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Estudos sobre Informetria na rede social Mendeley: uma pequena análise sobre a literatura lusófona

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PPGCI/IBICT-UFRJ 
Informação e Redes Sociotécnicas 
Professora: Regina Marteleto 
Discente: Luise Marques de Santana 
 
 
 
Estudos sobre Informetria na rede social Mendeley: uma 
pequena análise sobre a literatura lusófona 
 
Resumo 
 
O presente estudo tem como objetivo verificar em que medida o termo “Informetria” é 
utilizado nos ​papers pela comunidade acadêmica lusófona presente na rede social e 
gerenciador de conteúdo Mendeley. 
A necessidade de conhecer como os estudos sobre Informetria lusófonos tem se 
desenvolvido e vem sendo aplicados nesta plataforma gratuita, que visa a descoberta de 
informação e tendências de informação justifica o tema deste trabalho. Como metodologia 
deste estudo será apresentada uma breve revisão de definição sobre Informetria e a análise 
quantitativa na plataforma Mendeley (recuperação dos termos “informetria e “informetria” 
em língua portuguesa). 
 
Palavras-chave: informetria, metria, mendeley, análise de rede social. 
 
 
 
 
 
 
 
Introdução 
 
Segundo Varanda (2012) o estudos sobre análises de redes sociais (ARS) 
atualmente são expressivos e institucionalizados. A criação da associação International 
Network for Social Network Analysis (INSNA), que possui, inclusive, um congresso anual. 
Além disso existem diversos periódicos especializados no assunto como Social Networks, 
Journal of Social Structure (online) e a revista REDES (online). Ainda segundo a autora, a 
dominância da área é anglo-saxônica embora países francófonos, hispânicos e germânicos 
já existam mapeamentos e balanços recentes. 
 
“O mundo lusófono parece no entanto continuar pouco desperto para a ARS. Ao 
iniciarmos a nossa investigação, tínhamos a perceção de que a ARS no mundo 
lusófono teria um significativo atraso de desenvolvimento relativamente ao mundo 
anglo-saxónico, em particular (...). Os primeiros passos no uso da ARS no mundo 
científico lusófono foram dados, portanto, há menos de 20 anos.” ​(VARANDA ET 
AL, 2012, p.148) 
 
 
 
Segundo Borgatti, (2012) a ideia mais potente das ciências sociais é a noção que os 
indivíduos estão em uma rede de interações e relações sociais. A teoria das redes sociais 
provém a resposta para as questões que preocupam a filosofia desde a Grécia. Isto é: 
“como a indivíduos autônomos podem se combinar para criar sociedades duráveis e 
funcionais?” A teoria das redes sociais traz interpretações para diversas questões e 
fenômenos sociais. 
Para Castells (1999), vive-se atualmente em uma sociedade onde a informação 
passa a ser matéria prima central para qualquer tipo de produção. A crescente convergência 
das tecnologias, além da alta penetrabilidade de seus usos e efeitos, atravessa todas as 
camadas produtivas desta sociedade caracterizada como Sociedade da Informação. 
O aumento no acesso à vasta quantidade de informação requer, entretanto, que 
sejam propostas diversas formas de organização utilizando múltiplos critérios de relevância. 
Esta questão se torna ainda mais cara no contexto da produção científica, central para a 
inovação em diferentes setores da sociedade. 
 
Além disso, o padrão e distribuição das leis e princípios da Bibliometria e das outras 
metrias (Webometria, Cientometria, Altmetria e Informetria) seguem o princípio conhecido 
como “Efeito Mateus” (Merton, 1968). Ou seja, Merton nos alerta para uma lógica de 1
produção, disseminação, uso e descoberta de informação científica que pode apontar para 
um ciclo. Dentro da comunidade científica esta lógica pode gerar ruídos na organização e 
disseminação da informação, uma vez que determinados temas e autores mais citados, não 
necessariamente são os mais relevantes para o desenvolvimento de diferentes questões e 
pesquisas demandas por tais comunidades científicas. 
O sistema de transmissão de conhecimento foi construído a partir das tecnologias do 
Século XVII, funcionando parcialmente de maneira comercial e institucionalizada. Esta 
estrutura indica a genealogia da política e da cultura científica atual​, além de fundamentar 
as lógicas de funcionamento da mesma ao longo do tempo. 
 
Neste cenário formado pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) há 
dois conceitos distintos propostos por Bartling & Friesike (2014) e amplamente difundido 
nos ambientes acadêmicos atuais: Ciência 2.0 e ​Open Science. O primeiro é a transição da 
disseminação do conhecimento fundamentada na Internet. Com os novos meios de 
publicação digital há um intervalo entre as possibilidades ferramentais que se encontram 
disponíveis e sua integração com a cultura científica atual. 
O segundo conceito é chamado de “​Open Science​”, cultura científica caracterizada 
pela abertura de resultados obtidos em pesquisa quase imediatamente para ampla 
comunidade científica. Portanto, estes conceitos estão entrelaçados na medida em que a 
Ciência 2.0 permite que a “Open Science” aconteça e vice-versa. 
O pensamento científico que emerge na sociedade da informação aponta para a 
necessidade de uma Ciência mais aberta, colaborativa e horizontal, mas diante das lógicas 
de produção, validação e publicação vigentes atualmente, o resultado pode ser exatamente o 
oposto ao desejado. Ou seja, as mudanças no campo científico dependerão dos 
pesquisadores, enquanto agentes desta transição, e da relação das comunidades científicas 
com os interesses externos, tanto comerciais, como políticos. 
 
1 ​“Aos que mais têm será dado em abundância e, aos que menos têm até o que têm lhes será 
tirado.” (Mateus 13:12) 
Para Merton (1993), o conhecimento tem seu efeito diminuído dentro das estruturas 
sociais, caso não seja capaz de ser disseminado. Diante desta premissa, pode-se dizer que a 
tecnologia não modifica apenas os modos e as lógicas de disseminação do conhecimento, 
mas também implica em mudanças sociais na medida em que modifica a própria relação 
com o conhecimento. 
Priem (2010) chamou de ​Scientometrics ​2.0 as novas métricas para a ciência 
baseadas nas ferramentas da chamada Web 2.0. Ou seja, é preciso desenvolver novas 
medidas sobre o impacto da produção cientifica extraindo dados sobre, por exemplo, a 
recepção dos artigos pelos cientistas após sua publicação - independente das citações - e 
investigar os usos da informação científica em diferentes áreas do conhecimento. 
 
O termo informetria segundo Nadia Vanti apud Brookes (2002) foi proposto por Otto 
Nacke, diretor do Institut für Informetrie, em Bielferd, Alemanha em 1979. A aceitação do termo 
foi definitiva em 1989 quando o “Encontro Internacional de Bibliometria” passou a se chamar 
“Conferência Internacional de Bibliometeria, Cientometria e Informetria”: 
 
“Informetria é o estudo dos aspectos quantitativos da informação em 
qualquer formato, e não apenas registros catalográficos ou bibliografias, referente a 
qualquer grupo social, e não apenas aos cientistas. A informetria pode incorporar, 
utilizar e ampliar os muitos estudos de avaliação da informação que estão