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A ENFERMAGEM E OS NOVOS MODELOS GERENCIAIS E ADMINISTRATIVOS

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A ENFERMAGEM E OS NOVOS MODELOS GERENCIAIS E ADMINISTRATIVOS 
 
 
Cassiana Turíbio Amaral1 
Jairo Falcucci Beraldo2 
Leonel Dangelo Queiroz Saraiva3 
Edicássia Rodrigues de Morais Cardoso4 
 
 
RESUMO 
 
Neste artigo discute-se a administração e o gerenciamento e sua aplicabilidade na gestão e 
administração como modelo nos paradigmas do enfermeiro enquanto gestor e administrador, 
abordando o movimento da qualidade no contexto histórico e as conseqüências da 
implementação destes programas para as organizações de saúde. Identificam-se, com base nas 
características histórico-estruturais das organizações hospitalares e dos conceitos e técnicas 
dos programas de qualidade, elementos que podem contribuir para seu sucesso ou fracasso, 
como forma de desenvolver uma visão crítica e delimitar melhor o alcance dos programas no 
incremento gerencial destas organizações. 
 
Palavras-chave: enfermagem, novos modelos gerenciais e administrativos. 
 
ABSTRACT 
 
This article discusses the administration and management and its applicability in the 
management and administration as a model in the paradigms of the nurse as manager and 
administrator, addressing the quality movement in historical context and the consequences of 
implementing these programs for healthcare organizations. It identifies, based on historical 
and structural characteristics of hospitals and the concepts and techniques of quality 
programs, elements that may contribute to its success or failure as a way to develop a critical 
view and to delimit the scope of the programs in increasing management of these 
organizations. 
 
Key words: nursing, new managerial and administrative models. 
 
 
 
 
 
1 Discente do curso de Enfermagem da Faculdade Estácio de Sá de Goiás-FESGO; 
2 Discente do curso de Enfermagem da Faculdade Estácio de Sá de Goiás-FESGO; 
3 Discente do curso de Enfermagem da Faculdade Estácio de Sá de Goiás-FESGO; 
4 Coordenadora e Docente do curso de Enfermagem da Faculdade Estácio de Sá de Goiás – FESGO, Bacharel 
em Enfermagem UFG, Pós-Graduada em Docência Universitária UFG, Mestre em Ciências da Religião 
PUC/GO. 
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INTRODUÇÃO 
 
 Observa-se nas últimas décadas, em vários países, uma mobilização em torno da 
aplicação de novas técnicas de ensino para aprimorar os programas de qualidade nas 
organizações hospitalares, com o objetivo de incrementar sua administração e seu 
gerenciamento para melhorar a eficiência destes serviços (Camacho, 1998). 
 Dentro deste contexto, desenvolve-se no Brasil, já há alguns anos, instrumentos 
oficiais de avaliação da performance das organizações hospitalares do Sistema Único de 
Saúde - SUS, utilizando-se um conjunto de critérios de ensino para que acadêmicos utilizem 
destes conhecimentos e façam com que os hospitais preencham, a partir de padrões 
preestabelecidos, tendo por base a aplicação de conceitos e técnicas da qualidade 
administrativa e gerencial (Quinto Neto, 2000). Fenômeno semelhante pode ser observado nos 
hospitais da rede privada suplementar, que fazem uso de certificações proferidas por 
organizações avaliadoras de reconhecimento internacional como diferencial de mercado, 
demonstrando uma crescente preocupação com a qualidade de gerenciamento e administração 
no âmbito de unidades de saúde e prestadoras de serviços de saúde por parte da enfermagem. 
 Conforme Costa (1996), atualmente, a adoção dos programas de qualidade no setor 
saúde está fortemente relacionada ao crescimento dos custos da assistência hospitalar, quando 
comparados ao gasto total em saúde. Nos últimos anos a agenda mundial de reforma do setor 
saúde adota um conjunto de ações com o objetivo de reduzir os custos da assistência à saúde 
dentro de uma política de atenção administrada bastante discutida entre acadêmicos da área da 
saúde, principalmente na Enfermagem. 
 Neste sentido, faz-se necessário uma ocorrência contumaz das disciplinas Gestão e 
Administração de Enfermagem, para que os hospitais passem a ter um melhor gerenciamento 
através de programas de qualidade. 
 
