempre que necessário, sofrer influências de eventos internos ou externos à empresa, onde nestes casos, as previsões orçamentárias devem ser corrigidas. Essas correções podem ser intempestivas, fora do tempo próprio, ou previstas – é comum as empresas fazerem correções nas provisões orçamentárias a cada três meses. Um relatório deve ser elaborado pelo setor que exerce a “função controladoria” da empresa e encaminhado à sua alta administração e aos gerentes da área envolvida para que tenham conhecimento das distorções sofridas segundo os parâmetros do orçamento, nos itens pelos quais são responsáveis. Somente dessa maneira é possível se ter ações e decisões administrativas baseadas em fatos efetivos e não em impressões e projeções infundadas, financeira e contábil, e especialmente operacionais. O gestor utiliza-se dos relatórios internos de desempenho para evidenciar o resultado operacional, por unidades, centros e visualizando os lucros obtidos. Uma visão ampla com a transmissão de informações precisas que podem influenciar as decisões, estas baseadas em metas a serem atingidas de controladoria, departamentos e setores. 23 Nas empresas bem administradas, o acompanhamento e controle do orçamento tem como objetivo a análise e enquadramento dos custos e resultados. Um possível sucesso em sua organização. Pratique 1. Por que o Orçamento não pode ser rígido; tem que ser flexível, e sujeito a alterações? Verifique isso diante de um caso observado em uma companhia. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 2. Dentro de um orçamento, o controle é uma forma de analisar o desempenho, corrigir os pontos de fuga e garantir que o planejamento orçamentário seja executado da maneira como foi elaborado. Só por meio do controle se pode constatar se o que foi previsto no planejamento foi realizado. Aponte uma situação empresarial onde as metas e os objetivos almejados pelo planejamento foram alcançados em relação à demanda. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 3. Descreva, de acordo com a função operacional, uma hierarquia a nível intermediário e institucional dentro de um processo de planejamentode gestão. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 24 Memorize O planejamento dedica-se em estabelecer as metas e os objetivos futuros estabelecidos pela companhia e seguindo os meios utilizados para alcançá-los. Este meio de apoio à gestão visualiza o futuro e orienta as situações advindas dos futuros projetos. O objetivo é o melhoramento das atividades dentro das organizações, visando à maximização dos lucros e advindo como apoio o planejamento orçamentário de diversas atividades dentro da companhia. A previsão dos acontecimentos pode levar a gestão a uma antecipação dos planejamentos decisórios, um rigor maior de orçamentos, uma redução de despesas e até mesmo uma organização fiscal de forma específica por setor ou atividade. O planejamento financeiro também é utilizado pelo gestor como forma de auxílio em sua análise a nível intermediário. Suas dimensões e seus efeitos são mais amplos do que os orçamentos, cuja dimensão é meramente local e cuja temporalidade é limitada. As etapas de planejamento, programa e controle, estão relacionadas com o tempo, de imediato e real. O gestor necessita de uma qualidade eficiente de informações que o proporcionem analisar e definir intrincadas interdependências entre variáveis que se comportam de maneiras diferentes. Investindo no planejamento, as instituições detêm de uma facilidade para controlar, fazendo uma previsão orçamentária, com o intuito de prever as eventualidades. Por fim, o gestor utiliza-se do planejamento, das estratégias e do controle para definir em suas decisões as melhores alternativas de maximizar lucros e alcançar metas traçadas. Essa junção deve traçar a dinâmica, a rapidez e a eficiência esperadas para esse enfrentamento. Anotações ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ 25 Capítulo 02 – A Demanda na Cadeia de Suprimentos Objetivos de aprendizagem • Identificar nos processos de gestão da cadeia de suprimentos, a gestão da demanda; • Conhecer o equilíbrio entre as demandas de produtos e os requerimentos dos clientes, uma previsão para atender a capacidade de atendimento da cadeia; • Estabelecer quais os padrões de demanda e como eles funcionam na gestão de produtos; • Gerenciar a demanda, onde o processo produtivo deve ser desencadeado a partir das necessidades da cadeia de suprimentos; • Conhecer e alocar o Planejamento dos Recursos Empresarias (ERP) para obter melhores resultados na gestão de demanda; • Planejar uma demanda em conjunto advinda de uma gestão das previsões de vendas com foco na satisfação do cliente. Retomando os conhecimentos da cadeia de suprimentos, abordaremos a gestão de demanda na busca rápida e adequada, interagindo com as necessidades de mercado e de fornecedor, uma balança estratégica a fim de alinhar as demandas de produtos com a capacidade operacional ao longo da cadeia de suprimentos. A demanda pode ser estabelecida como sendo a quantidade ofertada de um determinado bem em um determinado tempo, sendo esta uma variável com impacto direto sobre o controle de produtos e fornecimento de mercadorias, isso levando a um impacto inevitável na cadeia de suprimentos. 26 Memorize O preço, a concorrência, a publicidade, o nível de atividade econômica, a necessidade momentânea do cliente e a acessibilidade do serviço, dentre outros fatores, determinam a demanda. O gestor que detiver da habilidade de prever a demanda, com o canal de comunicação entre a companhia e o mercado, pode programar, controlar e até mesmo influenciar a demanda, utilizando-se de suas habilidades gerencias, seus prazos e suas alocações de recursos. Uma visão atual de uma situação privilegiada no futuro. O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), mantem em sua área de ensino, cursos como o de “Gerenciando a Demanda”, estabelece em suas diretrizes para os anos seguintes ao de 2010, apontar que: Uma série de fatores de natureza social, política, econômica, climática etc. exerce influência sobre a demanda. Descobrir os elementos que condicionam a demanda e entender seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos requer coleta de dados, que auxiliam o fornecedor a determinar que mecanismos podem ser mais efetivos para influenciar a demanda, a verificar se sua capacidade deve permanecer no nível que está e a antever os impactos em suacadeia de suprimentos. 1. cadeia de suprimentos A estratégia de acompanhamento da demanda tem limitações relacionadas à cadeia de suprimentos. Não é economicamente viável estar continuamente investindo e desinvestindo em instalações, equipamentos, pessoal, estoques etc. Assim, a estratégia de nível de serviço é a mais recomendada, consistindo o problema em decidir que percentual da demanda máxima esperada a empresa quer atender e o comprometimento desejado do nível de serviço, do resultado da empresa (custo de capital) e do custo de oportunidade (maior venda ou prêmio de preço) (CAMPOS, 2010, p. 5). 27 Alguns princípios básicos no que se referem à “Demanda” são probabilísticos, esta problemática do planejamento da demanda não pode ser dissociada da gestão de estoques na rede. Planejamento da demanda se refere e articula a “estrutura” com as “políticas” da rede. É melhor prever do que não prevê. Segundo Taylor (2005, p. 25), “o gerenciamento da cadeia de suprimentos consegue estabelecer um fluxo organizado de produtos, da extração da matéria-prima até a chegada do produto ao cliente”. Fique atento Para Taylor (2005, p. 24), a demanda é tratada como sendo um fluxo que impulsiona esse movimento de suprimento de caixa, “que acompanhado pelo caixa que promove a movimentação”. Como fator importante para o negócio, a demanda Impacto em decisões de Curto Prazo, onde destacamos como meio de observação as previsões de curto prazo (menores que um ano) são fundamentais para uma execução mais precisa de diversas atividades logísticas como controle de estoques, DRP, alocação da produção em diversas plantas etc. O impacto em decisões de longo prazo com as previsões de longo prazo são importantes para o planejamento de capacidade e tomada decisões, como abertura de novas plantas, elaboração de orçamentos anuais e planos diretores. Figura 4: O planejamento de demanda dentro da cadeia de valor de suprimento. Recebimento de pedido Planejamento de demanda Compra de materiais Alocação aos canais Abastecimento Fabricação Estocagem Distribuição Entrega Venda Faturamento Fonte: Leonardo Costa “2010” (Adaptado). 28 Pratique 1. Uma questão é normalmente citada quando falamos de demanda dentro da cadeia de suprimentos. Identifique, dentro de uma companhia, qual o posicionamento do gestor em relação aos seguintes questionamentos: por que previsões de demanda são necessárias? Previsão é uma especulação sobre o futuro, sendo assim, o que visa determinar níveis futuros de demanda? É fundamental para o planejamento? _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 1.1. Previsão de demanda Conforme Castiglioni (2008, p. 48), “a previsão de demanda serve como base para o planejamento estratégico da produção, das vendas e das finanças, que, assim, pode desenvolver seus planos de capacidade, fluxo de caixa, vendas, produção, estoque, mão de obra, compras, entre outras atividades empresariais”.Os profissionais, em específico os que trabalham com demanda, precisam estabelecer regras que proporcionam a estes a opção entre uma previsão de demanda total e sua distribuição em regiões, bem como observados, nas companhias com aporte a demanda de distribuição, como as fábricas e armazéns. Fique atento Para o gestor de demanda, a separação de distribuição por setores e regiões traduz o rateio de valor agregado de cada produto, uma exatidão suficiente para maximizar os resultados gerais ao invés de estipular previsões individuais. 29 Para tentarmos colocar uma definição para demanda prevista, devemos identificar esta como um valor previsto, onde a demanda confirmada se relaciona a uma carteira de clientes. Para alguns casos, o uso de cálculos para os estoques, estabelece uma visão mais clara dos disponíveis dentro das companhias. O gestor deve combinar os resultados obtidos de todos os modelos utilizados no processo para poder transformar a previsão mais estável com maior exatidão para a tomada de decisões administrativas no que se refere à gestão de demanda. Caso haja disponibilidade de uma ajuda integrada de sistemas informatizados, combinando com métodos de previsão, o gestor pode contar com opções mais seguras a curto prazos. Memorize Para conseguir ver como está sua empresa em relação à previsão de demanda, de armazenamento e de entrega, podemos questionar suas posições diante das seguintes perguntas, de forma passiva e ativa respectivamente. Devemos aceitar os níveis atuais de demanda e adequar à produção? Como atender a demanda de forma gerencial? Não podemos aceitar os níveis de demanda e tentar alterar estes a partir de ações de marketing de forma ativa e como influenciar a demanda? As respostas aos questionamentos destacados, orientam as empresas como se planejar diante da previsão de demanda, de novos produtos, da colaboração com os clientes bem como a execução e o controle da demanda em relação de preenchimento de ordens, de gestão do consumo da previsão e o tratamento de demandas inesperadas. Tudo isso proporciona à empresa o planejamento de capacidade de alocação de produção, estoques, distribuição, a gestão e aprogramação de ordens emergenciais entre outros. Caso o gestor observe uma quantidade excessiva de produtos em estoques, ele poderá planejar-se de acordo com os dados trazidos da produção, um controle, por meio dos programas de montagem final. Para isso é necessário a confecção prévia de um planejamento. Esse planejamento deve ser feito através de Plano Mestre de Produção (PMP) destacados por componentes do nível integrado (interligam previsão com negociação de clientes e fornecedores) estabelecendo metas para determinar o plano de produção e por fim definir a alocação dos recursos. Com tudo podemos determinar de forma clara o processo de previsão de demanda. 30 Figura 5: Processo de previsão de demanda. Base de Dados Usuários da PrevisãoProcesso de Previsão Pedidos histórico Táticas Finanças Marketing Vendas Produção Logística Administração da Previsão Sistema de suporte à previsão Técnica de previsão Fonte: David A. Taylor. “2005” (Adaptado). Para a gestão, o processo é uma reunião organizada de seis fatores, ou causas, conhecidos como os “6M” (matérias-primas, máquinas, mão de obra, métodos, medidas e meio ambiente), no sentido de gerar uma saída ou um efeito (no caso, produto). A previsão de demanda de gestão pode ser estabelecida nas seguintes etapas: • Coleta de Dados (contínua); • Avaliação da informação: descrever a série (comportamento dos dados), verificação de tendências, ciclos e variações sazonais, verificação de pontos de mudança no comportamento da série, observações anormais (ou espúrias) etc.; • Preparação da previsão: objetivo de análise (comportamento) ou previsão, investigar mecanismo gerador da série, prever a partir do passado e/ou procurar periodicidades relevantes nos dados; • Monitoração do processo, identificação e minimização dos erros de previsão. Todas estas interligadas com os setores integrados na previsão de demanda, que pode ser separada setorialmente com: • Setor Atacadista – Varejista: impacto de novas tecnologias (automação de PDVs, uso de B2B, B2C, ECR, QR, CFRP) e relacionamento com fornecedores; • Fabricante de Bens de Consumo com maior lead time (previsão de mais longo prazo; previsão desagregado por produto; departamento de marketing (objetivos de marketing, plano de vendas por canal, objetivos de vendas X capacidade); • Setor de serviços com a impossibilidade de estocar serviços e com a questão crucial (dimensionamento de capacidade, quanto e quando alterar a capacidade?), conforme você pode observar na figura a seguir. 