2-FLUOROSCOPIA
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Núcleo de Tecnologia Clínica
 
2. FLUOROSCOPIA 
2.1 INTRODUÇÃO 
A história da fluoroscopia se inicia em 1896, 
junto com a descoberta dos raios X, quando o próprio 
Roentgen usou a propri-
edade dos elementos 
fluorescentes de absorve-
rem radiação e reemiti-
rem esta radiação na 
forma de luz para reali-
zar suas experiências. 
No ano seguinte, 
Thomas Edison inventou 
o que pode ser chamado 
de "o primeiro fluoros-
cópio". O fluoroscópio 
original era uma tela de Sulfídio de zinco-cádmio 
colocada sobre o corpo do paciente na direção do 
feixe de raios X. O radiologista permanecia direta-
mente em frente a janela, olhando uma imagem fluo-
rescente amarelo-esverdeada muito tênue. Estas 
primeiras experiências permitiam a visualização de 
órgãos internos, cujos movimentos podiam ser ob-
servados em tempo real, como na Figura 2.2. Mais 
tarde, óculos e espelhos foram desenhados para re-
mover o radiologista da radiação direta, no entanto, 
apenas uma única pessoa podia ver a imagem (figura 
2.3). 
 
 
Fig. 2.2. Médico usando o primeiro fluoroscópio. 
 
Além disso, o radiologista tinha que adaptar 
seus olhos a escuridão antes da fluoroscopia, o que 
significava utilizar uns óculos de proteção vermelhos 
até 30 minutos antes do exame. Assim, nos primeiros 
anos da nova técnica, os exames eram realizados em 
salas completamente escuras. Em 1941, os estudos de 
William Chamberlain sobre a fraca iluminação das 
telas de fluoroscopia resultou no desenvolvimento de 
intensificadores de imagem na década de 50. 
 
 
Fig. 2.3. Equipamento utilizado na década de 60. 
 
Os sistemas modernos de fluoroscopia são 
bem mais eficientes e menos nocivos que os seus 
antecessores mais remotos. O tubo de raios X está 
normalmente localizado abaixo da mesa do paciente. 
Acima do paciente é colocado o intensificador de 
imagem e outros acessórios radiográficos. A Figura 
2.5 a seguir mostra as partes componentes de uma 
fluoroscopia moderna. Alguns equipamentos podem 
ser operados remotamente de outra sala, reduzindo a 
zero a dose no radiologista. Há diferentes configura-
ções de fluoroscopia, porém em todos os casos o 
operador sempre irá enxergar uma imagem lumino-
samente fraca. Desta forma, a técnica da fluoroscopia 
exige um certo conhecimento de iluminação de ima-
gens e a fisiologia da visão. 
Apenas com o desenvolvimento de tubos de 
captura de imagem (para a televisão) no final da dé-
cada de 70 foi possível melhor a qualidade e a inten-
sidade das imagens fluoroscópicas. Hoje em dia, a 
imagem da tela fluoroscópica é captada pelo tubo de 
imagens e apresentado num monitor de televisão, o 
que permite, além do controle de brilho e contraste, a 
visualização e arquivamento do exame por várias 
pessoas simultaneamente. 
 
Fig. 2.1. Thomas Edison 
12 Parte 3 \u2013 RADIOGRAFIA ESPECIALIZADA 
 
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Fig. 2.4. Equipamento moderno de fluoroscopia 
digital. 
 
O exame de fluoroscopia, na maioria dos ca-
sos, produz pouca documentação ou registro, pois o 
exame constitui basicamente na visualização do mo-
vimento dos órgãos ou a evolução do contraste ao 
longo do tempo. A documentação, seja um filme 
radiográfico ou um fita de filme 35 mm, é realizada 
apenas em alguns momentos durante a realização dos 
exame para corroborar com o laudo a ser fornecido 
pelo médico radiologista. Em algumas situações, 
como a inserção de cateteres, recolocação de ossos, 
implantes de próteses, e outras intervenções cirúrgi-
cas, é comum a utilização do fluoroscópio como ins-
trumento de visualização interna do procedimento. 
Em todas as situações, o técnico em radiologia é res-
ponsável pela manipulação do equipamento, princi-
palmente controle de dose, posicionamento do 
paciente e auxílio ao médico na administração de 
contraste e remédios ou em situações de emergência. 
2.2 FISIOLOGIA DA VISÃO 
A fluoroscopia é um processo dinâmico on-
de, no início de seu uso médico, as imagens eram 
visualizadas em salas com baixíssima iluminação. O 
radiologista deveria não somente se acostumar com 
imagens em movimento como também a enxergar 
imagens tênues com baixa iluminação. Atualmente a 
tecnologia permite a observação através de monitores 
de vídeo até mesmo em salas remotas , dispensando o 
o uso de ambientes pouco iluminados. A seguir ve-
remos como reage o olho humano às condições de 
iluminação e qual a importância dos intensificadores 
de imagem, dispositivos fundamentais na fluorosco-
pia moderna. 
 
