LD1236
113 pág.

LD1236

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LUIZ ALEXANDRE SOUZA DA COSTA
ELIZABETE ALBERNAZ
1ª edição
SESES
rio de janeiro 2017
PRÁTICA DE
PESQUISA EM
SEGURANÇA
PÚBLICA
Conselho editorial roberto paes e luciana varga
Autores do original luiz alexandre souza da costa e elizabete albernaz
Projeto editorial roberto paes
Coordenação de produção luciana varga, paula r. de a. machado e aline karina 
rabello 
Projeto gráfico paulo vitor bastos
Diagramação luís salgueiro
Revisão linguística marlon magno
Revisão de conteúdo marco aurélio nunes de barros
Imagem de capa indypendenz | shutterstock.com
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (cip)
 C837p Costa, Luiz Alexandre Souza da
 Prática de pesquisa em segurança pública. / Luiz Alexandre
 Souza da Costa; Elizabete Albernaz. Rio de Janeiro: SESES, 2017.
 112 p.: il.
 ISBN 978-85-5548-430-8
 1.Formatação. 2. Metodologia. 3. Pesquisa. 4.Pré-projeto. 
 I.Albernaz, Elizabete. II. SESES. III. Estácio.
CDD 341.59
Diretoria de Ensino \u2014 Fábrica de Conhecimento
Rua do Bispo, 83, bloco F, Campus João Uchôa
Rio Comprido \u2014 Rio de Janeiro \u2014 rj \u2014 cep 20261-063
Sumário
Prefácio 5
1. A pesquisa e o conhecimento científico 7
Importância e aplicação da pesquisa científica 8
Sobre a \u201cideia de ciência\u201d 8
Remontando a algumas origens de nossa \u201cideia de ciência\u201d 12
A classificação da pesquisa com base em objetivos e procedimentos 21
2. O problema científico 31
Conceituando 32
A escolha do tema e a importância de sua delimitação 33
Realização da pesquisa bibliográfica e sua discussão 39
A introdução 43
Justificativa do estudo 44
A problematização do tema e o problema em si 46
A construção de hipóteses e as questões norteadoras 48
Cronograma 50
3. A construção do projeto de pesquisa 53
Determinação dos objetivos da pesquisa 54
A construção do embasamento teórico: levantamento preliminar 57
Tipos de bibliografia 57
Leitura e análise textual 61
Construindo seu embasamento teórico 63
A redação do projeto de pesquisa: ética e legitimidade do saber 65
Caracterização do problema 65
Sobre moral, ética e conhecimento científico 71
Os comitês de ética em pesquisa 79
4. O trabalho de conclusão de curso 81
Importância do trabalho de conclusão de curso 82
Os eixos articuladores e as áreas temáticas da formação 
em segurança pública no Brasil 85
Conceituando 85
História 86
O currículo 88
Os eixos articuladores 90
As áreas temáticas 92
Estrutura e formatação do projeto final 94
Conceituando 94
Formatação 95
Elementos textuais 102
Elementos pós-textuais 103
Relevância prática das pesquisas científicas na área 
de segurança pública 107
5
Prefácio
Prezados(as) alunos(as),
\u201cO começo de todas as ciências é o espanto de as coisas serem o que são.\u201d
Essa frase famosa, extraída da Metafísica, de Aristóteles, mostra-se adequada 
para o início de nossa jornada por dois motivos principais. O primeiro e mais con-
tundente de todos é o \u201cchamado\u201d aristotélico à observação empírica como ponto 
de partida para o pensamento científico. Em sua divergência com o \u201cracionalismo\u201d 
platônico, afastando-se do pensamento de seu mestre e mentor, Aristóteles afirma-
va um \u201csentido\u201d diferente para o processo do conhecimento: em vez de partir do 
\u201cplano das ideias\u201d (mundo inteligível) para encontrar e domesticar o real (mundo 
sensível), submetendo-o aos ditames da razão, Aristóteles sugeria que partíssemos 
das \u201ccoisas como são\u201d, da observação detida e laboriosa dos fenômenos naturais, 
para aí sim colocar a razão a serviço do ordenamento e da compreensão do mundo 
que nos cerca. 
O debate entre Platão e Aristóteles, como veremos, marcará toda a história do 
pensamento científico, seus métodos e a própria forma de organização do campo 
disciplinar das ciências.
