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AULA 2

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TEORIA AVANÇADA DA 
CONTABILIDADE 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Tassiani Aparecida dos Santos 
 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
O objetivo deste texto é apresentar a evolução histórica do pensamento 
contábil: da dicotomia normativo versus positivo, até as mais recentes teorias 
contábeis. A princípio, a pesquisa contábil tinha um caráter muito normativo, isto 
é, baseada em desenvolver normas de atuação profissional. Após diversas 
críticas a esse tipo de pesquisa, a pesquisa contábil assumiu um caráter positivo, 
fortemente influenciado pelas teorias econômicas. Dessa dicotomia existente no 
campo teórico contábil, surgiram algumas teorias que visam explicar o 
comportamento dos agentes econômicos, no que tange as informações 
contábeis, como as escolhas contábeis e o gerenciamento do resultado contábil. 
Iniciaremos pelos aspectos teóricos da Teoria Normativa da 
Contabilidade, discorrendo sobre os conceitos primordiais, o seu surgimento e 
desenvolvimento. Em seguida, versaremos sobre a Teoria Positiva da 
Contabilidade, bem como suas características, surgimento, desenvolvimento e 
contraposição às pesquisas normativas. Após, trataremos dos desenvolvimentos 
teóricos contábeis relacionado ao comportamento econômico dos agentes, 
explicando os fundamentos da Teoria das Escolhas Contábeis e o 
gerenciamento de resultados contábeis, abordando os tópicos de accruals, 
práticas discricionárias e não discricionárias, income smoothing, big bath 
accounting e window dressing. 
CONTEXTUALIZANDO 
A palavra teoria tem sido objeto de estudo, reflexão e controvérsia na 
literatura contábil. Temos uma teoria em contabilidade? Se sim, são diversas 
teorias ou temos uma teoria geral da contabilidade? Se não, surgem outros 
questionamentos ainda mais profundos: a contabilidade pode ser considerada 
uma ciência? Há uma teoria da contabilidade na prática? Ou apenas 
denominamos teoria da contabilidade um conjunto extenso de conceitos? 
Infelizmente, não existe uma resposta assertiva para essa e outras questões 
relacionadas. Não há consenso entre os pesquisadores (Iudicibus, 2012). 
Vamos tratar dos aspectos teóricos da contabilidade, independentemente 
dos conceitos epistemológicos de ciência. Partiremos do princípio de que temos 
teorias na área de contabilidade: Teoria Normativa da Contabilidade, Teoria 
 
 
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Positiva da Contabilidade, Teoria das Escolhas Contábeis e Teorias dos 
Gerenciamentos de Resultados Contábeis. 
Diante disso, sugerimos a reflexão sobre os seguintes pontos no decorrer 
do texto: como essa teoria afeta a prática profissional? Quais as principais 
consequências para a qualidade da informação contábil? E principalmente, após 
conhecer os impasses teóricos, questionem-se: como, nós, profissionais de 
contabilidade, podemos atuar para tornar a contabilidade um instrumento cada 
vez mais fidedigno? Então, aperte os cintos, vamos começar. 
TEMA 1 – TEORIA CONTÁBIL NORMATIVA 
O surgimento teórico da contabilidade tem como marco a formalização 
das práticas de registros de operações mercantis; operações, estas, que já 
existiam há incontáveis períodos anteriores na história da humanidade. Essa 
formalização foi obra de Luca Pacioli que, em 1494, apresentou o método de 
partidas dobradas, embora a formalização de uma teoria da contabilidade, como 
conhecemos hoje, tenha ocorrido apenas no início do século XX. 
O início do século XX também exibiu preocupações com os seguintes 
temas econômicos: a intervenção estatal, o avanço dos abusos cometidos pelas 
corporações, o conceito da manutenção de capital, a determinação do lucro e os 
debates sobre a superioridade entre o balanço patrimonial e a demonstração do 
resultado. Até o fim da década de 1920, a contabilidade era reconhecida como 
uma disciplina pautada em regras flexíveis, voltada às necessidades gerenciais 
e que, com isso, oferecia oportunidades de manipulação de informações. 
Quando, em 1929, o mundo viveu a quebra da bolsa de Nova Iorque e uma das 
maiores crises econômicas vistas até o momento, a contabilidade foi levada ao 
banco dos réus e nomeadamente culpada pelo período de depressão que se 
alastrou pelo mundo todo; em grande parte em razão da falta de padronização e 
normatização dos procedimentos contábeis que deveriam ser adotados (Niyama, 
2014). 
Assim, nesse contexto histórico de forte desconfiança da fidedignidade da 
contabilidade, inicia-se a busca pelo estabelecimento de princípios contábeis 
capazes de assegurar uma resposta adequada às necessidades da época. 
Concomitantemente, efeito do período da grande depressão econômica, foi 
criada a Securities and Exchange Commission (SEC), em 1934, com o intuito de 
assegurar a regulação estatal sobre o mercado de capitais e, 
 
