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AULA 2

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o 
desenvolvimento teórico da contabilidade durante o período normativo foi 
marcado pelo raciocínio dedutivo, qualitativo, subjetivo e pelo enfoque na 
construção de teorias. 
TEMA 2 – TEORIA CONTÁBIL POSITIVA 
Neste tema, vamos tratar do aparecimento da Teoria Positiva da 
Contabilidade, que ocorreu em grande parte como reflexo das críticas sofridas 
pela corrente normativa. Assim, o primeiro questionamento é: quais foram essas 
críticas sofridas pela fase normativa da pesquisa contábil? 
Primeiramente, a crítica mais contundente às pesquisas normativas está 
relacionada à falta de cientificidade. O paradigma de pesquisa positivista passou 
a ser visto como mais importante pela academia de contabilidade, em grande 
parte por causa da influência das ciências econômicas. Nesse novo paradigma, 
o teste empírico é fundamental. Portanto, o desenvolvimento da pesquisa 
normativa, de característica dedutiva, passou a ser visto como não científico 
(Niyama, 2014). 
A segunda crítica à pesquisa normativa é o foco na prescrição em vez da 
explicação. A pesquisa normativa tem como objetivo dar orientação para a 
prática profissional sobre como a contabilidade deve ser, ou seja, sua maneira 
ideal. Portanto, a corrente normativa se preocupa com a prescrição da 
contabilidade. Ao olhar dos críticos, o foco da pesquisa contábil deve ser na 
explicação dos eventos contábeis e econômicos. Assim, explicar por que a 
divulgação da informação contábil afeta o valor de mercado das empresas é visto 
como mais importante do que dizer como a informação deve ser divulgada 
(Niyama, 2014). 
Desse modo, a partir do surgimento da teoria positiva da contabilidade, de 
inspiração econômica, a pesquisa contábil se voltava para compreender, explicar 
 
 
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e predizer a prática, em vez de prescrever como ela “deve ser”. Portanto, uma 
das principais características desse período é o foco em explicar e prever os 
fenômenos contábeis (Niyama, 2014). 
A expansão dos mercados de capitais foi um fator que contribuiu para a 
perspectiva da teoria positiva da contabilidade. A escola econômica da 
Universidade Chicago fundamenta-se na perspectiva que a informação contábil 
é relevante para a decisão de investimento dos stakeholders. Nesse sentido, o 
mercado de capitais contribuiu para a disseminação dessa corrente de pesquisa 
(Niyama, 2014). 
Adicionalmente, a corrente positiva da contabilidade tem as seguintes 
características: indutiva, objetiva, quantitativa, empírica e focada na validação de 
dados e hipóteses. A lógica indutiva está pautada na experiência empírica, do 
campo de pesquisa e validação dos dados e hipóteses, ou seja, o conhecimento 
é adquirido ao se conhecer a realidade. Por isso a importância da objetividade, 
para que a realidade seja apreendida pelos pesquisadores por meio dos métodos 
quantitativos (Niyama, 2014). 
Portanto, é importante compreender que, atualmente, a corrente positiva 
é a dominante nas pesquisas contábeis, em especial, na academia norte-
americana, mas também no Brasil. Assim, a partir de agora, vamos discutir 
tópicos avançados da teoria da contabilidade que se baseiam na corrente 
positiva de pesquisa, utilizando uma abordagem indutiva, empírica, objetiva e 
quantitativa. 
TEMA 3 – TEORIA DAS ESCOLHAS CONTÁBEIS 
A pesquisa contábil foi desenvolvida em duas correntes: a teoria 
normativa e a teoria positiva. Ambas tratam de modelos epistemológicos de 
pesquisa, isto é, formas ou modelos de fazer pesquisas. Para o primeiro, o 
modelo é dedutivo. Para o segundo, o modelo é indutivo. Vamos discorrer sobre 
teorias que, influenciadas pela corrente da teoria positiva, visam explicar 
fenômenos contábeis e econômicos. A primeira teoria que vamos apresentar é 
a teoria das escolhas contábeis. 
Essa teoria explica fenômenos econômicos gerados pela 
discricionariedade das normas contábeis. Assim, busca compreender, explicar e 
prever as influências da contabilidade nas relações econômicas. Silva, Martins e 
 
