Exercício de Hipóteses
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Exercício de Hipóteses


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Universidade Feevale \u2013 Curso de Psicologia
Estágio de Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
Exercício de Formulação de Hipóteses
Professora Orientadora: Juliana Pureza
Aluna: Larissa Furtado Mertins
Local: Escola Estadual José Inácio Plangg
Caso
Menina, Vitória (14 anos), foi encaminhada pela escola por apresentar dificuldade de sociabilização com os colegas, dificuldades escolares em algumas disciplinas (principalmente quando não se dá bem com o professores da mesma), obriga uma outra colega a copiar a matéria por ela, apresenta dificuldade de relacionamento interpessoal, onde se isola dos colegas e não quer interagir nas atividades de cunho social propostas pela escola, é \u201cdebochada\u201d além de faltar constantemente às aulas, abandonou o ano letivo de 2017 e reprovou o de 2018, agora se encontra no 7º ano. Na entrevista com a mãe, ela relata que em casa, o comportamento é de indiferença com os demais, retraimento (passa horas no celular) e fica muito tempo isolada no quarto, constantemente desobedece, e responde os pais. A mãe diz que ela vai para a aula quando quer e que não adianta forçar, mas que é uma menina tranquila, não dá outro tipo de trabalho, não sai sozinha, tem poucas amigas e o único lugar que sai é para a igreja e que vai para a aula com o irmão mais velho e que estuda na mesma escola. A família mora em uma casa, entre 6 pessoas: pai, mãe, 3 meninos (mais velhos) e Vitória. O pátio é dividido entre familiares, em uma casa mora o avô paterno e sua família, em outra, tios e primas. A mãe também contou que o irmão Alisson de 15 anos, evadiu-se da escola e está sendo acompanhando pelo conselho tutelar.
Em entrevista com Vitória, a mesma não demonstra preocupação com futuro, acredita que não há com que se preocupar agora. Justifica suas faltas dizendo que estava chovendo e por isso não vai para aulas em dias de chuva, pois mora a uma distância considerável da escola. Afirma que não gosta dos colegas da escola, que se relaciona melhor com 3 colegas da sala (2 guris e 1 guria), que adora incomodar os outros, ama rir e ser \u201cdebochada\u201d. Tem poucas amigas (fora da escola), mencionou três, mas que também brigou com duas porque queriam contar e/ou conversar com a mãe, e ela não deixou, pois desconfiou que estas amigas queriam contar um segredo para a mesma. Com uma amiga, ela mantém conversas pelo WhatsApp, por vezes se estendendo até as 4h da manhã, diz que essas amigas a amam como filha. Relata brigas conjugais dos pais, que torna insuportável a convivência, comparando-a com o \u201cinferno\u201d. Que o seu comportamento de desobediência é devido a omissão do pai e da mãe, que nenhum dos irmãos os respeitam ou acatam suas regras. A relação com as duas irmãs (que não moram na mesma casa) e com o irmão Henrique é boa, já com os outros dois irmãos é de indiferença. Disse que utiliza muito a rede social, sendo sua maior distração na maior parte do dia, afirma que quando quer chamar a atenção de alguém, põe uma frase triste ou dramática no status, que logo a chamam para conversar.
Considerando os principais sinais e sintomas apresentados no caso de Vitória, surgiram essas hipóteses: 
Transtorno de personalidade Borderline
As características que corroboram para a hipótese de transtorno da personalidade borderline é um padrão difuso de instabilidade das relações interpessoais, da autoimagem e de afetos e de impulsividade acentuada que surge no começo da vida adulta e está presente em vários contextos. Segundo o DSMV, Indivíduos com o transtorno da personalidade borderline tentam de tudo para evitar abandono real ou imaginado (Critério 1). A percepção de uma separação ou rejeição iminente podem levar a mudanças profundas na autoimagem, no afeto, na cognição e no comportamento. Sendo indivíduos sensíveis às circunstâncias ambientais. Vivenciam medos intensos de abandono e experimentam raiva inadequada mesmo diante de uma separação de curto prazo realística ou quando ocorrem mudanças inevitáveis de planos. Apresentam padrão de relacionamentos instável e intenso (Critério 2), o que podemos perceber na intensidade das relações de amizade de Vitória, que reflete a desilusão dessas amizades cujo um dia já foi idealizada e veio um rompimento abrupto não esperado. 
