RESUMO DA DISCIPLINA DE TEORIA DA NORMA PENAL E DO CRIME – 2º PERÍODO – UNDB - MARCIO SANTOS DE SOUSA
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RESUMO DA DISCIPLINA DE TEORIA DA NORMA PENAL E DO CRIME – 2º PERÍODO – UNDB - MARCIO SANTOS DE SOUSA


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RESUMO DA DISCIPLINA DE TEORIA DA NORMA PENAL E DO CRIME \u2013 2º PERÍODO \u2013 UNDB
CONFORME MINISTRADO PELA PROF. ESP. MARIA DO SOCORRO ALMEIDA DE CARVALHO 
1º BIMESTRE
1.0 DIREITO PENAL
1.1 Conceito de Direito Penal: É um ramo do direito que se preocupa em definir quais são as condutas que são consideradas crimes, que culmina em uma sanção.
É o conjunto de princípios e leis destinados a combater o crime e a contravenção penal mediante a sanção penal. 
1.2 Funções do Direito Penal: 
proteger bens jurídicos: que são os valores ou interesses indispensáveis para a manutenção e o desenvolvimento do individuo e da sociedade e por essa razão merecedores de tutela penal; 
Controle Social: manter a ordem, exercendo o controle social. A tarefa do direito penal não é punir e sim proteger as pessoas, pois a partir do momento que se sabe o que é proibido, sabe-se que todas as demais condutas lhe são permitidas.
Controle Social: O Direito Penal sempre esteve presente em qualquer sociedade. // Impor uma sanção/ pena para uma conduta.
\u201cUbi societas ibi crimen\u201d = Onde há sociedade há crime.
Há dois tipos de controle social na sociedade: 
Controle social formal: através do Estado.
Controle social informal (mais eficaz) : Família (ex: castigo para o filho que pegou um celular); Escola ( suspender aluno por cola); Igreja.
*Antigamente o Direito Penal era considerado repressivo, depois com novas condutas a pena vai ser considerado uma intimidação, ou seja, o direito penal será considerado preventivo. A teoria mais aceita diz que o Direito Penal deve reeducar o \u201ccriminoso\u201d.
Ressocialização -> teoria moderna/ preventivo + ressocializador.
Características: 
-Preventivo
-Normativo: a norma como objeto
- Valorativo: estabelece uma escala própria de valor para definir as normas.
- Finalista: tem o fim/objetivo que é a proteção dos bens jurídicos e o controle social.
- Fragmentário: não tutela todas as condutas indesejadas pelo homem.
-Imperativo: impõe a você uma conduta, ou seja impõem-se coativamente a todos, sendo obrigatória sua observância. ex.: matar alguém é crime, conduz a conduta (ação/omissão) de não matar.
-Sancionatório: impõe sanções/penas as condutas consideradas criminosas.
Fontes do Direito Penal: 
Fonte é o lugar de onde o direito provém
-Materiais, substancias ou produção: quer saber quem é que produz as normas (ex.: União). CF, art. 22. Estado pode produzir, caso a união por meio da lei complementar incumbir tal função.
-Formais, conhecimento ou cognição (duas): 
Imediatas: é a lei (federal) em obediência ao principio da reserva legal (art. 5º, parag. 39, CF)(art. 1º, CP),ou seja, não há crime/pena sem ser prescrita antes como tal por meio da lei.
a) Leis incriminadoras: são as que descrevem crimes e cominam penas.
b) Leis não incriminadoras: não descrevem crimes, nem cominam penas.
c) Leis não incriminadoras permissivas: tornam lícitas determinadas condutas tipificadas em leis incriminadoras. Exemplo: legítima defesa;
d) Leis não incriminadoras finais, complementares ou explicativas:
esclarecem o conteúdo de outras normas e delimitam o âmbito de sua aplicação.
Exemplo: arts. 1º, 2º e todos os demais da Parte Geral, à exceção dos que tratam das causas de exclusão da ilicitude (legítima defesa, estado de necessidade, exercício regular de direito e estrito cumprimento do dever legal).
Mediatas: são os costumes, os princípios gerais do direito, a jurisprudência, doutrina e tratados internacionais.
Fontes formais mediatas
São o costume e os princípios gerais do direito.
Costume: consiste no complexo de regras não escritas, consideradas juridicamente obrigatórias e seguidas de modo reiterado e uniforme pela coletividade. São obedecidas com tamanha frequência, que acabam se tornando, praticamente, regras imperativas, ante a sincera convicção social da necessidade de sua observância.
