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AULA 2

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hipótese dos planos de incentivo 
por razões de eficiência. Supondo que a amortização linear mensure 
melhor o custo de oportunidade dos ativos da empresa, esse método 
resulta em um lucro reportado que melhora o desempenho do gestor. 
Assim, na perspectiva oportunística, podem surgir dois aspectos 
estudados na teoria da contabilidade: a hipótese do grau de endividamento e a 
hipótese dos custos políticos. No primeiro caso, as empresas com alto grau de 
endividamento tendem a aumentar seus lucros, com o intuito de diminuir o custo 
de capital. Já no segundo caso, as grandes empresas, como os bancos, tendem 
a usar técnicas contábeis para diminuir os lucros, em razão da elevada atenção 
política e social que essas empresas possuem. Porém, há um contraponto à 
perspectiva oportunística: esses indivíduos dependem da continuidade da 
empresa ao longo do tempo. Dessa forma, os indivíduos tendem a utilizar 
métodos que diminuam os custos contratuais e que tenham maior eficiência 
(Silva; Martins; Lemes, 2016). 
A teoria das escolhas contábeis constitui uma linha de pesquisa 
importante para a academia de contabilidade. Ela objetiva compreender e 
explicar como a discricionariedade normativa afeta as ações dos agentes 
econômicos e o mercado financeiro. Dessa maneira, será notável sua conexão 
com a teoria dos gerenciamentos de resultados contábeis, tópico que 
estudaremos nos próximos dois temas desta aula. 
 
 
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TEMA 4 – GERENCIAMENTO DE RESULTADOS: ACCRUALS E PRÁTICAS 
DISCRICIONÁRIAS E NÃO DISCRICIONÁRIAS 
A teoria das escolhas contábeis introduziu-nos a perspectiva da 
discricionariedade normativa que existe na contabilidade. Essa 
discricionariedade gera assimetria informacional entre os diferentes agentes 
econômicos. Isso permite que os gestores possam gerenciar o resultado da 
organização com objetivos que não correspondem com os interesses dos 
demais stakeholders. Sobre esse tópico, discorreremos o quarto tema desta 
aula. 
Para iniciar essa discussão, vamos apresentar alguns conceitos de 
gerenciamento de resultados. Essa compreensão é fundamental para a 
sequência desta aula e para aprendermos a diferenciar as escolhas contábeis – 
definidas como espaço de escolha das normas contábeis, visando à 
representação da realidade econômico-financeira de maneira fidedigna – e o 
gerenciamento de resultados, definido como segue: 
A intervenção proposital no processo de elaboração das 
demonstrações financeiras com a intenção de obter algum ganho. 
(Schipper, 1989) 
O gerenciamento de resultado ocorre quando os gestores usam 
julgamento no processo de elaboração das demonstrações financeiras 
para induzir ao erro alguns stakeholders sobre o desempenho 
econômico da empresa. (Healy; Wahlen, 1999) 
Portanto, podemos afirmar que o gerenciamento de resultados é uma 
intervenção proposital nas demonstrações contábeis, por parte de um agente 
econômico, com o intuito de induzir ao erro outros agentes econômicos 
(Martinez, 2008). 
4.1 Accruals: discricionários e não discricionários 
O gerenciamento de resultados ocorre pela intervenção nos accruals por 
parte dos gestores. Mas o que são os accruals? E por que esse é o mecanismo 
que permite o gerenciamento de resultados? 
Primeiro, é relevante a formação da compreensão do que são os accruals 
e Martinez (2008) define como “todas aquelas contas de resultado que entram 
 
