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resumo livro legislação social e trabalhista unopar 2019

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RESUMO 
Diálogo aberto 
O Direito do Trabalho surgiu historicamente no ápice do capitalismo 
industrial, na intenção de retificar algumas distorções econômico-sociais 
presentes no sistema econômico iniciado na Inglaterra, no século XVIII, 
denominado pelos historiadores de Revolução Industrial. 
Como produto do capitalismo industrial, o Direito do Trabalho fixou 
controles para esse sistema econômico, conferindo-lhe certa medida de 
civilidade, na intenção de minimizar ou eliminar meios perversos de utilização 
da força de trabalho pela economia. A existência do trabalho livre nas 
indústrias permitiu o surgimento do trabalho subordinado. 
Subordinação: Trata-se de uma situação jurídica em que o 
trabalhador se obriga a seguir a forma de direção do empregador sobre o modo 
de realização da prestação de serviços. A subordinação diverge da ideia de 
sujeição pessoal presente nas relações jurídicas escravistas e servis, porque a 
sujeição pressupõe falta de liberdade pessoal, o que não ocorre com o trabalho 
livre e subordinado nas fábricas europeias do século XVIII. 
As primeiras manifestações em prol da regulamentação das relações 
de trabalho tiveram o propósito de reduzir a violência brutal da superexploração 
sobre mulheres e menores. A economia global e o alto custo dos direitos 
sociais, a partir da década de 1980-1990, colocaram em xeque o princípio 
protetor do direito do trabalho e conclamaram a necessidade de flexibilizar os 
direitos trabalhistas. 
O Brasil, por sua vez, também presenciou a evolução e a 
consolidação do Direito do Trabalho, principalmente, a partir da década de 
1940, cujo ápice ocorreu com a promulgação da CLT- Consolidação das Leis 
do Trabalho, em 1943. A Constituição Federal brasileira de 1988 positivou 
diversos direitos trabalhistas já conquistados e avançou, no sentido de garantir 
direitos básicos aos trabalhadores, o mínimo existencial, ou seja, direitos 
essenciais a uma vida digna. 
“O fenômeno da flexibilização é encarado sob o enfoque da 
„desregulamentação normativa‟, imposta pelo Estado, a qual consiste em 
derrogar vantagens de cunho trabalhista, substituindo-as por benefícios 
inferiores”. Em outras palavras, flexibilizar direitos trabalhistas seria o mesmo 
que retirar a imperatividade de algumas normas, permitindo que as partes – 
trabalhador e empregador – estipulem, livremente, cláusulas no contrato de 
trabalho. 
Dessa forma, a flexibilização tem a intenção de amenizar essa 
imperatividade e, assim, proporcionar às partes a livre estipulação de regras 
em uma relação de trabalho. A flexibilização dos direitos trabalhistas parte do 
princípio de que se faz necessário avançar no sentido de não mais tratar o 
trabalhador como um hipossuficiente (pessoa com condições técnicas, 
econômicas ou sociais inferiores), mas uma pessoa apta a negociar o seu 
contrato de trabalho. 
Embora o Direito do Trabalho esteja vinculado à economia, ele tem 
um papel importante, que é a elevação do nível social dos trabalhadores, por 
meio da redução da disparidade socioeconômica. A Lei nº 13.467/2017, 
publicada em 13 de julho de 2017, conhecida como Reforma Trabalhista, teve 
a intenção de alterar diversos dispositivos legais da CLT (Consolidação das 
Leis do Trabalho), mediante a flexibilização das relações trabalhistas. 
Flexibilizar não é desregulamentação de direitos, pois isso é vedado, 
pois derroga leis e direitos. 
Direito do Trabalho como um conjunto de princípios e regras 
jurídicas que regem a prestação de trabalho subordinada ou outras similares, 
por meio da tutela do trabalho. Na concepção de Delgado (2016), o Direito do 
Trabalho pode ser definido como um complexo de princípios, regras e institutos 
jurídicos que regulam a relação de emprego e outras relações de trabalho 
normativamente especificadas. 
