RESUMO DIR TRIBUTÁRIO II
20 pág.

RESUMO DIR TRIBUTÁRIO II


DisciplinaDireito Tributário II642 materiais1.050 seguidores
Pré-visualização9 páginas
RESUMO D. TRIBUTÁRIO II
Competência para legislar sobre Direito Tributário
É o poder constitucionalmente atribuído para editar leis que versem sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Ex: a União criou o CTN.
Competência tributária
É o poder constitucionalmente atribuído para editar leis que instituam tributos. Ex: a União criou por lei, IR, ITR, PIS, COFINS.
Compete a União editar normas gerais de observância obrigatória para todos os entes tributantes, restando aos Estados e ao DF a competência suplementar. 
Se a União não editar as normas gerais, os Estados e o DF exercerão competência legislativa plena para atender as suas peculiaridades.
Não há que se falar em revogação de uma lei estadual/distrital por uma lei federal, pois não existe hierarquia entre elas. Trata-se de mera suspensão, e não de revogação.
Se a lei federal for revogada, as leis estaduais imediatamente recuperam suas eficácias.
Cabe à lei complementar dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o DF e os Municípios. Ex: ISS x IPI, IPTU x ITR.
Teoria da recepção: as normas materialmente compatíveis com a nova Constituição seriam por esta recepcionadas, passando a ter o mesmo status da espécie legislativa exigida pela nova Carta para disciplinar a matéria.
Características da Competência Tributária
1) Faculdade: o exercício do poder atribuído é uma faculdade, não uma imposição constitucional. Cada ente decide, de acordo com seus critérios de oportunidade e conveniência política, e, econômica, sobre o exercício da competência tributária. OBS: é requisito essencial a arrecadação de todos os tributos economicamente viáveis de competência de cada ente da Federação.
2) Indelegabilidade: a competência tributária é indelegável. OBS: a arrecadação, fiscalização, executar leis, serviços atos ou decisões administrativas são funções delegáveis. 
Tipos de tributo da competência tributária
1) Tributos vinculados: são os tributos cujo fato gerador é definido com base em uma atividade estatal específica voltada para contribuintes determinados.
2) Tributos não-vinculados: tributos que tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atuação estatal.
Bis in idem (duas vezes sobre a mesma coisa): quando o mesmo ente tributante institui mais de um tributo sobre o mesmo fato gerador. Ex: PIS e COFINS, II e IPI.
Bitributação: quando entes tributantes distintos instituem tributo sobre mesmo fato gerador. A bitributação, está, como regra, proibida no Brasil. OBS: existem, duas situações em que a bitributação é legítima: 1) casos extraordinários de guerra; 2) bitributação internacional.
Legislação tributária
A \u201clegislação tributária\u201d compreende todas as normas gerais e abstratas integrantes do ordenamento jurídico nacional que versem sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. 
As leis = atos normativos com \u201cforça de lei\u201d (aptidão para inovar no ordenamento jurídico, criando novos direitos e obrigações): medidas provisórias, leis delegadas, decretos legislativos, e,os tratados internacionais.
Não estão sujeitas ao princípio da legalidade, podendo ser disciplinadas por meio de ato infralegal (Decreto Presidencial, por exemplo), a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo do CTN, e a fixação do prazo para recolhimento.
Tratados e Convenções Internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna.
Validade
 Para a elaboração de uma lei, a título de exemplo, o legislador constituinte exige:
propositura por um dos órgãos legitimados (fase de iniciativa);
discussão e votação no parlamento (deliberação parlamentar);
manifestação de aquiescência (sanção) ou discordância (veto) do Chefe do Poder Executivo (deliberação executiva);
no caso de veto, a deliberação e rejeição do mesmo (veto) pelo parlamento.
E, por fim, na fase complementar, o Presidente da República promulga a lei, atestando sua existência e a inovação da ordem jurídica, e determina a publicação. A lei presume-se válida. OBS: tal presunção, no entanto, não é absoluta, podendo ser legitimamente afastada por meio da instauração de controle de constitucionalidade (difuso ou concentrado).
Vigência
A regra é que a norma vigente seja eficaz.
Após a publicação da lei, segue-se sua vigência, o que pode se verificar de imediato ou após um lapso temporal previsto no próprio texto legal (vacatio legis).
Vigência espacial: a regra é a da territorialidade. As normas expedidas por um ente só têm vigência dentro do seu respectivo território, não sendo aplicáveis aos fatos ocorridos nos territórios dos demais entes.
Vigência temporal: 
No caso de inexistência de disposição expressa, deve-se observar o prazo de quarenta e cinco dias após a data de publicação (vacatio legis) para o início da vigência.
No caso de aplicação de lei brasileira em território estrangeiro (caso admitida via tratado, por exemplo), a vigência dar-se-ia no prazo de três meses.
Os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas entram em vigor, salvo disposição em contrário, na data de sua publicação.
As decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribuir eficácia normativa, entram em vigor, salvo disposição em contrário, 30 dias após a data de sua publicação.
Os convênios que entre si celebrarem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios,entrarão em vigor, salvo disposição em contrário, na data neles prevista.
Eficácia
É a lei que está completamente apta a gerar imediatamente os efeitos jurídicos pretendidos pelo legislador. Para ser considerada eficaz, é necessário também que a lei não tenha sido declarada inconstitucional pelo STF em sede de controle concentrado, ou suspensa pelo Senado Federal, após declaração de inconstitucionalidade pelo STF em sede de controle difuso.
\u201cArt. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: que instituem ou majoram tais impostos; que definem novas hipóteses de incidência; que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no art. 178.\u201d
OBS: Se a lei concede isenção, pode entrar em vigor imediatamente,pois trará uma surpresa positiva para o contribuinte.
Aplicação da legislação tributária
A legislação tributária se aplica aos fatos futuros \u2013 quando estes vierem a se verificar \u2013 e aos pendentes, assim denominados pelo CTN os fatos cuja ocorrência tenha-se iniciado, mas não concluído. OBS: os fatos geradores podem ser instantâneos (IPI) ou periódicos (IR).
Fatos geradores não consumados: aplicação imediata.
Fatos geradores pendentes: aplicação imediata.
Fatos geradores consumados: não se aplica.
Exceções ao princípio da irretroatividade
Há de se ressaltar que se a lei que se afirma interpretativa trouxer efetivas modificações de institutos jurídicos, ela terá caráter normativo e não interpretativo, sendo impedida de retroagir.
A lei mais benéfica retroage, mas não alcança os atos definitivamente julgados, conforme assevera expressamente o inciso II do art. 106 do CTN, assim redigido:
II \u2013 tratando-se de ato não definitivamente julgado:
a) quando deixe de defini-lo como infração;
b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;
c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Critérios de interpretação da legislação tributária
Quanto ao método
1) Literal ou gramatical: leva em conta exclusivamente o rigoroso significado léxico das palavras constantes do texto legal, sem considerar qualquer outro valor.
2)Lógico/Sistemático: analisa a norma como parte de um sistema na qual está inserida,buscando a harmonia e unicidade que devem caracterizar o ordenamento jurídico, afastando