 
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no cômputo do lucro, mas que não implicam em necessária movimentação de 
disponibilidades”. 
Os accruals existem em virtude da diferença entre o regime de caixa e o 
regime de competência. São as contas de resultado que não impactam no caixa 
da organização, como a depreciação, o impairment e os lançamentos de folha 
de pagamento no mês de ocorrência quando o pagamento ocorrerá no mês 
subsequente. Portanto, nada de errado existe no lançamento de accruals. O 
objetivo dessas contas contábeis é mensurar o resultado econômico da empresa 
(Martinez, 2008). 
O gerenciamento de resultados surge quando o gestor aumenta ou 
diminui os accruals com o objetivo de influenciar o lucro, por motivos alheios à 
realidade do negócio. Assim, temos dois tipos de accruals: accruals 
discricionários e accruals não discricionários (Martinez, 2008). 
Os accruals não discricionários são naturais aos negócios da entidade e 
são registrados na contabilidade com a intenção de representar a realidade 
econômica da organização; portanto, sem a intenção de gerenciar os resultados 
contábeis (Martinez, 2008). Como exemplo podemos citar a depreciação, que 
visa representar um ativo pelo seu valor econômico. É o caso é do impairment, 
que visa reavaliar o valor econômico dos ativos. No primeiro exemplo, o ativo é 
depreciado periodicamente; no segundo, o ativo é reavaliado, visto que a 
depreciação, em alguns casos, pode não ser suficiente para refletir o valor 
econômico do ativo. 
Em contraponto, os accruals discricionários são artificiais e têm como 
único propósito gerenciar o resultado contábil. Esses registros contábeis podem 
ser negativos ou positivos, indicando se a empresa objetiva melhorar ou piorar 
seu resultado econômico. Por exemplo, podemos citar um lançamento de 
depreciação ou impairment. Em ambos os casos a empresa procederá com o 
lançamento com o intuito de desvalorizar um ativo ou superavaliar um ativo para 
obter vantagens econômico-financeira. Percebem a diferença? Tanto os 
accruals discricionários quanto os accruals não discricionários são lançamentos 
de contas que não impactam caixa e, portanto, de fácil manipulação. O que difere 
entre os diferentes accruals é a intenção. Sobre esse aspecto, discorreremos no 
próximo tema desta aula, que abordará os três modelos de gerenciamento de 
resultado, income smoothing, big bath accounting e window dressing, e explicará 
as diferentes intenções por parte dos agentes econômicos em cada caso. 
 
 
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TEMA 5 – GERENCIAMENTO DE RESULTADOS: INCOME SMOOTHING, BIG 
BATH ACCOUNTING, WINDOW DRESSING 
Estamos adentrando o último tema desta aula e o tópico a ser discutido é 
gerenciamento de resultados. Conforme comentamos na seção anterior, 
gerenciamento de resultados pode ser definido como uma intervenção proposital 
nas demonstrações contábeis, por um agente econômico, com o intuito de 
induzir ao erro outros agentes econômicos. Neste quinto tema, discorreremos 
sobre os três principais modos de gerenciar resultados nas organizações: 
income smoothing, big bath accounting e window dressing. 
5.1 Income smoothing 
O income smoothing é um dos modos de gerenciar resultado nas 
organizações. É conhecido por ter como objetivo reduzir/suavizar a variabilidade 
dos resultados contábeis com o intuito de estabilizar o lucro ao longo do tempo 
(Rivera-Castro; Martinez, 2008). 
Nesse cenário, a empresa vai registrar mais ou menos accruals na 
contabilidade dependendo do resultado contábil do período. Por exemplo, se no 
período X0 o lucro for de 30.000.000,00 (valor suavizado) e no período X1 o 
resultado contábil for de 20.000.000,00, a empresa vai gerenciar o resultado 
contábil para cima, com o intuito de se aproximar do valor suavizado. E se em 
X2 o lucro for de 40.000,00? A empresa tenderá a gerenciar o resultado contábil 
para baixo, com o intuito de se aproximar do valor suavizado. 
A relação do income smoothing se estabelece com a rentabilidade da 
empresa. A explicação para se fazer income smoothing é que quando há 
suavização dos resultados contábeis, a previsão do mercado financeiro em 
relação ao resultado econômico da empresa é mais assertiva e, portanto, a 
informação contábil se torna mais relevante e reflete positivamente no valor das 
ações da empresa. 
5.2 Big bath accounting

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