Controle de Constitucionalidade
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Controle de Constitucionalidade

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Controle de Constitucionalidade
Tem como base a sustentação da supremacia da Constituição ( finalidade ), instaurou-se 
uma atividade que visa fiscalizar a validade e a conformidade das leis e atos do PODER 
PÚBLICO ( objetos ) frente a uma Constituição formal, escrita e principalmente rígida, uma
vez que necessita de procedimentos especiais para ser modificada. 
O Controle foi introduzido praticamente pela Emenda Constitucional 16/65 com a 
Representação de Inconstitucionalidade, onde trouxe a ideia de 2 PARÂMETROS (
paradigmas ):
a) Parâmetro superior: É o paradigma, o espelho pelo qual deve-se observar se está ou não 
de acordo com a Constituição, ou seja, essas espécies de normas que devem ser observadas 
para saber se o objeto levantado é ou não constitucional. São as normas com STATUS 
CONSTITUCIONAL( Blocos de Constitucionalidade ) :
- Texto da CF/88;
- Disposições das Emendas Constitucionais não incorporadas ao texto da Constituição;
- ADCT ( exceto aquelas que já não possuem mais eficácia )
- Tratados Internacionais:
* Tais tratados possuem 3 hierarquias:
1) Status Constitucional: Versam sobre Direitos Humanos e foram aprovados pelas 2 casas 
legislativas, em 2 turnos com aprovação de 3/5 dos membros.
2) Status Supralegal: Versam sobre Direitos Humanos MAS não foram aprovados pelas 2 
casas.
3) Status Infralegal: Não versam sobre Direitos Humanos.
- Princípios, direitos e garantias fundamentais implícitos pela Constituição.
- Espíritos e Valores da Constituição.
** O preâmbulo NÃO possui status constitucional!!!
b) Parâmetro inferior: É o objeto DE FATO que está sendo impugnado( seja espécie 
normativa- lei, ato ou decreto, federal, estadual ou municipal ), seja ato material ( ato 
arbitrário do Poder Público- prisão ilegal, federal, estadual ou municipal ).
- Aplicabilidade e Eficácia das Normas Constitucionais:
a) Normas de Eficácia Plena: 
São as normas constitucionais que são autoaplicáveis, não necessitando portanto de lei 
regulamentadora, são as chamadas autossuficientes, pois produzem todos os efeitos jurídicos
esperados. ( Exemplo: Livre exercício da crença ).
b) Normas de Eficácia Contida: 
São as normas constitucionais que produzem seus efeitos livremente, porém lei ou norma 
infraconstitucional pode conter ou restringir seus efeitos ( Exemplo: Livre exercício de 
qualquer trabalho, ofício ou profissão, desde que atendidas as qualificações profissionais que
a lei estabelecer ). 
c) Normas de Eficácia Limitada:
São as normas constitucionais que não podem produzir seus efeitos livremente, uma vez que 
necessitam de uma norma infraconstitucional que regule seus efeitos. ( Exemplo: Direito de 
greve dos servidores públicos será exercido nos termos e nos limites definidos em lei 
específica ).
- Inconstitucionalidade por Ação ou por Omissão:
a) Por Ação:
1.a) Vício formal: Leis ou atos normativos que ofendam a parte formal, ou seja, descumprem
algum procedimento ordenado pelo texto constitucional.
2.a) Vício material: Leis ou atos normativos que ofendam a parte material ( princípios, 
ideias, núcleo ) da Constituição Federal. 
* Uma lei ou ato normativo pode conter os dois vícios ( material e formal ).
b) Por Omissão: 
Ocorre com a falta de regulamentação de norma de eficácia limitada.
1- Espécies de Controle: 
Controle difuso: perante qualquer juízo ou tribunal
Controle concentrado: perante o STF
1.a) Controle Difuso: 
É realizado por qualquer juiz ou autoridade investida de poder jurisdicional. Sujeita-se à 
análise de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, sendo necessário, portanto, um caso
concreto.
* A inconstitucionalidade não é o pedido da causa, mas sim a CAUSA DE PEDIR, ela que 
justifica a concessão do pedido.
* Por estarmos diante de um caso concreto, neste controle são impetrados os Mandados de 
Segurança e Injunção.
*O Amicus Curiae ( amigo da corte ), é admitido no Controle Difuso de 
Constitucionalidade.