31 Figura 6: Distribuição da demanda nos setores. P3 = P2 + E3 P2 = P1 + E2 P1 = P2 + E3 Fornecedor Distribuidor Varejista Cliente Demanda D Erro Total Propagado = E1 + E2 + E3 Contribuição para o suplpy chain management: �Previsão única baseada na demanda do cliente final �Práticas/ ferramentas: �CPFR �B2B/B2C/ECR �QR �Redução dos erros �Redução dos estoque Alguns métodos de previsão serão explanados logo a seguir, mas para adiantarmos, podemos afirmar que estes não são totalmente efetivos porque são gerados segundo perspectivas locais (funcionais), não fazendo parte de um esquema global de planejamento, mas sim específico, onde se esquecemos erros das previsões feitas para coisas/variáveis. As empresas precisam medir se os métodos selecionados são inapropriados ou mal parametrizados, isso com base nos ajustes do desempenho dos modelos, apontando os erros de previsão, o Desvio Absoluto Médio (MAD) e o Desvio Quadrado Médio (MSD). Pratique 1. Explique a relação entre velocidade de obtenção das informações para o acompanhamento e controle do programa de produção com o tipo de sistema produtivo da empresa. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 32 2. Quais as etapas da previsão de demanda de gestão e como podemos estabelecer uma correlação entre os setores Atacadista –Varejista, Fabricantes e de Serviços? _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 1.2. Padrões de demanda Os padrões de demanda são estabelecidos por: Previsão Histórica Intuitiva, Métodos Qualitativos, Métodos Quantitativos, Relações Causais, Análise de Séries Temporais, com uma simulação entre os Métodos Qualitativos/ Quantitativos/ Intuição. Fique atento O gestor deve diferenciar graus de análise para estabelecer a exatidão relativa em previsão de curto e longo prazos. Os níveis em que os produtos se atualizam e as quantidades utilizadas dentro da produtividade se interligam com as bases históricas, as opiniões especializadas, estudos de sofisticação, e diante de todos os fatores no qual a previsão é derivada. Segundo o estudioso, Iuri Destro (2011, p. 4-7.), são estabelecidos os tipos de padrões: A Projeção Histórica tem como premissa básica o padrão de tempo futuro será uma repetição do passado, pelo menos em sua maior parte. A natureza quantitativa das séries de tempo incentiva o uso de modelos matemáticos e estatísticos como principais fontes de previsão. Modelos de séries de tempo são reativos por natureza. São modelos que detectam mudanças a partir da atualização sempre que novos dados se tornamdisponíveis, uma característica que lhes permite adaptar-se a mudanças nos padrões de tendências e sazonais. 33 Para os Métodos Causais, a premissa básica em que se assentam, sustenta que o nível da variável de previsão é derivado do nível de outras variáveis relacionadas. Cada modelo extrai sua validade a partir de padrões de dados históricos que estabelecem a associação entre as variáveis preditivas e a variável a ser prevista. O grande problema deste modelo de previsão é o fato de indicar como é difícil localizar variáveis verdadeiramente causais. Mais difícil ainda é encontrar as variáveis causais que conduzem a variável prevista no tempo. Modelos à base de técnicas econômicas e de regressão podem conter substanciais erros de previsão em função desses problemas. No Método Qualitativo, as informações relativas aos fatores que afetam a previsão são tipicamente não quantitativas, flexíveis e subjetivas. Quanto aos dados históricos, é possível que não estejam ao alcance ou que tenham escassa relevância para a previsão. A natureza não científica desses métodos torna difícil sua padronização ou mesmo a validação de sua exatidão. As técnicas qualitativas usam dados como opiniões de “experts” e informações especiais para a previsão e podem ou não considerar dados do passado. São ideais para as situações em que há poucos dados históricos e é exigido julgamento da gerência para os dados. Um exemplo é a obtenção de dados de vendas de uma determinada região a partir de dados fornecidos pelos vendedores. Nessa categoria, são utilizados cenários, analogia histórica, pesquisas de mercado e reuniões para a obtenção dos dados e análise de Impacto Cruzado. Para as Quantitativas, o processo imperativo do método Delphi compõe as relações causais, onde estas técnicas baseiam-se na correlação entre fatores inicialmente independentes, que explicam alterações nas vendas, estas em forma de regressão simples e variadas e também por métodos econométricos, tentando responder o seguinte questionamento: Qual variável utilizar como entrada para estimar a demanda? Nas análises de séries temporais, ou seja, métodos estatísticos que utilizam dados históricos, onde destacamos a existência de interrelações e tendências relativamente claras e estáveis. Séries temporais são utilizadas para identificar as variações sistemáticas nos dados em decorrência de sazonalidade, os padrões cíclicos, as tendências e o aumento das taxas destas tendências. Esta categoria assume que o futuro será similar ao passado e, por isso, é adequada para horizontes de curto prazo. Incluem uma variedade de técnicas que analisam o padrão e o movimento dos dados históricos. 34 Como desvantagens neste método, podemos destacar: requer grandes quantidades de dados históricos; a busca por um “alfa (µ)” adequado pode ser longa; apresenta utilização limitada quando o horizonte de tempo é longo; previsões são fortemente sensíveis a erros em função dos dados de entrada, levando as empresas a pensarem: “e se o futuro for diferente?”, aí demanda o planejamento para cada unidade. Quadro 2: Técnicas selecionadas de previsão. DELPHI Pesquisa de mercado Painel de consenso ESTIMATIVAS DA EQUIPE DE VENDAS Previsão visionária Analogia histórica Média móvel Ponderação exponencial Box-Jenkins Decomposição de séries de tempo Projeções de tendência Previsões focadas Análise espectral Modelo de regressão Modelo econométrico Indicadores principais Modelo de entrada e saída Modelos econômicos de entrada e saída Intenções de compra e pesquisa de antecipação Análise do ciclo de vida Filtro adaptativo Simulação dinâmica Resposta acurada Redes neurais Previsão colabo- rativa Previsão baseada em regras Caminhada Aleatória – Fonte: Leonardo Costa (2010). Para o método Delphi, trazemos como pontos positivos: um ótimo método para lidar com aspectos inesperados de um problema, previsão com carência de dados históricos, interesse pessoal dos participantes, minimizar pressões psicológicas e não exige presença física. Já para a parte negativa, podemos dizer que: é um processo lento, com média de seis meses, depende de participantes, dificultando redigir questionários e possibilidade de consenso forçado. 35 A filosofia traz em sua abordagem uma decomposição clássica das séries de tempo, onde o padrão histórico de vendas pode ser decomposto, dentre as quais podemos destacar: a tendência, a variação sazonal, a variação cíclica ou média e a variação residual ou aleatória. Gráfico 1: Componentes padrões da demanda. Aleatoriedade Média TendênciaSazonalidade Fonte: Leonardo Costa (2010). Diante da abordagem de Leonardo Costa (2010), estabelecemos algumas formas de identificar tais padrões: • A análise clássica de séries de tempo combina cada tipo das variações de vendas da seguinte forma: F = T × S × C × R, onde: F = demanda prevista (unidades ou $) T = nível de tendência (unidades ou $) S = índice sazonal C = índice cíclico R = índice residual Na prática, o modelo é, na maioria das vezes, reduzido apenas a componentes de tendência e sazonais. O valor da tendência (T) no modelo pode ser determinado utilizando o método dos mínimos quadrados. 36 • O componente de sazonalidade do modelo é representado por um índice de valor que muda para cada período de previsões. Esse índice é um quociente da demanda real em um determinado período em relação à demanda média: St = Dt / Tt St = índice sazonal no período de tempo t Tt = valor da tendência determinado por T = a + bt A previsão é feita para o período de tempo t no futuro: Ft = (Tt)(St-L) Ft = a demanda prevista no período de tempo t L = número de períodos no ciclo sazonal • A análise de regressão múltipla é uma técnica estatística que ajuda a determinar o grau de associação entre um número de variáveis selecionadas e a demanda. A informação sobre as variáveis preditivas (independentes) é, então, convertida pela equação de regressão a fim de proporcionar uma previsão de demanda. Fique atento A condição da demanda irregular ocorre quando duas ou três vezes o desvio padrão dos dados históricos excede a previsão do melhor modelo que pode ser adaptado às séries de tempo. Frequentemente, ocorre em artigos de baixa demanda, a exatidão desta previsão pode não ser o ponto chave dos questionamentos de gestão. Deve assim verificar a análise do gestor. O padrão da demanda, da forma incerta, ocorre frequentemente por uma variedade de razões, dentre as quais podemos observar que o padrão da demanda é dominado por pedidos de clientes muito grandes e infrequentes. O gestor também precisa levar em consideração para sua tomada de decisão que a demanda pode derivar de outros produtos ou serviços, da sazonalidade, tudo isso baseado em análises de dados excepcionais, de fatores externos ou condições totalmente imprevistas. 37 Fique atento Deve-se separar a previsão de produtos de demanda irregular daquela dos artigos que demonstrem um padrão de regularidade, usando métodos de previsão adequados a cada um, não reagir com rapidez demasiada às mudanças nos padrões de demanda de produtos e serviços cujas razões não conseguir localizar. Da mesma forma que o futuro não é exatamente espelhado no passado, a previsão da demanda futura incorrerá quase sempre em algum nível de erro. Uma vez que a ponderação exponencial é uma projeção da demanda média, nosso objetivo é projetar uma faixa onde recairá a demanda real, diante da qual podemos formar uma previsão estatística. O desvio-padrão pode ser observado pelo manifesto estatística, pela variância ou por um desvio absoluto médio. Pratique 1. Identifique, dentro de uma companhia de análise, os produtos onde aparecem os padrões de demanda estabelecidos neste tópico e caracterizetodas estas em relação às demandas. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 1.3. Gerenciamento da demanda Diante das grandes mudanças ocorridas no gerenciamento de demandas, os avanços tecnológicos trazem para o mercado competitivo a exigência de tomadas de decisão claras e reais, visando metas futuras e reestruturando as companhias para que estas possam mantes constantes preocupações com a maximização de seus desempenhos. 38 Fique atento Para que a empresa alcance este objetivo a gestão da demanda desempenha um papel estratégico e importante. Uma aplicação do planejamento com base nas expectativas de venda futura proporcionando aos gestores a base real para decidir se deve investir (ou não), no quê e quando. Em uma situação ideal em que não houvesse variabilidade e incertezas de demanda, seria um processo relativamente simples produzir somente o que o mercado irá consumir. Quando isso ocorre no mercado real, é preciso se planejar para a quantidade que se irá produzir dentro de uma previsão de demanda na qual se incluem estas incertezas. Os gestores podem optar pelo acompanhamento da demanda pela produção, o que pode não ser economicamente viável e de fácil aplicação, já que este é um processo que exigirá a ativação ou a desativação de recursos na mesma velocidade que a demanda aumenta ou diminui. O gestor pode estabelecer uma estratégia de nível de serviço, que remete a ele em decidir que percentual da capacidade máxima esperada a empresa quer atender: ter a capacidade para atender o pico da demanda, assumindo, com essa decisão, os custos de ociosidade nos períodos de demanda normal. Isso só poderá ser feito diante das análises de margens de lucro obtidas por produção de demanda máxima, onde estas certamente cobrirão o custo da baixa utilização nos períodos normais. Existem também fatos que os gestores devem se antecipar. No caso da insatisfação do cliente, o gestor pode gerenciar os fatos que proporcionaram tais casos, podendo ser o não atendimento destes clientes, onde este fato traz para a companhia uma diferença negativa nas suas perspectivas. O gestor, então, deve trabalhar com a fixação de um percentual de nível de serviço, algo ideal para equilibrar a demanda com a oferta dos períodos analisados. 39 Memorize O ideal é encontrar o equilíbrio entre capacidade e demanda naqueles períodos nos quais a oferta supera a demanda ou naqueles nos quais a demanda é maior que a capacidade. As empresas tomam como importante a preocupação de aumentar cada vez mais a demanda e não a forma correta que é atender a toda a demanda ou parte dela, não perdendo, assim, a fatia de marcado agora tão competitivo. Segundo Luis Campos (2010, p. 8), o planejamento da demanda se inicia com o plano de previsão de vendas, onde este: O Plano de Previsão de Vendas (PPV) é elaborado com base em dados históricos de venda, informações do pessoal que tem o contato com os clientes e informações de imprensa e mercado. Após análise, verifica-se a estimativa de consumo no futuro. Esta estimativa poderá ser influenciada negociando por meio de propaganda, promoção e prazo de entrega. Fique atento Nem toda a quantidade prevista de consumo no futuro pode vir a ser a quantidade prevista de produção da empresa. Assim, cabe à empresa decidir a qual cliente vender. O processo de previsão de vendas é muito importante na gestão da demanda. No mercado competitivo em que vivem atualmente as empresas, dificilmente, é feita uma previsão 100% correta. Essa incerteza traduz um mercado instável, não podendo assim estabelecer com exatidão uma qualidade de previsão de vendas, a economia atual e as projeções futuras, dificultando, com isso, o comportamento de sua clientela, afetando o comportamento das vendas. De acordo com os estudos de Luis Campos (2010, p.10), estabelecem-se os procedimentos da previsão de vendas a serem adotados pelas empresas, ao horizonte de previsão (curto, médio ou longo prazos): 40 1. Curto prazo: utiliza-se a hipótese de que o futuro seja uma continuação do passado, ou seja, as mesmas tendências de crescimento ou declínio observadas no passado devem permanecer no futuro. 2. Médio prazo: estabelecem-se as relações entre as vendas do passado e outras variáveis que expliquem seu comportamento. 