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A linguagem oral infl uenciando os
modos de se conduzir o ensino
Ao fi nal da leitura desta aula, você deverá ser capaz de:
• Reconhecer diferentes alternativas metodológicas no
ensino em que prevalece a oralidade.
• Aplicar diferentes procedimentos de ensino no seu
cotidiano escolar.
OBJETIVOS
18aula
Pré-requisito
Ter feito a leitura e as 
tarefas das aulas anteriores
deste módulo.
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Didática | A linguagem oral infl uenciando os modos de se conduzir o ensino
Várias são as
linguagens 
faladas, sem 
instrumentos 
concretos para 
a manipulação, 
mas eviden-
temente um 
recurso ou uma
extraordinária 
construção viva.
É a linguagem
básica do meios 
de comunicação 
e também a 
forma de
apresentação 
do ensino mais 
tilizada: a
xposição oral
KENSKI, 1998,
61).
A LINGUAGEM ORAL INFLUENCIANDO OS MODOS DE
CONDUZIR O ENSINO
Precisamos pensar na dimensão 
social da ciência e da técnica e, 
com isso, superar a concepção 
de sermos apenas consumidores 
dessas tecnologias e sim entendê-
las como fruto de uma produção 
social.O uso que pode ser dado 
a essas tecnologias vai depender 
do tipo de sociedade que temos 
e, principalmente, do tipo de 
sociedade que queremos.
Nelson Pretto
A Exposição Oral 
Era através da fala que os antigos transmitiam seus 
mentos aos mais jovens. Foi, também, por meio da fala que, 
Média, Moderna e Contemporânea, o ensino lançou e lança 
alidade, só que de forma diferente.
Kenski (1998) diz que, na Antigüidade, os homens se sentavam 
em volta da fogueira para ouvir os ensinamentos dos sábios das tribos, 
que sempre passavam esses conhecimentos carregados “de sentimentos 
e afeto” (p. 62). Na Idade Média também foi a oralidade que prevaleceu 
nas situações de ensino.
Depois da Revolução Francesa, no começo da Idade Moderna, 
os ensinamentos também eram passados nas escolas por meio da 
oralidade, da técnica da exposição oral, com a grande preocupação de 
que os conhecimentos do mestre passassem para a cabeça dos alunos, 
se possível na íntegra. Isso se deveu ao fato de que, naquele momento, 
havia o objetivo de se manter e reproduzir a nova ordem social que, como 
diz Saviani (1984), exigia que os súditos do antigo regime passassem a 
cidadãos, o que não era muito fácil, devido ao número de ignorantes 
originários do regime feudal.
A exposição oral naquela época era dogmática, ou seja, ninguém 
discutia os saberes do professor, que, no meio de um grande número de 
"ignorantes", era quem detinha o saber. 
As características do ensino eram o autoritarismo do mestre; a 
valorização excessiva do conteúdo, que tinha um fi m nele mesmo e por 
isso distanciava-se da realidade do aluno; a avaliação utilizada de forma 
autoritária para punir o aluno. 
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8Tais características e mais a característica de formar um homem
em condições de adaptar-se à sociedade confi guram uma tendência de
educação denominada Tradicional, que segundo Libâneo (1991) ainda
é muito comum em nossas escolas hoje.
 Seguindo o raciocínio de Kenski, a oralidade está muito presente
na nossa sociedade. Hoje substituímos o encontro ao redor da fogueira
pela televisão, pois
...é também através do apelo à afetividade, à repetição, à
memorização de músicas, jingles, gestos e enredos, envolvendo
personagens fi ccionais, que se pretende que as idéias, informações,
valores, comportamentos, mensagens e apelos (principalmente
comerciais) sejam apreendidos (1998, p. 62).
Na escola da atual sociedade oral, ainda segundo Kenski,
encontramos o professor, o vídeo e a televisão no papel dos contadores
de história como na Antigüidade. No entanto, se temos ainda professores
que falam para seus alunos ouvintes como outrora, é sabido que esse
falar para os alunos é feito a partir da técnica da exposição oral, que é
ainda um procedimento válido muito utilizado pelos professores, mas
não mais com o caráter dogmático de antes. Libâneo nos diz que a
exposição “continua sendo um procedimento necessário desde que o
professor consiga mobilizar a atividade interna do aluno e a combine
com outros procedimentos” (1991, p. 161), muitas vezes apoiados em
recursos, tais como a utilização do vídeo e outros meios, que podem ser
usados antes, durante ou após a exposição do professor.
Quando a exposição oral se faz necessária? Quando o professor
vai apresentar um assunto novo; para estimular os alunos para o estudo
de um tema; para sistematizar os estudos feitos anteriormente pela turma;
quando há pouco tempo e um assunto extenso tem que ser trabalhado;
para explicar o que não fi cou bem entendido.
O fato de que o ensinar ensina o ensinante a ensinar
não signifi ca que o ensinante se aventure a ensinar
sem competência (FREIRE, 1998, p. 32).
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Didática | A linguagem oral infl uenciando os modos de se conduzir o ensino
Como a exposição oral deve ser utilizada? De preferência, de 
forma dialógica. 
Na aula expositiva dialógica, o professor começa considerando as 
experiências que os alunos dispõem sobre o tema a ser estudado.
Ao contrário do que acontece na aula expositiva tradicional, 
a aula expositiva dialógica valoriza a vivência dos alunos, seu 
conhecimento do concreto, e busca relacionar esses conhecimentos 
prévios com o assunto a ser estudado (LOPES, 2000, p. 43).
Uma forma de se desencadear um diálogo é problematizando, 
ou seja, questionando situações, fatos, idéias, fenômenos, “a partir 
de alternativas que levem à compreensão do problema em si, de suas 
implicações e de caminhos para sua solução” (LOPES, 2000, p. 43).
Freire diz que outra forma de se iniciar uma exposição é por 
meio da pergunta, que aguça a curiosidade do aluno e desenvolve uma 
atitude científi ca. No entanto, é fundamental que se compreenda que o 
papel do professor, como alguém que conhece o conteúdo da exposição 
há mais tempo do que os alunos, não é absolutamente anulado. “Como 
o sujeito que domina o saber, o professor dá ao conteúdo um caráter 
democrático” (LOPES, 2000, p. 45).
Além da importância de se tornar a exposição dialógica, alguns 
aspectos devem também ser considerados, como: o perfeito domínio do 
assunto pelo professor, objetividade, clareza, correção de linguagem, 
concatenação das partes de maneira lógica; o uso de outros procedimentos 
durante a exposição, como, por exemplo, o cochicho em que, sem sair do 
lugar, o aluno troca idéias com o seu colega do lado; o uso também de 
recursos que ilustrem o assunto que está sendo exposto, como exemplos 
práticos, o humor que, quando adequado, torna a exposição agradável 
e culminando numa síntese, de preferência junto com a turma.
Na exposição oral, o professor, na maioria das vezes, é o centro, 
mesmo numa exposição democrática ou dialógica. Mas em outros 
procedimentos, em que a oralidade predomina no decorrer das 
atividades, os alunos são o centro, como nos trabalhos de grupo.
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8O Trabalho de Grupo
Com a evolução dos estudos na área d
Psicologia, quando esta desponta como ciên
independente, passamos, na educação, a fundame
nossos estudos e práticas, a partir dos seus princip
postulados sobre o desenvolvimento da criança.
A psicologia trouxe descobertas fantás-
ticas para a educação, como a que prova ser a 
aprendizagem um processo individual, ocorrendo 
no indivíduo. Logo, o foco da aprendizagem tem 
que ser o que aprende e não o que ensina. E o 
indivíduo que aprende não