O Direito do Trabalho pode ainda ser dividido em dois campos 
distintos: o Direito Individual do Trabalho e o Direito Coletivo do Trabalho. 
O primeiro consiste no conjunto de normas que consideram, individualmente, o 
empregador e o empregado, unidos numa relação contratual, tal como ocorre 
quando um trabalhador celebra um contrato de trabalho com uma empresa; 
enquanto o Direito Coletivo se destina a regulamentar as relações coletivas 
entre empregados, empregadores e suas entidades sindicais, quando, por 
exemplo, a empresa celebra um acordo coletivo com o sindicato, criando 
normas e condições de trabalho. 
Os Princípios Jurídicos ou Princípios Gerais Do Direito são ideias 
fundamentais, que emanam da consciência social, sobre a organização jurídica 
de uma comunidade. São espécies de valores considerados relevantes para a 
sociedade, tais como justiça, liberdade, paz, dignidade da pessoa humana, etc. 
PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO: prescreve a necessidade de optar pela 
norma e pela condição mais favorável ao trabalhador. Ele parte da ideia de que 
o trabalhador é a parte mais fraca na relação de emprego (o hipossuficiente) e, 
por isso, merece proteção. Esse princípio se divide em três: 
 Norma mais favorável ao trabalhador: numa determinada 
situação, estivermos diante de duas ou mais normas a serem aplicadas, 
deveremos optar pela norma mais favorável ao trabalhador, 
independentemente da sua hierarquia. 
 Condição mais benéfica: Em regra, situações vantajosas 
que se incorporaram ao patrimônio do empregado, por força do contrato 
de trabalho, não poderiam ser posteriormente retiradas. 
 In dubio pro operário: se reduz, em síntese, a proteger o 
trabalhador, parte mais fraca na relação de trabalho. No caso de dúvidas 
em relação à interpretação de uma norma jurídica, optar-se-á pela 
interpretação mais favorável ao trabalhador. 
 
O PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE é outro princípio 
essencial do Direito do Trabalho. Sua intenção é impedir que documentos 
formais prevaleçam sobre a verdade. Muitas vezes, o contrato de trabalho não 
retrata a realidade, ou seja, a situação de fato e a real condição de trabalho. 
Nesse caso, devemos desprezar a ficção jurídica e sempre nos pautar pela 
verdade. 
O PRINCÍPIO DA IRRENUNCIABILIDADE tem o propósito de limitar 
a autonomia da vontade das partes na negociação, ao defender a 
irrenunciabilidade de muitos direitos trabalhistas, não podendo o trabalhador 
dispor deles, ainda que essa seja sua vontade. 
Por isso, o referido princípio objetiva impedir a renúncia de direitos, 
porém sem impedir o trabalhador de negociar o modo de exercício de direitos. 
A título de exemplo, veja o caso das férias: o trabalhador pode negociar com o 
empregador quando e como as férias serão usufruídas, nos limites impostos 
pela lei, mas não poderia simplesmente renunciar ao seu direito às férias. 
O PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE, por sua vez, tem por fundamento 
a preservação do emprego, eis que um trabalhador empregado proporciona 
segurança econômica e permite incorporá-lo, aos poucos, na atividade 
empresarial. 
PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE, aplicável em todos os campos do 
Direito. Está intimamente ligado ao princípio da boa-fé (agir com padrões éticos 
e morais numa relação) e se constrói sobre os valores da razão e da justiça. 
Seu pressuposto é o de que o ser humano adote condutas e tome atitudes com 
bom senso, e não de forma arbitrária. 
O princípio da razoabilidade também contribui para a imposição de 
limites ao poder diretivo do empregador, na intenção de resguardar a dignidade 
e a intimidade do empregado, permitindo ainda a efetivação da função social 
da empresa. 
“A renúncia é uma manifestação unilateral de vontade do titular do 
Direito (o empregado), que simplesmente abre mão de seu direito.” Mesmo 
sendo possível a renúncia por parte do empregado, desde que feita