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CROCOMICOSE - RESUMO

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CROCOMICOSE
Infecção de evolução lenta. Acomete a pele e o tecido subcutâneo do homem e dos animais. A maioria das lesões são causadas por fungos da família dematiaceae, que vivem no solo ou vegetais em decomposição.
O aspecto clínico das lesões é polimorfo, formando nódulos, lesões papulosas, descamativas e verrucosas, que pode apresentar-se ulcerada ou não.
As lesões localizam-se nos membros inferiores, principalmente nos pés e nas pernas.
Indivíduos do sexo masculino são mais acometidos, devido ao contato maior dos homens com o solo e vegetais.
ETIOLOGIA:
As espécies de fungos envolvidos são: fonsecaea pedrosoi, fonsecaea compacta, phialophora verrucosa, cladosporium carrioni e rhinocladiella aquaspersa.
As cinco espécies produzem colônias filamentosas, que vão de verde-oliva ao marrom e preto, crescem lentamente e precisam de 4 a semanas para o diagnóstico final.
ASPECTOS CLÍNICOS:
Em geral, são observados lesões unilaterais, de evolução crônica e com características macroscópicas variáveis, do tipo eritemato-escamosas planas, verrucosas, hiperqueratósicas, pápulo-pedunculadas e granulomatosas nodulares. Essas lesões podem ser agrupadas em dois tipos básicos: nodulares e em placas.
As lesões nodulares ficam nos membros inferiores,com nódulos violáceos pequenos cobertos por pele, podem ser únicas ou múltiplas, seu crescimento é lento e confluente, com o passar dos anos pode ocorrer ulceração no centro da lesão, que pode possuir um aspecto vegetante.
As lesões em placas podem ser observadas em qualquer parte da pele, com pápulas pruriginonas, de coloração violácea ou vermelha, com crescimento excêntrico. Com o passar dos anos, essas pápulas ficam com o aspecto de placas com bordas papilomatoso-violáceas, recobertas por crostas serossanguinolentas.
Um exame direto com solução KOH (10-40%) pode fornecer informações suficientes para a confirmação da suspeita clínica.
Observa-se também corpos fumagóides no material biológico. Os corpos fumagóides podem assemelhar-se a uma levedura demácea, tendo brotamento simples ou múltiplo. A transformação da forma filamentosa (encontrada na vida sapróbia) para estruturas que são observadas na infecção que são os corpos fumagóides, é dependente da resistência imunológica do paciente. 
A cultura é sempre necessária para determinar a espécie do fungo na cromomicose.
DIAGNÓSTICO LABORATÓRIAL:
É baseado na microscopia e cultura do material suspeito.
O exame histopatológico é de grande importância porque partes profundas da pele são retiradas através da biópsia, aumentando a possibilidade de encontrar as estruturas fúngicas.
No exame direto de KOH (10-40%) observa-se a presença de células fúngicas, globosas, ovaladas, de parede espessa, de coloração castanha, apresentando ou não septos.
É importante fazer a cultura, para o isolamento e identificação do fungo em meio Sabouraud.
Obs: os agentes etiológicos da cromomicose não são inibidos pela cicloeximida, a identificação final é feita através das características macromorfológicas das colônias, associadas às características micromorfológicas, observadas pelo método de cultura em lâmina.
As amostras clínicas são obtidas através da raspagem das lesões, colheita de secreções com swabs e biópsias de tecido. Uma parte do material vai pra lâmina, adicionando-se duas gotas de KOH (10-40%). Depois, essa preparação pode ser aquecida, e após 10 a 20 minutos, observa-se no microscópio. A outra parte do material é semeada em tubos de ensaio com meios de Sabouraud, utilizados para isolamento primário, esses tubos ficam em temperatura ambiente durante 2 a 4 semanas.
Os achados macromorfológicos das colônias de cada espécie apresentam na maioria das vezes, pouca característica diferencial.
1.Fonsecaea pedrosoi: produz colônias de maturação lenta, com textura veludosa de tom marrom-escuro, verde-oliva ou negro, com relevo plano ou levemente rugoso, não sendo observado pigmento no meio.
2.Clarosporium carrionii: apresenta colônias de maturação muito lenta, com aspectos similares aos da Fonsecaea pedrosoi.
3.Phialophora verrucosa: possui colônias de maturação lenta, com textura veludosa e coloração verde-oliva, escura ou marrom, essas colônias se recobrem por um micélio algodonoso e cinza.
4.Fonsecaea compacta: produz colônias de maturação lenta, com textura veludosa e tom verde-oliva, escuro ou preto, seu relevo é levemente rugoso e também não apresenta pigmento no meio.
5.Rhinocladiella aquaspersa: forma colônias com textura veludosa de maturação rápida e tonalidade ver-escura ou preta, o seu relevo é pouco característico, não observa-se pigmento no meio.
Obs: o estudo micromorfológico dos tipos de conídios e a quantidade deles na micromorfologia é importante na determinação do gênero e da espécie do fungo envolvido.
Os três principais tipos de conídios são:
1.Phialophora: estruturas em forma de jarros, se aglomeram na parte superior das fiálides.
2.Rhinocladiella: estruturas alongadas (conidióforos), formando conídios ovais, que ficam na extremidade superior e nos lados.
3.Cladosporium: estruturas fúngicas (conidióforos) que formam cadeias de conídios e se ramificam através de brotamento apical. Mostra cadeias mais densas, de forma globosa.
Exames histopatológicos: reação granulomatosa com macrófagos, células gigantes, linfócitos, plasmócitos e neutrófilos. O fungo se mostra como células de cor castanha, redondas ou poliédricas, de parede espessa.
TRATAMENTO:
É uma das mais difíceis de se tratar. O tratamento é longo.
Iodeto de potássio ou de sódio, itraconazol, vitamina D2, bendazol.
Outros métodos de tratamento são eletrocoagulação, remoção cirúrgica da lesão, termoterapia, crioterapia.
Nas lesões pequenas, pode-se realizar termoterapia