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Aula 1: A produção do conhecimento e o conhecimento científico
Apresentação
O conhecimento é a tomada de consciência do ato de conhe¬cer. O homem se apropria progressivamente de um mundo preexistente construindo respostas para suas dúvidas e incertezas, atribuindo sentidos e significados ao mundo que o cerca. Todo o desenvolvimento experimentado pela humani¬dade é fruto da incessante busca do homem pela compreensão do universo circundante e o desejo de aprimorá-lo.
São muitas as formas de conhecimento: popular, religioso, filosófico, científico. O conhecimento científico, diferente dos demais, caracteriza-se pela busca da compreensão dos fenômenos existentes por meio da utilização de procedimentos metódicos. Pontua fatos e fenômenos verificáveis, sendo também objetivo, factual, racional, analítico, organizado, explicativo e sistemático; constrói e aplica leis por meio de investigações metódicas.
Para o desenvolvimento da pesquisa científica torna-se fundamental o conhecimento dos processos de metodologia científica. Sua compreensão permite a consolidação das práticas de pesquisa, procedimentos teóricos e técnicos, etapas do trabalho, bem como modalidades de divulgação de resultados das investigações. Somam-se ao arcabouço teórico-técnico, as qualidades do pesquisador.
Além do domínio técnico, o pesquisador deve possuir ou desenvolver determinadas qualidades, tais como: curiosidade, criatividade, atitude ética, rigor metodológico, dentre outras.
O pesquisador, como membro pertencente a um tempo determinado e a uma sociedade específica, irá refletir os valores, os princípios considerados importantes naquela sociedade e naquela época.
Nesta aula, você vai acompanhar o percurso da metodologia cuja base é a ciência, a partir dos pressupostos filosóficos para a consolidação do método científico.
Para tal, apresentaremos o conceito de ciência, identificando características, tipos de conhecimento e a importância desse método para a produção de trabalhos acadêmicos.
Além disso, também é importante que você compreenda a noção de pesquisa, e saiba para que serve um trabalho investigativo, bem como quais são as fases que o constituem.
Em resumo, por meio deste conteúdo, traçaremos um caminho em um movimento de troca constante, a fim de que você seja capaz de elaborar seu próprio estudo científico.
Objetivos
Reconhecer a importância da pesquisa e da metodologia científica.
Analisar as qualidades pessoais e técnicas do pesquisador.
Compreender a noção de conhecimento e a ideia de ciência e conhecimento científico, identificando características, tipos e importância do método científico para a produção de trabalhos acadêmicos.
Reconhecer o percurso da metodologia, cuja base é a ciência, a partir dos pressupostos filosóficos para a consolidação do método científico.
Identificar o conceito de pesquisa e as principais etapas do processo.
Construção do conhecimento
Você já se perguntou, alguma vez, sobre como o conhecimento é construído? De que forma ele vem se acumulando e sendo transmitido às pessoas ao longo dos anos?
Os iluministas acreditavam que era possível conter todo o saber em uma enciclopédia, mas sabemos que ele nunca coube tampouco caberá em um conjunto de livros – principalmente se considerarmos o surgimento da internet.
Para que possamos construir conhecimento, precisamos nos valer de algum método 1, de um lugar pelo qual vamos transitar, com indicações, marcações, estratégias, enfim, tudo devidamente registrado para futuras consultas.
Nesta aula, vamos nos aprofundar sobre o estudo do método científico.
Método e metodologia científica
Quando falamos em metodologia científica, estamos pensando em estudar o método, isto é, os caminhos traçados em determinada pesquisa para que os resultados sejam entendidos.
A partir desse momento, podemos, então:
Generalizar (ou não) os resultados;
Compreender os procedimentos de análise;
Repetir os passos do experimento e dos achados, revalidando os dados ou refutando-os.
