Ciclo Menstrual e Lactação
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Ciclo Menstrual e Lactação


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da ovulação. Os oócitos vão sendo envolvidos por uma camada de células fusiformes do estroma, que são precursoras das células granulosas. O invólucro mais externo, que completa o conjunto, denominado folículo primordial, é a lâmina basal. Durante os diferentes estágios, desde a divisão mitótica das células gerrninativas até a constituição dos folículos primordiais, ocorre perda de material germinativo. Posteriormente, ainda na vida intra-uterina, parte dos folículos primordiais que iniciam o desenvolvimento não atingem a fase pré-antral e sofrem atresia.
FISIOLOGIA 
 Durante a vida uterina as oogonias sofrem mitoses e dão origem a oóciotos primários parados em prófase 1. Os ovócitos ficam quíescentes em prófase até o momento da ovulação. Os oócitos vão sendo envolvidos por uma camada de células fusiformes do estroma, que são precursoras das células granulosas. 
Durante a vida reprodutiva da mulher, geralmente iniciada na primeira metade da segunda década de vida e finda na segunda metade da quinta década de vida, totalizando aproximadamente 35 anos, somente 400-500 folículos primordiais terão desenvolvimento completo até a ovulação. O processo de crescimento e de atresia folicular é contínuo desde a infância até a menopausa, não sendo interrompido por gestação, ovulação ou períodos anovulatórios. Assim, mesmo a mulher que tome contraceptivo oral por longos períodos ou tenha várias gestações continua perdendo seus oócitos e atingirá a menopausa na mesma época que mulheres nuliparas (que nunca pariram) ou que não fizeram uso de contraceptivos. Embora a formação dos folículos primários pareça ser independente da ação das gonadotrofinas, o desenvolvimento nas etapas subseqüentes depende da ação das gonadotrofinas e dos estrogênios. 
FOLÍCULO PRIMÁRIO. A primeira etapa do desenvolvimento folicular é a transformação do folículo primordial em folículo primário, que se caracteriza pelo aumento do tamanho do oócito, formação da zona pelúcida e alteração do formato das células granulosas de plano para cubóide, sendo mantidas ainda numa única camada em torno do oócito. A zona pelúcida é uma camada de mucopolissacarídeos produzidos pelas células da granulosa que adere ao oócito, envolvendo-o completamente. As células granulosas estabelecem pontes (gap junctions) através da zona pelúcida para manter o contato com o oócito e assim preservarem contato com o mesmo.
FOLÍCULO SECUNDÁRIO. Na transformação do folículo primário para folículo secundário ocorre proliferação das células granulosas, constituindo-se múltiplas camadas e pontos de comunicações entre elas (gap junctions) e acúmulo de líquido entre as mesmas. Além disso, células mesenquimais estromais, de forma alongada, dispõem-se ao redor de toda a lâmina basal, constituindo a camada tecal. As células tecais mais próximas da lâmina basal tornam-se epitetióides e adquirem características secretoras, formando a teca interna. As células mais distantes da lâmina basal formam a teca externa. Na teca ocorre um processo de angiogênese para promover o suprimento sangüíneo do folículo. A camada de células granulosas mantém-se avascular, sendo suprida por substâncias que se difundem da camada tecal. Os folículos secundários maduros constituem o conjunto de folículos chamados de pré-antrais de primeira ordem. Esses foliculos têm diâmetro de 120 a 200 micrômetros. Cada conjunto de foliculos pré-antrais de primeira ordem formado inicia uma onda de desenvolvimento folicular.
 FOLÍCULO ANTRAL. Uma onda completa de desenvolvimento folicular, desde os folículos pré-antrais de primeira ordem até a ovulação de um de seus folículos, dura cerca de 85 dias. Portanto, o folículo que atinge a ovulação num determinado ciclo foi recrutado três ciclos antes. A onda de desenvolvimento folicular tem duas fases distintas. A primeira, a fase de desenvolvimento tônico ou lento, tem duração de 65-70 dias e é dependente de ação do hormônio folículo-estimulante (FSH). Nessa fase o folículo secundário préantral (ou folículo de primeira ordem) é transformado em folículo antral. O surgimento do antro ocorre durante a transformação do folículo de primeira ordem em folicuIo de segunda ordem, pela coalescência (ou junção) do líquido que se acumula e abre espaços entre as células granulosas. 