 
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Lemes (2016) retrataram os fundamentos da Teoria das Escolhas Contábeis da 
seguinte maneira: 
As normas contábeis oferecem flexibilidade para que sejam realizadas 
escolhas contábeis nas empresas, de modo que se tenha uma 
representação fidedigna da situação econômico-financeira empresarial 
por meio das demonstrações contábeis. Essa flexibilidade é 
necessária, pois o ambiente de divulgação é dinâmico e varia de 
acordo com o desenvolvimento dos mercados e os sistemas legais, 
tributários e regulatórios, aspectos esses que inviabilizam ou impedem 
a existência de normas contábeis totalmente uniformes. Por outro lado, 
a flexibilidade possibilita que os gestores busquem outros objetivos 
com as demonstrações contábeis que não necessariamente coadunam 
com a representação fidedigna. 
Conforme vimos nas palavras de Silva, Martins e Lemes (2016), as 
normas contábeis não são uniformes e têm margem para escolha dos 
procedimentos contábeis: a famosa discricionariedade normativa. Essa 
flexibilidade é necessária, pois o nível de desenvolvimento dos mercados 
financeiros globais é diferente em questões como proteção ao investidor ou ao 
credor, regulação, enforcement etc. (Silva; Martins; Lemes, 2016). 
Assim, por exemplo, o gestor tem a discricionariedade para aplicar o 
método PEPS ou o método do custo médio ponderado ao mensurar os estoques. 
A adoção de um ou outro método possibilita que os gestores busquem 
determinados objetivos com as demonstrações contábeis que, por vezes, não 
correspondem com a representação fidedigna da realidade da organização. 
Continuando o exemplo da mensuração dos estoques, o gestor poderá ter 
estoques avaliados por valores diferentes, dependendo do método escolhido. A 
implicação disso pode ser um ativo maior ou menor e/ou um lucro maior ou 
menor. Dessa forma, o gestor poderá utilizar um método ou outro, dependendo 
do objetivo que possui com a divulgação das demonstrações contábeis (Silva; 
Martins; Lemes, 2016). 
É importante salientar que a escolha contábil não constitui uma 
irregularidade, e o profissional deve escolher dentre as opções permitidas pela 
norma. Contudo, a escolha deve ser guiada pelo método que melhor reflita a 
realidade econômico-financeira da empresa. Mas como ter certeza que a 
empresa escolheu o método que reflete a realidade da empresa? É possível 
monitorar o cumprimento da norma? 
Podemos dizer que é impossível monitorar 100% o cumprimento da 
norma. Entretanto, podem-se implementar mecanismos de monitoramento. 
Esses mecanismos geram custos – por exemplo, os custos de agência – e, 
 
 
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portanto, a empresa deve analisar a relação custo/benefício do monitoramento 
(Silva; Martins; Lemes, 2016). 
Outro aspecto relevante é a assimetria de informações gerada pelas 
escolhas contábeis. A discricionariedade normativa da contabilidade gera 
assimetrias informacionais. Por sua vez, a assimetria informacional produz 
custos de agência – já mencionado neste tópico os custos de monitoramento – 
e permite a manipulação das informações contábeis: divulgação de informações 
que não reflete a realidade econômico-financeira da companhia (Silva; Martins; 
Lemes, 2016). 
Nesse sentido, as teorias econômicas explicam que os indivíduos agem 
impulsionados por interesses próprios e, também, dependem da continuidade da 
empresa ao longo do tempo. Dessa dicotomia surgem as perspectivas 
oportunistíca e da eficiência, conforme detalham Silva, Martins e Lemes (2016): 
Nas hipóteses de plano de incentivo, o gestor pode escolher uma 
política de amortização linear em vez de saldos decrescentes para, 
oportunisticamente, aumentar a remuneração, porém essa mesma 
política poderia ser escolhida sob a

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