Da pessoa jurídica
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Da pessoa jurídica


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DA PESSOA JURÍDICA 
Art. 40 a 52, CC/02 
 
As pessoas jurídicas, denominadas pessoas coletivas, civis, morais, fictícias 
ou abstratas, podem ser conceituadas como sendo conjuntos de pessoas ou de 
bens arrecadados, que adquirem personalidade jurídica própria por uma ficção legal. 
Personalidade ao grupo, distinta da de cada um de seus membros, passando 
este a atuar na vida jurídica com personalidade própria. 
 
Pessoas Jurídicas de Direito Privado: 
 
- Associações 
- Fundações 
- Sociedades 
- Organizações religiosas 
- Partidos políticos 
- Eireli 
- Sindicatos 
 
Pessoas Jurídicas de Direito Público interno: 
 
- União 
- Estados, o Distrito Federal e os Territórios 
- Municípios 
- Autarquias, inclusive as associações públicas 
- Demais entidades de caráter público criadas por lei. 
 
Direitos da personalidade 
 
A respeito dos direitos da personalidade da pessoa jurídica, reconhecidos por 
equiparação, admite-se a possibilidade de a pessoa jurídica sofrer dano moral, 
segundo a Súmula 227 do STJ, e o art. 52, CC. 
O dano moral da pessoa jurídica atinge a sua honra objetiva (reputação 
social), mas nunca a sua honra subjetiva, eis que a pessoa jurídica não tem 
autoestima. 
A pessoa jurídica \u200bde direito público\u200b não tem direito à indenização por 
danos morais relacionados à violação da honra ou imagem. (Resp 1.258.389/PB) 
 
 
 
Início da personalidade da pessoa jurídica 
 
CC, art. 45: Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito 
privado com a inscrição do \u200bato constitutivo\u200b no respectivo\u200b registro\u200b, precedida, 
quando necessário\u200b, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se 
no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. 
Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas 
de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua 
inscrição no registro\u200b. 
 
Requisitos para criação: \u200bVontade humana criadora, objeto lícito e ato constitutivo. 
Aquisição da personalidade pela pessoa jurídica:\u200b Ato constitutivo + Registro 
(Natureza Constitutiva - art.46,CC) = Personalidade. 
Código Civil:\u200b O Código Civil adota a\u200b Teoria da Realidade Técnica\u200b, uma vez que a 
pessoa jurídica, para existir, depende do ato de constituição dos seus membros, o 
que representa um exercício da autonomia privada. 
 
 
Registro do ato constitutivo! 
 
 Registro do ato 
 Constitutivo 
 
Cartório de Registro de 
Pessoa Jurídica 
Associações e Fundações 
Estatutos 
Sociedades Simples 
Contrato social 
Junta Comercial Sociedades Empresárias 
Contrato social 
Cooperativas e 
Sociedades anônimas 
Estatutos 
Registro Especial Partidos Políticos 
TSE 
Sindicatos 
Ministério do Trabalho 
 
 
 
Presentação 
 
Por não poder atuar por si própria, a pessoa jurídica, como ente da criação da 
lei, deve ser presentada por uma pessoa natural, exteriorizando sua vontade, nos 
atos judiciais ou extrajudiciais. Pelo art. 47, CC, todos os atos negociais exercidos 
pelo presentante, dentro dos limites de seus poderes estabelecidos no estatuto 
social, obrigam a pessoa jurídica, que deverá cumpri-los. Contudo, se o presentante 
extrapolar estes poderes, responderá pessoalmente por este excesso. 
Em regra, essa pessoa é a indicada no ato constitutivo da Pessoa Jurídica. 
Na sua omissão, a presentação será exercida por seus diretores. Se a pessoa 
jurídica tiver administração coletiva, as decisões serão tomadas pela maioria dos 
votos, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso (art. 48, CC). 
Dispositivos relevantes: arts. 46, inciso V e 47 do CC e art. 12, incisos I e II (para as 
Pessoas Jurídicas de Direito Público) e inciso VI (para as Pessoas Jurídicas de 
Direito Privado) do CPC. 
 
