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RESUMO DE GRANDES (EQUINOS)

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SISTEMA DIGESTÓRIO - EQUINOS
Depois da boca vem a faringe, esôfago (tubo de lúmen virtual), estômago (pequeno, esse animal deveria comer o dia inteiro várias vezes ao dia), intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo - maior porção do trato gastrointestinal), intestino grosso (ceco - cúpula fermentativa; cólons - ascendentes maior e descendente ou menor; reto e ânus). 
O intestino delgado além de longo é preso por mesentério que parece um véu de noiva. Isso predispõe a muitos problemas de torção pois ele é muito livre. O estômago e cólons já são mais presos na cavidade.  
Fatores predisponente a problemas nesse sistema
O cavalo tem estômago pequeno, relação ao tamanho dele;
O cavalo não vomita - cárdia muito potente, não permite fazer movimento anti retrógrado, o cavalo não tem o centro do vomito no sistema nervoso central, e o ângulo de entrada entre o esôfago e estômago é muito abrupto o que não permite que o alimento volte. Isso é um problema pois toda vez que tem repleção estomacal seria mais fácil jogar para fora para evitar problemas de ruptura estomacal, como nele isso não é possível ele pode ter essa ruptura; 
Cavalo tem longo mesentério e isso predispõe a problemas; 
Tem flexura pélvica que é uma curvatura abrupta no intestino, com alteração de 180 graus na passagem do alimento o que predispõe a muitas doenças; 
OBS.: Cavalo tem três flexuras, duas de posição que é a esternal e a diafragmática (elas se desfazem) e a pélvica que é a única flexura verdadeira pois ela não se desfaz. Essa flexura pélvica está entre o cólon ventral esquerdo e o cólon dorsal esquerdo e ela faz uma alteração abrupta de curva e de volume (é um trânsito dificultoso, dependendo do alimento pode entupir esse local). 
O cavalo é um herbívoro por natureza, faz fermentação cecal, ele deveria comer só volumoso (digestão no ceco), só que com a domesticação a alimentação dos cavalos mudou. 
Hoje ele come volumoso mais ressecado (feno), e concentrado o que predispõe muitos problemas pois é de difícil digestão (predominantemente intestino delgado). 
Exame clínico completo
Identificação 
Nome, raça (pônei forma pedra no intestino), idade (quanto mais senil mais predisposição a distúrbios), sexo. 
Histórico/Anamnese
Animal olhando para o flanco, cavando, rolando = sinais de cólica. Investigar o manejo alimentar, o que ele come, quanto ele come, quantas vezes por dia e onde esse alimento é armazenado. Saber se é vermifugado ou não (2 em 2 meses é o certo). Cavalo uma semana com cólica não pode ser torção mas pode ser gastrite. Se a cólica começou agora pode ser torção e pode ser gastrite. Saber se teve episódios anteriores. Se já foi tratado ou não. Defecação e micção. Ingestão de alimentos se foi recente ou não. Se tem algum tipo de vício (como aerofagia).
Exame físico
Tentar avaliar os parâmetros: hidratação, coloração das mucosas (perde o brilho e fica congesta no animal desidratado), TPC (aumenta no animal desidratado), e turgor de pele (aumenta no animal desidratado). Temperatura (normal é 37,5). FC (30-40 é o normal), e FR (aumentam no animal desidratado).   Motilidade deve avaliar a presença ou ausência (divide o flanco do animal em 4 quadrantes - dorsal esquerdo, ventral esquerdo, dorsal direito, ventral direito - e ouve porções intestinais diferentes na auscultação. Mas porções centrais se vê motilidade de cólon. Dorsal direito se ouve válvula íleo cecal (1 a 3 movimentos em 2 minutos). No dorsal esquerdo ouve intestino delgado. A motilidade normal (se usa 2 cruzes ++), hipomotilidade (1 cruz +), atonia intestinal (negativo -), e hipermotilidade (três cruzes +++). 
Isso tudo é muito rápido de ser feito. Se o animal está com cólica, devo ainda fazer sondagem nasogástrica para não perder esse animal com ruptura estomacal. 
Inspeção (atitude, comportamento, físico). 
Auscultação de ceco, delgado (tem borborigmo), cólon e íleo cecal. Dos dois lados. 