3. Longo prazo: levam-se em consideração mudanças tecnológicas, de design e introdução de produtos substitutos. Tipo de produto (classe A, B ou C, novo ou já existente) e tipo de decisão a ser tomada (o departamento que vai usar a previsão). As técnicas para previsão de vendas utilizadas pela gestão das grandes companhias advêm de estudos e análises de mercado, onde esses estabeleceram como gestores essenciais para uma decisão assertiva: • Dados históricos de vendas, período a período; • Informações relevantes que expliquem comportamentos atípicos das vendas passadas; • Dados de variáveis correlacionadas às vendas que ajudem a explicar o comportamento das vendas passadas; • Situação atual de variáveis que podem afetar o comportamento das vendas no futuro; • Previsão da situação futura de variáveis que podem afetar o comportamento das vendas no futuro com o conhecimento sobre a conjuntura econômica atual e previsão da conjuntura econômica no futuro; • Informações de clientes que possam indicar seu comportamento de compra futura; • Informações sobre decisões da área comercial que podem influenciar o comportamento das vendas. Resumidamente, sob a forma de infográfico, podemos estabelecer uma correlação com todos os fatores envolvidos no processo de gerenciamento de demanda conforme você pode observar logo a seguir. 41 Figura 7: Modelo da gestão de demanda. Sub-processos estratégicos Sub-processos operacionaisInterfaces processuais Definição dos procedimentos de previsão Definição dos objetivos e estratégias da gestão da demanda Gestão de relacionamento com cliente Coleta de dados e informação Previsão Sincronização Indicadores de desempenho Redução da variabilidade e aumento da flexibilidade Gestão de serviços ao cliente Processamento de pessoas Gestão do fluxo de manufatura Gestão do relacionamento com o fonecedor Gestão de retorno Desenvolvimento do produto e comercialização Plano de fluxo de informação Definição dos procedimentos de sincronização Desenvolvimento de sistemas para gestão de contingência Desenvolvimento de indicadores de desempenho Fonte: Croxton (2008, p.89). As companhias podem contar com a área tecnológica como auxílio de gestão, como a utilização de programas de produção que estabelecem conexões com outros programas, assim faz como o programar a demanda, que depende do programa de produção. Neste raciocínio, as empresas trazem nomenclaturas específicas dentro de sua programação, onde puxar a produção significa não produzir até que o cliente (interno ou externo) de seu processo solicite a produção de determinado item. Para que o gestor possa efetuar esse passo, ele conta com as informações do PMP para emitir ordens de hierarquia de produção com a finalidade de dimensionar a quantidade de estoques em processo para os demais setores. 42 Fique atento À medida que o cliente de um processo necessita de itens, ele recorre aos estoques do fornecedor, acionando diretamente esse processo para que os itens consumidos sejam fabricados e reponham os estoques (ótica da filosofia Just-in-time, normalmente empregada por Kanban). Já para empurrar a produção, o gestor trabalha com a elaboração periódicapara atender ao PMP. Dispõe de um completo programa de produção, originando-se da compra da matéria-prima à montagem do produto acabado, e o transmite aos setores responsáveis por meio da emissão de ordens de compra, fabricação e montagem. Em processos seguintes, outras ordens para atender a novos PMPs sob a ótica da programação convencional da produção. Pratique 1. Como estão relacionados o Plano de Produção, o Plano Mestre de Produção e a Programação da Produção? _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 2. Explique como as funções executadas pelo sistema Kanban simplificam as atividades de programação, controle e acompanhamento da produção. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 43 3. Além das vantagens obtidas nas atividades do PCP, quais as funções adicionais que o sistema Kanban desempenha para o incremento contínuo da produtividade e da qualidade? _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 1.4. Planejamento dos recursos empresarias (erp) A abertura comercial, a desregulamentação e o aumento do comércio internacional têm gerado a necessidade das revisões das práticas gerenciais de relacionamentos e de recursos. O fornecedor agora trabalha mais próximo dos clientes, transparecendo a estes uma perfeita melhoria no nível de serviço com a facilidade da integração de sistemas de informação. Nesse fato, as companhias dedicaram-se a encontrar e adotar sistemas de planejamento de recursos em larga escala, utilizando-se da Internet, podiam reter de forma mais barata e fácil a troca de informações entre fornecedores e clientes. Uma gestão mais moderna e clara agora era aplicável às companhias em tempo real. Agora, a parceria era viável para as negociações. Em conjunto, a gestão poderia elaborar a previsão de vendas no planejamento de ressuprimento, levando em consideração as limitações existentes nesta cadeia de parceria, de fornecedor ou do cliente, mostrando uma postura proativa em relação à demanda final. Toda essa mobilidade, possibilitou que, nas empresas, os gestores apostassem em um planejamento colaborativo. Este é caracterizado como uma interação de informações relativas à previsão de vendas e aos planos de ressuprimento, objetivando aumentar a eficiência das cadeias de suprimento do fornecedor e do cliente e a diminuição dos estoques e dos prazos, visando assim à melhoria do nível de serviço, consequentemente, aumento das vendas. Segundo Arozo (2002, p. 32), “por meio deste planejamento compartilhado, torna-se possível sincronizar o ciclo de compras do cliente com o ciclo de produção do fornecedor”. 44 Luis Campos (2010, p.12) nos lembra que o processo de transferência de bens do ponto de origem no fornecedor ao mercado consumidor ou ao cliente final será: [...] denominado de cadeia de suprimento (supply chain), tem sido a moda nos últimos anos; entretanto, com o planejamento colaborativo, um novo conceito está sendo introduzido, o da cadeia de demanda do cliente (demand chain), o qual transfere demanda do mercado para os fornecedores. Juntas, estas duas cadeias formam a cadeia de suprimento-demanda (demand –supply- chain) e elas comunicam-se em dois lugares – no ponto de colocação do pedido (order penetration point – local na cadeia onde o fornecedor aloca os produtos comprados pelo cliente) e no ponto de oferta de valor (value-offering point – ponto onde o fornecedor satisfaz a demanda do cliente). Como exemplo, podemos mostrar o caso onde um fornecedor estabelece uma cadeia de suprimentos que poderia ser traduzida em produzir, embalar, estocar e distribuir. Para um cliente, o questionamento a ser aplicado na cadeia de demanda poderia seguir as seguintes etapas – o que vender, quantidades necessárias, estoques e o que comprar. A gestão não pode esquecer de se planejar em relação aos custos e aos benefícios entre fornecedor e cliente. Cada ponto de colocação de pedido (OPP) tem custos e benefícios diferentes, diante da ordem na cadeia de suprimentos. “A vantagem para o fornecedor depende da economia gerada pela redução do estoque, comparada com a possível redução das vendas causadas pelo maior prazo de entrega e pelo maior custo total para o cliente. Clientes e fornecedores dificilmente se beneficiam mutuamente (HOLMSTROM, 2002, p. 13). Fique atento Quanto maiores as cadeias de suprimentos, mais são as etapas a serem completadas sem interrupção e mais difícil será atender os pedidos prontamente. A gestão das companhias está com intensa preocupação com relação ao ponto de oferta de valor (VOP), onde olhando para trás da cadeia de demanda do cliente, o gestor estabelece mais benefício para cliente, em contrapartida, impondo mais trabalho do fornecedor. 45 Memorize O fornecedor pode obter benefícios se simultaneamente mover o OPP. “Coordenando os movimentos em ambas as cadeias de suprimentos e de demanda, por meio do planejamento colaborativo, fornecedores podem melhorar a eficiência de suas operações bem como a de seus clientes” (HOLMSTROM, 2002, p. 14). Para obtermos uma gestão com um bom planejamento, devemos destacar alguns pontos de análise que estabelecem as vantagens do planejamento colaborativo, levando em conta o ponto de vista dos fornecedores, que representa uma real oportunidade de obter um crescimento nas vendas, redução dos níveis de estoque e dos ciclos operacionais. Segundo Arozo (2002), “as economias provenientes destas vantagens podem ser partilhadas com os clientes”. A realização do planejamento de produção e distribuição em função da demanda final será possível se, em conjunto e de forma estável, o cliente e o fornecedor realizarem ações em conjunto, identificando e corrigindo as restrições na capacidade de produção ou distribuição, não sendo esta corrompida com as demandas intermediárias. Memorize Diante de um planejamento empresarial de demanda já estabelecido, o fornecedor poderá controlar melhor sua produção e seu estoque de segurança, e até terá conhecimento do calendário de promoções do cliente e, consequentemente, dos picos de vendas, fazendo com que diminuam as chances de falta ou excesso de produto. Do ponto de vista dos clientes, a grande vantagem é o comprometimento do fornecedor em termos de nível de serviço e redução de preços a longo prazo. Isso é visível na gestão, com a redução dos índices de falta de produtos, consequentemente, a redução nos níveis de estoque de segurança. Fortalece, assim, a confiança depositada no fornecedor, no planejamento conjunto das vendas levando em consideração as restrições existentes em ambas as partes. 46 Memorize O planejamento colaborativo, além de gerar economias para fornecedor e cliente, divide os riscos entre os mesmos. Luis Campos (2010, p. 5) traduz a forma de funcionamento do planejamento colaborativo, que, dentro das companhias: [...] funciona da seguinte maneira: inicialmente, cada empresa parceira desenvolve sua própria previsão de vendas utilizando os métodos e os sistemas padrões para cada uma. Estas previsões são então compartilhadas. Caso sejam identificadas diferenças significativas, estas são reavaliadas conjuntamente.Após se chegar a um consenso com relação às divergências, se obtêm uma previsão conjunta de vendas, que irá servir de input para o plano de ressuprimento, cuja elaboração possui processo semelhante, ou seja, baseado na comparação dos planos e das discussões em cima das exceções. Vale ressaltar que a elaboração do plano de ressuprimento leva em conta as restrições do fornecedor, tais como capacidade de produção. Uma vez definido, o plano de ressuprimento passa a atuar como uma previsão de colocação de ordens por parte do cliente para o fabricante. O planejamento dos recursos empresarias, como tudo que acontece dentro das organizações, é estabelecido por uma hierarquia de decisões, onde a escolha da ordem se resume ao estabelecimento de prioridades entre os diversos lotes de fabricação dentro de um mesmo grupo de recursos, isso no sentido de atender aos objetivos pré-estabelecidos. Esta decisão é crítica e decisiva para o bom desempenho do sistema produtivo, pois, a maior parcela do lead time de um produto fabricado em lotes compreende o tempo em que o lote deste produto espera nas filas dos recursos para ser trabalhado. Para as companhias que conseguem seguir estas orientações à risca, os ganhos resultantes aparecem de forma multiplicativa no desempenho do sistema, havendo lead times padrões previstos mais perto dos reais, reduzindo a margem de erro do programa executado em relação ao planejado, advindo de uma escolha apropriada de recursos, em tempos de processamento ou de setup. 47 Memorize Na medida em que o sistema de produção se aproxima da produção sob projeto, onde o grau de repetição de lotes de um mesmo item diminui, fazendo com que a sequência de produção se altere a cada novo pedido dos clientes, a decisão sobre que recurso escolher dentre um grupo de recursos disponíveis é mais premente. Pratique 1. Lead time é o tempo de processamento de um pedido, desde o momento que é colocado na empresa até o momento em que o produto é entregue ao cliente. Atualmente, as empresas trabalham muito para reduzir o lead time e o grande desafio é torná-lo zero. O problema é como fazer. Estabeleça, dentro de uma empresa, os métodos de confecção e planejamento deste recurso de gestão. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 2. Uma companhia com acesso adequado a informação, traz alguns benefícios para a área de gestão. Quais as vantagens que o ERP possibilita à empresa que possuem acessos beneficiados às informações, de forma integrada, em uma única ferramenta, e com o mesmo padrão. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 48 3. Sendo extremamente complexos, caros e demorados de implementar, os sistemas de planejamento de recursos empresarias ocasiona a mudança empresarial nos processos existentes para se ajustarem aos processos predefinidos dos softwares. Comente sobre tal afirmativa. