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Revista TRT 5ª Região - A boa-fé objetiva e a impossibilidade de deduzir pretensão indenizatória após o término do período de estabilidade gravídica

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Ano II, n. 3, Out. de 2013
1
Escola Judicial
Ano II | nº 3 | Outubro 2013
Edição em homenagem aos 70 anos da CLT
REVISTA ELETRÔNICA
DO TRIBUNAL REGIONAL
DO TRABALHO DA BAHIA
ISSN 2317-9155
Ano II, n. 3, Out. de 2013
2
REVISTA ELETRÔNICA DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA BAHIA
PRESIDENTE
Desembargadora Vânia Jacira Tanajura Chaves
VICE PRESIDENTE
Desembargadora Yara Ribeiro Dias Trindade
CORREGEDOR REGIONAL
Desembargador Valtércio Ronaldo de Oliveira
VICE CORREGEDOR REGIONAL
Desembargador Luiz Tadeu Leite Vieira
DIRETOR DA ESCOLA JUDICIAL
Desembargador Edilton Meireles
CONSELHO EDITORIAL
Ministro Cláudio Brandão 
Desembargador Edilton Meireles
Juíza Andréa Presas
Juiz Luciano Martinez
Juíza Marília Sacramento
Juiz Murilo Sampaio
Juíza Silvia Teixeira
ORGANIZAÇÃO
Ana Lúcia Aragão
PROJETO GRÁFICO E EDITORAÇÃO
Marcelo Edington de Magalhães
Emanoel Almeida
IMAGENS
www.sxc.hu
www.trt5.jus.br/escolajudicial
Ano II, n. 3, Out. de 2013
3
APRESENTAÇÃO 
ARTIGOS
Recurso Ordinário nº 
0001108-28.2011.5.05.0612
| Desembargador Alcino 
Felizola p.154
Recurso Administrativo nº 
0009049-51.2013.5.05.0000 
| Desembargadora Ana Lú-
cia Bezzera Silva p.160
Processo nº TST
-AIRR-46400-17.2009.
5.21.0012| Ministro Cláudio 
Brandão p.166
Processo nº 0002444-
26.2012.5.05.0000 | 
Desembargador Jéferson 
Alves Silva Muricy p.174
Mandado de Seguran-
ça (120) Nº 0000115-
07.2013.0000 |Desembar-
gadora Luíza Aparecida 
Oliveira Lomba p.176
Recurso Ordinário n.º 
0091500-94.2008.5.05.0102 
| Desembargadora Graça 
Bonnes p.181
Recurso de Revista n° TST
-RR-2373700-05.2008.
5.09.0014 | Desembargado-
ra Maria das Graças Silvany 
Dourado Laranjeira p.184
Agravo de Petição n.º 
0133700-94.2009.5.05.0001 
| Desembargadora Graça 
Bonnes p.193
SUMÁRIO
Direitos do homem: Uma re-
flexão da sua evolução com 
enfoque na dignidade da 
pessoa humana. | Adriano 
Carmo Sampaio de Araújo 
p.6
Discriminação por orien-
tação sexual e identidade 
de gênero no mercado de 
trabalho: Uma visão crítica 
sobre a jurisprudência tra-
balhista no Brasil.| Antonia 
Camargo de Almeida e Mar-
cio André Conde Martins 
p.29
Os crimes contra a organi-
zação do trabalho, trabalho 
escravo e o projeto de novo 
Código Penal | Gamil Föppel 
El Hireche e Rudá Santos 
Figueiredo p.38
Pensando o Direito do 
Trabalho Ideologicamente| 
Danilo Gonçalves Gaspar 
p.45
Segurança e saúde do 
trabalhador no Brasil e nos 
Estados Unidos: Eestudo 
comparado | Gabriel Melo 
Viana p.54
A equipação salarial no tra-
balho intelectual|Hélio de 
Oliveira Cardoso Filho p.61
DECISÕES
REVISTA ELETRÔNICA DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA BAHIA
A ausência de repristina-
ção onsta a continuidade 
da aplicação das súmulas 
219 e 329 do TST | Leo-
nardo Pereira Melo Miguel 
p.70
A boa-fé objetiva e a im-
possibilidade de deduzir 
pretensão indenizatória 
após o término do período 
de estabilidade gravídica | 
Leonardo Valverde Susart 
dos Santos p.87
A movimentação voluntá-
ria dos magistrados sob 
a ótica da Constituição 
Federal de 1988| Marcos 
Augusto Nascimento Pas-
sos p.105
A penhora de percentual 
do faturamento das em-
presas: Equívoco do inciso 
VII do art. 655 do CPC | 
Paulo César Araújo Vieira
p.117
Análise crítica da escassez 
de recursos: Um possível 
limite à efetivação dos 
direitos sociais | Rachel 
Freire de Abreu Neta p.127
O devido processo legal 
na despedida por justa 
causa: Um convite a uma 
nova hermenêutica | Silvia 
Isabelle Ribeiro Teixeira e 
Maria da Graça Antunes 
Varela p.140
Ano II, n. 3, Out. de 2013
4
SUMÁRIO
Processo nº TST
-RR-1206-85.2011.