 
OBJETIVO GERAL 
 
Analisar novos modelos gerenciais e administrativos no contexto hospitalar e 
curricular do enfermeiro e a compreensão das disciplinas de Administração e Gestão 
aplicadas à Enfermagem atribuídas para enfermeiros que atuarão como gerentes ou chefes de 
enfermagem e relacionar o conhecimento adquirido nas disciplinas e a práticas vivenciadas 
pelo acadêmico, como Administração e Gestão Aplicadas à Enfermagem. 
 3
DESENVOLVIMENTO 
 
Dentre o conjunto de disciplinas, tem-se percebido uma articulação importante que diz 
respeito à inserção das disciplinas de Administração e Gestão no currículo de graduação em 
Enfermagem, tendo como pano de fundo o processo histórico de desenvolvimento das 
políticas públicas desde o início do século. É sabido que as políticas sanitárias do início do 
século estavam voltadas para o "controle" de doenças que ameaçavam a manutenção da força 
de trabalho e consequentemente a expansão das atividades econômicas capitalistas. Esse 
"controle" visava superar setorialmente as ameaças advindas do adoecer em massa, omitindo 
a análise da natureza das relações sociais que determinavam os processos de morbi-
mortalidade (COSTA, 1985). 
 
O SISTEMA DE SAÚDE BRASILEIRO E O MODELO MÉDICO-ASSITENCIAL 
PRIVATIVISTA E AS TEORIAS DE ADMINISTRAÇÃO. 
 
Conforme salienta MENDES (1994) neste século o sistema de saúde brasileiro 
transitou, do sanitarismo campanhista para o modelo médico-assitencial privativista, até 
chegar, nos anos 80, ao projeto neoliberal. Fica evidente que ao longo das diferentes décadas 
a evolução das políticas norteadoras do setor saúde no Brasil sofrem influência direta das 
políticas públicas contencionistas, sendo que a formação de recursos humanos na saúde vai se 
dando à reboque e não de modo prospectivo. Fica evidente, também, ao final da década de 60, 
a instauração de um modelo assistencial orientado para a acumulação de capital, traduzido 
pela tecnificação dos atos médicos, enfatizando a assistência hospitalar, a divisão técnica e 
social do trabalho, com tendência à especialização, fragmentação do processo assistencial e 
expansão de indústrias de medicamentos, instrumentais e equipamentos. 
 
Nesse processo vai se dando a mercantilização e expansão da medicina privada, 
dos convênios celebrados pela previdência com os hospitais, clínicas e 
laboratórios, direcionando a forma de pagamento por unidade de serviço. Nesse 
contexto a administração e a gestão na enfermagem exerciam o papel 
preponderante de controle dos recursos para a assistência, tanto no aspecto de 
recursos humanos como materiais, físicos e financeiros (ROCHA, 1985, p.167) 
 
Esse enfoque foi sustentado pelas teorias de administração, que mesmo introduzindo a 
dimensão das relações humanas como importante no contexto do trabalho, o faz de modo 
utilitarista. Com o movimento da reforma sanitária que culmina na perspectiva de 
implementação do Sistema Único de Saúde (SUS), vem à tona os paradoxos dos modelos 
 4
assistenciais que norteiam os diferentes projetos de intervenção em saúde. De acordo com os 
princípios e diretrizes do novo sistema proposto, a questão da gerência de serviços de saúde 
começa a ser rediscutida no sentido de viabilizar a articulação dos diferentes níveis de 
assistência na busca de soluções. 
Assim o planejamento, a organização e o gerenciamento dos serviços de saúde, tanto 
hospitalares quanto de unidades básicas ou especializadas devem ter como eixo norteador a 
assistência humanizada. Nesse sentido o modelo clínico de assistência é importante, mas não 
é suficiente. A partir