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 2. Planejando a demanda As companhias precisam estar preparadas para variáveis de mercado afetando a demanda de produtos. A técnica de previsão deve ser uma ferramenta de gestão, mas, em alguns casos, esta pode ser usada incorretamente ou mal interpretada, perdendo a validade devido à mudança de uma variável importante ou devido ao aparecimento de uma nova variável. Segundo Thalmo Junior (2006), “as variações irregulares na demanda podem ter acontecido em função de greves, formação de estoques temporários, catástrofes naturais etc. As ações estratégicas da concorrência, afetando a demanda, bem como as variações aleatórias inerentes aos dados da demanda”. Para identificarmos e prevermos a demanda para um período em análise, emprega-se com a auxilio dos Desvio Médios Absolutos (MAD — Mean Absolute Deviation) para a demanda: • Média móvel: não indicado quando há tendência ou sazonalidade e usa dados de um número já determinado de períodos, normalmente os mais recentes. Para gerar uma previsão, a cada novo período de previsão, substitui-se o dado mais antigo pelo mais atual 49 P t + 1 : previsão para o próximo período t; Mt : valor real observado no período t; Rt : número de período considerados na média móvel. n Ou apresentados em outra fórmula. Apenas como: Exercícios resolvidos • Veja como funciona em exercícios onde uma Companhia se estabelece no mercado nos períodos de janeiro a julho, e destaca para cada um destes meses demandas numéricas diferentes, respectivamente de 60, 50, 45, 50, 45, 70 e 60. Neste caso, qual a previsão de demanda através da média móvel para agosto. Veja como funciona no exercício resolvido: Período Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Demanda 60 50 45 50 45 70 60 Previsões para Julho Previsão para Agosto Alternativa: ponderar os períodos com pesos maiores para os mais recentes (50%, 30%, 20%: Julho = 58,50) 50 • Média Móvel Ponderada: é uma variação da média móvel que consiste em ponderar a importância dos períodos da previsão atribuindo-lhes pesos diferentes, conforme se queira mais ou menos ênfase ao período, normalmente com pesos maiores, dados mais recentes. Segundo Moreira (2001), a soma dos pesos deve ser igual a 1. Tal como no caso da média móvel, a escolha de n é arbitrária assim como a escolha dos pesos. A vantagem sobre a média móvel é que os valores mais recentes da demanda, que podem revelar alguma tendência, recebem importância maior. Entretanto, valem as mesmas observações quanto ao valor de n: quanto maior, mais suavizará os efeitos sazonais e mais lentamente responderá a variações. Onde: M = Média – V = Valor real – R = Fato de aproxim. Exercícios resolvidos • Para exemplificarmos, adotaremos o sistema de uma loja de departamentos: em um período de 4 meses, a melhor previsão é obtida utilizando-se 40% das vendas reais para o mês mais recente, 30% de dois meses atrás, 20% de três meses atrás e 10% para quatro meses atrás, então: Mês 1 Mês 2 Mês 3 Mês 4 Mês 5 100 90 105 95 ? • Média Exponencial Móvel: assim como nos modelos anteriores, na média exponencial móvel, a importância de cada observação decresce no tempo, sendo que em progressão geométrica ou exponencialmente. Segundo Tubino (2000), “em sua forma de apresentação mais simples, cada nova previsão é obtida com base na previsão anterior, acrescida do erro cometido corrigido por um coeficiente de ponderação”, onde: 51 Mt = Mt – 1 + a(Dt – 1 – Mt – 1) Mt = Previsão para o período t; Mt – 1 Previsão para o período t – 1; a = coeficiente de ponderação; Dt – 1 = Demanda do período t – 1. O coeficiente de ponderação α é fixado dentro de uma faixa que varia de 0 a 1.Quanto maior seu valor, mais rapidamente o modelo reagirá a uma variação real da demanda. Se for muito grande, as previsões ficarão muito sujeitas às variações aleatórias da demanda; se for muito pequeno, as previsões poderão ficar defasadas da demanda real. Normalmente, variam para os valores de α entre 0,05 a 0,50. As previsões baseadasna média exponencial móvel são as mais utilizadas, principalmente em sistemas computacionais, pois seu modelo exige a armazenagem de apenas três dados por item (previsão passada, demanda e coeficiente de ponderação), e é de fácil entendimento. Observe como se comporta no exemplo a seguir: A Companhia Bem Dotada, estabelece em suas análises de gestão, em dez períodos que as demandas são expressas em números. Destaca também uma previsão e erro para os mesmos períodos, com base em variáveis de Alfa = 0,10 até 0,50. Neste caso, estabeleça qual a variação de erro para o próximo mês, neste caso o 11º. Período Demanda a = 0,10 a = 0,50 Previsão Erro Previsão Erro 1 90 – – – – 2 95 90,00 5,00 90,00 5,00 3 98 90,50 7,50 92,50 5,50 4 90 91,25 –1,25 95,25 –5,25 5 92 91,12 0,88 92,62 –0,62 6 95 91,20 3,80 92,31 2,69 7 90 91,58 –1,58 93,65 –3,65 8 100 91,42 8,58 91,82 8,18 9 92 92,27 –0,27 95,91 –3,91 10 95 92,25 2,75 93,95 1,05 11 92,52 94,47 52 • Equação Linear para a Tendência: uma equação linear possui o formato Y = a + bX, onde Y é a previsão da demanda para o período X, a ordenada é a origem ou intersecção no eixo dos Y, b o coeficiente angular e X o período (partindo de X = 0) para previsão. Com os dados históricos da demanda, obtêm-se os coeficientes a e b pelas equações (onde é n o número de períodos observados). Exercícios resolvidos Exemplificando, veja: Para exemplificar o cálculo da Equação Linear para a Tendência, traremos uma Companhia Beleza, usa a equação linear no formato Y = a + bX. Seguindo este raciocínio, qual será a equação linear da tendência no período 8, diante dos fatos destacados a seguir? Semana (X) Demanda (Y) ∑X ∑X–2 XY 1 450 1 2 450 2 430 3 5 860 3 470 6 14 1410 4 480 10 30 1920 5 450 15 55 2250 6 500 21 91 3000 7 520 28 140 3640 8 530 36 204 4240 ∑ 3830 17770 Y = 421.46 + 12.73 X Y9 = 421,46 + 12,73 (9) = 536,03 Y10 = 421,46 + 12,73 (10) = 548,76 • Ajustamentos para a Tendência: consistem no tratamento de demandas que apresentam tendência de maneira que os dados resultantes da previsão considerem essa variação. A plotagem de dados passados permite identificar uma equação que pode ser linear ou não-linear (exponencial, polinomial, logarítmica etc.). 53 Pt + 1 = Previsão de demanda para o período t + 1; Pt = Previsão de demanda para o período t; Pt – 1 = Previsão da demanda para o periodo t – 1; Mt = Previsão média exponencial móvel da demanda para o período t; Tt = Previsão da tendência para o período t; Tt – 1 = Previsão da tendência para o período t – 1; a1 = Coeficiente de ponderação da média; a2 = Coeficiente de ponderação da tendência; Dt = Demanda do período t. Exercícios resolvidos Agora, para podemos ajustar a tendência aos padrões de mercado, os gestores da Companhia Alegre Ltda, destaca em sua gestão os dados apresentados em planilhas como podem observar logo a seguir. Diante dos dados ofertados, estabeleça os ajustes de tendências para o período 8. Podemos assim fazer um modelo para exemplificar: Período t Demanda D Mt = Pt + a1(Dt – Pt) Tt = Tt – 1 + a2 ((P1 – Pt – 1) – Tt – 1) Pt + 1 = Mt + Tt 1 200 Estimativa inicial da tendência = (240 · 200) / 2 = 20 Estimativa inicial da demanda = 240 + 20 = 2602 3 250 240 260 = 240 + 20 4 300 268 = 260 + 0,2(300 – 260) 20 = 20 + 0,3((260 – 240) – 20) 288 = 268 + 20 5 340 298,4 = 288 – 0,2(340 – 288) 22,4 = 20 + 0,3((228 – 260) – 20) 320,8 = 298,4 + 22,4 6 390 334,6 = 320,8 + 0,2(390 – 320,8) 25,5 = 22,4 + 0,3((320,8 – 288) – 22,4) 360,1 = 334,6 + 25,5 7 350 358,0 = 360,1 + 0,2(350 – 360,1) 29,6 = 25 ,5 + 0,3((360,1 – 320,8) – 25,5) 387,6 = 358,0 + 29,6 8 400 390,1 = 387 · 6 + 0,2(400 – 387,2) 29,0 = 29,6 + 0,3((387,6 – 360,1) – 29,6) 419,1 = 390,1 + 29,0 Tal plotagem pode ser feita com o auxílio de cálculos matemáticos ou softwares computacionais que determinem uma equação de ajustamento para a tendência. Devido à facilidade de uso e maior aplicabilidade, utilizou-se o software específico ou até mesmo Excel. 54 Em síntese, podemos então ver as mais utilizadas dentro das companhias. Quadro 3: Sínteses das técnicas de previsão de ajustamento para tendências. Polinomial Logarítmico Esponencial A linha de tendência polinomial é uma linha curva usada quando os dados flutuam, útil, por exemplo, para analisar ganhos e perdas em um conjunto de dados grande. A ordem da polinomial pode ser determinada pe lo número de flutuações nos dados ou por quantos picos e vales aparecem na curva. Seu cálculo é feito por mínimos quadrados através de pontos usando a seguinte equação: Y = b + c1x + C2x2 + c3x3 +...+ c6x6 Onde b e c são constantes. A linha de tendência logarítmica é uma linha curva de melhor ajuste, muito útil quando a taxa de alteração nos dados aumenta ou diminui rapidamente e depois se nivela. Ela pode usar valores negativos e/ ou positivos e seu cálculo é feito por mínimo quadrados através de pontos usando a seguinte equação: Y = c Lnx + b Onde c e b são ctes e Ln é a função do logaritmo natural. A linha de tendência exponencial é uma linha curva muito útil quando valores de dados estão crescendo ou caindo com taxas cada vez mais altas. Não é possível criá-la se se os dados contiverem valores nulos ou negativos e seu cálculo é feito por mínimos quadrados através de pontos usando a seguinte equação: Y = Cebx Onde c e b são constantes e e é a base do logaritmo natural. Fonte: Martins (2015). Pratique 1. Diante do período de demanda estabelecido logo a seguir, calcule a Média Móvel a partir de fevereiro para Mn3 e Mn5. 2. Determine o consumo previsto para 2016 sob a visão da média móvel ponderada, como seguintes pesos, respectivamente para ano, peso e demanda: Em 2012 – 50% – 72; 2013 – 25% – 60; 2014 – 20% – 63; 2015 – 5% – 66. 55 3. Utilizando-se da análise gerencial pela média exponencial móvel, estabeleça a demanda relativamente estável e a constante para o ajuste igual a 0,05, tendo como base a previsão de demanda do mês anterior (F t – 1) que foi de 1050 unidades e que 1000 unidades foi a demanda. Calcule a previsão de demanda real para este mês. 4. Utilizando a técnica para tendência linear, identifique a equação diante dos dados ofertados pela Loja de departamento Alfa. Semana (X) Demanda (Y) X * 2 X * Y 1 200 2 250 3 220 4 210 5 200 6 200 7 250 8 250 36 1,780 Memorize Gestão da Demanda deveria ser de responsabilidade das áreas comercial (marketing e vendas) e planejamento em conjunto. Se a gestão fica por conta somente da área comercial, em alguns casos, existe a manipulação de previsão de superestimar para induzir uma grande produção e garantir a disponibilidade de produtos finais para venda ou de subestimar para que as vendas reais ultrapassem as previsões. Se a gestão fica por conta somente da área de planejamento, as previsões são feitas apenas com dados históricos de pedidos (CAMPOS, 2010, p. 1). 56 O processo de previsão de demanda constitui um esforço onde a empresa deve refletir sobre o “número” em si, alterando-o em função de expectativas de mercado, efeitos promocionais etc. Para isso, a existência de um método estatístico padronizado e adequado à realidade da empresa, paralelamente a um sistema computacional, são elementos fundamentais à elaboração de previsões cada vez mais rápidas e precisas. Alocamos conjuntamente a previsão colaborativa com o desenvolvimento de previsões usando as entradas de múltiplos participantes (marketing, operações, logística, financeiro, compras etc.) ou dos vários membros de uma cadeia de suprimentos – vendedores, transportadores e compradores. O planejamento de demanda advém de facilidades para o cálculo de suas previsões, onde podemos estabelecer as médias móvel, ponderada, exponencial, equação de tendênciae também fórmulas para calcular o ajustamento para estas tendências, tudo com a finalidade de uma gestão mais aperfeiçoada e uma maximização de desempenho. Em um mercado cada vez mais competitivo e exigente, com a gestão da demanda, será possível identificar problemas e/ou oportunidades futuras e possibilitar no presente a correção dos rumos da empresa para satisfação e atendimento ao mercado, visando aos seus lucros. Anotações ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ 57 Capítulo 03 – Planejamento e Controle de Estoques Objetivos de aprendizagem • Conhecer de forma geral o que podemos descrever como estoques; • Identificar e classificar as demandas entre independentes e dependentes; • Mostrar as várias listas de estoques e suas aplicações empresariais; • Gerir de forma apropriada os estoques de acordo com os modelos empresariais. Para iniciarmos este capítulo, é necessário um lembrete sobre os estoques. Estes ocorrem em operações produtivas, em algumas companhias, recebem este nome dentro do setor operacional, classificando assim uma diferenciação entre o ritmo de produção e a demanda, onde estas ultrapassam as necessidades dos clientes, gerando uma sobra de produtos não comercializados que chamamos de estoques. Todas as operações mantêm estoques de algum tipo. Movimentando estoques, será necessária uma decisão apropriada sobre o que fazer, quando fazer e como fazer com estes produtos, tudo levando a um fim desejado, a uma meta futura, ao lucro operacional. A decisão de quanto pedir envolve equilibrar os custos associados à colocação de um pedido. A abordagem mais comum para determinar a quantidade de um pedido é a fórmula de lote econômico de compra. Os gerentes discriminam diferentes níveis de controle, que a eles aplicam a diferentes itens em estoque. A maneira mais comum de fazer isso é o que é conhecido como classificação de estoque ABC. O planejamento e o controle de estoques gerenciam as atividades operacionais e produtivas que envolvam estoques com o objetivo de satisfazer continuamente a demanda dos consumidores, sejam eles internos ou externos. Toda operação que envolve estoques demanda planejamento e controle, ainda que o número de detalhes e o grau de formalidade desejado variem. 58 1. noções gerais de estoques Quando falamos em estoques, logo vem à cabeça uma associação na área da produção, mas isso não deve ser regra, já que todas as operações mantêm estoques de algum tipo, mantidos ou que advêm de diferentes operações, variando seu valor dentro das companhias, uma gestão real e relevante. Levando tal afirmativa para a prática, podemos visualizar uma diferença notável, mas existente, de estoques para serviços profissionais especializados, em baixa quantidade; já para operações com varejo ou armazéns, em maiores quantidades. Segundo Assaf Neto (2009, p.39), “os estoques são materiais, mercadorias ou produtos que são fisicamente mantidos disponíveis pela empresa, com expectativa de ingresso no ciclo de produção, de seguir seu curso produtivo normal ou de serem comercializados”. O autor indica ainda algumas causas da existência de estoques: • Evita a interrupção no fluxo de produção: os estoques asseguram que interferências no fornecimento de matéria-prima não prejudicarão o fluxo das atividades até a resolução do problema. Se a produção dependesse diretamente da entrega do fornecedor, esta passaria à dependência dos prazos acordados; • Características econômicas particulares de cada setor: em alguns setores, a produção encontra-se concentrada em determinadas épocas do ano, enquanto a demanda está distribuída ao longo do ano, a organização não consegue uma saída para os seus produtos na mesma proporção da oferta. O contrário também justifica a conservação dos estoques; • Perspectiva de aumento imediato do preço do produto: nesse caso, admite- -se que o ganho obtido por adquirir o produto antes da alta mais que compensa os custos de estocagem; • Proteção contra perdas inflacionárias: esse fato é evidenciado quando o mercado de capitais não se encontra plenamente desenvolvido e as alternativas de investimento não são adequadas; e • Política de vendas do fornecedor: quando recebe descontos dos fornecedores para adquirir maior quantidade de matéria-prima, o administrador é incentivado a ter maior comprometimento de recursos em estoques. 