Tipos de conhecimento
Antes de nos aprofundarmos sobre o estudo do método científico para fins de construção do conhecimento, vamos identificar, primeiro, os tipos de saberes com os quais lidamos todos os dias. Para começar, precisamos entender que conhecer é um processo que não ocorre de forma imediata. O sujeito cognoscente – aquele que conhece – se apropria do objeto, que, nesse momento, passa a ser apreendido. Ao produzirmos conhecimento, mobilizamos nossos sentidos e nossas capacidades intelectuais, processando, de alguma forma, as informações absorvidas. Essas sensações são transformadas por nosso intelecto em ideias, reconstruindo as realidades com as quais lidamos e construindo outras tantas.
Como afirma Rampazzo (2013, p. 18. Grifo do autor):
“[...] a complexidade do real, objeto do conhecimento, ditará, necessariamente, formas diferentes de apropriação por parte do sujeito cognoscente. Essas formas darão os diversos níveis de conhecimento [...]”.
De acordo com o autor, de forma didática, o conhecimento pode ser estruturado e organizado nos seguintes níveis:
Popular ou do senso comum;
Científico;
Filosófico;
Teológico.
Vamos entender cada um deles?
Conhecimento popular ou senso comum
O conhecimento popular ou do senso comum é aquele construído no dia a dia, em nosso cotidiano.
Por isso, também é conhecido como conhecimento empírico, pois são as experiências vivenciadas que vão consolidando os saberes construídos.
Atualmente, esse tipo de saber tem sido alvo de interesse da ciência. Afinal, trata-se de um conhecimento historicamente construído antes da sistematização dos métodos, o que vem trazendo muitas pistas para investigações mais profundas e ordenadas.
 Fonte: http://democraciapolitica.blogspot.com.br/2012/01/quem-deve-se-ligar-na-ciencia.html
Como exemplo desse nível de conhecimento, Rampazzo (2013, p. 18) afirma:
“[...] não é necessário estudar Direito para saber que cada sociedade tem suas normas e suas leis”.
Conhecimento científico
O conhecimento científico é relativamente recente na história do mundo ocidental. Esse saber tem pouco mais de 400 anos e foi consolidado entre os séculos XVI e XVII, com Galileu Galilei 2 (1564-1642). Contudo, conforme aponta Rampazzo (2013), isso não quer dizer que não havia conhecimento rigoroso e metódico antes desse período.
De certa forma, a ciência da Idade Antiga (4.000 anos a.C. – século V) e da Idade Média (séculos V-XV) tem estreitos laços com a Filosofia.
Na Grécia Antiga (século VII a.C.), já se almejava um conhecimento racional 3 que fosse diferente do mito e do saber comum ou empírico.
Somente na Idade Moderna (séculos XV-XVIII), essas vertentes de estudo começaram a se separar, principalmente por uma construção de métodos próprios de busca e validação de conhecimentos.
O conhecimento científico apresenta as seguintes características:
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Objetividade
- Esse tipo de saber busca ser objetivo, de modo que as observações e os achados possam ser reproduzidos e testados por outros, seguindo os registros sistematizados. Disto resulta a importância do método: parte-se de um caminho bem organizado e relatado para chegar às descobertas e constatações (ou não).
Rigor na investigação e na redação
Para diferenciar-se da Filosofia e de outras formas de conhecimento, a ciência pauta-se na observação e na experimentação, de forma controlada e rigorosa.
Observação e experimentação
Comunicação
Esse tipo de saber deve ser comunicável e aberto, visto que pode ser testado a qualquer instante por outros cientistas e, a partir desse momento, referendado ou refutado.
As novas tecnologias, por exemplo, vão apontando novos caminhos e oferecem oportunidades de verificação dos conhecimentos já construídos, levando em conta novos instrumentos de testagem.
Utilização de instrumentos
A utilização de instrumentos permite que os achados científicos ultrapassem a subjetividade do cientista, visto que estes podem ser controlados e avaliados com rigor e