Etica a nicômaco
8 pág.

Etica a nicômaco


DisciplinaFilosofia e Ética2.876 materiais77.579 seguidores
Pré-visualização2 páginas
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
 FACULDADE DE FILOSOFIA
 
 BEATRIZ STEPHANE PEREIRA DE LIMA
 
 ÉTICA I
 ÉTICA A NICÔMACO 
 LIVRO I
 
 GOIÂNIA
 2019
I \u2013 INTRODUÇÃO
O que somos e qual nossa finalidade? O que é felicidade? Questões como essas são as que Aristóteles vem tentando obter respostas em seu livro. Sendo também, objetivo deste trabalho detalhar de forma breve suas fases ate o foco principal que é a fase instrumental mecanicista. E por fim alcançar algo próximo do que seja o bem, o fim e a felicidade.
II \u2013 O necessário e o contingente
Para chegar a uma tese do que seria o bem, o fim e a felicidade. Temos antes outro \u201co que\u201d que é aquele que nos identifica. Afinal, O que somos? Existem características casuais ou contingentes que podem ser adquiridas ou perdidas com o tempo. Por outro lado subsistem atributos que definem o ser, sendo sua condição fundamental de existência. Há um elemento primário (ou essência) no qual sem ele deixamos de ser o que somos. E para Aristóteles, o ser humano e um animal (ser vivo) racional e social (político). Conforme afirma nesse trecho.
\u201cE na verdade, o que desde os tempos antigos, assim como agora e sempre, constitui o eterno objeto de pesquisa e o eterno problema: \u2018o que é o ser\u2019, equivale a este: \u2018o que é substancia\u2019 (e alguns dizem que a substancia é a única, outros, ao contrário, que são muitas e, dentre estes, alguns sustentam que são em numero finito, outros em numero infinito); por isso também nós devemos examinar principalmente, fundamentalmente e, por assim dizer, exclusivamente, o que é ser entendido neste significado.\u201d ARISTÓTELES. Metafisica. São Paulo: Loyola, 2002. P.289.
Aristóteles diz então que a substancia, além de permanecer faz de uma coisa ser o que é, enquanto suas propriedades podem sofrer mudanças. Sendo assim, as propriedades são contingentes e a substancia é necessária.
III \u2013 A fase instrumental mecanicista 
Conforme Aristóteles passa de sua fase idealista, ele também passa a rejeitar a mesma, e a teoria de Platão em relação ao corpo. A partir disso surge um novo fundamento que separa valores psíquicos e valores corporais. Sucedidos de sua nova concepção onde o corpo e a alma trabalham junto, desde que o corpo seja submisso a mesma, para que desse modo os desejos (paixões) não se sobressaiam. Também, em sua concepção, a alma não recebe transcendência, logo a mesma não é mais tida como imortal, como era no idealismo aristotélico.
Foi nessa fase que Aristóteles fundou o Liceu, sua escola. Escreveu também nesse período, o que hoje são consideradas suas principais obras: Metafisica, Retorica, Poética, Politica etc. E sua canônica Ética a Nicômaco.
IV \u2013 Ética a Nicômaco
De acordo com seus conceitos metafísicos, Aristóteles acredita que todas as ciências tem como ação central a busca das causas, mas, como as substancias são diferentes, distintas são as causas, então organizou o conhecimento cientifico em três sendo eles as: Ciências teoréticas, Ciências práticas e Ciências produtivas.
\u201cCiências práticas são aquelas cujas causas estão no âmbito do ser humano, ou seja, o ser humano é o agente e a finalidade das ações investigadas por essas ciências, como a ética e a politica. As ciências práticas se ocupam da maneira como os indivíduos devem agir diante das situações diversas, do mundo e da sociedade. Tratam das normas, dos valores e dos princípios de nossas ações e de nossos comportamentos. Essas ciências usam o saber para realizar uma ação ou com finalidade moral.\u201d MELANI, R. Diálogo: primeiros estudos em filosofia. São Paulo: Moderna, 2016.
Logo, a ciência prática visa um conhecimento que pretende a ação e eles englobam assim, a ética e a politica.
