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ADVOCACIA­GERAL DA UNIÃO
CONSULTORIA JURÍDICA JUNTO AO MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL
COORDENAÇÃO­GERAL DE CONVÊNIOS
SGAN 906, MÓDULO F, BLOCO A, 3º ANDAR, SALA 316, EDIFÍCIO CELSO FURTADO, BRASÍLIA/DF ­ CEP 70790­060
 
PARECER n. 00050/2014/CGC/CONJURMIN/AGU
 
NUP: 59050.003078/2010­13
INTERESSADOS: SECRETARIA NACIONAL DE PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL ­ SEDEC E OUTROS
ASSUNTOS: CONVÊNIO E OUTROS. Análise, a posteriori, de minuta utilizada para celebração do Quarto
Termo Aditivo ao Convênio nº 753925/2010.
 
EMENTA:  I.  Convênio  administrativo.  Análise  de  minuta  de  termo  aditivo.  Celebração  sem
manifestação prévia e conclusiva da Consultoria Jurídica. Inobservância do art. 11 da LC 73/93,
art. 38, par. ún., da Lei nº 8.666/93 e art. 31 da Portaria Interministerial nº 127/2008. Vício formal.
Justificativa  para  a  inversão  procedimental.  Atendimento  dos  requisitos  do  art.  55  da  lei
9.784/99.
II. Prorrogação do prazo de vigência. Aplicação da Portaria nº 127/2008 por força do art. 2º, I,
\u201cb\u201d,  da  Portaria  Interministerial  nº  507/2011.  Arts.  31  e  37  da  Portaria  nº  127/2008.  Parecer
técnico favorável. Art. 103 da Lei nº 12.249/2010. Exigência de comprovação de regularidade
fiscal apenas para a celebração de aditamentos de valor. Minuta regular sob o aspecto jurídico­
formal.
 