 
Associações & Fundações 
 
Associações Fundações 
PJ Direito Privado- art. 53, CC PJ Direito Privado- art. 62, CC 
Conjunto de pessoas 
Universitas personarum 
Pelo fato de serem constituídas por 
pessoas, as associações são uma 
espécie de corporação. 
Conjunto de bens 
Universitas bonorum 
Fins não econômicos (termo impróprio) 
Fins não lucrativos (Enunciado 534) 
Fins altruísticos, científicos, artísticos, 
beneficentes, religiosos, educativos, 
culturais, políticos, esportivos ou 
recreativos. 
Fins não econômicos(termo impróprio) 
Fins não lucrativos. 
Pode ter ou não fim social/ assistencial. 
Com fim social é chamada de \u200bentidade 
de interesse social. \u200b \u2190 \u2192 / \u2192 \u2190 
Deve ter fim social. 
\u2190 \u2192 
A CF garante a liberdade de associação 
para fins lícitos (direito positivo). A CF 
garante que ninguém é obrigado a 
manter-se associado (direito negativo). 
Podem ser privadas ou públicas. 
Artigo 54 CC: Estatuto deve ter, sob 
pena de nulidade, os requisitos de 
admissão, demissão e exclusão de 
associado. 
Elementos formadores: patrimônio + fim 
Patrimônio deve ser livre e suficiente, 
pois se não for, será aproveitado por 
outra fundação. 
O fim é sempre social. 
Artigo 55, CC: Associados devem ter 
direitos iguais, m\u200bas o estatuto poderá 
instituir categorias com vantagens 
Criada por meio de Ato de dotação dos 
bens por escritura pública ou disposição 
de última vontade. 
especiais. 
Quadro: Diretoria e Assembléia Geral. 
Para dissolução, os bens 
remanescentes serão destinados à 
outra instituição similar prevista no 
estatuto (art. 61) ou, se omisso, para 
instituição pública. 
Elaboração do Estatuto: direta ou 
fiduciária (tem prazo e se 
omisso por 180 dias, o MP faz) 
MP aprova o estatuto \u2013 indefere 
requerimentos de fundação com 
finalidade fútil ou voltada para interesse 
particular de pessoas. 
Alteração do estatuto é livre e a 
aquisição de bens é livre. 
Extinção da fundação se o fim se tornar 
ilícito ou vencimento de prazo de sua 
existência. 
RE 201.819 (Expulsão do associado \u2013 
artigo 57). 
Quadro: Conselho de Curador, chamado 
Conselho de Administração ou Conselho 
Superior; Diretoria Executiva; Conselho 
Fiscal (facultativo). 
 Alteração do Estatuto após oitiva do 
MP. 
 
 
Justiça Gratuita! 
 
\u201cPESSOA JURÍDICA. NATUREZA FILANTRÓPICA. JUSTIÇA GRATUITA. 
A Corte Especial, por maioria, conheceu dos embargos e lhes deu provimento, 
sufragando a tese de que, no caso das pessoas jurídicas sem fins lucrativos, de 
natureza filantrópica, benemerência etc., basta, como as pessoas físicas, a simples 
declaração da hipossuficiência coberta pela presunção juris tantum para a 
concessão da Justiça gratuita.\u201d 
EREsp 1.055.037- MG, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, julgados em 15/4/2009 \u2013 
INFO 390/STJ 
 
 
 
Desconsideração da personalidade jurídica 
 
A pessoa jurídica tem existência distinta dos seus membros. Mas tal regra 
pode ser afastada, nos casos de desvio de finalidade ou abuso da personalidade 
jurídica, situações em que merece aplicação o art. 50, CC, que trata da 
desconsideração da personalidade\u200b. 
Tal instituto permite ao juiz não mais considerar os efeitos da personificação 
da sociedade para atingir e vincular responsabilidades dos sócios, com intuito de 
impedir a consumação de fraudes e abusos por eles cometidos, desde que causem 
prejuízos e danos a terceiros, principalmente a credores da empresa. Dessa forma, 
os bens particulares dos sócios podem responder pelos danos causados a terceiros. 
 
Enunciado 284, JDC: As pessoas jurídicas de direito privado sem fins 
lucrativos ou de fins não-econômicos estão abrangidas no conceito de abuso da 
personalidade jurídica. 
Os bens da empresa também poderão responder por dívidas dos sócios, por 
meio do que se denomina como \u200bdesconsideração inversa ou invertida\u200b. 
 
Teoria \u201cultra vires societatis\u201d! 
Segundo esta teoria, de origem anglo-saxônica, regulada no Art. 1.015 CC, é 
nulo o ato praticado pelo sócio que extrapole