Trabalho MS
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MATHEUS ESPINOLA LINCOLN FERREIRA DOS SANTOS
RA: 131121529
	
AÇÃO POPULAR: CONTEXTO HISTÓRICO E CONCEITO
Trabalho prático, referente a pesquisa doutrinária, para obtenção de horas para a matéria de Prática Jurídica IV do Centro Universitário Curitiba. 
Professor: Horácio Monteschio
CURITIBA
2019
INTRODUÇÃO
 A Ação Popular encontra-se situada no universo das ações coletivas sendo os objetos destas ações direitos que vem a transbordar da esfera do indivíduo. Estes se contrapõem aos direitos individuais, usualmente disponíveis e determináveis, visto que por se tratarem de bens coletivos, a todos importam, determinada, não possuindo assim, único guardião apto a pleitear sua defesa.
 A ação popular visa o resguardo da moralidade no trato da coisa pública, podendo ser utilizada individualmente por qualquer cidadão, diretamente contra o agente causador da ilegalidade. 
 O Trabalho se propõe a uma breve discussão das principais características da ação popular, e seu surgimento.
CONCEITUAÇÃO
Com sua previsão encontrada no artigo 5, LXXIII, a ação popular, trata-se de ação coletiva, que permite ao povo, de forma direta, exercer a função fiscalizatória do Poder Público, com base no princípio da legalidade dos atos administrativos e no conceito de que a República é do povo.
Estabelece, a CF em seu artigo 5º, LXXIII:
 \u201cLXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência; \u201d
Ainda, a Lei nº 4.717/65, em seu artigo 1º dispõe que:
\u201cQualquer cidadão será parte legítima para pleitear a anulação ou a declaração de nulidade de atos lesivos ao patrimônio da União, do Distrito Federal, dos Estados, dos Municípios, de entidades autárquicas, de sociedades de economia mista (Constituição, art. 141, § 38), de sociedades mútuas de seguro nas quais a União represente os segurados ausentes, de empresas públicas, de serviços sociais autônomos, de instituições ou fundações para cuja criação ou custeio o tesouro público haja concorrido ou concorra com mais de cinquenta por cento do patrimônio ou da receita ânua, de empresas incorporadas ao patrimônio da União, do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios, e de quaisquer pessoas jurídicas ou entidades subvencionadas pelos cofres públicos\u201d.
 A parte legitima da ação popular é qualquer brasileiro dotado de direitos políticos, seja o brasileiro nato ou naturalizado, inclusive aquele entre 16 e 18 anos, e ainda, o português equiparado, no gozo de seus direitos políticos, possuem legitimação constitucional para a propositura da ação popular. 
 A comprovação da legitimidade será feita com a juntada do título de eleitor, ou do certificado de equiparação imposto dos direitos civis e políticos e título de eleitor, que queira tutelar em nome próprio interesse da coletividade para prevenir ou reparar ato efetuado por seus agentes públicos, ou a eles equiparados que houverem autorizado aprovado ratificado ou praticado pessoalmente o ato ou firmado o contrato impugnado, ou que, por omissos, tiverem dado oportunidade a lesão, como também, os beneficiários diretos do mesmo ato impugnado, ou ainda também a proteção da moralidade administrativa, do meio ambiente e do patrimônio histórico cultural.
Conforme decisão do STF, a ação popular é destinada:
\u201cA preservar, em função de seu amplo espectro de atuação jurídico-processual, a intangibilidade do patrimônio público e a integridade da moralidade administrativa\u201d
Bem como ensina, Hely Lopes Meirelles:
\u201cÉ um instrumento de defesa dos interesses da coletividade, utilizável por qualquer de seus membros. Por ela não se amparam direitos individuais próprios, mas sim interesses da comunidade. O beneficiário direto e imediato desta ação não é o autor; é o povo, titular do direito subjetivo ao governo honesto. O cidadão a promove em nome da coletividade, no uso de uma prerrogativa cívica que a Constituição da República lhe outorga\u201d
 Quanto ao momento de apresentação, as ações populares podem ser preventivas ou corretivas, sendo a primeira destinadas a prevenir um dano público e aquelas corretivas visando seja cessado o ato ilegal, bem como devidamente ressarcido o dano produzido à entidade administrada, por seus responsáveis.
CONTEXTO HISTÓRICO
 Em nosso ordenamento, é possível localizarmos a Ação Popular na Constituição Imperial de 1824, mas essa foi negada a partir do CC de 1916, vindo a se firmar definitivamente, entre idas e vindas, com a Lei 4717/65, ou Lei da Ação Popular, recepcionada na Constituição de 1988, em seu artigo 5°, inciso LXXIII.
 A Constituição de 1988 alargou a Ação Popular, que visa, basicamente \u201canular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural\u201d, abarcando também a administração direta, a administração indireta e as entidades nas quais o poder público tenha participação.
 Sendo a legislação que a regulamenta, anterior à Constituição vigente, suas diretrizes devem ser sempre adequadas aos preceitos constitucionais, estes, claramente superiores.
COMPETÊNCIA
 O artigo 5º da Lei 4.717/65, define que a competência para julgamento da ação popular é determinada pela origem do ato lesivo a ser anulado, via de regra, do juízo competente de primeiro grau, conforme as normas de organização judiciária.
 Ainda que se trate de ato praticado pelo Presidente da República, não haverá foro privilegiado, sendo competente a justiça de primeira instância.
 A competência originária do Supremo Tribunal Federal é admitida nos casos previstos no artigo 102, inciso I, alíneas f e n, da Constituição Federal de 1988: 
 Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I - processar e julgar, originariamente:
f) as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre uns e outros, inclusive as respectivas entidades da administração indireta;
n) a ação em que todos os membros da magistratura sejam direta ou indiretamente interessados, e aquela em que mais da metade dos membros do tribunal de origem estejam impedidos ou sejam direta ou indiretamente interessados;
Neste sentido, STF/AO 859 QO / AP - Julgamento em 11/10/2001:
EMENTA:
AÇAO ORIGINÁRIA. QUESTAO DE ORDEM. AÇAO POPULAR. COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL: NAO-OCORRÊNCIA. PRECEDENTES.
1. A competência para julgar ação popular contra ato de qualquer autoridade, até mesmo do Presidente da República, é, via de regra, do juízo competente de primeiro grau. 
 Precedentes.
2. Julgado o feito na primeira instância, se ficar configurado o impedimento de mais da metade dos desembargadores para apreciar o recurso voluntário ou a remessa obrigatória, ocorrerá a competência do Supremo Tribunal Federal, com base na letra n do inciso I, segunda parte, do artigo 102 da Constituição Federal.
3. Resolvida a Questão de Ordem para estabelecer a competência de um dos juízes de primeiro grau da Justiça do Estado do Amapá. (grifos de minha autoria)
CONCLUSÃO
Concluímos, portanto que a Ação Popular, constitui em uma forma de exercício da soberania popular, conforme dita a CF, em seu Art. 1 e Art. 14, permitindo ao povo, de forma direta, exercer a função fiscalizatória do Poder Público, com base no princípio da legalidade, dos atos administrativos e no conceito de que a República é do povo.
Dessa forma, a ação popular, portanto, se reveste de grande valia para todos os cidadãos que buscam uma sociedade mais transparente, ética e eficiente.
BIBLIOGRAFIA
Mandado de Segurança e Ações Constitucionais - Hely Lopes Meirelles, Arnoldo Wald e Gilmar
Direito Constitucional