DPOC (21)
21 pág.

DPOC (21)


DisciplinaPneumologia1.089 materiais3.597 seguidores
Pré-visualização12 páginas
ClíniCa MédiCa - VoluMe 13 56Medgrupo - CiClo 2: M.E.D
Tal como a asma brônquica, a DPOC é uma doença que vem crescendo em 
incidência e prevalência na população ocidental. Nos EUA, já é a quarta 
causa de morte. Estamos vivendo o momento da ocorrência das sequelas 
dos fumantes das décadas de 70 e 80. A redução do tabagismo é um 
fenômeno atual e, se assim continuar, em cerca de 10-20 anos, as doenças 
relacionadas ao cigarro vão começar a reduzir a sua incidência. No nosso 
país, a DPOC é uma das principais patologias relacionadas às internações 
hospitalares, razão que torna este tema de extrema relevância.
Doença pulmonar obstrutiva crônica (Dpoc)
DEFINIçãO: Doença caracterizada por obs-
trução crônica e parcialmente reversível das 
vias aéreas inferiores, com destruição progres-
siva do parênquima pulmonar.
EPIDEMIOLOGIA: A DPOC é uma doença 
comum e sua mortalidade vem aumentando. 
A prevalência é crescente no sexo feminino, 
em virtude do aumento do tabagismo entre 
as mulheres, mas ainda mantendo uma pro-
porção maior em homens. É uma doença de 
adultos velhos ou de idosos, geralmente se 
manifestando na quinta ou na sexta década 
de vida.
FATORES DE RISCO: Tabagismo (o mais 
importante), exposição ocupacional a poeira 
e irritantes químicos, história de infecções 
respiratórias de repetição, deficiência de al-
fa-1-antitripsina, hiper-reatividade das vias 
aéreas inferiores, etc.
Quais são os componentes patológicos da 
DPOC? Bronquite obstrutiva crônica (compo-
nente brônquico), enfisema pulmonar (compo-
nente parenquimatoso) e doença de pequenas 
vias aéreas (componente bronquiolar).
DIAGNóSTICO: dado pela presença de sin-
tomas compatíveis (tosse crônica, dispneia 
e cansaço em geral de evolução lenta e pro-
gressiva) + espirometria com padrão obstrutivo 
(VEF1/CVF < 70%).
Qual é o primeiro parâmetro espirométrico 
a se alterar na DPOC e nas doenças obs-
trutivas em geral? A FEF 25-75%!
TRATAMENTO: As drogas principais são 
os broncodilatadores, como os \u3b22-agonistas 
inalatórios de longa ação e os anticolinérgi-
cos (brometo de ipratrópio ou de tiotrópio). 
Se houver componente asmático ou doença 
grave com exacerbações muito frequentes 
(dois ou mais no último ano), os corticoides 
inalatórios estão indicados. As xantinas são 
atualmente consideradas drogas de última 
escolha. Outras medidas: interrupção obri-
gatória do tabagismo, oxigenoterapia domi-
ciliar quando indicada, reabilitação pulmonar, 
cirurgia quando indicada (pneumoplastia / 
transplante de pulmão).
Quais medidas terapêuticas comprovada-
mente reduzem a mortalidade da DPOC? 
(1) Interrupção do tabagismo; (2) Oxigenote-
rapia nos pacientes francamente hipoxêmicos 
(seguindo as indicações: PaO2 \u2264 55 mmHg ou 
SatO2 \u2264 88% em repouso; PaO2 entre 55-60 
mmHg + policitemia ou sinais clínicos de cor 
pulmonale); e (3) Transplante de pulmão.
Condutas nas exacerbações agudas da 
DPOC: Iniciar nebulizações seriadas com 
\u3b22-agonista inalatório de curta ação + brome-
to de ipratrópio + corticoide sistêmico (oral 
ou intravenoso, dependendo da gravidade do 
quadro). Oxigênio suplementar para manter 
SpO2 entre 90 e 92%, com fluxo máximo de 
3 L/min. Como a principal causa é a infecção 
respiratória, sempre pesquisar os sintomas 
cardinais (dispneia, aumento do volume do 
escarro e escarro purulento). Se houver escar-
ro purulento associado a aumento do volume 
de escarro e/ou piora da dispneia, ou ainda 
necessidade de ventilação mecânica, iniciar 
antibiótico oral ou venoso, com cobertura para 
H. Influenzae, S. pneumoniae e M. catarrhalis. 
Avaliar indicações de ventilação não invasiva 
ou invasiva.
epidemiologia e Fisiopatologia
No Brasil não temos dados precisos, mas 
sabemos que a doença acomete cerca de 
10 milhões de pessoas só nos EUA, sendo 
a 4ª causa de morte naquele país. Estima-se 
que, considerando a população mundial, a 
DPOC seja atualmente a 6ª causa de morte, 
ClíniCa MédiCa - VoluMe 13 57Medgrupo - CiClo 2: M.E.D
devendo atingir a 3ª colocação por volta 
de 2020.