Palpação abdominal em potros e transretal em cavalo adulto. Avaliar posição, volume e consistência. Palpar do lado direito ceco, válvula íleo cecal. Do lado esquerdo palpar flexura pélvica (cólon dorsal, ventral, etc.), ligamento nefro esplênico (entre o baço e o cólon caudal). Na região medial palpar cólon menor. Intestino delgado não é palpável, se senti ele é sinal de problema. 
Sintomas de cólica 
Deitar, cavar, inquietação, olhar para o flanco, cara de sofrimento, sudorese intensa (dor).
OBS.: Sondagem tem que ser feita. Além de ser exame é um tratamento. Para realizar a sondagem existem três tipos de sondas que são flexíveis e siliconadas, de vários tamanhos. Tem uma posição adequada para sondar cabeça que é o mais contraída (ventrofletida), passa a sonda e ela bate na laringe aí você vê ele deglutir. O importante é que se a sonda está entrando muito fácil é porque está na traqueia, nesse caso o animal pode tossir também. Se ela está indo com dificuldade então está no esôfago e vai ter cheiro de conteúdo estomacal. A narina do cavalo é ampla, tem que passar sonda pela região mais ventro medial. Se eu passar sonda e sair pouco líquido está certo, mas se saiu muito tem coisa a mais ali. Tem que fazer uma avaliação macroscópica desse líquido que tende a ser esverdeada se ele comeu capim ou amarronzada se ele comeu ração. O odor é suis generis e o volume no máximo 15l que é o tamanho do estômago. Constituição do alimento (depende do que ele se alimentou). Medir o ph (levemente ácido é o normal, perto do 7), se está ácido deve ser distúrbio estomacal, mas se está mais alcalino está fazendo refluxo enterogastrico. Se escorrer sangue perisonda ignorar pois é normal romper alguns capilares na narina. 
O sistema digestório dos equinos começa na boca: podem ter problemas na boca – dentes, língua (embocadura).
Esôfago
Alimentação muito seca (feno muito ressecado, ração também pode formar embolo alimentar), engolir a ração muito rápido = obstrução esofágica (corpo estranho não é comum). Isso tudo ocorre normalmente em terço médio de esôfago. Obstrução é rara pois os equinos são seletivos na preensão de alimentos mas pode ocorrer com corpos estranhos ou mesmo alimento compactado.
Sintomas 
Animal fica com cabeça baixa, tem muita sialorréia, refluxo de saliva pelas narinas, incomodo, tentativa de deglutição, ânsia de vomito (para resolver isso tenta passar a sonda nasogástrica e só ela normalmente já resolve), estica o pescoço.
Tratamento 
Passagem de sonda com cuidado (pode infundir óleo mineral, agua quente para tentar dissolver a obstrução), vai tirando e colocando a sonda para tentar “cavar” (tratamento conservativo). Se não resolver, se faz endoscopia e esofagotomia (tratamento cirúrgico). 
OBS.: Pneumonia por falsa via é a principal preocupação. 
Estômago
Gastrite (inflamação da mucosa gástrica) e ulcera gástrica (perfuração da mucosa gástrica) = estresse é o principal fator predisponente (alteração de manejo, etc.).
O cavalo deveria comer pouco e o dia inteiro então o organismo libera ácido clorídrico o dia inteiro no estomago. O problema é que hoje me dia se coloca ele em baia e alimenta 2x ao dia. Também existe um fator genético hereditário relacionado a esses problemas. 
Terapia com AINE por longo período pode levar a uma gastrite. Fenilbutazona por exemplo, por 3 dias, já induz gastrite. Animais de alto desempenho são mais acometidos (mais estresse), e dar omeprazol é muito caro. As lesões mais comuns estão no margo plicatus (área de transição). 
OBS.: Região ventral de estomago = Região glandular = Ácido é produzido e já é jogado ali mesmo ela suporta mais a presença de ácido. Região glandular suporta menos a presença de ácido = mais comum ter ulcera e gastrite nessa região. 
Exame complementar
Gastroscopia/Endoscopia. 
Histórico
Alteração de comportamento (muito excitados – andando na baia ou prostração total)
Cólica recorrente
Dor silenciosa (sem sintomas)
FC não se altera, FR não se altera, auscultação não se altera, mucosa normal, hidratação normal
Animal com cólica sempre se passa a sonda, mas se ele tiver gastrite/ulcera,