Foi então no período instrumental mecanicista que Aristóteles escreveu Ética a Nicômaco, a obra baseada em uma ciência prática. A ideia central do livro é chegar à conclusão do que seria felicidade, entretanto, ele também envolve as ideias da vida politica, virtude, sabedoria, prazer por além de um pessimismo, o bem e os fins para alcançar esse bem.
V - A virtude e meio termo
Para Aristóteles, o bem é a ação exercida de acordo com sua excelência ou virtude. A virtude por sua vez vai ser trabalhada a partir da razão (alma racional) e do equilíbrio (justo meio), uma vida que não se rende a extremos.
O filosofo Platão, ressalta que a virtude se identifica com a sabedoria, e o vicio, com a ignorância. Logo, a virtude pode ser aprendida, de modo que deve ser exercitada e se tornar um habito, para que a parte desiderante em nos não se sobressaia, levando em consideração quais são nossas disposições que fazem parte da nossa natureza. Assim como acresce Aristóteles.
\u201cAs armas que a natureza dá ao homem são a prudência e a virtude. Sem virtude, ele é o ímpio e o mais feroz de todos os seres vivos; nada mais sabe, por sua vergonha, que amar e comer.\u201d ARISTÓTELES. A Política. 2. Ed2 Bauru: Edipro, 2009. p. 17 
Conforme deve ser um costume ser virtuoso, a felicidade acaba por se tornar uma vida inteira e não só em momentos. Contudo, essa virtude deseja um justo meio, pois além da parte racional, possuímos também elementos irracionais da alma, como os afetos e paixões humanas (desejos) e a fim de dominar essa parte desiderante, Aristóteles desenvolveu a teoria mediana pelo qual toda virtude é boa quando é controlada no seu excesso e na sua falta.
VI \u2013 O fim (télos), o bem e a felicidade (eudaimonia).
Para Aristóteles, a uma finalidade na vida humana: o homem foi feito para ser feliz. Para o mesmo a finalidade de algo é sua própria essência, como por exemplo, a finalidade de um olho e ver, e tudo que cumpre sua função é bom, quando alcançado esse bem, se obtém a felicidade. Dai surge o termo \u201cvida feliz\u201d (em grego, eudaimonia).
Em a Ética a Nicômaco, uma vez que tudo que fazemos visa alcançar um bem ou o que nos parece ser um bem. Ao examinar os bens desejáveis, como os prazeres a riqueza e a honra, Aristóteles diz que esses mesmos não podem sem desfrutados \u201cdiretamente\u201d, pois pretendem fins além destes. Desses, nenhum pode ser a felicidade, mas servem como condição para chegar ao bem supremo.
O bem supremo, aquele ao quais todos os outros estariam subordinados, seria a felicidade. Viver bem é viver feliz, esclarece o filosofo.
\u201cRetomando nossa investiga, e diante do fato de todo conhecimento e todo proposito visaram a algum bem, falaremos daquilo que consideramos a finalidade da ciência politica, e do mais alto de todos os bens a que pode levar a ação. Em palavras, o acordo quanto a este ponto quase geral; tanto a maioria dos homens quanto as pessoas mais qualificadas dizem que este bem supremo é a felicidade, e consideram que viver bem e ir bem equivale a ser feliz [...].\u201d ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Nova Cultura, 1996. P. 120 (coleção os pensadores)
Ainda com o objetivo de atingir a felicidade, é necessário lembrar que o homem como ser social e politico, só estará satisfeita vivendo na polis, sendo assim as felicidades individuais e coletivas se coincidirão. Portanto, é impossível se atingir a felicidade sem que se faça a \u201ctarefa do homem\u201d. Aristóteles fala de uma vida mista, aonde o ideal seria \u2013 para alcançar a contemplação \u2013 ser filosofo e politico, pensar e agir. 
Sendo que faz parte da essência do ser, ser politico, temos a mesmo como uma finalidade, e que como todas buscam um bem. Dentro do bom, temos o justo (virtude). Desse modo, a politica tem como causa final que gera a eudaimonia, o bem comum.
VII \u2013 Conclusão
Com a