Jurisdição e Processo Constitucional (A2)

Jurisdição e Processo Constitucional (A2)

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JURISDIÇÃO E PROCESSO CONSTITUCIONAL 
1) CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE: 
a. Influência do sistema difuso norte-americano (Judicial review); 
b. Caso Marbury v. Madison, 1803; 
o Supremacia da Constituição; 
o Quem analisará a compatibilidade vertical, ou seja, quem fará o controle de 
constitucionalidade entre uma lei e a constituição, será o Poder Judiciário; 
\uf076 JUDICIAL REVIEW \u2013 STARE DECISIS (EUA): 
\uf0b7 A decisão da Suprema Corte Norte-Americana é VINCULANTE, ou 
seja, possuirá efeitos ERGA OMNES; 
\uf0b7 A Suprema Corte Americana irá RETIRAR do mundo jurídico a norma 
declarada inconstitucional; 
\uf0b7 Possui efeito EX TUNC, ou seja, retroage à todos (erga omnes); 
\uf0b7 O Poder Legislativo NÃO PARTICIPA, em nenhum momento, do 
processo de controle de constitucionalidade; 
\uf076 MODELO DIFUSO (BR): 
\uf0b7 A decisão do STF NÃO É VINCULANTE, portanto, só valera entre as 
partes do processo, ou seja, efeito INTER PARTES; 
\uf0b7 A norma permanecerá no mundo jurídico; 
\uf0b7 Também possuirá efeitos EX TUNC, porém, só retroagirá para as partes 
devido ao seu efeito inter partes; 
\uf0b7 Já no modelo difuso Brasileiro HÁ A PARTICIPAÇÃO DO SENADO 
FEDERAL, na forma do Art. 52, X, CF/88; 
 
c. CLÁUSULA DE RESERVA DO PLENÁRIO: 
o Art. 97, CF; 
o Também conhecido como: FULL BENCH ou PRINCÍPIO DO COLEGIADO; 
o Uma norma só poderá ser declarada inconstitucional pela MAIORIA ABSOLUTA do 
TRIBUNAL (Desembargadores), porém, no TJ que houver MAIS que 25 
Desembargadores, poderá ser instituído um ÓRGÃO ESPECIAL, que será composto 
pelo mínimo de 11 e máximo de 25 desembargadores, nos termos do Art. 93, XI, CF; 
\uf0b7 Portanto, no exemplo do TJRJ, onde existem 180 desembargadores, 
criou-se um órgão especial com 25 desembargadores, então, para se 
declarar uma norma inconstitucional pelo tribunal do RJ, é necessário, 
neste órgão especial, o mínimo de 13 votos (maioria absoluta); 
\uf0b7 Então, ao contrário do RJ, o TJAC possui apenas 8 Desembargadores, 
portanto, não há a necessidade de se criar um órgão especial pois o 
número de desembargadores é inferior a 25, instituindo-se um tribunal 
pleno com todos os 8 desembargadores; 
 
o CISÃO FUNCIONAL DE COMPETÊNCIA: 
\uf076 Se um órgão fracionário (Câmara cível, por exemplo) estiver diante de uma lei 
que este entenda que é inconstitucional ele NÃO PODE PROSSEGUIR O 
JULGAMENTO DA CAUSA; 
\uf076 Deverá PARAR o julgamento e envia-lo ao órgão especial ou ao Tribunal Pleno 
(depende do estado); 
\uf076 O órgão fracionário NÃO PODE declarar a inconstitucionalidade; 
\uf0b7 Após o julgamento da constitucionalidade pelo órgão especial/tribunal 
pleno, o processo retorna para o órgão fracionário e continua o 
julgamento; 
\uf076 Porém, se o órgão fracionário entender que a norma é CONSTITUCIONAL, 
NÂO HÁ NECESSIDADE DE REMETÊ-LO ao órgão especial; 
\uf076 Portanto, o processo só será enviado ao órgão especial se o próprio órgão 
fracionário entender que está diante de uma norma inconstitucional; 
\uf0b7 Art. 948 c/ 949, I, CPC; 
i. Se a câmara cível entender que a norma é constitucional NÃO 
HÁ A CISÃO FUNCIONAL DE COMPETÊNCIA; 
\uf076 Se já houver uma decisão do órgão especial (O.E) /tribunal pleno (T.P), ou pelo 
plenário do STF a respeito da constitucionalidade de determinada norma, NÃO 
HÁ NECESSIDADE de envia-lo ao O.E/T.P 
\uf0b7 Art. 949, §Único, CPC; 
\uf076 Súmula Vinculante 10 (IMPORTANTE \u2013 LER) 
\uf0b7 Se o O.F não declarar expressamente uma norma inconstitucional, mas 
afastar sua incidência no julgamento, violará da cláusula de reserva do 
plenário 
 
 
 
 
 
