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Lei de Drogas

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Viviane Moura Direito Penal IV 2019
Lei 11.343/2006: Drogas
	Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas – SISNAD, prescreve políticas de conscientização de uso, prevenção de uso indevido, atenção e reinserção de usuários de drogas, responsável pelo tratamento. O órgão público não dá conta da demanda, por isso a grande maioria dos centros de tratamento são particulares.
Conceito de Drogas: O art. 1º da Lei 11.343 considera drogas como "substâncias ou os produtos capazes de causar dependência, assim especificados em lei ou relacionados em listas atualizadas periodicamente pelo Poder Executivo da União”. As drogas ilícitas não estão previstas nessa lei, mas sim na Portaria nº 344/98 da ANVISA, tecnicamente é uma lei penal em branco, pois depende de uma caracterização de quais são as drogas ilícitas. Normalmente isso é feito pelo Ministério da Saúde, é mais fácil fazer a revisão e exclusão de substâncias dessa forma. Caso a substância não esteja presente na portaria, não existe condenação.
	Art. 28 → Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar
 Adquirir → obter a droga, a título oneroso ou gratuito
 Trazer consigo → portar, conduzir pessoalmente a droga. 
 Guardar e ter em deposito → manter a droga em algum local. 
 Transportar → conduzir de um local para outro em algum meio de transporte.
* Não se pode ser condenado por ser usuário, após consumida a droga, não tem como condenar, existe a despenalização, é possível de gerar reincidência e maus antecedentes.
Objetividade jurídica: crime contra a saúde pública, de perigo abstrato
Sujeitos: ativo: qualquer pessoa, passivo: coletividade
Tipo Subjetivo: dolo específico, com o especial fim de agir que é o consumo pessoal
Consumação: com a simples realização das condutas previstas no tipo penal, a modalidade “adquirir” é instantânea, ocorre no momento do acordo de vontades entre vendedor e comprador; e as outras são permanentes e se consumam no momento que o agente obtém a droga, prolongando-se no tempo enquanto ele a mantiver.
O condenado pelo artigo 28 não será preso, mas a pena é advertência, prestação de serviço à comunidade e programas educativos. Caso seja pego em flagrante, o policial pode lavrar um termo circunstancial de ocorrência e recolher a droga, mas quem impõe qualquer uma das penalidades é o juiz. Se for pego mais de uma vez, pode incorrer em tráfico de drogas. 
Isso é considerado como uma atitude moralizante do legislador, pois absolutiza a ideia de que drogas não podem ser consumidas e reitera a percepção de que o usuário é doente ou desajustado. 
O sujeito que tem a droga para uso próprio, mas acaba vendendo se enquadra no crime de tráfico, assim como o traficante que faz uso de pequena parte do entorpecente que tem em seu poder para consumo próprio só responde pelo tráfico, ficando o crime de porte de drogas. Nesse caso, resolve-se os conflitos aparentes de norma a partir da aplicação do princípio da absorção. 
§1º: Conduta equiparada (cultivo para uso pessoal): Quando o agente, para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica. Esse sujeito não faz isso em grande quantidade, desde que ainda não tenha usado aquela planta.
§2º: Para determinar se a droga destinava-se ao consumo pessoal ou ao tráfico, o juiz atenderá a natureza e a quantidade da substância apreendida, ao local e as condições em que se desenvolveu a ação, as circunstâncias sociais e pessoas, bem como a conduta e aos antecedentes do agente. Se o juiz ainda assim ficar em dúvida sobre a destinação da droga (consumo próprio ou tráfico), deve condenar o réu pelo crime menos grave, ou seja, porte de drogas para consumo próprio. Não são parâmetros certos e objetivos, admite discricionariedade do magistrado, e isso é permitido pelo legislador.
	Art. 33 → Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.
Sujeito ativo: crime comum, qualquer pessoa pode realizar o crime em comento. 
Sujeito passivo: coletividade. 
Consumação: crime formal, ocorrendo no momento que o agente realiza a conduta típica.
O termo “drogas”, ou seja, no plural, não significa que há necessidade de apreensão de mais de uma espécie ou porção de droga. Diz respeito à generalidade, ou melhor, que qualquer espécie de droga ensejará a adequação típica, independentemente da quantidade.
O tipo penal é composto por mais de um verbo (importar, exportar, adquirir etc). Assim, praticada mais de uma conduta típica dentro da mesma situação fática, haverá crime único. Dessa forma, por exemplo, mesmo que o sujeito adquira e depois transporte a droga, haverá apenas um crime.
Trata-se de crime doloso, comum (excetuando a conduta de prescrever, que é próprio), de mera conduta, de perigo abstrato e coletivo. Nas condutas de expor à venda, ter em depósito, transportar, trazer consigo e guardar, o crime é permanente; nas demais é instantâneo. Com exceção da conduta de oferecer feita verbalmente ou por gestos, que é crime unissubsistente, todas as demais são plurissubsistentes.
Como se trata de crime plurissubsistente (em regra), que a execução pode ser fracionada, faz-se possível a tentativa. Entretanto, dada à diversidade de condutas, na prática a tentativa dificilmente ocorrerá. Assim, por exemplo, para que o sujeito transporte a droga, terá a mesma consigo anteriormente, quando o delito já estará consumado. O mesmo se diga quanto à importação, exportação, remessa, venda etc. em que, antes de praticar a conduta, o sujeito já havia adquirido, mantido em depósito ou trazido consigo a droga. Como o delito já estava consumado, a tentativa não será possível.
O tráfico de drogas (artigo 33, caput e § 1º, e artigos 34 e 36) é considerado crime equiparado a hediondo. Não se trata propriamente de crime hediondo, mas equiparado ou assemelhado a ele. O artigo 2º, caput, da Lei nº 8.072/1990, equiparou o delito de tráfico de drogas, dentre outros, aos crimes hediondos, sujeitando seu autor a severas consequências processuais e penais.
Princípio Da Insignificância: Prevalece o entendimento de sua inaplicabilidade ao tráfico, dada sua natureza de crime de perigo abstrato
•Contudo: HC 120.774/PR, j. 1º.4.2014: “A Segunda Turma deste Tribunal tem entendido que a aplicação do princípio da insignificância deve ser analisada de forma individualizada, em cada feito, tendo em conta as circunstâncias e peculiaridades do caso concreto, haja vista não existirem, ainda, balizas objetivas para definir as hipóteses de incidência do referido instituto.”
Questionamento: Não há definição legal para qual quantidade de cada droga se caracteriza como uso pessoal ou tráfico, isso dá ao magistrado a liberdade para, de acordo com o art. 28, §2º, defina de acordo com questões subjetivas de sua escolha. A jurisprudência tem tomado por referencial a quantidade de droga apreendida, sua variedade, modo de acondicionamento, notícias acerca do tráfico no local, anterior envolvimento com o comércio ilícito e antecedentes criminais do acusado. Deste modo, é todo conjunto probatório que levará à necessária conclusão se a droga apreendida era destinada à mercancia ou para consumo pessoal do agente, o que, neste último caso, ensejaria a desclassificação para o crime do artigo 28, caput.
Súmula 145/STF: “Não há crime quando a preparação do