 
Senhor Consultor Jurídico,    
 
I.                      RELATÓRIO
1. Trata­se de processo administrativo encaminhado pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil  a
esta  Consultoria  Jurídica,  para  fins  de  assessoramento  jurídico  do  Ministro  de  Estado  da  Integração
Nacional no controle interno da legalidade dos atos administrativos, e análise da Minuta do Quarto Termo
Aditivo ao Convênio nº 753925/2010, celebrado entre a União, por intermédio do Ministério da Integração
Nacional,  e  o  Município  de  Cerro  Branco/RS,  sem  o  indispensável  exame  prévio  e  conclusivo  dos
aspectos jurídico­formais por esta Consultoria Jurídica.
2. O presente convênio foi celebrado em 31/12/2010, publicado no Diário Oficial da União no dia 17/01/2011,
com prazo de vigência de 365 dias, contados a partir da publicação do respectivo extrato no DOU,  tendo
por objeto a \u201cconstrução de redes de abastecimento de água no interior no Município de CERRO BRANCO
/ RS [...]\u201d (fls. 108/116).
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3. O prazo de vigência foi prorrogado de ofício pelo Concedente à fl. 364, e posteriormente por intermédio do
Primeiro,  Segundo  e  Terceiro  Termos  Aditivos  (fls.  499/500,  554/555  e  681/682,  respectivamente),  não
tendo havido solução de continuidade entre os termos celebrados.
4. Compulsando  os  autos  a  partir  da  celebração  do  Terceiro  Termo  Aditivo,  cuja  minuta  foi  analisada,
posteriormente,  por  esta  Consultoria  Jurídica  por  meio  do  PARECER  Nº  52/2014/CONJUR­
MIN/CGU/AGU (fls. 684/686), observa­se que o mesmo foi celebrado no dia 25/11/2013, tendo por objeto
a \u201cprorrogação do prazo de vigência do Convênio nº 753925/2010­MI, até 23/02/2014.\u201d (fls. 681/682).
5. Por meio do Ofício GAB. 010/2014, datado de 22 de janeiro de 2014 (fl. 692), o Convenente solicitou o uso
do  saldo  remanescente  dos  recursos,  bem  como  a  prorrogação  do  seu  prazo  de  vigência,  encaminhando
Relatório  de Execução  (fls.  693/709)  e  documentação pertinente  à  readequação de meta  do  convênio  em
tela (fls. 710/742).
6. Por  sua  vez,  a  então  Secretaria  Nacional  de  Defesa  Civil manifestou­se  favoravelmente  à  readequação
proposta e à prorrogação do prazo de vigência, por meio do Parecer Técnico nº 2014_014_PT_DRR_DRM
(fls. 743/744).
7. Posteriormente, foi celebrado o Quarto Termo Aditivo ao Convênio nº 753925/2010 (fls. 745/746), tendo por
objeto a prorrogação do prazo de vigência do Convênio, sem o indispensável exame prévio e conclusivo
dos aspectos jurídico­formais por esta Consultoria Jurídica.
8. Em seguida, os autos foram encaminhados à Consultoria Jurídica, por meio do Despacho de fl. 747.
9. É o relatório. Passo a opinar.
II.                ANÁLISE JURÍDICA
II.1.            POSSIBILIDADE  JURÍDICA  DE  CONVALIDAÇÃO  EM  SEDE  DE  CONVÊNIOS
ADMINISTRATIVOS
10. No caso em tela, constatou­se que o Quarto Termo Aditivo ao Convênio nº 753925/2010  foi celebrado
sem a análise desta Consultoria Jurídica,  em desacordo  com o  inciso VI,  alínea  \u201ca\u201d do  art.  11 da Lei
Complementar nº 73/1993 (Lei Orgânica da Advocacia­Geral da União), bem como o art. 7º, VI, \u201ca\u201d, do
Anexo I do Decreto nº 8.161/2013 (aprova a Estrutura Regimental do Ministério da Integração Nacional),
além do art. 38, parágrafo único, da Lei nº 8.666/93 (Lei de Licitações e Contratos Administrativos) e art.
31 da Portaria Interministerial nº 127/2008, que dispõem que as minutas dos convênios administrativos e
respectivos  aditamentos  têm  que  ser  submetidas  ao  exame  prévio  e  conclusivo  da  Consultoria
Jurídica, cuja inobservância pode ocasionar a nulidade do procedimento administrativo.
11. Observa­se,  nesta  hipótese,  que  a  inversão  procedimental  se  consubstancia  em  um  vício  de  forma,  e
portanto, passível de convalidação, desde que não acarrete  lesão ao  interesse público nem prejuízo a
terceiros, conforme dispõe o art. 55 da Lei nº 9.784/99:
\u201cArt.  55.  Em  decisão  na  qual  se  evidencie  não  acarretarem  lesão  ao  interesse  público  nem
prejuízo a  terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela
própria Administração\u201d.
12. Segundo Carvalho Filho, \u201csão convalidáveis os atos que  tenham vício de competência e de  forma,  nesta
incluindo­se  os  aspectos  formais  dos  procedimentos  administrativos\u201d[1].  A  contrario  sensu,  não  são
passíveis de convalidação os vícios relativos ao objeto, ao motivo e à finalidade do ato administrativo[2],
por acarretarem nulidade absoluta.
13. Nas hipóteses de nulidade relativa, impõe­se a convalidação no caso em que a anulação do ato cause mais
prejuízos  ao  interesse  público  do  que  a  sua  manutenção,  em  atenção  ao  princípio  da  economicidade,
devendo­se  sopesar  o  princípio  da  legalidade  com  os  demais  princípios  norteadores  da  Administração
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Pública,  tais  como  a  razoabilidade,  a  eficiência,  a  segurança  jurídica  e,  sobretudo,  a  supremacia  do
interesse público[3].
14. Todavia,  a  aplicação  do  instituto  da  convalidação  deve  se  dar  com  parcimônia,  em  circunstâncias
excepcionais, não devendo constituir­se em prática recorrente, vez que a regra deve ser a obediência ao
princípio basilar da Administração Pública, que é a LEGALIDADE, consagrado no caput do art. 37 da
Constituição Federal. Prova disto é a exigência de MOTIVAÇÃO constante no art. 50 da Lei nº 9.784/99:
\u201cArt.  50.  Os  atos  administrativos  deverão  ser  motivados,  com  indicação  dos  fatos  e  dos
fundamentos jurídicos, quando:
(...)
VIII \u2013 importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo\u201d.
15. No  caso  em  tela,  o  órgão  técnico  justificou  à  fl.  747  a  celebração  do  termo  aditivo  sem  a  prévia
manifestação da CONJUR, nos seguintes termos:
\u201cTrata­se de solicitação de prorrogação do prazo de vigência do Convênio nº 753925/2010­MI,
pelo qual esta Secretaria concede a referida prorrogação a fim de garantir prazo para completa
execução  e  conclusão  do  objeto  pactuado,  conforme  expressa  o  Parecer  Técnico  nº
2014_014_PT_DRR_DRM, fls. 743/744.
O presente  instrumento,  foi celebrado sem a análise prévia da Consultoria Jurídica/Conjur, em
desacordo com o inciso VI, alínea \u201ca\u201d do