Caso Clínico Pneumonia
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Caso Clínico Pneumonia


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Isabele Caroline Almeida, Turma LV, Faculdade de Medicina de Taubaté, 2018 Práticas Integradoras lll 
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Universidade de Taubaté 
Departamento de Medicina 
Práticas Integradoras Clínicas lll - CC5 - 28/09/2018 
 
Paciente de 70 anos de idade, sexo feminino, aposentada, com antecedente patológico prévio de diabetes mellitus, é levada a 
uma Unidade de Emergência de sua cidade por seus filhos para avaliação médica. A paciente refere queixa de dispneia, com início 
nos últimos cinco dias e com piora progressiva do quadro. Ao início, a dispneia era de leve intensidade e ocorria somente aos 
esforços físicos, sendo que no momento a mesma é mais intensa, de caráter contínuo, ocorre mesmo quando está em repouso, 
com piora aos esforços físicos, com limitação para atividades habituais. Nos últimos dois dias iniciou com dor torácica, que é 
localizada na região de base de hemitórax direito, com irradiação para região dorsal direita, com piora à respiração mais 
profunda. Também apresentava tosse produtiva, com secreção amarelada em moderada quantidade, além de febre medida 
(39,0ºC) persistente, com melhora parcial com o uso de antitérmicos, além de sudorese fria, mal-estar, redução do apetite e 
sonolência. É diabética em uso regular de Metformina e alega controles glicêmicos inadequados ultimamente. Negou tabagismo e 
etilismo prévios. 
 
Ao exame físico observou-se que se encontrava hipohidratada e febril (38,8ºC), PA 110/80 mmHg, frequência cardíaca de 92 bpm. 
Aparelho respiratório com frêmito toracovocal aumentado, macicez à percussão e estertoração crepitante na base direita, com 
frequência respiratória de 22 ipm. Saturação de O2 de 94% em ar ambiente. Aparelho cardiovascular e abdômen sem 
anormalidades ao exame físico. Glasgow 15. 
 
Realizou exames laboratoriais e de imagem na urgência e observou-se: 
- Hemoglobina 14.0, hematócrito 42.0%, leucócitos 21.500 com 88% neutrófilos, plaquetas 220000; uréia 65 mg/dL, creatinina 1.0 
mg/dL, Na 138 mEq/L, K 4.1 mEq/L, glicemia 290 mg, PCR 115 mg, VHS 100mm, gasometria arterial (pH 7.40, PCO2 39 mmHg, 
PO2 95 mmHg, SaO2 95%, HCO3 21, BE - 0,3. 
- Radiografia de tórax evidenciou imagem de condensação na base pulmonar direita, com pequeno derrame pleural à direita. 
 
Pergunta-se: 
1) Qual o provável diagnóstico da doença? 
2) Quais são os possíveis diagnósticos diferenciais? 
3) Quais os prováveis fatores patológicos envolvidos e qual a explicação morfológica e molecular para a evolução da 
doença? 
4) Qual a explicação para os sintomas de dor torácica, em especial na região da base pulmonar direita? 
5) Quais exames foram primordiais para o diagnóstico da doença e quais foram as principais alterações laboratoriais 
observadas? 
6) Qual o tratamento indicado para esta doença? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Isabele Caroline Almeida, Turma LV, Faculdade de Medicina de Taubaté, 2018 Práticas Integradoras lll 
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CC5 - 28/09/2018 
\uf0b7 Dispneia: também chamada de falta de ar é um sintoma no qual a pessoa tem desconforto para respirar, normalmente com a 
sensação de respiração incompleta. É um sintoma comum a um grande número de doenças, em especial na área da cardiologia 
e pneumologia. Exemplos são as afecções pulmonares, as lesões no bulbo raquidiano ou as obstruções da laringe, etc. 
 
\uf0b7 Falamos em tosse produtiva quando existe produção de muco ou catarro. Este tipo de tosse pode ser: 
- uma evolução da tosse seca, quando a inflamação das vias respiratórias superiores implica uma produção de muco mais denso 
e viscoso que pinga do nariz para a faringe, onde se acumula; 
- a consequência de doenças infecciosas agudas e crônicas das vias respiratórias inferiores (traqueia, brônquios e pulmões) que 
provocam produção de muco. 
 
