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Art 28 e 33 da Lei nº 11.343

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Aula 1. 05/02
PATRIMÔNIO
Origem da palavra: associado a ideia de bens da família, administrados pela figura paterna.
Preocupação do direito penal com a proteção da riqueza das pessoas, sempre foi um elemento motivador de criação de normas jurídicas. 
O que é um patrimônio tutelável pelo direito penal? O objeto jurídico do capítulo como um todo é o patrimônio, mas significa o que?
Elementos que possuem expressão econômica (diferente de valor)
A ação de roubar não tem como incidir sobre bens imateriais, então não tem como roubar tudo do patrimônio de uma pessoa
ART. 155 - FURTO
Se define pela ação nuclear de subtrair, é uma tomada, retirada necessariamente de uma coisa móvel. Me aproprio de bens alheios.
Existe a ideia de que a ocultação de um determinado objeto se equivale à subtração dele, ex: uma pessoa que tem acesso à sua casa, esconde uma joia para que outro dia ela possa voltar e pegar o objeto para si, no momento em que ele esconde a joia, ele não necessariamente subtraiu porque continua no mesmo lugar. Nesse caso, o dono da jóia teve uma perda econômica? Se eu não posso usufruir da joia, o proveito econômico dela desapareceu, não importa se está inacessível para mim, mas já que eu não posso vendê-la, pode-se caracterizar como furto.
Sobre a coisa móvel: casos específicos sobre furto de energia. Fora essa questão, eu realmente preciso que a conduta material incida sobre um objeto com existência corpórea. A subtração de um cheque por exemplo não configura furto, pois não tem valor em si caso não seja ao real portador do cheque, não vale nada para uma pessoa qualquer que o pegue (com a extinção do tipo de cheque ao portador)
Inserir na conduta o elemento violência (contra a pessoa especificamente)
3 tipos de violência*:
- física
- moral
- imprópria (reduz o sujeito à incapacidade de resistência, contexto de não poder se defender, ex: por meio do uso de substâncias)
* fora os especificados pela lei maria da penha
→ Quando se realiza violência em qualquer tipo de qualidade, se configura roubo
Aula 2. 07/02
Elementares.
Subtração → deslocamento/indisponibilidade, o D.P não utiliza os padrões de direito civil para definição de direito das coisas, as embarcações e aviações são consideradas como bens imóveis para o direito civil, mas têm-se situações em que esses objetos são furtados, portanto podem ser deslocados sem consentimento de seus proprietários, então o direito penal considera esses objetos como moveis.
Coisa alheia móvel → existe a possibilidade de o próprio titular do bem realizar procedimentos lesivos de modo que pudéssemos cogitar em tese sobre a possibilidade dele realizar a ação incriminada, ex: uma pessoa titular do objeto mas que ele se encontra sobre a posse de outra pessoa (entendi nd)
“Para si ou para outrem” → especial fim de agir, é o componente da conduta que extrapola um pouco o dolo, o tipo penal já indica o que o sujeito pretende agindo daquela forma. Animo de assenhoreamento (tornar-se senhor, dono da coisa, exercer os podres inerentes ao domínio), o agente de fato pretende agir sobre aquele objeto em caráter definitivo. 
Isso só não aconteceria se fosse furto de uso: flanelinha, eu preciso demonstrar que havia a intenção de restituição da coisa, se você efetivamente restituir o bem o argumento pode ate colar, mas geralmente ele é frágil.
Roubo de uso e peculato de uso: não exclui o crime porque o roubo por exemplo se utiliza de violência; no caso de peculato não tem como minimizar o dano à coletividade (crime caracterizado por ter o servidor público como agente).
Sujeitos do crime → Dissociação entre quem é o titular do patrimônio e aquele que sofre a ação. Existe a possibilidade de encontrar um crime com varias vitimas, ou então uma pluralidade de crimes. 