59 De forma mais acadêmica, podemos destacar quatro principais razões para manter estoques. Estes quatro tipos, segundo Tubino (2000, p. 25), são: Estoque isolador: também chamado de estoque de segurança, tem como propósito compensar as incertezas inerentes a fornecimento e demanda. Estoque de ciclo: ocorre porque um ou mais estágios na operação não podem fornecer todos os itens que produzem simultaneamente. Estoque de antecipação: mais comumente usado quando as flutuações de demanda são significativas, mas relativamente previsíveis. Também pode ser usado quando as variações de fornecimento são significativas, como em alimentos sazonais enlatados. Estoque de canal de distribuição: existe porque o material não pode ser transportado instantaneamente entre o ponto de fornecimento e o ponto de demanda. Se falamos anteriormente que os estoques se apresentam em diversos setores das companhias, também é correto informar que ocorrem em diversos pontos dentro de uma operação, como nos estoques de bens, de produção, de produto acabado, de produto em elaboração e outros mais. Fique atento Para gerir todos esses estoques, o gestor precisa manter suas decisões em metas de planejamento e de controle. Para se manter uma gestão apropriada dos itens referentes a estoques, o gestor disponibiliza de alguns questionamentos como auxílio na decisão. Destacamos aqui três formas de orientar-se: a hora certa de pedir o reabastecimento dos estoques, o que pedir e a sua quantidade e como controlar o sistema de planejamento. Todas juntas proporcionaram à gestão uma visão de como está e como deseja o futuro deste estoque. Não podemos esquecer que tudo que ocorre dentro do operacional é acompanhado de custos. No caso de estoques, os custos de sua manutenção, que são usualmente relacionados ao capital de giro, enquanto os custos de pedidos estão relacionados a transações necessárias da informação para gerar pedidos. 60 Diante da necessidade de adaptação de estoques às diferentes formas de aparecimento, o Lote Econômico de Compra (LEC) pode ser adaptado de acordo com o perfil de comportamento de estoques. Este lote estabelece uma quantidade adequada para o pedido a custo mais baixo, observando assim os custos totais associados às políticas de pedidos e relativamente insensível a pequenos erros de estimativas destes custos, neste caso, sujeito a várias críticas. Retirada de qualquer quantidade de um insumo do Grupo A Comparar a quantidade restante com o Ponto de Ressuprimento Resgitrar a quantidade restante e fazer o pedido do Lote Econômico Resgitrar a quantidade restante Ainda é maior que o PR? Não Sim Fonte: Corrêa e Dias (1998). Algumas dessas críticas caem no pressuposto de que o LEC é, às vezes, irrealista, os custos reais desses estoques por ele gerido produzem efeitos maiores que os supostos e seu uso de forma prescritiva aborda muitos dos custos como fixos, em vez de incentivar e enfatizar o uso da desfragmentação dos custos e assim uma gestão de redução. Memorize A decisão de quando colocar um pedido torna-se importante quandoa demanda é tratada como probabilística. Os estoques de segurança garantem uma tranquilidade na gestão. Os pedidos caminham lado-a-lado com os pedidos, onde estes são disparados para garantir a chegada de novos estoques sem que possa chegar ao nível de segurança. O nível de estoque de segurança é influenciado pela variabilidade de forma combinada tanto da demanda quanto do lead time. 61 Memorize O “lead time” significa o tempo computado entre o início da primeira atividade até a conclusão da última em uma série de atividades. Para se manter os estoques, as companhias contam com inúmeras formas. As mais comuns são pelo valor total do estoque, a cobertura de estoque proporcionada pelo estoque médio e o giro de estoque. Tudo isso deve ser gerenciado por sistemas computadorizados sofisticados e atualizáveis, onde trazem em suas funções a atualização de registros, geração de pedidos, status de estoques e tudo transformado em relatórios de previsão de demanda e até custeamento setorial por ABC. Algumas operações que envolvem estoques são mais difíceis de se controlar do que outras, como as que se relacionam diretamente com os consumidores, pois a natureza imediata e imprevisível do consumidor expõe a empresa a riscos. No que se refere aos estoques, o planejamento e o controle devem conciliar a relação entre fornecimento (suprimento) e demanda. O planejamento e o controle possuem objetivos em diversos aspectos de desempenho: • Reduzir custos pelo equilíbrio entre capacidade e demanda. Sem utilização excessiva ou subutilização da capacidade; • Assegurar que toda demanda seja atendida sem perdas de receita; • Aumentar o capital de giro pela redução de estoques; • Aumentar a qualidade de produtos e serviços e reduzir a probabilidade de ocorrência de erros; • Aumentar a velocidade de resposta à demanda do cliente, seja pela geração de pequenos estoques, seja pela acertada previsão da demanda; • Flexibilidade: capacidade de responder a aumentos inesperados na demanda; • Confiabilidade: fornecer o produto/serviço sem interrupções. 62 Falaremos, logo em seguida, desses pontos indicados sob a visão de demanda independente. O gestor tem em suas mãos a proposta ofertada pelo Plano Mestre de Produção (PMP), um subsídio para a tomada de decisão por meio de um processo interativo, representando os anseios de todos os setores interligados aos estoques, trazendo um planejamento a médio prazo. Finanças terá seu planejamento de necessidades de capital, Marketing terá seu plano de vendas com datas prováveis de entregas, Compras poderá negociar seus contratos com os fornecedores, Recursos Humanos terá seu plano de contratação e treinamento de pessoal e a Produção terá seu PMP para programar suas atividades (TUBINO, 2000, p. 29). Pratique 1. Quais as principais diferenças entre o plano de produção e o plano mestre de produção? E que variáveis devem ser incluídas na escolha do horizonte de planejamento de um plano mestre de produção? _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 2. Porque é importante ao PCP ouvir as diversas áreas da empresa na elaboração do planejamento mestre da produção? _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ . demanda independente x dependente 63 Para falarmos de demandas independente e dependente, temos que lembrar que, dentro das áreas operacionais, a gestão segue modelos pré-estabelecidos e que, de forma atualizada, advém da Gestão de Estoques, que permite a identificação da demanda independente, caracterizada como itens de estoques cuja demanda não guarda relação de dependência com a demanda de nenhum outro item ou atividade da organização. Fique atento A demanda é independente quando depende das condições de mercado e está fora do controle imediato da empresa. A demanda independente pode ser estimulada e inferir em alguns eventos que a alterem, como promoções, redução de preços, mas não podem estabelecer estas de forma segura, já que tudo isso depende da variação e do comportamento do mercado em relação ao produto em gestão. A empresa precisa se organizar para suprir a demanda sem ter qualquer visibilidade concreta antecipada dos pedidos dos consumidores para os produtos acabados, as peças e outros materiais para reposição. As empresas distribuidoras e as lojas que têm a venda de produtos como negócio principal, terão em seus estoques somente itens de demanda independente, onde seu consumo advém de uma previsão de demanda sujeita a riscos e incertezas, diante de um mercado tão instável. Embora a empresa possa estimular a demanda independente, por meio de promoções e reduções de preços, a quantidade final demandada do item ainda assim dependerá do mercado. São exemplos de demanda independente: os produtos acabados – sua demanda depende de fatores como: o desempenho da empresa que o produz em comparação com sua concorrência, dos humores do mercado, de condições econômicas gerais, entre outros. No caso onde os produtos previstos não podem ser calculados, são chamados de itens de demanda dependente. Estes itens são aqueles cuja demanda depende da demanda de outro item dentro da organização: exemplos são os componentes, cuja demanda pode ser calculada a partir das demandas dos produtos de que são parte. Assumem assim diferentes gestões de consumo. 64 Com abordagens diferentes para a demanda independente e dependente em relação ao consumo, a administração trata a demanda independente com a reposição de estoques de itens usados, reconhecendo a estimativa de demanda futura para estabelecer o momento de reposição e também a quantidade que deve ser adquirida ou fabricada para estoque. Já para a demanda dependente, a requisição é utilizada pela quantidade pedida e o momento em que ela deve estar disponível na produção estão relacionados com as previsões de mercado ou encomendas realizadas por clientes. É uma situação totalmente diferente do caso em que a empresa pode programar o consumo de quantias bem determinadas de pelo menos alguns dos seus itens. Um item é dito de demanda dependente se o seu consumo puder ser programado internamente. Os itens de demanda dependente são usados na produção interna de outros itens. A quantidade programada para consumo, na maioria das vezes, depende das expectativas da empresa em relação ao comportamento do mercado. Uma vez estimulado esse comportamento, através de uma previsão de demanda de um ou mais itens de demanda independente, a programação da produção é fixada. Fique atento Os itens de demanda dependente dependem, pois, da previsão de consumo dos itens de demanda independente. São itens de demanda dependente as matérias-primas componentes dos produtos e as peças para montagem. Os componentes das demandas dependentes e independentes são radicalmente diferentes. No caso de produtos finais e peças de reposição, a demanda é contínua, ainda sujeita à influência de efeitos tais como tendência, sazonalidade, ciclo de negócios e variações aleatórias. Por outro lado, as matérias-primas e as peças para montagem têm um comportamento do tipo “tudo ou nada” sempre que a produção seja feita em lotes: uma certa quantidade é demandada diariamente durante o tempo que durar a fase produtiva dos lotes; entre duas dessas fases produtivas, nenhuma quantidade é demandada. A figura a seguir ilustra esses comportamentosdiferenciados. 65 Figura 9: Demanda independente × dependente. Demanda Independente Demanda Dependente D ep en de nt e D ep en de nt e Tempo Tempo Fonte: Rosemary Martins (2015). Memorize A previsão de demanda é o principal impulso de um sistema de produção. Assim, a demanda independente é aquela que não está relacionada à demanda de nenhum outro produto ou serviço. A demanda dependente ocorre quando deriva da demanda de um segundo item, onde podemos citar como exemplo, veículos montados como demanda independente e os subcomponentes como demanda dependente. Cada vez mais, as organizações estão preocupadas com o atendimento da demanda, seja ela dependente ou independente, pois suas previsões farão com que problemas inesperados não ocorram e que as necessidades do mercado sejam atendidas. Pratique 1. Como proceder com o modelo de previsão da demanda baseado em correlações quando existe defasagem de períodos entre as variáveis dependente e independente? _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 66 2.1. Lista de materiais Um sistema empresarial específico cria listas MRP, sigla de material requirement planning, que pode ser traduzido por planejamento das necessidades de materiais, que estabelece a execução de planejamento de acordo com o código de criação. Essas listas contêm o resultado de planejamento do material. A lista MRP sempre exibe a situação de estoques/necessidades no momento da última execução de planejamento e também fornece uma base de trabalho para o planejador MRP. As modificações efetuadas após a data do planejamento não são consideradas; portanto, a lista é estática. As listas MRP permanecem gravadas no sistema até serem eliminadas manualmente ou substituídas por novas listas em uma execução de planejamento subsequente. Na lista de estoques/necessidades, é exibida a situação mais atual dos estoques e das necessidades. A principal diferença entre a lista MRP e a lista de estoques/necessidades é que, sempre que esta última é aberta, o sistema seleciona os diversos elementos MRP e exibe a situação mais atualizada. Assim, o usuário sempre visualiza a situação atual da disponibilidade do material na lista de estoques/necessidades. As modificações efetuadas após a data do planejamento são exibidas imediatamente; portanto, a lista é dinâmica. As listas de estoques/ necessidades não são gravadas em um estado fixo no sistema, mas estão sujeitas a modificações e só existem na memória de trabalho. Comparando as duas, pode-se perceber que a estrutura de ambas é basicamente a mesma, o sistema executa automaticamente a verificação de reprogramação imediatamente quando as duas listas são criadas e transfere as propostas de reprogramação e o número de mensagens de exceção exibidas em cada lista, de forma prévia estabelecida. Segundo o sistema SAP, sigla abreviada de Systeme, Anwendungen und Produkte in der Datenverarbeitung, no idioma alemão, que quer dizer, em português Sistemas, Aplicativos e Produtos para Processamento de Dados. Possui em modo ajuda, a função Help, a trazida pelo The Best Run Bussiness (2010, p. 1) traz: 67 A única diferença reside no fato de que, devido à natureza da lista, nenhuma mensagem de exceção pode ocorrer para os elementos MRP recém-planejados na lista de estoques/ necessidades. Imediatamente após a execução do planejamento, as duas listas contêm as mesmas informações. Após uma modificação relevante para o MRP, o sistema atualiza as informações contidas na lista de estoques/necessidades. Como as listas de estoques/necessidades estão sujeitas a modificações, não é possível defini-las com um código de processamento. A lista de MRP, segundo o SAP, advém de uma estrutura dividia em cabeçalho e itens para cada produto em análise. Os dados de materiais, como o número de material, o centro e os parâmetros MRP, são registrados no cabeçalho da lista MRP. Por outro lado, os itens contêm informações sobre os elementos MRP individuais (ordens planejadas, pedidos, reservas, ordens do cliente etc.) agrupadas por dados MRP em segmentos de planejamento individuais. O início de cada segmento de planejamento novo é destacado. O sistema SAP executa o cálculo das necessidades líquidas para cada segmento, separadamente. Para destacarmos como usualmente funciona, o SAP conta com oplanejamento exibido individualmente por meio da divisão em: • Segmento líquido: consiste na parte da lista cujo cálculo das necessidades líquidas no planejamento foi executado no nível do centro; • Segmento bruto: agrupa as necessidades brutas e as respectivas propostas de pedido para o planejamento de necessidades brutas; • Segmento de depósito: para cada depósito planejado separadamente ou para cada local não incluído no MRP; • Segmento de cliente individual; • Segmento de projeto individual; • Segmento de planejamento sem montagem final: exibe as necessidades planejadas sem montagem final. Isso significa que o suprimento é acionado pelas entradas de ordem dos clientes e de seu planejamento e não conversíveis com tipo; • Segmento de planejamento de produção direta; • Segmento de planejamento de suprimento direto; • Segmento de produção direta; • Segmento de suprimento direto; • Segmento para a provisão de material para subcontratação. 