Como definir a dPoC?
É uma doença caracterizada por obstrução 
crônica e parcialmente reversível das vias 
aéreas inferiores (brônquios e bronquíolos) 
e destruição progressiva do parênquima pul-
monar (septos alveolares), relacionada a um 
processo inflamatório crônico desencadeado 
por partículas ou substâncias tóxicas inaladas. 
Com a evolução da doença, a reversibilidade 
da obstrução vai se tornando cada vez menor, 
com agravamento dos sintomas.
\uf0a7 Na asma, a inflamação das vias aéreas é 
reversível com o tratamento e se manifesta 
com hiper-reatividade brônquica, justificando 
o caráter variável e episódico dos sintomas. 
Ou seja, a principal característica é a INFLA-
MAÇÃO \u2013 por isso, a base do tratamento são 
os anti-inflamatórios (corticoides) inalatórios.
\uf0a7 Na DPOC, a inflamação das vias aéreas pos-
sui um significativo componente irreversível, 
constituído por espessamento inflamatório e 
fibrose da parede dos brônquios distais e dos 
bronquíolos. Outra característica da DPOC, 
ausente na asma, é o componente de lesão 
do parênquima pulmonar, que caracteriza o 
enfisema pulmonar. Há menos inflamação e 
mais FIBROSE \u2013 por isso, a base do trata-
mento são os broncodilatadores (agonistas 
beta-2) inalatórios e não os corticoides.
Na asma, a inflamação é predominante-
mente de eosinófilos e linfócitos T Cd4+, 
enquanto na dPoC, a inflamação é predo-
minantemente de neutrófilos, macrófagos 
e linfócitos T Cd8+.
RESIDÊNCIA MÉDICA \u2013 2009
COMISSÃO ESTADUAL DE RESIDÊNCIA 
MÉDICA DO AMAZONAS \u2013 CERMAM
Sobre o diagnóstico da asma, assinale a al-
ternativa INCORRETA:
a) A espirometria confirma a obstrução do fluxo 
de ar, com VEF1 e peak flow diminuídos. 
b) A radiografia de tórax é geralmente normal.
c) O exame físico costuma ser normal entre 
as crises de asma. 
d) Os níveis de IgE costumam estar elevados.
e) Assim como na doença pulmonar obstrutiva 
crônica (DPOC) a obstrução das vias aéreas 
é irreversível na asma. 
 A opção E, \u201cde cara\u201d, está incorreta: a 
obstrução das vias aéreas na asma é re-
versível e intermitente, enquanto na DPOC 
tem um componente irreversível associado 
à fibrose de brônquios distais e bronquíolos. 
IMPORTANTE!!!
Quais são as diferenças básicas entre asma 
brônquica e DPOC? Leia com atenção, pois 
esses dados têm implicação na diferença de 
tratamento entre as duas doenças!
As demais estão corretas, como já foi visto 
no capítulo anterior.
Quais são os principais fatores de risco 
para a DPOC?
Os principais fatores de risco para a DPOC 
são: tabagismo (o mais importante), exposição 
ocupacional a poeira e irritantes químicos, his-
tória de infecções respiratórias de repetição, 
deficiência de alfa-1-antitripsina, más condi-
ções socioeconômicas, hiper-reatividade das 
vias aéreas inferiores...
Como é a etiopatogenia da DPOC?
A DPOC possui três componentes patológicos:
\u2022 Bronquite obstrutiva crônica (compo-
nente brônquico)
\u2022 Doença de pequenas vias aéreas (com-
ponente bronquiolar)
\u2022 Enfisema pulmonar (componente paren-
quimatoso)
O predomínio de cada um desses três ele-
mentos varia de um paciente para outro, mas 
a maioria apresenta sinais de coexistência de 
todos eles.
1) bronquite obstrutiva crônica
É a inflamação da parede dos brônquios com 
lúmen > 2 mm. A bronquite obstrutiva crônica 
é composta por um infiltrado leucocitário misto 
(polimorfonucleares e mononucleares), meta-
plasia de células caliciformes e uma acentuada 
hiperplasia das glândulas submucosas. Essas 
alterações, paralelamente à inflamação da pa-
rede dos brônquios, resultam em diminuição do 
calibre, com obstrução do fluxo aéreo.
\uf0a7 Clinicamente, o paciente apresenta tosse crô-
nica produtiva, com expectoração branca ou 
amarelada, associada a sinais de obstrução 
das vias aéreas.
É importante