 
 
o Hipóteses de não observância à clausula de plenário: 
\uf076 Juiz de 1º Grau; 
\uf076 Turmas Recursais (JEC); 
\uf076 O.F entender que a norma é constitucional; 
\uf076 Já houver decisão do O.E/T.P/Plenário STF; 
\uf076 Quando o O.F proceder com a interpretação conforme a constituição (técnica 
hermenêutica), significa que o O.F está entendendo que a norma é 
constitucional, portanto não é necessária a cisão funcional de competência; 
\uf076 No Julgamento pelas TURMAS do STF de Recurso Extraordinário (art. 102, 
III, \u201ca\u201d, CF), já que a competência de constitucionalidade é do próprio STF. 
\uf0b7 A maioria simples de uma Turma recursal do STF pode declarar uma 
norma inconstitucional, não sendo necessário enviar o julgamento ao 
plenário. 
\uf076 Quando o O.F estiver diante de um direito pré-constitucional (norma anterior à 
CF) não é necessário enviá-lo ao O.E/T.P; 
 
d. EFEITOS DA DECISÃO FINAL DE MÉRITO DO STF: 
o Em regra, os efeitos serão INTER PARTES e EX TUNC, ou seja, só valerá para as 
partes e retroagirá à data do início da lide; 
\uf076 Porém, desde 2011, o STF permite a MODULAÇÃO DOS EFEITOS 
TEMPORAIS, ou seja, excepcionalmente, poderá atribuir à decisão o efeito EX 
NUNC; 
\uf0b7 Aplica o Art. 27 da Lei 9868/99, mesmo tratando-se de ADI. 
o O PAPEL DO SENADO FEDERAL 
\uf076 Art. 52, X, CF; 
\uf076 Assim que o STF decidir o caso concreto (d), comunicará ao Senado de sua 
decisão; 
\uf076 Então o Senado poderá SUSPENDER, em todo ou em parte, a eficácia desta 
norma; 
\uf0b7 Se o Senado decidir por SUSPENDER, terá efeitos ERGA OMNES 
(para todos) e EX NUNC; 
o Então, em um 1º momento os efeitos da decisão final do STF serão INTER PARTES e 
EX TUNC, podendo, se estiverem presentes os requisitos do Art. 27 da Lei 9868/99, 
ocorrer a modulação dos efeitos temporais. 
o Em um 2º momento, após a decisão do STF, este comunicará ao Senado Federal de sua 
decisão, que decidira por SUSPENDER ou não a lei e, sendo esta suspensa, possuirá 
efeitos ERGA OMNES e EX NUNC. 
e. TEORIA DA TRANSCENDÊNCIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES: 
JURISDIÇÃO E PROCESSO CONSTITUCIONAL 
 
1) MARGEM NACIONAL DE APRECIAÇÃO: 
- Vem do direito constitucional e do direito administrativo; 
- Utilizado pela corte Europeia, ou seja, pelo sistema Europeu; 
 - O sistema interamericano utiliza o Controle de Convencionalidade; 
- Não há um único ordenamento jurídico, e sim uma pluralidade de ordenamentos jurídicos; 
- Visa afastar uma ideia hegemônica de Direitos Humanos, ou seja, de imposição dos direitos 
humanos. 
 - \u201cCabe ao seu Estado resolver e não nós da Corte Europeia\u201d; 
- Há a crítica de que o Estado, desta maneira, pode abrir margem para atenuar crimes graves de direitos 
humanos que sejam de seu interesse; 
- No sistema interamericano a última palavra será sempre da Corte Interamericana, diferente do 
Sistema Europeu (MNA), que poderá ser do Estado; 
 
a. Laurence Dujardin x França, 1991: 
- A França, após o conflito que ocorreu na Nova Caledônia, editou Lei de Anistia e, assim, 
os assassinos de Laurence ficaram impunes. Portanto, a família do policial peticionou 
contra a França, porém, a Comissão entendeu que a própria França que deveria reconhecer 
se aquela Lei de Anistia era benéfica ou não; 
- Sendo assim, a Comissão Europeia reconheceu a Margem Nacional de Apreciação; 
 
b. Ould Dah x França, 2009: 
- Ould Dah (oficial do exército da Mauritânia) foi acusado de ter praticado tortura e 
homicídio e, mesmo após ter sido anistiado pela Mauritânia, ao ir à França, lá foi preso 
pela prática de tais crimes; 
-\u201cA França reprime os crimes cometidos por Ould Dah, portanto, foi preso no 
território Francês); 
- Foi utilizado o Princípio da Justiça Penal Internacional (Art. 7º, II, \u201ca\u201d, CP); 
- Ocorreu que, na Mauritânia ele já havia sido anistiado por uma Lei de Anistia, portanto, 
ao ser preso na França, Ould foi julgado duas vezes pelo mesmo crime, mas entendeu-se 
que em alguns casos, como a tortura, deve-se perseguir quem a praticou, portanto, a lei de 
anistia mauritana não pode impedir a França de condena-lo; 
- Portanto, em sua sentença, a Corte Européia considerou que: \u201cQuando um agente do 
Estado for acusado de crimes de tortura ou mais tratos,