68 O usuário ramifica para a tela de comparação das duas listas, onde este exibe a data da última execução do planejamento na área em uma tela de “Comparação”. Nas áreas das outras telas, nos sistemas, o gestor pode ver os “Totais de períodos”, o sistema poderá apresenta o resultado do planejamento na exibição de totais de períodos. Existe também a possibilidade de selecionar uma “Lista estoques/necessidades”, onde os usuários ramificam para a exibição de totais de períodos da lista de estoques/necessidades, como ver e selecionar “Lista MRP”, ramificando para a lista MRP. Fique atento A gestão pode exibir de linhas individuais do período selecionado na parte da tela. O sistema lista todos os elementos MRP desse período, necessidades de estoques individualmente, uma gestão capaz. Os cartões Kanban, acompanham o desempenhando, o incremento contínuo da produtividade e a qualidade. Diante disso o gestor pode utilizar desse artifício para: • Operacionalizar, pelos próprios operários, o estimulo a iniciativa e o sentido de propriedade nos mesmos; • Estabelecer uma cadeia clara entre o cliente e o fornecedor dos itens, facilita os trabalhos dos grupos de melhorias, como os Círculos de Controle da Qualidade, na identificação e na eliminação de problemas; • Permitir a identificação imediata de problemas que inibam o incremento da produtividade por meio da redução planejada do número de cartões kanban em circulação no sistema. Estes problemas serão os temas a serem tratados pelos grupos de melhoria; • Estimular o uso de pequenos, reduz a necessidade de equipamentos de movimentação e acusa imediatamente problemas de qualidade nos itens; • Implementa efetivamente os conceitos de organização, simplicidade, padronização e limpeza nos estoques do sistema produtivo; • Dispensa a necessidade de inventários periódicos nos estoques, a quantidade de cada item é definida pelo seu número de cartões Kanban em circulação no sistema; 69 • Estimula o emprego do conceito de operador polivalente, pois fomenta nos operadores atividades de programação e controle da produção, antes de responsabilidade do pessoal do PCP; • Por meio dos cartões Kanban, são fornecidas informações precisas e simples aos operadores para execução de suas atividades, facilitando o cumprimento dos padrões de trabalho.Os cartões Kanban funcionam corretamente nas empresas que possuem lotes pequenos, viáveis para uma abordagem rápida de setup com respostas imediatas associadas a produtos e clientes, dispensando assim estoques excessivos de produtos. Trazem fluxos produtivos bem definidos, utilizando layout celular com mapeamento claro de roteiros de circulação dos cartões Kanban; estabilidade no PMP como proteção, obtida a partir do relacionamento de longo prazo com clientes, evitando-se mudanças inesperadas de curto prazo nas quantidades a serem produzidas; operários treinados e motivados com os objetivos do melhoramento contínuo, cumprindo rigorosamente as regras de funcionamento do sistema Kanban; e equipamentos em perfeito estado de conservação, com ênfase na manutenção preventiva, evitando-se paradas inesperadas não suportadas pelo nível mínimo de estoques no sistema. Pratique 1. De acordo com o gráfico a seguir, estabeleça uma relação de produtos em uma companhia de sua análise. • Plano Mestre; • Estoque de materiais; • Estoque de componentes dependentes; • Lista de materiais; • Restrições de mão-de-obra; • Disponibilidade de equipamento • Lead times. MRP • Necessidade de compras; • Ordens de compras; • Ordens de produção. 70 2. Por que, nos cartões Kanban, a quantidade de informações para produzir e/ou movimentar itens é reduzida em relação as ordens convencionais? _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 3. Diante das regras mencionadas a seguir, explique a função de cada regra de funcionamento do sistema Kanban. O que ocorre se os operários não as cumprirem? _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 2.2. Modelos de gestão de estoques A realidade é representada diante de graus comparativos de variáveis para formar uma base de gestão de estoques. Os modelos mais recentes levam em conta detalhes como as taxas de produção e recebimento de materiais assim como o grau de incerteza na demanda e nos prazos levando a variações também nos custos e nos preços de produtos, alterando, dessa forma, as vendas e os seus estoques produzidos, distribuídos e comprados. As companhias que utilizam em específico a classificação de seus custos setoriais por ABC advêm de seu funcionamento principal na diferenciação dos produtos em categorias, estabelecendo maior ou menor controle diante de seu impacto no preço e na demanda de produção e venda, facilidade a reposição e competitividade de mercado. A demanda estável destaca uma demanda relativamente constante nos modelos de Lote Econômico (ou Lote Fixo) e os Modelos de Revisão Periódica, esta como uma classe mais elaborada é, diante dos pensamentos de Tainna Brito (2010, p. 18): 71 Modelos Híbridos que combinam características dos dois tipos básicos de modelos. Apropriados para algumas situações especiais como quando variações na demanda são frequentes e o custo de carregar o estoque é excessivo ou quando o produto estocado é perecível ou de obsolescência rápida. Destacando uma análise voltando aos modelos básicos, a principal diferença é que, nos modelos de Lote Econômico, é o gatilho é um evento (uma ordem é disparada sempre que o nível de estoque chega ao Ponto de Reposição, só precisam se proteger das variações no lead time) enquanto nos de Revisão Periódica é o tempo (que não é necessário acompanhar continuamente as quantidades em estoque, mas apenas seus valores quando da realização das revisões, feitas periodicamente no sentido de identificar as quantidades presentes em estoque e a partir daí definir a quantidade a pedir – sempre uma quantidade que leve o nível de estoques a um nível “máximo” preestabelecido, tendem a ter um estoque médio mais alto, pois eles precisam se proteger de variações da demanda durante os períodos de revisão e no lead time.) Para aos itens reconhecidos não constantes, uma demanda irregular, os modelos de ponto de reposição podem ser usados com a revisão dos pontos de reposição em cada período. Se o gestor necessita de uma previsão de demanda de itens para a gestão de estoques, estes disponibilizam o método Time-phased Order Point (TPOP), que permite a visibilidade futura de compras e produção. Entretanto, a sua utilização exige sistemas computadorizados para o registro, ao contrário dos modelos de periodicidade do Lote Econômico e de Reposição (LER). Já ocorre de forma diferenciada quando o gestor opta pelo sistema Bench marketing, ou seja, o “nivelamento” de uma operação realizada pelo censo geográfico que visa medir diferenças em altura entre pontos estabelecidos, relativos a uma referência. As alturas são identificadas por marcos especiais fixados em “bancos” (com o mesmo significado que em “bancos de areia”) – os benchmarks, localizados em diferentes lugares por todo o país. Um benchmark é um marco cuja altura, relativa à referência, foi determinada pela atividade de “nivelamento”. Tal expressão é traduzida pelos estudos de Zairi e Leonard (1995) com a discussão detalhada sobre benchmarking. 72 Em suma, o benchmarking é uma oportunidade para uma empresa aprender com a experiência das outras. Há, entretanto, vários tipos de benchmarking, como traz Zairi (1995, p. 19): • Benchmarking competitivo pode ser utilizado como um modo de informar as pessoas quão bem ou mal estão se saindo contra a concorrência direta. A principal desvantagem é que pode ser difícil ou mesmo impossível obter informações sobre os processos, os desempenhos ou as metas da concorrência. • Benchmarking funcional compara funções específicas e.g. distribuição, logística, gestão de estoques de peças sobressalentes etc. com os melhores dos seus setores ou o melhor na prática específica, independentemente do setor. • Benchmarking interno é a comparação de desempenhos, práticas e processos com outras operações do próprio grupo a que pertence a empresa analisada. Para a gestão, conseguir atuar de forma desejável deve estabelecer uma frequente importância na observância de alguns pecados básicos na gestão de estoques, que, se considerados constantemente, ajudam muito a otimizar recursos: • Perder de vista os 20% dos produtos que representam 80% da sua venda; • Perder o pico da sazonalidade; • Negociar prazos e descontos com fornecedores sem prever atrasos e reajustes • Não alimentar continuamente as lojas com itens básicos; • Não se antecipar. A gestão de estoque, apesar de ser um pouco difícil para algumas empresas, possui algumas vantagens para aqueles que conseguem dela tirar benefícios, como a utilização adequadamente do capital de giro, o fornecimento adequado de materiais e componentes, integrar as vendas na medida da demanda, evitar a obsolescência e os desvios de produtos e materiais, adequar-se às cotas de fornecimento, liberar espaços para mais produtividade, identificar produtos sem giro, conhecer a influência do estoque nos resultados financeiros e, por fim, estabelecer estratégia frente ao capital de giro e ao atendimento a clientes. 73 Existem algumas diferenças entre o Plano mestre de produção e o Plano de produção, dentre as quais podemos destacar dois aspectos relevantes. O primeiro diante do nível de agregação dos produtos e a unidade de tempo analisada, onde o plano estratégico trata os produtos por famílias no emprego de meses, trimestres e anos, enquanto no PMP está voltado para a operacionalização da produção, tratará de produtos individuais planejados de forma mais curta, normalmente semanas, ou, nomáximo, meses para produtos com ciclos produtivos longos. Na gestão, o fortalecimento da interfase entre o planejamento e a execução está diante da grande importância da função de acompanhamento e controle da produção, permitindo ao gestor identificar possíveis desvios, ofertando subsídios para os responsáveis pelas ações corretivas. Os gestores podem usar desta ferramenta para agir de forma assertiva. Segundo o Jornal de Negócios do SEBRAE (nov. 2012, p. 8), em seu artigo “Estoque é dinheiro”, traduz essa gestão em: A gestão de estoque é uma ferramenta essencial para apoiar os principais propósitos de toda empresa: lucro e satisfação dos clientes. Quem faz um controle eficiente do estoque, frequentemente, consegue praticar melhores preços, atende com agilidade e tem mais qualidade no serviço prestado ou produto comercializado. Pratique 1. O sistema ABC, também denominado classificação ABC, tem como objetivo identificar itens que devem ter uma maior atenção na gestão dos estoques de uma empresa. Segundo essa técnica, os itens classificados como Classe: a) “A” são os itens em estoque que são mais movimentados, em termos de valores financeiros, ao longo do ano. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ 74 b) “A” são os itens em estoque cujos valores unitários são os mais altos e devem ser controlados com mais atenção. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ c) “B” formam o conjunto de itens em estoque com valores monetários de consumo anual mais elevados entre os itens em estoques. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ d) “C” são poucos no conjunto, cujo valor financeiro movimentado durante o ano é o mais alto do estoque. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ e) “C” formam o conjunto de itens do estoque que tem pouca demanda acumulada anual. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ 75 2. Benchmarking e reengenharia são técnicas utilizadas para a melhoria de processos nas organizações. Com relação a essas técnicas, assinale a opção correta. a) Ao se realizar benchmarking, devem-se desenvolver as diretrizes com base nas expectativas da organização, não se realizando comparação desta com outras organizações. _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ b) Os passos para implementação da melhoria de processos são os seguintes: identificar necessidades, mapear e modificar o processo atual e buscar alternativas em organizações de sucesso. _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ c) Benchmarking refere-se ao redesenho de processos já estruturados na organização com vistas à promoção de melhoria. _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ d) A reengenharia consiste em uma técnica de larga aceitação nos estudos organizacionais, dada a efetividade de seus resultados. