Responsabilidade civil - resumo direito unoesc
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Responsabilidade civil - resumo direito unoesc


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RESPONSABILIDADE CIVIL
	28.04.2014
Ato licito gera responsabilidade civil. 
Na era primitiva: a vindita \u2013 lei de talião - olho por olho, dente por dente. 
A vingança privada foi substituída pela composição com indenizações tarifadas, ou seja, a lei determina um valor a ser indenizado. 
Lex aquilia e suas inovações (direito romano) \u2013 foi nessa época que o juris consulto aquilio consegui separar a responsabilidade contratual da extracontratual, ou seja, uma coisa é causar um dano com quem você tem um contrato (contratual) e outra com quem não tem contrato (extracontratual \u2013 essa é a aquiliana). Também nessa época começou-se a desenvolver a ideia de culpa que não existia até então. 
Direito francês \u2013 código de napoleão: consagrou a responsabilidade civil com fundamento na culpa e também separou a pena da reparação do dano, além de outras contribuições. 
O primeiro julgamento que aplicou responsabilidade objetiva foi na França. Desenvolveu-se a teoria do fato da coisa. 
Conceito de responsabilidade civil: é o dever de reparar um dano causado pelo descumprimento de uma obrigação (não quer dizer que é um contrato) anterior. A obrigação pode ser legal, contratual ou pode ser genérica (que significa que todos temos a obrigação genérica de não lesar ninguém \u2013 \u201cneminem laedere\u201d).
Excepcionalmente, há responsabilidade sem obrigação e obrigação sem responsabilidade. 
Obrigação \u2013 schuld: 
- é um dever jurídico originário que pode ser contratual, extracontratual ou geral de não lesar. Exemplo de dever que não leva á responsabilidade \u2013 artigo 453, CC \u2013 quando o evictor não quiser indenizar pelas benfeitorias quem deverá indenizar o evicto é o alienante. Portanto, o evictor tem o dever de indenizar, porque é ele que ficará fruindo das benfeitorias, contudo se o mesmo não indenizar quem responderá por isso é o alienante. 
Exemplo: devedor do jogo ou da dívida prescrita. 
Responsabilidade \u2013 haftung: 
- Alguém pode ter responsabilidade civil sem ter descumprido obrigação alguma, por exemplo, o empregador que responde pelos atos do empregado \u2013 artigo 932, III. 
- é um dever sucessivo. 
Regra: primeiro preciso descumprir uma obrigação para depois responder. 
Exceção: o sistema admite que alguém descumpra uma obrigação e não responda por isso.
Diferenças: 
Responsabilidade penal:
- o objetivo é fazer com o sujeito pague com uma pena o que ele fez \u2013 expiação. 
- quem a deflagra: é o estado por meio do MP.
- prescinde de dano moral ou material. 
- quanto ao ônus da prova quem deve provar é o persecutor. 
- o sujeito precisa ser imputável. 
- a pena criminal é intransferível. 
Responsabilidade civil: 
- O objetivo é a reparação, ou seja, não tem escopo expiatório. 
- quem a deflagra: a própria vítima. 
- precisa de um dano moral ou material, porque não tem como alguém responder civilmente sem que haja um dano. 
- para responder civilmente não precisa ser capaz e nem imputável \u2013 artigo 928. 
A responsabilidade do incapaz é considerada subsidiaria, porque a lei previu uma ordem, ou seja, o incapaz só responde se as pessoas por ele responsáveis por ele não puderem fazê-lo. Por isso, primeiro é preciso buscar a reparação do responsável e apenas em hipóteses subsidiária do incapaz. 
Os responsáveis não terão obrigação de indenizar os danos que o incapaz causou quando, por exemplo, um menor ter cometido um ato infracional. Para a doutrina é apenas nesse caso que os responsáveis não tem obrigação de indenizar, de forma que apenas o adolescente poderá indenizar \u2013 ato infracional. 
Quando os responsáveis não tiverem meios suficientes para arcar com a reparação, sem que isso comprometa o seu mínimo existencial, deverá o incapaz arcar com a indenização, desde que tenha patrimônio. 
§único \u2013 a indenização deve ser equitativa/indenização mitigada \u2013 o juiz poderia condenar o incapaz a pagar um valor menor do que dano que ele provocou, 
Portanto, a responsabilidade civil do incapaz é subsidiária e mitigada. 