Vitória demonstra instabilidade afetiva devido a acentuada reatividade do humor (disforia episódica, irritabilidade) (Critério 6). O humor disfórico é interrompido por períodos de raiva, e é raramente aliviado por períodos de bem-estar ou satisfação. Esses episódios podem refletir o estresse interpessoais que Vitória diz ter quando estar em casa, em uma ambiente com brigas conjugais. Além do sentimento crônico de vazio (Critério 7). O DSMV ainda afirma que podem ser facilmente entediados, podendo constantemente estar buscando algo para fazer. Com frequência expressam raiva inadequada e intensa ou têm dificuldades em controlá-la (Critério 8). Podem demonstrar sarcasmo extremo, amargura persistente ou ter explosões verbais, que no caso de Vitória esse comportamento é recorrente.
Transtorno de personalidade Histriônica
Para a hipótese de transtorno da personalidade histriônica, o indivíduo é emocionalidade excessivo e difuso, além do comportamento de busca de atenção. Segundo o DSMV, surge no início da vida adulta e está presente em vários contextos. Vitória sente-se desconfortável e não valorizada quando não estão no centro das atenções (Critério 1), o comportamento em sala de aula, sendo a líder das atenções da turma, fecha com esse critério. Além de normalmente serem cheios de vida e dramáticos, tendem a atrair atenção para si mesmos e podem inicialmente fazer novas amizades por seu entusiasmo, abertura aparente ou sedução. Essas qualidades se extinguem, à medida que esses indivíduos demandam continuadamente ser o centro das atenções. Caso não sejam o centro das atenções, podem fazer algo dramático (p. ex., inventar histórias, criar uma cena) para atrair o foco da atenção para si, que é o que Vitória faz na rede social, para que as pessoas falem com ela em certos momentos. A expressão emocional pode ser superficial e rapidamente cambiante (Critério 3). Podem buscar elogios acerca da aparência e também ficar chateados de forma fácil e excessiva em virtude de algum comentário crítico sobre como estão ou por uma fotografia que porventura considerem não lisonjeira. Esses indivíduos têm um estilo de discurso excessivamente impressionista e carente de detalhes (Critério 5). Opiniões fortes são expressas de forma dramática, mas as razões subjacentes costumam ser vagas e difusas, sem fatos e detalhes de apoio, o que justificaria a relação de ambivalência com os professores. O DSMV afirma que indivíduos com transtorno da personalidade histriônica são altamente sugestionáveis (Critério 7). Suas opiniões e sentimentos são facilmente influenciados pelos outros ou por modismos presentes. Podem confiar em demasia, em especial em figuras fortes de autoridade que veem como capazes de solucionar de forma mágica seus problemas. Têm tendência a dar palpites e a adotar convicções rapidamente. Costumam considerar as relações pessoais como mais íntimas do que realmente são, nesse caso, na primeira entrevista Vitória já solicitou o nosso contato de WhatsApp para que pudéssemos conversar com ela fora da avaliação.
Transtorno de Oposição Desafiante
Na hipótese de transtorno de oposição desafiante, as características que fecham critérios são: o frequente e persistente humor raivoso/irritável, de comportamento questionador/desafiante ou de índole vingativa (Critério A). Vitória constantemente apresenta sintomas de humor raivoso/irritável como características comportamentais. Segundo o DSMV, os sintomas do transtorno de oposição desafiante podem se limitar a apenas um ambiente, mais frequentemente em casa, neste caso ele se manifesta em casa e na escola, o que traz prejuízo significativo em seu funcionamento social. A queixa da escola, corrobora com essa hipótese, sua postura é desafiante diante dos professores e colegas de sala, da mesma forma que se