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 76 Memorize Controle de estoques é um grande desafio e de suma importância para um mercado competitivo. Pode-se dizer que estoque é o acúmulo armazenado de recursos materiais em um sistema de transformação existente da diferença entre a produção e a demanda. O controle de estoque é muito importante para qualquer as companhias que estabelecem em seus estoques, probabilidades de sustentabilidade, pois através dele controlam-se os desperdícios, desvios, apuram-se valores para fins de análise bem como apura o demasiado investimento, o qual prejudica o capital de giro. Existem dois padrões básicos de consumo de um item ao longo do tempo, as demandas independente e dependente. É importante entender a dinâmica desses padrões já que conduzem a estratégias diferenciadas de controle de estoques. A demanda independente é a necessidade de um item não está relacionado com outros itens. Por exemplo, peças de um produto em lançamento, isto é, peças que não são baseadas em produtos instalados. Uma companhia não pode trabalhar sem estoque. Diante disso, os administradores advêm de uma gestão onde finaliza-se um processo de minimizar o capital investido em estoques, já que este apresenta-se de forma cara, por um aumento na continuidade, uma vez que o custo financeiro também se eleva, tudo isso com início nos estágios de produção até a venda ao cliente final. Para a lista de materiais destacamos a lista MRP que exibe o resultado da última execução de planejamento. As modificações ocorridas entre execuções de planejamento são ignoradas na lista MRP. Contrariamente, o sistema exibe todas as modificações efetuadas atualmente em estoques, entradas e saídas, na lista de estoques/necessidades. Ao utilizar a comparação entre a lista MRP e a lista de estoques/necessidades, o usuário pode confrontar essas duas análises entre si. É possível comparar a situação momentânea da última execução de planejamento com a situação atual de estoques/necessidades. 77 Planejar o estoque, hoje, é zelar pelo capital de giro amanhã. Inventários periódicos auxiliam na identificação de furtos ou desvios de estoques. O custo de aquisição dos artigos é importante. Mantenha-o sempre registrado. Sistemas informatizados ágeis facilitam controle, gestão e consulta aos estoques. Controle a validade e a aceitabilidade dos itens de estoques (SEBRAE, 2012, p. 8). Comprar bem é comprar o produto certo, na qualidade adequada, no tempo e na quantidade certa. O controle visual dos artigos estocados é tão ou mais importante que relatórios informatizados. Anotações ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ 78 Anotações ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ 79 Capítulo 04 – Planejamento das Necessidades de Materiais (MRP) Objetivos de aprendizagem • Conhecer os fatores Importantes para o MRP; • Estabelecer um definição e aplicação para o Time-phased Order Point (TPOP), Just-in-time e lead time; • Apontar dentro das companhias os Resultados de MRP. Introdução O planejamento de necessidades de materiais (MRP) consiste em um sistema lógico de cálculo que converte a previsão de demanda em programação da necessidade de seus componentes. A partir do conhecimento de todos os componentes de um produto e os tempos de obtenção de cada um deles, podemos obter uma visão futura das necessidades de tempo e quantidade que a gestão deve se preocupar na obtenção de cada item de forma que não haja falta sobra no suprimento para a produção. Esse sistema, desde sua criação, na década de 1960, é modular, um pacote de softwares de recolhimento e integração e informações gerenciais, conhecidos popularmente no ramo empresarial como Enterprise Resources Planning (ERP), que são pacotes padronizados, de custos elevados, oriundos de ofertas estrangeiras. Alguns nomes comerciais de sistemas de informações mais conhecidos são: SAP/R-3, BAAN4, Oracle Applications, BPCS, Peoplesoft, JDEdwards e MFG/Pro. Devido à busca constante pela minimização e custos, as companhias buscam atender suas necessidades em adaptações de sistemas paralelos que descaracterizam os sistemas ERP. Seu planejamento além de caro é de difícil implementação, onde nem sempre seu desenvolvimento é agregado aos outros sistemas em funcionamento dentro das companhias. 80 Fique atento Nem sempre os usuários estão preparados ou possuem conhecimento da dinâmica e do conceito utilizado no software, fazendo com que uma poderosa fer- ramenta de planejamento e tomada de decisões seja utilizada apenas como uma simples listagem de estoque. O planejamento e o controle são estabelecidos diante de uma aplicação sistemática dos estoques, com a visualização de sua produção, Just-in-time, armazenamento, capacidade de giro, análise de demanda e retorno desejável ofertado pelos clientes. 1. Fatores importantes para o mrp O conceito de MRP é uma estrutura que se iniciou há algumas décadas, a nível de informatização, já se encontrando ultrapassado atualmente. Hoje, trabalha as companhias com uma versão mais atualizada, o MRP II, que, além das quantidades e dos momentos de aquisição ou fabricação de cada item, são calculados e planejados os recursos a serem utilizados como a capacidade de máquina, os recursos humanos necessários, os recursos financeiros etc. Segundo Ricardo Carmelito, (2008, p. 1), MRP tem como objetivo definir as quantidades e os momentos em que cada item deve ser produzido ou comprado, a fim de atender o planejamento da produção. Para isso, ressalta que as estruturas de produto devem estar perfeitamente definidas assim como os tempos de obtenção ou fabricação, além das informações sobre inventários que deve ser a mais acurada possível. Memorize O MRP é um sistema que realiza cálculos por meio de projeções de inventários em função do planejamento de produção. Esse sistema se destaca por sua importância no tempo de resposta das variações, possibilitando, assim, aos gestores um replanejamento e uma visualização do futuro diante das decisões na visão de atingir metas futuras. 81 Visando o melhor atendimento aos consumidores, bem como uma análise exata das necessidades de cada item de demanda, o sistema MRP minimiza os estoques em processo aumentando a eficiência da fábrica, obtendo, dessa forma, menores custos e, consequentemente, alcançando melhores margens de lucro, tudo mediante parâmetros de comparação com o mercado e os meios de produção. Carmelito (2008, p. 2) estabelece uma padronização para o sistema MRP, onde traz este como um dos mais importantes e perfeitos na análise das atividades de estrutura de produtos. Consiste nas informações básicas sobre a estrutura do produto e o lead time de processo ou de fornecedor, deve-se levar em consideração algumas realidades e particularidades das empresas. Como exemplo, podemos explanar uma situação onde o fornecedor que não seja 100%, neste caso, deve optar por um estoque de segurança maior na parametrização; outro caso seria um equipamento que não tem 100% de estabilidade, parametrizando assim o lead time de processo com alguma folga caso ocorra algum problema. Não entrando no mérito das particularidades, os parâmetros básicos para um perfeito funcionamento do MRP são, de acordo do Carmelito (2008): • Estrutura do produto: é a especificação da quantidade de cada item que compõe um produto; • Tempo de reposição: é o tempo gasto entre a colocação do pedido até o recebimento do material; • Tempo de fabricação: é o tempo gasto do início até o término da produção; • Tamanho do lote de fabricação: é a quantidade de fabricação de determinado item de forma que otimize o processo; • Tamanho do lote de reposição: é a quantidade de determinado item que se adquire de cada vez, visando também a otimização de custos; • Estoque mínimo: é a quantidade mínima que deve ser mantida em estoque, seja de matéria-prima ou produto acabado; • Estoque máximo: é o nível máximo a que os estoques devem chegar. 82 O MRP, utilizado de forma adequada gerencialmente, deve ser apto a responder questionamentos essenciais para uma boa tomada de decisão pelo gestor: o que, quanto e quando serão necessários os componentes para cumprir a demanda de produtos finais. Pratique 1. Estabeleça as características e a aplicação atual para os sistemas MRP empresarial. Sugestão: escolha uma companhia onde este sistema é aplicado, visualize e aponte os tópicos exigidos na questão. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ 1.1. Time-phased order point (TPOP), just-in-time (JIT) e lead-time O Time-phased Order Point ou TPOP – Tempo de procedimento operacional padrão, em português conhecido como Ponto de fases de tempo. Este é um sistema de tração da procura que regula o fornecimento de fases de tempo de itens para comprar armazéns de chão. Defasado no tempo, significa que pedidos de depósito são gerados como resultado da execução manualmente uma sessão que verifica se o inventário do item vai cair abaixo do ponto de reabastecimento dentro do horizonte ordem especificada.A quantidade de artigos que são fornecidos para o depósito de chão de fábrica depende do: • Inventário disponível no armazém de fábrica; • Inventário que está previsto para ser entregue ao armazém de fábrica dentro do da sequência de ordem especificada; • Ponto de reabastecimento especificado para o item e a loja de armazém chão; • Inventário disponível mais o inventário previsto: se eles estão abaixo do ponto de reabastecimento, o inventário no armazém chão de fábrica é reabastecido. 83 Usando a aproximação do ponto de ordem de estoque para estabelecer o tempo faseado para os itens de demanda independente, é permitido a empresa, a gestão de dizer às pessoas quando pedir mais materiais; como reprogramar material já no fim de anteriores ou posteriores períodos de tempo; quando para gerar lançamentos ordem planejada para menor nível MRP e CRP; e como lidar com a demanda irregular, de forma concreta diante da concorrência. Em fases de tempo Order Point, ao contrário de KANBAN, administração de inventário é executada para os itens que são usados no armazém chão de fábrica. O sistema de abastecimento de TPOP é aplicável a(o): • Uso de peças por ordem de montagem de estação de linha é conhecida (administração de estoques é realizada no armazém de fábrica); • Ordens de montagem alocar partes no armazém de fábrica; • Peças de backflushed contra armazém de fábrica; • Baixo volume de peças; • Espaço de armazenagem de lotes grandes, em partes de armazém de fábrica; • Adequação de motores lentos ou demanda irregular. Diante de tudo que foi explanado anteriormente, também é de suma importância esclarecer o que é o Just-in-time. Surgiu no Japão, em meados da década 1970, sendo sua ideia básica e seu desenvolvimento creditados à Toyota Motor Company, a qual buscava um sistema de administração que pudesse coordenar a produção com a demanda específica de diferentes modelos e cores de veículos com o mínimo de atraso. Um sistema que tem por objetivo produzir a quantidade demandada a uma qualidade perfeita, sem excesso e de forma rápida, transportando o produto para o lugar certo no tempo desejado. Esta definição sintetiza muito bem o conceito do JIT e seu impacto em toda cadeia produtiva. Memorize O JIT tem a premissa de alocar a matéria-prima na quantidade e no tempo necessários. Ele está relacionado com a produção por demanda, ou seja, com a venda do produto ativa e puxa todo processo produtivo com objetivo de reduzir, até mesmo eliminar, todo desperdício de custos derivados durante o processo. 84 Este conceito por si só leva a um processo de melhoria contínua, pois exige da administração o desenvolvimento de políticas, padronização de processos e elementos que tornam a empresa competitiva. Segundo José Donizetti Moraes (2013, p. 23.), as vantagens e as desvantagens de um sistema MRP podem ser destacadas da seguinte forma: A vantagem de utilizar este conceito está na agilidade e na redução de custos que ocorrem em toda cadeia produtiva. Algumas plantas já são estruturadas com células onde são alocados os fornecedores para que eles possam fornecer em pequenas quantidades e em fluxo contínuo. Toda a lógica do sistema contribui para otimizar o espaço utilizado na planta. Podemos relacionar este ser rápida conversão dos materiais, redução do trabalho em processo, redução de espaço e manuseio, rápida resposta aos problemas, redução de agendamentos e rastreamentos, maior responsabilidade, melhor qualidade, menos desperdícios e retrabalhos, melhor resposta ao mercado e melhoria de atitude. A desvantagem é que este conceito não pode ser aplicado em produtos com demanda pouco previsível e com grandes oscilações. Outro ponto é que ele funciona com maior eficiência com pequenos números de fornecedores sendo necessário que os mesmos tenham estabilidade no fornecimento de materiais. Muito importante no conceito do Just-in-time, a utilização do Kanban, é utilizado na gestão sob a forma de “puxar” a produção a partir da demanda, produzindo em cada somente os itens necessários, nas quantidades necessárias e no momento necessário, como uma ferramenta de trabalho para o controle de produção, estes cartões controlam o estoque de forma visual, operando em conjunto e de forma complementar. 