 
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consequentemente, sobre a contabilidade. Portanto, a partir da década de 1930, 
inicia-se o período conhecido como normativo (Niyama, 2014). 
Em 1938, a SEC transferiu a sua competência legal de prescrição dos 
padrões contábeis e de divulgação das informações financeiras para o setor 
privado, permitindo, assim, que os profissionais contábeis (contadores e 
auditores) ficassem responsáveis pela definição dos princípios e práticas 
contábeis geralmente aceitos. Contudo, a prática contábil corrente à época 
necessitava ser reformulada e, portanto, a SEC buscava algo diferente do que 
havia praticado até a quebra da bolsa de Nova Iorque em 1929 (Niyama, 2014). 
No período normativo da literatura contábil, a normatização mostrava-se 
como um caminho a ser trilhado e, para isso, uma teoria era necessária. As 
características dessa nova teoria da contabilidade foram pautadas pela 
prescrição daquilo que se entendia como a melhor prática contábil (Niyama, 
2014). 
Na década de 1960, viu-se o surgimento de uma teoria da contabilidade 
desvinculada das necessidades exclusivamente teóricas. Obras dos autores 
Edgar Owen Edward, Philip Wilkies Bell, George Stabus, Palle Hensen, Richard 
Mattessich, Norton M. Bedford, R. J. Chamber, entre outros, apresentaram uma 
preocupação em determinar o que deveria ser o conteúdo das demonstrações 
contábeis. O enfoque da teoria normativa da contabilidade durante o período de 
1960 a 1990 foi a mensuração dos ativos, impactos da inflação e o cálculo do 
lucro (Niyama, 2014). 
Até o momento, estudamos os aspectos históricos do surgimento e 
desenvolvimento da Teoria Normativa da Contabilidade. Também, conhecemos 
as características e objetivos dessa nova teoria contábil: a prescrição de como 
deveria ser a prática contábil. Agora, vamos aprender quais os principais 
fundamentos da pesquisa contábil nesse período? A pesquisa normativa é 
conhecida por ser dedutiva, subjetiva, qualitativa e focada na construção de 
teorias. 
A pesquisa é conhecida como dedutiva, pois segue o raciocínio dedutivo 
que é conhecido por buscar definir um modelo ideal, ou seja, como deveria ser. 
Ainda, nomeada qualitativa, porque visa entender como o fenômeno contábil 
ocorre; e subjetiva, por possuir caráter discricionário. Por fim, também é 
conhecida por objetivar a construção de teorias, embora, muitas vezes, a 
 
 
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prescrição normatizada não siga as prescrições da teoria normativa (Niyama, 
2014). 
Em suma, podemos enfatizar que esse período normativo da 
contabilidade foi reflexo da crise econômica de 1929, porque a falta de 
padronização e normatização das práticas contábeis contribuiu para o período 
da grande depressão. Esse período foi seguido pela regulamentação estatal e o 
movimento teórico de prescrição, ou seja, como a contabilidade deveria ser para 
preservar o interesse dos usuários das suas informações. Dessa maneira,