FOLÍCULO PRÉ-OVULATÓRIO OU FOLÍCULO DE DE GRAAF. Com o aumento do antro, o oócito e parte das células granulosas que o envolve são deslocados gradualmente em direção à periferia do folículo. O conjunto de células granulosas que envolvem o oócito forma o chamado "cumulus oophorus", que se mantém em continuidade às camadas de células granulosas que formam a parede interna do folículo. Assim, o oócito envolvido pelo "cumulus oophorus" flutua no líquido folicular, que se acumula de forma crescente durante o desenvolvimento folicular e promove o crescimento do antro associado ao aumento da parede folicular. Este folículo é também denominado de folículo pré-ovulatório ou folículo de De Graaf. 	
RECRUTAMENTO FOLICULAR. Dos folículos ovarianos, aqueles que apresentarem maior numero de receptores para o hormonio FSH serão selecionados para o processo de maturação folicular no ciclo menstrual subseqüente, em que um dos folículos recrutados atingirá a ovulação. Os folículos em desenvolvimento que não foram recrutados sofrerão atresia. Esse recrutamento é dependente de FSH e marca a primeira etapa da segunda fase de uma onda de desenvolvimento folicular, a fase de desenvolvimento rápido ou exponencial. As outras três etapas desta segunda fase são, em seqüência: seleção, dominância e maturação para ovulação. A segunda fase dura em tomo de 15 dias e é extremamente dependente de gonadotrofinas (FSH e LH).
 SELEÇÃO E DOMINÂNCIA FOLICULAR. 12 folículos em média são selecionados, e destes apenas dois possuirão maior numero de receptores para fatores de crescimento e por isso um dos folículos tem crescimento maior que os demais. Essa seleção vai desencadear um processo para estabelecer a dominância desse folículo sobre os demais folículos de ambos os ovários. O mecanismo pelo qual ocorre a seleção não é claro, mas esse folículo é diferenciado estrutural e funcionalmente. Ele apresenta maior capacidade de proliferação de células granulosas e de produção de estrogênios e, em conseqüência, armazena mais estrogênio no líquido antral, tem maior sensibilidade ao FSH, expressa receptores para LH nas células granulosas e produz outros fatores, entre os quais a inibina e o VEFG (ou fator de crescimento endotelial vascular). Com a seleção e o início do processo de dominância folicular e diminuição da secreção de FSH, devido à retroalimentação negativa, exercida neste caso principalmente pelo estrogênio, e talvez auxiliada pela inibina. O aumento do estrogênio, associado à queda na secreção de FSH, parece ser o mecanismo crítico para o processo de dominância folicular. Isto porque os folículos menos desenvolvidos ainda são dependentes de FSH e a redução deste hormônio provoca nos folículos menores a diminuição da produção de estrogênios e da sensibilidade. 									
LACTAÇÃO
A lactação é a fase final do ciclo reprodutivo completo dos mamíferos. Tem a importante função de assegurar a sobrevivência dos recém-nascidos por oferecer os nutrientes essenciais para o seu crescimento, uma vez que após o nascimento a criança perde a sua fonte de alimento através da placenta. 
O processo de lactação pode ser dividido em três estágios: 1) a mamogênese ou o crescimento e desenvolvimento da glândula mamária, que ocorre durante todo o período gestacional e a torna capaz de produzir leite; 2) a lactogênese, que é a síntese de leite pelas células alveolares e a sua secreção no lume do alvéolo, iniciando-se com a queda dos esteróides placentários após o parto, e a lactopoese, que é a manutenção da lactação já estabelecida e que depende da duração e da freqüência do hábito de amamentar; 3) a ejeção de leite, que é a passagem do leite do lume alveolar para o sistema de duetos até duetos maiores e a ampola, culminando com a liberação do leite para