Diferença entre hábito e costume: no hábito, inexiste a convicção da obrigatoriedade jurídica do ato.
Elementos do costume
Objetivo: constância e uniformidade dos atos.
Subjetivo: convicção da obrigatoriedade jurídica.
Espécies de costume
\u201cContra legem\u201d: inaplicabilidade da norma jurídica em face do desuso, da inobservância constante e uniforme da lei.
\u201cSecundum legem\u201d: traça regras sobre a aplicação da lei penal.
\u201cPraeter legem\u201d: preenche lacunas e especifica o conteúdo da norma.
Obs. 1: o costume contra legem não revoga a lei, em face do que dispõe o art. 2º, § 1º, da Lei de Introdução ao Código Civil (Dec.-lei n. 4.657/42), segundo o qual uma lei só pode ser revogada por outra lei. No caso da contravenção do jogo do bicho, há uma corrente jurisprudencial que entende que o costume revogou a lei. Sustenta que com o costume contra legem a proibição caiu no desuso. O procedimento normal passou a ser o de jogar no bicho, o que fez desaparecer a norma proibitiva, que era o mandamento de uma conduta outrora normal. A violação constante da proibição levou uma conduta anormal a ser considerada normal. Desaparecendo a normalidade da proibição, extingue-se a norma e, com ela, o conteúdo da lei. Essa posição é minoritária e pouco aceita. Nesse sentido: \u201cO sistema jurídico brasileiro não admite possa uma lei perecer pelo desuso, porquanto, assentado no princípio da supremacia da lei escrita (fonte principal do direito), sua obrigatoriedade só termina com sua revogação por outra lei. Noutros termos, significa que não pode ter existência jurídica o costume contra legem\u201d.
Obs. 2: o costume não cria delitos, nem comina penas (princípio da reserva legal).
Princípios gerais do direito: \u201cquando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito\u201d (LICC, art. 4º). Trata-se de princípios que se fundam em premissas éticas extraídas do material legislativo.
Obs.: a analogia não é fonte formal mediata do Direito Penal, mas método pelo qual se aplica a fonte formal imediata, isto é, a lei do caso semelhante. De acordo com o art. 4º da Lei de Introdução ao Código Civil brasileiro, na lacuna do ordenamento jurídico, aplica-se em primeiro lugar outra lei (a do caso análogo), por meio da atividade conhecida como analogia; não existindo lei de caso parecido, recorre-se então às fontes formais mediatas, que são o costume e os princípios gerais do direito.
Formas de procedimento interpretativo
Equidade: é o conjunto das premissas e postulados éticos, pelos quais o juiz deve procurar a solução mais justa possível do caso concreto, tratando todas as partes com absoluta igualdade. A palavra provém do latim oequus, que significa aquilo que é justo, igual, razoável, conveniente.
Doutrina: deriva do latim doctrina, de docere (ensinar, instruir).
Consiste na atividade pela qual especialistas, estudam, pesquisam, interpretam e comentam o Direito, permitindo aos operadores um entendimento mais adequado do conteúdo das normas jurídicas.
Jurisprudência: é a reiteração de decisões judiciais, interpretando as normas jur\ufffd\ufffddicas em um dado sentido e uniformizando o seu entendimento.
Princípio do Direito Penal
O sistema jurídico-normativo: 
Princípios
Regras
-Os dois são espécies das normas jurídicas
- Os princípios são a \u201cexpressão primeira de valores fundamentais expressos pelo ordenamento jurídico, fornecendo a inspiração para as demais normas\u201d- André Estefam
-Os princípios hierarquicamente superiores as regras, constituem sua base e sua razão mais maleáveis do que as regras (interpretação)
-Conflito entre regras: solução radical. Conflito entre princípios: ponderação, qual o de maior valor.
- E quando há conflito entre regras e princípios? PRINCÍPIOS.
Princípio da exclusiva proteção de bens jurídicos.
Não pode proteger bens ilegítimos. Esse princípio não compete ao direito penal.
Tutelar valores puramente morais, éticos, ou religiosos
Intervenção mínima
O direito Penal será apenas aplicado quando estritamente necessário, mantendo-se subsidiário e fragmentário.
O uso excessivo do Direito Penal condena o sistema penal a uma