Em critério geral, a quantidade de crimes não depende do número de sujeitos na relação, mas sim de patrimônios afetados (no caso dos crimes patrimoniais), porque esse é o objeto de tutela. Apesar de varias pessoas estarem sofrendo o delito, tem apenas um crime se levaram só um patrimônio. (Nº de patrimônios furtados)
Aula 3. 12/02.
§1 → Furto noturno. (Majorante)
É um período em que a comunidade descansa, de acordo com os seus padrões comportamentais, desse modo essa figura está reduzida, porque o tempo de descanso muda com a sociedade, hoje em dia por exemplo até 22h ainda tem gente na rua, mas antigamente antes das 20h não se via mais movimentação na cidade. Fica difícil pensar que a finalidade de imposição dessa regra ainda se aplica em um local como Belém.
A ideia não pode ser analisada apenas na vítima, não é só a vítima que está dormindo, mas também os vizinhos, que ficam sem poder perceber uma movimentação estranha. Então por causa disso se desvinculou essa ideia do indivíduo da vítima.
Em público não se espera que você tenha um nível maior de vigilância, portanto não se amplia o âmbito de incidência dessa norma, nesses casos não se aplica a majorante.
Não faz diferença se é na sua casa ou no local de trabalho, qualquer local onde estejamos inseridos no contexto de repouso permite a aplicação da majorante.
§2 → Furto privilegiado (Minorante)
Se você praticar um furto que promove um pequeno dano patrimonial, isso reflete em uma menor penalidade. 
Qual seria o impacto sobre a responsabilidade penal do agente, quando estamos falando sobre o valor da coisa.
3 parâmetros: 
Valor normal: aquilo que não couber nas hipóteses abaixo, nessas situações o sujeito responderia por furto sem concessões 
Pequeno valor: sujeito responde pelo furto mínimo que gera a possibilidade de uma redução da pena ou até mesmo de uma comutação (aplicação somente de multa). Exigências: o agente deve ser primário e deve haver identificação do pequeno valor da coisa. Essa regra depende da ponderação das condições pessoais do acusado [o conceito de reincidência se baseia numa noção moralista que é a tentativa de separar o sujeito que praticou um crime como um fato isolado, daquele sujeito que realmente teria uma “inclinação” a criminalidade]. Valor da coisa → considera-se a coisa de pequeno valor quando não extrapola o salário mínimo vigente ao tempo do fato, a lei não determinou, mas se usa por que é objetivo, nacional e todo mundo conhece. Este é um critério objetivo, eu não estou mensurando o prejuízo causado pelo agente a vitima, mas sim o valor real que a coisa tem [subtrair 50 reais de alguém que recebe apenas um salário mínimo tem um peso muito maior do que alguém que recebe 20 salários mínimos, mas se não fosse o critério objetivo, o que determinaria a intensidade da resposta penal seria a vítima, mas é necessário estabelecer um valor objetivo].
Princípio da Insignificância: é um objeto de valor tão pequeno que não legitimaria mais a percepção penal, o dano causado pela intervenção penal seria muito superior ao dano causado pelo próprio delito em si. Nos últimos anos esse principio foi se estabelecendo, principalmente pelo crime de furto. Quando é aplicado esse principio, se dá a exclusão do crime por atipicidade. [O STF e STJ consolidaram uma jurisprudência sobre esse tema que é problemática, existe um julgado em que o ministro dá ao principio uma interpretação que não é a, o caso não é tratado de maneira objetiva em relação ao próprio valor da coisa, alem deles levarem em consideração características do agente, eles criaram 4 exigências para que o principio da insignificância seja aplicado, e elas fazem com que se torne um critério subjetivo e que varie de acordo com a vítima, então realmente valeria essa ideia de que tirar 10 reais da bolsa de alguém é diferente de tirar a 10 reais de um morador de rua. Se a tipicidade é um requisito objetivo do crime, ele não pode variar de acordo com os agentes do crime. O problema é que é complicado lidar com algo que é formalmente típico, uma conduta atípica não se torna típica pela reiteração. Mas lidando com um fato formalmente típico é difícil de entrar na cabeça das pessoas.
Pra furto famélico e insignificante, eu devo interpretar em