- na responsabilidade civil o ônus da prova é da vítima. 
- a responsabilidade civil é transferível, porque se o responsável civil falecer o dever de indenizar será dos herdeiros, nos limites da herança \u2013 artigo 943. 
O princípio da independência e suas exceções: 
Dano penal e civil podem ocorrer ao mesmo tempo, sem que isso implique necessariamente que o resultado de uma instancia não vincula necessariamente a outra, com base no princípio da independência \u2013 artigo 935. 
Exceções ao princípio da independência: o resultado da instância penal afeta a esfera cível, ou seja, a coisa julgada na esfera penal fará coisa julgada no cível. 
Sentença penal condenatória \u2013 condenou o sujeito porque se reconheceu que o mesmo é autor do crime e que o fato aconteceu, sendo que, nesse caso havendo dano cível, a obrigação de indenizar se transfere para o cível em que já haverá certeza do fato e do nexo de causalidade, de forma que já sabe quem é o autor. Assim, na esfera cível para liquidar os danos e executar, o que se denomina de ação civil \u201cex delicto\u201d \u2013 artigo 63, CPP, utiliza-se a sentença penal condenatória como título executivo, que deverá passar pela fase de liquidação.
Obs. Artigo 387, IV, CPP \u2013 valor mínimo da indenização. 
Absolvição por inexistência do fato: o réu é absolvido sob o fundamento de que o fato não existiu, isso fará coisa julgada no cível, de forma que não responde em nenhuma das duas esferas. 
Absolvição por inexistência de autoria: o réu foi absolvido porque não foi o autor do crime. 
Obs. é possível que o réu não seja condenado na esfera penal e seja condenado na esfera cível, porque as provas que se produzem na esfera cível são diferentes das penais. Portanto, se ele for absolvido por insuficiência de provas na esfera penal, isso não significa que não responderá civilmente, porque essa sentença penal não faz coisa julgada no cível. 
Portanto, as únicas decisões penais que influenciam no cível são as três exceções acima descritas, as demais não influenciam em nada na esfera cível.
Funções da responsabilidade civil: 
Punitiva/preventiva: sempre está junto com a função preventiva, porque são indissociáveis. Uma dos objetivos da responsabilidade civil é demonstrar a toda a sociedade que aquele que causa um dano deverá pagar por isso, ou seja, tem uma função pedagógica, isto, ensinar a todos que não se deve causar danos uns aos outros. São inseparáveis, porque o objetivo não é impor uma pena, mas sim ensinar a todos na sociedade que aquele que causa um dano será obrigado a indenizar. Portanto, visa prevenir que um novo dano aconteça. Essa é responsabilidade que prevalece na condenação pelo dano moral.
Reparação do dano: esse é o maior objetivo da responsabilidade civil, isto é, garantir à vítima a possibilidade de ser civilmente reparada no dano que suportou. É mais presente na responsabilidade civil objetiva. 
Pressupostos da responsabilidade subjetiva \u2013 artigo 186. 
Obs. A regra geral no Brasil é que a responsabilidade civil é SUBJETIVA. 
Ação ou omissão voluntária: negligencia ou imprudência estão abrangidas pela imperícia e estarão presentes quando o sujeito tem culpa. 
A ação deve ser voluntária, ou seja, depende da vontade do sujeito. Deve ter vontade e discernimento, de forma que para que haja vontade consciente é preciso que o agente seja capaz. Não se inclui o incapaz porque ele não pode agir com culpa. 
A omissão será fator de responsabilidade quando o sujeito tiver a responsabilidade contratual de agir e se abster voluntariamente. 
Culpa lato sensu: é preciso averiguar se o sujeito tem culpa ou não. 
Os civilistas evitam falar em dolo, de forma que dividem a culpa em strictu sensu e lato sensu. 
Culpa lato sensu \u2013 a vontade de agir ou se omitir e também a vontade produzir o dano, u seja, causar o prejuízo a outrem. Não é dolo, porque no direito civil esta palavra está alocada nos vícios de consentimento. 
Culpa strictu sensu \u2013 o sujeito age ou se omite voluntariamente, mas não queria produzir o dano. 
Aferição de culpa: 
Para determinar