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conservadora que exprimem, e isso pode ser
evidenciado quando o isolamento é rompido e o arcaico encontra o moderno – que
somente é moderno porque sempre há quem defenda o atraso.
§ A modernização é também aparente porque está
ligada exclusivamente à economia, não afetando os
valores sociais do tradicionalismo (RIBEIRO, 1995).
Darcy Ribeiro: a Empresa Brasil
§ O resultado pós-colonial direto é a nacionalização da classe dominante, que se
transforma sem resistência, instaurando a mesma lógica colonizadora que
continuaria a garantir o lucro.
§ A independência é concedida pela Inglaterra e imposta pelo monarca. Na prática,
o sistema permaneceu o mesmo, pois o povo ainda não trabalhava para si.
§ O Estado brasileiro, portanto, apresentou uma continuidade, e não uma ruptura,
incumbindo-se da missão de sustentar seu aparelho repressivo para manter o
regime antigo sob as formas do novo.
Darcy Ribeiro: a Empresa Brasil
§ Para Ribeiro (1995), os Brasis são quadros regionais que buscam decompor os
distintos e apressados processos de formação étnica que povoaram as diferentes
regiões, de diferentes maneiras.
§ Diferentes cenários brasileiros, ao invés da tradicional historiografia una do país.
§ Ritmos diferentes e influenciando a indianidade circundante espalharam-se pelo
território, como ilhas civilizatórias, para então estabelecer uma comunicação
entre si.
Três dimensões permeavam similarmente essas comunidades:
§ A identidade protobrasileira, a estrutura
socioeconômica colonial e sua economia
mercantil (RIBEIRO, 1995).
Darcy Ribeiro: os Brasis
§ Processos separatistas no Brasil Colônia, que buscavam novas ordenações
econômicas e uma fuga da tirania central e monopolizante, que era o Estado
brasileiro, foram reprimidos.
§ Todas as revoltas separatistas foram reprimidas militarmente, e a estabilidade
política ao longo da história mitigou os movimentos separatistas; mas, o ponto
que atravessa todos eles é a falta de um discurso identitário, pois não há o
entendimento de que um povo diferente vive dentro do território
brasileiro (RIBEIRO, 1995).
OS BRASIS
§ Crioulo
§ Caboclo
§ Sertanejo
§ Caipira
§ Gaúcho
§ Quadros regionais que buscam decompor os distintos
e apressados processos de formação étnica que
povoaram as diferentes regiões, de diferentes
maneiras.
Darcy Ribeiro: os Brasis
§ O Brasil crioulo:
§ O engenho foi a primeira agroindústria portuguesa.
§ A questão da mão de obra foi o grande impedimento de uma expansão mais
acelerada dos engenhos e os senhores só perdem força com a Revolução
Industrial.
§ “A senhorialidade do patronato açucareiro lembra, em muitos aspectos,
a da aristocracia feudal, pelos poderes equivalentes que alcança sobre a
população que vivia em seus domínios, pelo exercício da judicatura e pela
centralização pessoal do mando” (RIBEIRO, 1995, p. 287).
Darcy Ribeiro: os Brasis
§ O Brasil caboclo:
§ Observação das populações a partir da Amazônia:
§ Origens e mudança de territórios.
§ Integração forçada e violência.
§ Ao longo do tempo, a mudança foi drástica.
§ “Em nenhuma outra região brasileira a população
enfrenta tão duras condições de miserabilidade
quanto os núcleos caboclos dispersos pela floresta,
devotados ao extrativismo vegetal e, agora, também
ao extrativismo mineral do ouro 
§ A história da Amazônia revela três classes sociais:
§ A primeira consistia nos índios, que, isolados, defendiam-se de todas as
tentativas de serem escravizados ou de atentados contra as mulheres e as
crianças das tribos.
§ A segunda era a população urbanizada e diversa, que tinha como língua principal
o português e sustentava a colônia.
§ A terceira classe social era composta de índios oriundos das missões jesuítas,
considerados por Ribeiro (1995) como um povo novo e original.
Darcy Ribeiro: os Brasis
§ O Brasil sertanejo se espalha entre a caatinga e o cerrado, que apresentam uma
vegetação pobre e um clima hostil.
§ A economia das fazendas de gado desenvolveu-se associada ao ciclo do açúcar,
mas não gerou riqueza capaz de tirar a região da pobreza.