 
Fig. 2.6. Equipamento radiográfico com tela fluo-
roscópica. Há a necessidade de um escurecimen-
to da sala para que o radiologista possa ver a 
imagem. A dose recebida pelo paciente é propor-
cional ao tempo de execução do exame. 
 
2.2.1. Iluminação 
A principal vantagem da fluoroscopia com 
intensificador de imagem, sobre os primeiros fluo-
 
Fig. 2.5. Componentes de um fluoroscópio moderno. 
 FLUOROSCOPIA 13 
 
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roscópios do início do século, é o aumento do brilho 
da imagem. Tanto quanto é mais difícil ler o jornal 
sob a luz tênue do luar do que em uma sala bem ilu-
minada, também será mais difícil de interpretar uma 
imagem fluoroscópica escurecida do que interpretar 
uma imagem bem clara e nítida. E o que determinará 
a condição de uma boa iluminação será a capacidade 
do olho humano em distinguir as formas e as cores de 
acordo com o nível de intensidade luminosa presente 
no ambiente. 
 
 105 
104 
103 
102 
101 
100 
10-1 
10-2 
10-3 
10-4 
10-5 
10-6 mL 
sensibilidade 
dos cones 
sensibilidade 
dos bastonetes 
iluminação máxima 
permitida 
ra
di
og
ra
fia
 
céu nublado 
dia claro
lâmpada 
de leitura 
lua cheia 
cena com neve 
cinema 
fluoroscopia 
convencional 
flu
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Fig. 2.7. Escala de intensidade luminosa mos-
trando a sensibilidade do olho humano 
 
O nível de iluminação, ou quantidade de luz, 
pode ser medido em várias unidades: candela, lu-
mens, lux e lamberts. Em fluoroscopia, utiliza-se o 
lambert (L) ou o mililambert (mL) como unidade de 
medida da intensidade de luz. Na figura 2.7 podemos 
ver um gráfico representando a relação entre alguns 
tipos de intensidades luminosas e seus respectivos 
valores. A iluminação mais intensa permitida é de 
100 lamberts e eqüivale a um dia de sol forte, acima 
disto, há o risco de queima da retina. A iluminação 
mais fraca capaz de sensibilizar o olho humano é da 
ordem de 1 bilionésimo de lambert, abaixo do qual o 
olho não enxerga nada. As imagens radiográficas são 
diagnosticadas com uma iluminação entre 1 e 1000 
mL (de 0,001 a 1 lambert). Os equipamentos moder-
nos com intensificador de imagem apresentam o 
mesmo nível de iluminação que as radiografias. Des-
ta forma, o médico radiologista não tem dificuldades 
em associar as imagens vistas no negatoscópio com 
as imagens apresentadas durante a fluoroscopia, pois 
ambas terão muita semelhança no contraste entre as 
estruturas, que é a maior informação diagnóstica pre-
sente num exame radiológico. 
2.2.2. Visão humana 
As estruturas do olho humano que são res-
ponsáveis pela visão são os cones e os bastonetes. A 
luz incidente no olho deve primeiro atravessar a cór-
nea, uma membrana protetora transparente, em se-
guida passar pelas lentes, onde a luz é focada para a 
retina. Entre a córnea e as lentes há a íris, cujo com-
portamento é semelhante ao de um diafragma de câ-
mara fotográfica que controla a quantidade de luz 
que entrará no olho. Na presença de luz intensa, a íris 
se contrai e permite apenas a passagem de uma pe-
quena quantidade de luz. 
Ao contrário, em locais escuros, a íris se dila-
ta a permite que