CAPÍTULO 02 ADMINISTRAÇÃO_ TEORIA E PRÁTICA NO CONTEXTO BRASILEIRO
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CAPÍTULO 02 ADMINISTRAÇÃO_ TEORIA E PRÁTICA NO CONTEXTO BRASILEIRO


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J· 
Capftulo 2 A evolução do pensa~.ent(? 
em administração 
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. . 
Compreender o que são as teorias e sua importância para a prática da administração. 
Identificar práticas seculares humanas ligadas à administração e organização. 
Discutir as condições históricas que impulsionaram o surgimento do campo da administração. 
Descrever as principais contribuições da escola clássica de administração. 
Analisar o significado da pesquisa de Hawthorne para o estudo da administração. 
Destacar as principais contribuições e limitações da abordagem comportamental. 
Explicar em que consiste a escola quantitativa da administração. 
Analisar a teoria dos sistemas e discutir sua relevância na atualidade. mi 
~~~~~; Destacar a contribuição empírica do enfoque contingencial. ~ 
Discutir as tendências contemporâneas em teoria administrativa e organizacional. ~ él ;ll ~ !l/Ni 
!11©9l~l!ilil~~! 
Um breve mergulho na história do pensamento em administração é um es-
timulante exercício intelectual gerador de compensadoras reflexões. Trata-se 
da análise dos processos de construção, revisão, crítica e avanço nos conteúdos 
e nas fronteiras de uma disciplina cuja vida útil é pouco maior que um século. 
Atualmente, a importância do campo da administração no Brasil é comprovada 
por mais de 2 mil cursos de graduação em administração e mais de 1 milhão de 
estudantes de administração em nosso país. 1 
O presente capítulo tem como principal objetivo analisar a evolução do pensa-
mento na administração, destacando as principais teorias que a caracterizam, bem 
como suas contribuições para a consolidação da disciplina e de sua prática. O estu-
do das teorias em administração justifica-se pela contribuição que elas trazem para o 
avanço do campo em termos conceituais e práticos. O atual leitor, atento às teorias ad-
ministrativas e organizacionais, será o futuro administrador capaz de adaptar os con-
ceitos desenvolvidos no campo teórico às especificidades da empresa onde trabalhará. 
A análise privilegiará a contextualização histórica, por meio da qual serão 
identificados os fatores que influenciaram o surgimento das principais escolas de 
pensamento administrativo. Busca-se, dessa maneira, mostrar que o que se desen-
volve em teoria administrativa e organizacional - logo, o que pode se aplicar na 
prática administrativa - está sujeito às circunstâncias e às contingências históricas, 
às quais um administrador bem preparado deve estar sempre atento. 
As principais escolas do pensamento adrrúnistrativo analisadas são: a escola clás-
sica de administração, a escola comportamental, a escola quantitativa e a escola con-
tingencial. Para cada uma dessas escolas, são destacados os pressupostos que lhe 
servem de base, bem como o foco da análise que desenvolvem, os conceitos-chave 
construídos e as principais contribuições e limitações. Por fim, são discutidas as ten-
dências contemporâneas em teoria administrativa e organizacional, destacando al-
gumas teorias contemporâneas e o movimento de estudos críticos em administração. 
46 Administração: teoria e prática no contexto brasileiro 
O recai! de gestão da Volks 
Os planos de crescimento da Volkswagen no 
Brasil são audaciosos e ambiciosos. Além de buscar 
a consolidação da liderança no mercado brasileiro, a 
empresa quer se tornar a maior empregadora do se-
tor automobilístico e a segunda maior em operação 
do grupo no mundo. 
Essas metas ousadas eram inimagináveis há 
alguns anos, quando a montadora passou por um 
período difícil. Entre 1998 e 2006, a companhia re-
gistrou prejuízos consecutivos e ainda perdeu a lide-
rança de décadas no Brasil para a Fiat. 
As causas detectadas para essa turbulência es-
tavam relacionadas ao modelo de gestão utilizado 
pela montado_ra alemã. Segundo especialistas, a 
Volks mostrava-se uma empresa lenta, conhecida 
pela rigidez e pela verticalização da gestão, em que a maioria das decisões era tomada de cima para baixo. 