§ A dependência do mercado interno nunca gerou grande acumulação.
Segundo Ribeiro:
§ “O contraste dessa condição com a vida dos
engenhos açucareiros devia fazer a criação de
gado mais atrativa para os brancos pobres e
para os mestiços dos núcleos litorâneos”
(RIBEIRO, 1995, p. 342).
Darcy Ribeiro: os Brasis
§ O resultado dessa mistura entre pobreza e abundância populacional foi uma
relação de grande deferência com o patrão, regida pela lealdade pessoal e política.
§ A disputa por manter boa reputação junto ao patrão criou o comportamento dos
sertanejos e de suas famílias, já que viviam ilhados nas fazendas do patronato.
Entendiam que sem a proteção de um patrão, seriam jogados ao arbítrio do
Estado.
Darcy Ribeiro: os Brasis
§ O Brasil caipira:
§ Sul do Brasil, seguindo a costa nas regiões abaixo de São Vicente, a população
estava abandonada por Portugal.
§ Sem conexão marítima ou uma economia importante, essa população vivia em
sítios e arraiais de casebres pobres.
§ A miséria da população da região e sua proximidade com os índios
misturavam hábitos tribais com europeus, por exemplo, usar roupa, chinelas e
uma culinária mais refinada.
§ Falavam a língua geral, a variação do tupi escrita pelos jesuítas.
§ Miséria do paulista tornava-o um aventureiro
em potencial. Ele também sofreu um processo
deculturativo, pois perdeu a vida comunitária
e a disciplina patriarcal.
Darcy Ribeiro: os Brasis
§ Ouro:
§ A riqueza e a urbanidade constituíram também uma certa “classe média”,
composta por mulatos, negros e brancos.
§ Apesar da segregação racial, a música e a culinária se desenvolveram como
cultura da região.
§ Com o esgotamento do ouro, também a região entrou em decadência.
§ Os empobrecidos buscaram satisfazer suas
necessidades da maneira que podiam. A
sedentarização finalmente diminuiu o fluxo das
pessoas, prendendo-as à terra e criando hábitos.
Nascia o Brasil caipira e sua cultura.
Darcy Ribeiro: os Brasis
§ O Brasil gaúcho:
§ O Sul foi muito afetado pelo povoamento do Sudeste paulista, que engoliu o
território que antes era espanhol e o incorporou ao Brasil.
§ A cultura espanhola não deixou de influenciar a região, e sua composição étnica e
econômica não permite simplificá-la etnograficamente.
§ Naquela região viviam lavradores de origem açoriana, os chamados gaúchos, e os
gringos brasileiros, descendentes de imigrantes europeus.
Darcy Ribeiro: os Brasis
§ Ribeiro explica o resultado dessa pluralidade:
§ “A coexistência e a interação desses três complexos opera ativamente no sentido
de homogeneizá-los, difundindo traços e costumes de um ao outro. A distância que
medeia entre os respectivos patrimônios culturais e, sobretudo, entre seus
sistemas de produção agrícola - a lavoura de modelo arcaico dos matutos, o
pastoreio gaúcho e a pequena propriedade explorada intensivamente dos colonos
gringos - funciona, porém, como fixadora de suas diferenças” (RIBEIRO, 1995, p.
408).
§ Outro motivo apontado por Ribeiro para explicar o
abrasileiramento dessa região é a imigração europeia.
Darcy Ribeiro: os Brasis
Nas palavras do autor:
§ “Somam-se, assim, três fatores na formação da matriz gaúcha. Primeiro, a
existência do rebanho de ninguém sobre terra de ninguém; segundo, a
especialização mercantil na sua exploração; terceiro, o grau de europeização de
uma parcela mestiça desse contingente que a fazia carente de artigos de
importação e capaz de estabelecer um sistema de intercâmbio para trocar couros
por manufaturas” (RIBEIRO, 1995, p. 414).
§ O gado foi a principal atividade econômica.
§ Os conflitos fronteiriços eram intensos.
§ O Sul se urbanizou com um processo semelhante ao nordestino. As propriedades
rurais ofereciam condições de vida miseráveis, mas tornaram-se extremamente
populosas, uma vez que eram a única alternativa de subsistência da maioria do
povo. As gerações mais novas não se contentavam com isso e partiam

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