Mas por que isso nos importa, afinal? Porque o \u201cchamado\u201d aristotélico \u2013 pode-
-se dizer \u2013 é também o nosso. O movimento da ciência começa com a vida! Antes 
de fazer ciência é preciso viver, ver o mundo e se inquietar com ele, com as coisas 
que nos cercam e nos provocam sentimentos diversos: repulsa, amor, curiosidade. 
Como veremos em nossas aulas, o empreendimento científico sempre tem seu 
ponto de partida na conformação de um \u201cinteresse de pesquisa\u201d. Sendo assim \u2013 
diríamos a você, caro(a) aluno(a), em tom de aconselhamento inicial \u2013, engaje-se 
atentamente ao fluxo diário da vida e busque o \u201cespanto\u201d aristotélico no mundo 
ao seu redor.
Mas basta a vida para a ciência? Não, é verdade, suas andanças pelo mundo 
não farão de você um cientista (talvez um \u201csábio\u201d, mas não um \u201ccientista\u201d, defini-
tivamente). O passo mais elementar do processo de construção do conhecimento 
científico é interessar-se pelas coisas. Por isso o aconselhamos a ir ao mundo e se 
deixar afetar por ele. Agora, você precisa ter em mente também que existe uma 
franca diferença entre \u201cinteressar-se pelo mundo\u201d e construir um \u201cinteresse de 
pesquisa\u201d. O que nos leva à nossa segunda reflexão sobre a frase de Aristóteles.
6
Construir um \u201cinteresse de pesquisa\u201d é um processo laborioso e metódico. 
Em primeiro lugar, ele implica a dedicação do(a) \u201ccandidato(a) a cientista\u201d ao 
aprendizado da teoria e do método científico. Anos e anos de dedicação a esse 
\u201cofício intelectual\u201d consolidaram alguns procedimentos rotineiros, reunidos 
em publicações técnicas da área como manuais e guias de pesquisa. Um dos 
principais objetivos de nossa aula \u2013 como você mesmo(a) poderá constatar \u2013 é 
justamente compartilhar algumas dessas \u201cdicas\u201d de modo a guia-los(as) pelos ca-
minhos que nos levam do \u201cespanto\u201d aristotélico à conformação de um genuíno 
\u201cinteresse de pesquisa\u201d. 
Em nossa disciplina, entretanto, não nos restringiremos a buscar esse \u201cresul-
tado\u201d de modo instrumental, transmitindo ao(a) aluno(a) uma espécie de \u201cpasso 
a passo para o trabalho de conclusão de curso\u201d. Buscaremos, ao contrário, fami-
liarizar os(as) alunos(as) com a forma de organização e funcionamento do pen-
samento científico. Para isso, apresentaremos a \u201cciência\u201d, ela mesma, como um 
fenômeno histórico e sociologicamente datado, sua origem e desenvolvimento. 
Dessa forma, esperamos mais do que simplesmente habilitá-los(as) a produzir 
um trabalho cientificamente validável, mas a desenvolver uma sólida atitude 
científica em relação à vida.
Bons estudos!
A pesquisa e o 
conhecimento 
científico
1
capítulo 1 \u2022 8
A pesquisa e o conhecimento científico
OBJETIVOS
\u2022 Apresentar a ciência e seus princípios operativos como um modo diferenciado de pensa-
mento e de produção de conhecimento;
\u2022 Desconstruir algumas ideias preconcebidas sobre o funcionamento das ciências;
\u2022 Apresentar a ciência como um fenômeno histórica e socialmente datado;
\u2022 Apresentar a ciência e suas \u201cgrandes divisões\u201d baseadas em objetivos e procedimentos 
de pesquisa;
\u2022 Apresentar aos(às) alunos(as) a ideia de que a metodologia científica deve estar a serviço 
da construção de abordagens de pesquisa concretas.
Importância e aplicação da pesquisa científica
Sobre a \u201cideia de ciência\u201d
O que é a ciência? O que a distingue de outras formas de pensamento? Qual 
o papel que desempenha em nossa sociedade? Seria a ciência a única forma de 
explicação do mundo? Quais são seus limites e possibilidades? 
Quando pensamos no conhecimento científico, algumas ideias e imagens ten-
dem a nos vir à mente. É possível que você mesmo, neste exato momento, provo-
cado por essas perguntas, esteja pensando em pessoas de jaleco,