Capítulo 11 Garantias e Remédios Constitucionais
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Capítulo 11 Garantias e Remédios Constitucionais


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Capítulo 11 Garantias e Remédios Constitucionais
11.1 Garantias e remédios constitucionais
11.1.1. Conceito
As garantias constitucionais são os meios, os instrumentos para o alcance de direitos fundamentais. Os remédios constitucionais, por conseguinte, são ferramentas de proteção de direitos fundamentais na ocorrência de violação ou omissão de prerrogativas.
Portanto, os remédios constitucionais são espécies integrantes do gênero garantias constitucionais e, assim, caminham de forma conjunta sob o objetivo de plenitude dos atos.
11.1.2. Princípios
Ao se estudarem os princípios que circunscrevem o tema Remédios e garantias constitucionais, deve-se em primeiro lugar relembrar que são conteúdo integrante da disciplina de direitos fundamentais. Isto posto, os grandes princípios remetidos em tal sapiência são:
\uf0b7 Princípio da Dignidade da Pessoa Humana: os direitos fundamentais são reflexos dos direitos humanos no ordenamento jurídico pátrio;
\uf0b7 Princípio do Estado Democrático de Direito: conforme art. 1.º, caput, da Constituição Federal, a democracia é o sistema político enfrentado no Brasil, na qual deverá haver soberania popular, separação de poderes e garantia dos direitos fundamentais.
11.1.3. Características
Primeiramente, salienta-se que os remédios constitucionais, com as suas devidas garantias, são ações de cunho judicial a se ingressarem no sistema de prática forense. Logo, levam consigo a caracterização de direitos de petição, uma vez ser o devido instrumento forense eficaz a assegurar a fruição de direitos.
11.1.4. Espécies
São garantias constitucionais determinadas como remédios constitucionais:
\uf0b7 Habeas corpus, nos termos do art. 5.º, LXVIII, da Constituição Federal;
\uf0b7 Habeas data, vide art. 5.º, LXXII, da Constituição Federal;
\uf0b7 Mandado de injunção, conforme art. 5.º, LXXI, da Constituição Federal;
\uf0b7 Mandado de segurança, nos termos dos arts. 5.º, LXIX e LXX, da Constituição Federal;
\uf0b7 Ação popular, vide art. 5.º, LXXIII, da Constituição Federal.
11.2. Remédios constitucionais
11.2.1. Introdução
Uma vez seu conteúdo estar adstrito ao tema Direitos fundamentais, muito se alinha aos remédios constitucionais no anseio político-social de rompimento com quaisquer Estados absolutos. Instrumentos de manutenção da Democracia, os remédios constitucionais são implementados atualmente em sua plenitude a fim de que haja o pleno exercício da Democracia.
11.2.2. MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL E COLETIVO
O mandado de segurança é uma ação constitucional posta à disposição de toda pessoa física ou jurídica, órgão com capacidade processual ou universalidade reconhecida por lei, para tutela de direitos individuais líquidos e certos não amparados por habeas corpus e habeas data, quando o responsável pela ilegalidade for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público.
O mandado de segurança tem duas espécies: preventivo e repressivo. O preventivo ocorre quando existem dois fatores, receio ou justo receio de lesão de direito líquido e certo, sendo justo receio um medo de lesão justificado, real.
No tocante a projetos de leis, pessoas comuns não podem impetrar mandado de segurança preventivo, porque não há iminência nem certeza, sendo certo que apenas parlamentares podem fazê-lo contra projetos de lei, sendo este repressivo, em razão de que a deliberação por si só é uma lesão, porque o processo legislativo precisa ser justo.
Além do mandado de segurança preventivo, há o repressivo para reestabelecer uma ordem e tratar de um direito líquido e certo já violado.
Os seus requisitos são:
\uf0b7 Direito líquido e certo, o que teoricamente quer dizer que o direito só pode ser certo para justificar o mandado de segurança, o que significa que não caberia controvérsia. Na realidade, está-se diante de um fato líquido e certo, e não de um direito. O fato é que precisa ser comprovado de plano por meio de documentação inequívoca.
\uf0b7 Cabimento residual, o que significa que o mandado de segurança tutelará aquilo que não for coberto pelos demais remédios constitucionais;
\uf0b7 Ato atacável, devendo o ato ser de natureza pública, independentemente de sua origem. Ou seja, o que importa é a natureza do ato, e não a pessoa jurídica.
Há dois tipos de legitimidade, uma pertinente ao mandado de segurança individual e outra ao coletivo. A legitimidade ativa do mandado de segurança individual é a mesma do CPC, ou seja, todos os legitimados que podem mover uma ação processual civil podem promover o mandado de segurança.
Normalmente, o mandado de segurança tem legitimação ordinária, mas existe uma hipótese de legitimação extraordinária no mandado de segurança individual, disposto no art. 3.º da Lei 12.016/2009, que determina que \u201co titular de direito líquido e certo decorrente de direito, em condições idênticas, de terceiro poderá impetrar mandado de segurança a favor do direito originário, se o seu titular não o fizer no prazo de 30 (trinta) dias, quando notificado judicialmente\u201d.
No tocante ao mandado de segurança coletivo, o mesmo consta no art. 5.º, LXX, da CRFB e no art. 21 da Lei 12.016/2009, podendo ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou seja, desde que tenha um membro na Câmara dos Deputados ou um membro no Senado Federal, nos casos de lesão conjunta do partido em que se tutelará um direito em nome dos filiados ou quando a tutela disser respeito ao objeto e fim do partido político em questão, com a finalidade partidária; organização sindical, em prol dos sindicalizados; entidade de classe, não precisando ter âmbito nacional; e associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano em defesa dos direitos líquidos e certos da totalidade ou de parte de seus membros ou associados, na forma de seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial. Nesse caso, deve-se notar que não se estará diante de legitimidade ordinária, mas porque é da essência do mandado de segurança coletivo que seja uma legitimidade extraordinária, dado que sempre será tutelado direito alheio, e nunca um direito próprio.
A legitimidade passiva, conforme art. 6.º da Lei do Mandado de Segurança, é interposta na indicação de autoridade coatora e da pessoa jurídica a que está vinculada.
11.2.3. MANDADO DE INJUNÇÃO
É uma ação criada em 1988 para obrigar os poderes públicos a fazer algo em virtude de a nossa Constituição ter muitas normas constitucionais de eficácia limitada.
O objeto do mandado de injunção conforme art. 5.º, LXXI, da Constituição Federal é o de conceder um direito sempre que a falta da norma regulamentadora tornar inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; segundo posição majoritária, é um rol exemplificativo.
Para mover um mandado de injunção, é necessário ter um direito não autoaplicável, ter ausência de norma regulamentadora, inviabilização de direitos e
liberdades constitucionais, nexo de causalidade entre a omissão e a inviabilidade e o impetrante deve ser beneficiário direto de direito, liberdade ou prerrogativa.
O mandado de injunção deve ser impetrado em benefício próprio, não podendo proteger direitos difusos de outros. A legitimidade ativa no mandado de injunção é de qualquer pessoa que esteja sendo impossibilitada de exercer um direito constitucional previsto em uma norma constitucional de eficácia limitada e que a impossibilidade desse exercício venha dessa inércia. A legitimidade passiva, por sua vez, é do órgão competente para elaborar a norma.
11.2.4. Habeas data
É o remédio que busca tutelar o direito à informação. A ideia do habeas data é proteger a informação, seja para mudar o que está escrito, incluir alguma coisa ou saber o que está escrito. Tem natureza jurídica de remédio constitucional, sendo uma ação constitucional que busca a tutela jurídica, que surgiu