85 Fique atento Just-in-time é mais do que uma técnica de gestão de produção, que estão incluídos conceitos de administração de produtividade, gestão de materiais, projeto do produto, gestão de qualidade, recursos humanos e a administração do trabalho. Para as empresas que desejam implementar o Just-in-time são necessárias algumas atitudes de gestão, o comprometimento da alta administração, agregadas com treinamentos funcionais e uma abertura para investir capital na melhoria de processos, estabelecem assim a base para melhorar a capacidade e o desempenho dos setores e a sua comunicação entre as áreas. Dominando os processos pertinentes; e garantir eficiência no controle de qualidade, o just-in-time estabelece como gestão empresarial diante de: As ações são necessárias pela seguinte razão: os estoques altos em uma linha de produção escondem determinados problemas como: má concepção de produto, setup longo, layout deficiente, baixa qualidade, máquinas avariadas e fornecedores não confiáveis. Quando a empresa decide implantar o JIT, estes problemas, que antes não eram visíveis, irão aflorar. Por esse motivo, o JIT só pode acontecer após o tempo de setup ser reduzido ou eliminado, a taxa de defeitos referentes à qualidade ser minimizada, existir prevenção das avarias dos equipamentos, os prazos de entrega serem mínimos, existir otimização da dimensão dos lotes e a movimentação e os transportes serem minimizados (MORAES, 2013, p. 24). Outro significado interessante quando falamos em gestão de materiais é o lead time, ou tempo de aprovisionamento, ciclo ou período entre o início de uma atividade, produtiva ou não, e o seu término. A definição mais convencional para lead time em Supply Chain Management (SCM) é o tempo entre o momento de entrada do material até a sua saída do inventário (LAMBERT et al., 1998, p. 347). Fique atento Este resultado da definição mais genérica, lead time é, muitas vezes, confundido ou tem até o mesmo significado que ciclo (tack time e deadline, entre outros). 86 Memorize O lead time é um dos conceitos mais importantes da logística. Deve ser levado em consideração em todas as atividades, pois está associado ao custo da operação. Associados ao lead time estão, por exemplo, o estoque de segurança, o lote econômico de compras, os processos produtivos, dentre outros. Pratique 1. Hoje, grandes empresas são pressionadas pela urgência de aumentar a produtividade. Por essa razão, muitas delas resolveram adotar técnicas alternativas, traduzindo aspectos da filosofia Just-in-time e lead time. Algumas expressões são geralmente usadas nas companhias para expressar esta ferramenta. Aponte algumas delas. _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ 1.2. Resultados de MRP O sistema de MRP II apresenta características específicas para seu funcionamento, onde se estabelecem a partir do PMP dos estoques de materiais, seus componentes dependentes, uma lista de materiais, uma restrição de mão de obra e da disponibilidade dos lead times, gerando uma ordem de compras para os itens de produção. 87 Figura 10: Esquema de produção doMRPII. Fornecedores FÁbrica Ordens de fabricação Pedidos de compraLead times Restrições mão-de-obra Restrições equipamentos e instações MPR 2 BOM Estrutura análitica – produto Estoque de produtos acabados Necessidades de produção NEstoque –partes e componentes Plano mestres Variações econômicas externas Novas tecnologias Projeção da demanda Mudanças de eng. Fonte: Martim (2009). Para Fabiane Martim (2009, p. 3), os componentes, os parâmetros e as utilidades de um sistema de MRP são caracterizados como: Os componentes de um sistema MRP: sistema computadorizado, sistema informativo de produção, inventário de produção, calendário de produção, sistema de gestão de inputs (entrada) para produção e sistema de previsão de falhas produtivas. Os parâmetros fundamentais em que um sistema MRP assenta políticas e dimensão do lote (mínimos, máximos e política de períodos firmes, stock de segurança, lead time e unidade de medida. Os dados utilizados em um sistema MRP provêm do Plano Diretor de Produção (PDP), do inventário geral e da estrutura dentada dos produtos. Onde o PDP permite-nos saber o que produzir, quando produzir, o plano de produção alcançado por meio de previsões de vendas e encomendas firmes e a dimensão suficiente do horizonte temporal de planeamento de modo a englobar os [lead time / lead- -times] de todos os componentes integrantes nos produtos finais. 88 A gestão utiliza-se do inventário geral como fonte de informação disponível em armazém geral para destacar as necessidades brutas de seus produtos bem como as programações de início, ordem e fabricação de itens produtivos. Os tamanhos dos lotes, o lead time, os níveis de estoques de segurança e produtos defeituosos sofrem alterações diárias, sendo assim, proporciona os gestores o controle das variáveis internas e externas de controle, com a finalidade de uma decisão correta em tempo hábil. Os itens diante da linha de produção devem ser “expandidos” ao nível dos seus componentes, subcomponentes e peças (conceitos básicos de MRP, MRP II e ERP). A estrutura dentada dos produtos possui dados sobre cada componente ou grupo necessário para a produção de produtos finais, discriminando por referência, descrição e quantidades bem como definir a partir da necessidade do produto as necessidades dos componentes. Novamente, Martim (2009) nos traz em seus estudos condições para implementar os sistemas MRP, e estabelecer dentro das compnahias, comportamentos específicos de diferentes produtos da linha de produção, onde estes devem ser condicionalmente verificadas as seguintes condições: • Quando a utilização (procura) de material é descontínua ou altamente instável durante o ciclo normal de operação de uma empresa. Essa situação é tipicamente classificada como produção intermitente ou operação job shop, ao contrário de um processo contínuo de produção ou mesmo produção em série; • Quando a procura de material depende diretamente da produção de produtos acabados ou de outro inventário específico. O MRP I pode ser visto como componente primário do planejamento da produção onde a procura pelos componentes ou pelos materiais depende da procura do produto final; • Quando o departamento de compras, os seus fornecedores e as próprias unidades de produção da empresa possuem a flexibilidade para satisfazer encomendas e entregas semanalmente. Tratamos, assim, de visualizar que o sistema MRP traz consigo algumas vantagens, tais como diminuição dos estoques, controle melhor da produção e das encomendas, processo hierárquico, integração das várias áreas funcionais (ERP), estrutura formal de dados e procedimentos, simulações e integração JIT/MRP. 89 Mas também, como tudo que é sistemático dentro das organizações, acarretam desvantagens como as que acontecem no MRP I, diante da não observação das tendência de otimizar os custos de aquisição dos materiais. Nesta abordagem, o MRP estabelece como os níveis de estoques ao mínimo possível, os materiais têm que ser comprados em quantidades pequenas e de uma forma mais frequente, o que resulta em um incremento dos custos de aquisição (ou também conhecidos como custos de aprovisionamento). Maiores custos de transporte são causa efeito visto que a empresa está menos apta a descontos de encomendas de grandes quantidades. A empresa tem que comparar antecipadamente a redução nos seus custos de posse de material em stock face aos aumentos nos custos associados a encomendas frequentes e de pequenas quantidades. Outra desvantagem também abordada por Martim (2009, p. 5), trata da observação do potencial perigo de uma redução ou mesmo paragem da produção que pode advir de fatores como problemas de entrega não previstos e escassez de material. A existência de um stock de segurança fornece à produção alguma proteção contra imprevistos. Como os stocks de segurança são reduzidos, esse nível de proteção é perdido. A desvantagem final do MRP I é devido à utilização de pacotes de softwares standardizados que podem ser difíceis de adaptar a situações específicas de produção de uma determinada empresa. O software tem então que ser adaptado e modificado pela empresa de forma que consiga satisfazer as necessidades únicas de determinada situação. Essas desvantagens podem ser facilmente eliminadas por meio de uma parametrização do software utilizado. Nele, podem ser definidos estoques de segurança e lotes mínimos de compra que reduziriam dramaticamente os efeitos que foram citados. Na prática, sua realização compreende a ligação do MRP a um determinado produto, podemos observar relevâncias que integram o processamento do produto, nomeadamente MRP II para itens pais e itens filhos, estrutura do produto, lista de materiais “indentada”, detalhe das necessidades brutas dos materiais, previsões das vendas e cálculo ou “explosão” de necessidades líquidas de materiais. A possível alteração para um sistema mais atual, o MRP II, consiste na variedade modular e nas funções novas que incluem o planejamento da produção e das necessidades de produção, os calendários, os prazos, as compras e o shop floor control – SFC, ou melhor, uma informação mais precisa do comportamento produtivo e uma decisão mais concreta visando o futuro. 90 O MRP II traz como vantagem o controle da rotação de estoques, maior controle temporal de produção até clientela e redução de custos de aquisição de materiais bem como mão de obra. Uma significativa apropriação de custos e transformação em recursos de capital. A implementação de um sistema MRP II não se constitui, no seu âmago e na generalidade, uma tarefa inteligível, compreendendo, na maioria das vezes, um espaço temporal de aprendizagem que poderá alcançar os 24 meses. Os dados oficialmente reconhecidos designam uma taxa de êxito (classe A de acordo com a classificação da consultora norte-americana Oliver Wight) nas implementações de apenas 25%. Nesta etapa, a empresa estará habilitada a executar simulações do tipo what-if, sendo que o sistema MRP proporciona um melhor entendimento das inter-relações estabelecidas em atividades como vendas, finanças, produção e suprimento (MARTIM, 2009, p. 7). Para que as companhias possam chegar a este patamar, alcançar este limiar, têm que estabelecer uma meta diante dos limites e dos fatores críticos na composição humana interligada com a produção de itens a comercializar, onde deve a gestão: • Apoio dos altos cargos das empresas e das organizações; • Definição translúcida de metas e objetivos; • Cooperação e comunicação interdepartamental; • Visibilidade da implementação; • Programa de treino profissionalmente construtivo e educação; • Staff comprometido e motivado; • Conhecimento dos princípios de MRP II, especialmente pelos elementos constituintes do sector de vendas;• Adequação de hardware e software com validade e incorruptibilidade dos dados, advindo de expertise em tecnologia de informação. Para que o gestor possa garantir o cumprimento dos prazos de entrega dos pedidos dos clientes com mínima formação de estoques, planejar as compras e a produção de itens necessários, nem mais, nem antes, nem depois, ele conta com o total apoio da alta gerência, o devido comprometimento de bases sustentáveis de confiança de um sistema de projeção. 91 Martim (2009, p. 9) considera o MRP como “uma importante ferramenta que auxilia no planejamento das necessidades da empresa, fazendo com que programe sua produção e produza no momento certo de atender a demanda”. A gestão conta com as facilidades da análise e da definição clara de metas e objetivos, comunicação e coordenação interdepartamental, viabilidade da implementação, treino e educação, staff comprometido e motivado, conhecimento dos princípios de MRP II por parte do setor de vendas, adequação de hardware e software, validade e integridade dos dados, expertise em TI e importância dos projetos-pilotos como parte da confiança dos membros da organização. Pratique 1. Diante da estrutura mostrada a seguir, estabeleça uma situação em que a mesma passou pelas áreas descritas deste sistema MRPII. LISTA DE MATERIAIS DISPONIBILIDADE DE MATERIAIS SEQUÊNCIAS DE OPERAÇÕES PLANEJAMENTO EMPRESARIAL PLANEJAMENTO DE VENDAS PLANEJAMENTO DE PRODUÇÃO PLANEJAMENTO CAPACIDADE PLANEJAMENTO DE MATERIAIS PROGRAMAÇÃO MESTRE CONTROLE DE FABRICAÇÃO COMPRAS MEDIDAS DE SEMPENHO OK OK NÃO SIM _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ 92 Memorize O MRP é a sigla de Material Requeriment Planning ou Planejamento das Necessidades de Materiais. Surgiu da necessidade de se planejar o atendimento da demanda dependente, ou seja, aquela que decorre da demanda independente, das necessidades do mercado e está relacionada diretamente a produtos acabados, isto é, aqueles que são entregues diretamente ao consumidor. Como a maioria das empresas produz um mix de produtos, utilizando um grande número de peças e componentes comuns, seria praticamente impossível controlar todos esses componentes para todos os produtos fabricados ou montados (considerando os estoques disponíveis, as entregas previstas, as compras em andamento, os prazos de entrega, a estimativa de atrasos) sem o auxílio de um computador. Assim, o MRP só se viabilizou com o advento do computador. Em meados dos anos 1960, os sistemas MRP utilizavam-se de computadores de grande porte que demoravam horas para processar as informações de um único dia. Para obter os componentes de um produto, ele era explorado em todos os seus detalhes para poder gerar a lista de material, também conhecida como BOM (Bill of material). O BOM é um software que processa todos os dados do produto, correlacionando os produtos que possuem componentes comuns, verificando sua disponibilidade nos estoques e gerando a lista de itens faltantes. Devido ao desenvolvimento da capacidade de processamento dos computadores e o aparecimento dos microcomputadores, o conceito de MRP expandiu-se, surgindo o MRP II (Manufacturing Resources Planning), ou seja, Planejamento dos Recursos de Manufatura, para poder tratar também dos insumos da produção como mão de obra, equipamentos, espaços disponíveis para estocagem, instalações etc. Esse sistema é utilizado atualmente pelas organizações que necessitam de um planejamento e controle adequados para os seus produtos. 93 Referências AROZO, Rodrigo. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos. Saraiva, São Paulo, 2002. ASSAF NETO, A. Finanças corporativas e valor. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2009. BALLOU, R. H. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos: planejamento, organização e logística empresarial. 4. ed. São Paulo: Bookman, 2001 BARBASTEFANO, Rafael Garcia. Fatores críticos na implementação de sistemas mrpIIs. Rio de Janeiro, 1996. [Consult. 29 Mai. 2008]. 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