Falamos em tosse seca quando não existe produção de muco ou catarro. Neste caso, a tosse é desencadeada pela irritação e 
inflamação das vias respiratórias superiores devido a vírus, bactérias ou substâncias irritantes. É particularmente incomodativa 
e apresenta-se, em geral, nos primeiros dias das infecções virais do nariz e da garganta. 
 
\uf0b7 Frêmito: barulho, rumor, rugido | Vibração perceptível pelo tato, provocada por atrito de membranas ou turbulência de fluxo - 
o atrito entre as pleuras pulmonares; o som turbulento do ar passando pelo trato respiratório 
 
\uf0b7 Macicez: Característica daquilo que é maciço, compacto. Som abafado que se obtém pela percussão de órgãos maciços do 
corpo, como coração e fígado. 
 
ANÁLISE DO PACIENTE 
- presença de diabetes mellitus; 
- dispneia progressiva com início há cinco dias: a princípio era leve e piorava com esforços; agora é intensa e contínua; 
- apresenta dor na base de hemitórax direito com início há 2 dias, irradiação em direção ao dorso direito e com piora na 
inspiração profunda; 
- tosse com secreção, febre (melhora parcial com o uso de antitérmicos), sudorese fria, mal-estar, redução do apetite e 
sonolência; 
- uso regular de Metformina; 
- últimos controles glicêmicos inadequados. 
 
ACHADOS EXAME FÍSICO 
- hipohidratada; 
- febril (38,8ºC); 
- PA 110/80 mmHg; 
- frequência cardíaca de 92 bpm - um pouco elevada; 
\uf076 Até 2 anos de idade: 120 a 140 bpm; entre 8 anos até 17 anos: 80 a 100 bpm; adulto sedentário: 70 a 80 bpm; adulto 
que faz atividade física e idosos: 50 a 60 bpm. 
- aparelho respiratório 
\uf076 Frêmito toracovocal aumentado 
FRÊMITO Denomina-se frêmito torácico uma sensação vibratória que se percebe ao palpar a superfície do tórax de um indivíduo. 
Quando a vibração é produzida no momento em que ele fala, chama-se frêmito toracovocal ou no momento em que ele respirar, 
frêmitopleural e frêmito brônquico. Estes últimos só aparecem quando há afecções brônquicas ou pleurais. Ainda temos o frêmito 
pericárdico e o catáreo. 
o Frêmito toracovocal: a fala se origina a partir das cordas vocais, cujas vibrações se transmitem até a superfície do tórax, através 
da árvore brônquica, pulmões e pleuras. 
 
O frêmito toracovocal varia com a intensidade e tonalidade da voz, sendo mais evidente quando a mesma é mais intensa, mais 
nítido quando a voz for grave (homem) e mais tênue quando for mais aguda (mulher). 
 
De acordo com as leis da acústica, sabe-se que a transmissão do som é facilitada quando sua freqüência se aproxima da 
freqüência específica do corpo que o conduz, sendo dificultada quando diferente. A freqüência específica do pulmão é de 100 
vibrações por segundo, razão pela qual o parênquima pulmonar transmite bem a voz masculina, cuja freqüência está em torno 
de 130 vibrações por segundo, e transmite mal a voz feminina, cuja freqüência está em torno de 260 vibrações por segundo. 
Num indivíduo normal, os sons produzidos pela articulação da palavra chegam à parede torácica diminuídos de intensidade, em 
virtude de terem que atravessar meios de densidade diferentes, o que causa reflexão, refração e dispersão do som. 
De um modo geral, o frêmito toracovocal é ligeiramente mais intenso no hemitórax direito, em virtude de o brônquio principal 
direito ser mais calibroso que o esquerdo. Além das variações gerais, existem variações locais, apresentando-se o frêmito 
toracovocal mais intenso, onde a caixa torácica tiver maior amplitude, como acontece no homem, onde as vibrações são muito 
intensas nas bases. Na mulher, o frêmito toracovocal é menos intenso nas bases (o pulmão transmite mal a voz aguda) e mais 
nítido nos ápices, devido à proximidade da fonte de vibrações. 
 
Isabele Caroline Almeida, Turma LV, Faculdade de Medicina de Taubaté, 2018 Práticas Integradoras lll 
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Patologicamente,