- Legitimidade:
a) Qualquer pessoa física ou jurídica diante de um caso concreto;
b) Juiz de ofício
- Competência:
a) Qualquer juiz ( 1ª Instância )
b) Tribunal ( 2ª Instância ), neste caso, quando houver necessidade de se declarar a 
inconstitucionalidade de um ato ou norma, os autos devem ser encaminhados ao Órgão 
Especial ou Pleno do Tribunal, respeitando a cláusula de reserva de plenário, onde a votação 
deve-se dar por maioria ABSOLUTA dos membros.
*** Turmas, Câmaras e Seções, NÃO podem declarar a inconstitucionalidade, mas podem 
RECONHECER a constitucionalidade do ato ou norma.*
* Haverá Órgão Especial sempre que o número de julgadores for superior a 25 membros, se
formará então com no mínimo 11 e no máximo 25.
Uma vez declarada a inconstitucionalidade ou constitucionalidade, neste momento, a Turma,
Câmara ou Seção poderá discutir o MÉRITO da ação.
* Exceção quanto à obrigatoriedade de encaminhamento ao Órgão Especial ou Pleno: 
Quando estes órgãos já tiverem se pronunciado acerca da inconstitucionalidade da norma 
discutida OU quando o STF já tiver decidido sobre a inconstitucionalidade da norma 
impugnada.
c) Supremo Tribunal Federal ( através dos Recursos Extraordinários ).
- Objeto:
a) Lei ou ato normativo federal, editada após a CF/88.
b) Lei ou ato normativo estadual, editada após a CF/88.
c) Lei ou ato normativo distrital, editada após a CF/88.
d) Lei ou ato normativo municipal, editada após a CF/88.
- Efeitos da decisão:
Visto que para ocorrer o controle difuso é necessário que exista um caso concreto, a regra é
que os efeitos da decisão deste caso englobarão apenas as partes da ação ( interpartes ), pois 
há o limite subjetivo da coisa julgada, e que esta decisão tem natureza declaratória, gerando
portanto, efeito ex-tunc, retroagindo ao nascedouro do ato ou norma. 
Se a decisão foi prolatada pelo STF (recurso da decisão proferida pelo TRIBUNAL, se foi 
pelo Pleno ou Especial não cabe recurso), este DEVE encaminhar a decisão ao Senado 
Federal que PODERÁ ( faculdade ) suspender, através de uma resolução, a execução 
somente da parte declarada inconstitucional pelos ministros. 
Os efeitos descritos anteriormente são regra, porém, na doutrina, admite-se uma exceção, 
que é a chamada modulação dos efeitos, também conhecida como \u201cmanipulação dos efeitos 
da decisão\u201d, onde o STF ao declarar a inconstitucionalidade do ato ou espécie normativa, 
justificando a proteção à segurança jurídica ou excepcional interesse social, poderá, por 
maioria de 2/3 dos seus membros ( são 11 ministros, sendo necessário portanto, 8 
ministros ), restringir os efeitos desta decisão, seja para efeitos ex-nunc ( do trânsito desta 
decisão em diante ), seja pro futuro ( momento para aplicação da decisão a ser 
determinado ). Ou seja, a ideia é estender os efeitos para qualquer pessoa, ainda que não 
esteja presente no processo, bem como vinculá-las àquela decisão ( praticamente o efeito 
erga omnes ). 
1.b) Controle Concentrado: 
O controle concentrado, também chamado de controle abstrato, é realizado ( de forma 
direta ) pelo Supremo Tribunal Federal, pois é este o responsável pela defesa e guarda da 
Constituição Federal. Tem como propósito ( finalidade ) a análise, em abstrato, ou seja, 
neste controle não é necessário ter um caso concreto em discussão, mas apenas um ato ou 
norma, em que será verificada a compatibilidade em face da Constituição Federal.
Diferentemente do Controle Difuso, a inconstitucionalidade é o MÉRITO neste controle, 
uma vez que no Difuso era a causa de pedir, pois servia de fundamento para a concessão do 
pedido da ação principal. Cabe salientar que não há partes.
O Controle é realizado por meio das Ações Constitucionais, quais sejam:
a) Ação Direta de Inconstitucionalidade ( ADI ou ADIN ): 
Busca a declaração de inconstitucionalidade daquela norma, mediante sua incompatibilidade
com a CF. Esta ação possui subtipos:
1.a) Ação Direta de Inconstitucionalidade