5.04.0403| Desembargado-
ra Maria das Graças Silvany 
Dourado Laranjeira p.196
Dissídio Coletivo de 
Greve n.º 0000539-
83.2012.5.05.0000 | De-
sembargadora Graça Bon-
nes p.204
Processo nº 0000201-
67.2010.5.05.0651|
Rinaldo Guedes Rapassi 
p.216
DECISÕES
Ano II, n. 3, Out. de 2013
5
Dedicada aos 70 anos da CLT, a 3ª edição da Revista Eletrônica do Tri-
bunal Regional do Trabalho da 5ª Região segue a proposta de divulgar a 
produção acadêmica e jurisprudencial com temas relacionados ao Direito 
Trabalhista e áreas afins. 
Para essa edição foram selecionados pelo Conselho Editorial 12 artigos 
e 11 decisões de alta qualidade, o que nos orgulha e incentiva a seguir o 
trabalho de construção de uma revista que pretende se firmar e contri-
buir cada vez mais para a difusão de conhecimento.
Desejamos uma boa leitura!
Vânia Jacira Tanajura Chaves
Desembargadora Presidente do TRT5
APRESENTAÇÃO
REVISTA ELETRÔNICA DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA BAHIA
Ano II, n. 3, Out. de 2013
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A BOA-FÉ OBJETIVA E A IMPOSSIBILIDADE DE DEDUZIR PRETENSÃO
INDENIZATÓRIA APÓS O TÉRMINO DO PERÍODO DE ESTABILIDADE 
GRAVÍDICA
Resumo: O presente trabalho versa sobre a limitação da 
conduta da empregada titular de estabilidade gravídica 
que apenas após o término do período de estabilidade pro-
põe demanda em face do seu ex-empregador, pleiteando 
indenização consistente no pagamento dos salários do pe-
ríodo em que subsistia a garantia de emprego. A análise 
deve ser empreendida à luz do conteúdo da cláusula geral 
da boa-fé objetiva, mais especificamente das suas funções 
criadora de deveres jurídicos laterais e limitadora do exercício de posições jurídicas. Nesse ínterim, ob-
serva-se que o ajuizamento de ação indenizatória depois do fim do período de estabilidade representa 
uma violação do duty to mitigate the loss, na medida em que resta prejudicado o direito ao trabalho, 
elemento dignificante do ser humano, com sobrelevo para a contraprestação devida pelo tempo de 
serviço. Com isso, é gerada no empregador uma legítima confiança de que a pretensão não seria mais 
exercida, o que, aliado aos outros requisitos de aplicabilidade do instituto, acarreta a suppressio do di-
reito da trabalhadora de exigir a indenização.
Palavras-chave: Boa-fé Objetiva. Duty to Mitigate the Loss. Suppressio. Estabilidade Gravídica. Preten-
são Indenizatória.
INTRODUÇÃO
A sociedade contemporânea é regida pelo princípio da solidariedade, consagrado no artigo 3º, inciso I, 
da Constituição Federal, de acordo com o qual é objetivo fundamental da República Federativa do Brasil 
a construção de uma sociedade livre, justa e solidária. Nesse contexto, entende-se que as posições jurí-
dicas ativas e passivas não podem ser exercidas de maneira absoluta, sendo limitadas por parâmetros 
objetivos insertos no ordenamento jurídico.
Assim, o Código Civil Brasileiro estabeleceu a obrigatoriedade da observância da função social do con-
trato, bem assim da boa-fé objetiva. Essas regras, consistentes em padrões mínimos de conduta, re-
forçam a idéia de limitação da autonomia da vontade e do recrudescimento do dirigismo contratual.
O entendimento comum ínsito à boa-fé é o do estado de consciência pelo qual o indivíduo ignora a 
adoção de um comportamento indevido, crendo, no seu íntimo, estar praticando a conduta mais ade-
quada à situação de fato que o circunda. Para os efeitos do estudo a que se procederá, no entanto, é 
fundamental a mudança de perspectiva, de modo que se vislumbre a boa-fé como norma impositiva de 
um dever de conduta a ser respeitado por todos no desenvolvimento das relações jurídicas travadas 
cotidianamente.
No estudo do conteúdo material da boa-fé, assumem relevo as suas funções típicas: (a) a função her-
menêutica e integrativa, pela qual a boa-fé é o parâmetro de interpretação das relações jurídicas e 
pode ser utilizada para suprir as lacunas de regulação do ordenamento jurídico; (b) a função criadora de 
deveres jurídicos laterais, dentre os quais merecerá destaque o duty to mitigate the loss; e (c) a função 
Leonardo Valverde Susart dos Santos
Advogado