No período de turbulência, essas características se acentuaram. Para aprovar cada despesa, por exemplo, os 
gestores dependiam de cinco ou mais assinaturas de executivos. · 
Em 2007, após uma reestruturação, a empresà voltou a apresentar resultados pÓsitivos. A empresa per-
cebeu que a indústria automobilística pede decisões cada vez mais rápidas tanto para corrigir falhas quanto 
para baixar preços ou lançar campanhas. O modelo burocrático até então adotado não condizia com o novo 
cenário ind~strial, levando a Volks a investir em um nóvo modelo de gestão mais dinâmico e flexível para 
responder as demandas do mercado. Mais do que competência técnica e austeridade, os altos executivos 
da empresa perceberam que para continuar na briga pela liderança era necessário implantar um modelo de 
gestão que se adequasse às características do setor automobilístico. 
Além disso, investiu na formação dos seus ce_rca de 500 gestores. Os gastos em trein.amento e desenvol-
vimento da e9uipe gerencial cresceram mais de 70% em dois anos, Só em 2009 foram 13 ,5 milhões de reais. 
A mudança não foi simples e muito menos rápida, mas era o caminho para a sobrevivência na indústria 
automobilística brasileira, que a cada dia que passa se torna mais competitiva.2 
2.1 » Teorias em administração·. 
Como se percebe na descrição do caso, o rnodelo de gestão conservador. e 
centralizado da Volkswagen no Brasil não estava permitindo à empresa alcari.çar 
os resultados pretendidos. Além de resultados negativos, a perda de liderança para 
a Fiat havia sido um duro golpe na imagem da empresa. Para continuar na briga 
pela liderança, a Volks reestruturou ó seu modelo de gestão, passando a descen-
tralizar as decisões, de forma a responder com rapidez ao mercado, e investiu no 
desenvolvimento de sua equipe de administradores. 
· A preocupação em dar uma sólida formação aos sem gestores revela a ~m-
portância que a Volkswagen atribui às teorias de administração. Claro que mmtos 
liwos, artigos ou consultorias vendidos na área de administração trazem consigo a 
promessa de solucionar problemas complexos de gestão por meio de propostas, por 
vezes contraditórias, do tipo "descentralizar o processo de tomada de decisão", "in-
tegrar wrticalmente", "racionalizar os processos", entre outras. Niuitas das técnicas 
e soluções propostas sustentam-se em sólidas teorias administrativas e organizacio-
nais. Entretanto, nem tudo o que se vende em nome da boa administração pode 
satisfazer o consumidor ávido que busca soluções para a melhoria da organização. 
Capítulo 2 » A evolução do pensamento em administração 47 
Teoria 
Em termos práticos, o "consumo" de teorias administrativas e organizacionais 
justifica-se pela necessidade de adotar as melhores práticas que possam contribuir 
para o aperfeiçoamento do desempenho de dada organização, considerando-se 
as características únicas de sua inserção no mercado. Afinal, a administração é 
uma disciplina aplicada na busca de resultados concretos que visem à melhoria de 
gestão. No entanto, é necessário compreender o que constitui uma boa teoria de 
administração para uma adaptação seletiva às condições reais da empresa. 
Conjunto coerente de 
suposições elaboradas 
para explicar a relação 
entre dois ou mais fatos 
observáveis e proporcionar 
uma base sólida para 
prever eventos futuros. 
Teorias podem ser definidas como conjuntos coerentes de suposições elabo-
radas para explicar a relação entre dois ou mais fatos observáveis e proporcionar 
uma base sólida para prever eventos futuros. São afirmações que predizem quais 
ações vão le,·ar a quais resultados e por quê. As teorias nos permitem fazer previ-
sões acerca do futuro, assim como interpretar o presente. 
Teorias organizacionais 
Teorias que têm como 
objetivo compreender 
as organizações 
como um fenômeno 
social e desenvolver 
modelos explicativos