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ALTERAÇÃO DO NOME NO REGISTRO CIVIL DE TRANSEXUAIS

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de pessoas que possuem o mesmo sexo; o de sinônimo de sexualidade, ou seja, sensualidade, volúpia e lubricidade; e o biológico, que diz respeito aos órgãos genitais externos.[4: Há ainda outras formas de designar sexo. O sexo genético é também chamado de sexo cromossômico, ou seja, aquele determinado pelos cromossomos sexuais que se fundiram durante a fecundação, sendo o cromossomo X presente nos óvulos e nos espermatozoides e o Y, presente apenas nos espermatozoides. O sexo feminino é determinado pela junção de dois cromossomos X e o masculino por um conjunto XY. O sexo somático é formado pelo conjunto entre a aparência externa e interna dos órgãos genitais. Nos homens é formado pelas vesículas seminais, canais deferentes, próstata e pênis; nas mulheres elo útero, trompas, terço interno da vagina e vulva. O sexo de criação ou sexo social é aquele que está ligado diretamente ao ambiente no qual a criança vive, atuando os pais de uma maneira bastante influenciadora na sua definição, podendo também ter influência outras pessoas que fazem parte daquela comunidade, como professores, vizinhos e parentes. De forma ampla, o infante é criado seguindo seu sexo legal, definido a partir do sexo biológico. Então, sexo de criação manifesta-se pela opinião das pessoas sobre um determinado indivíduo. O sexo psicossocial ou sexo psíquico é o conjunto das características que determinam as reações psicológicas masculinas ou femininas a certos estímulos, ou seja, é aquele que resulta das relações fisiológicas, genéticas e psicológicas que se constroem numa determinada atmosfera sociocultural. (PENNA, Iana Soares de Oliveira. Dignidade da pessoa humana e direito à identidade na redesignação sexual [Dissertação de Mestrado] PUC, Rio de Janeiro: 2010)]
No entanto, faz-se mister entender, nas questões suscitadas na presente pesquisa, o que é o sexo legal ou jurídico. Este tipo de sexo é definido como aquele que obrigatoriamente deve constar no assento do registro de nascimento do indivíduo, sendo um dos elementos indispensáveis para que uma pessoa tenha uma identidade civil. Este é definido com base na aparência externa do órgão genital.
De acordo com Silva: “[...] os efeitos da designação do sexo jurídico constitui um critério diferenciador de aquisição de direitos ou de obrigações legais, tais como: a obrigatoriedade do serviço militar para os homens; tempo de aposentadoria diferenciado entre homens e mulheres; definição de vítima do crime de violência contra a mulher”. (SILVA, 2007, p. 21)
A legislação atual ainda é precária no sentido de direcionar os direitos de gênero. Existem alguns projetos de leis, decretos e resoluções que tentam regulamentar tais direitos, tais como a Instrução Conjunta nº 02/2010, a Resolução nº 12 de 16 de janeiro de 2015, o Decreto nº 8.727 de 28 de abril de 2016 e o Projeto de Lei 5002/2013, mas nenhum deles ainda tem o condão de estabelecer diretrizes concretas acerta dos problemas que envolvem as questões de gênero.
Diante de toda essa gama de diferentes conceitos, observa-se a grande dificuldade que o Direito encontra de respaldar aquilo que não se encontra expresso, que não possui definição, como as questões referentes ao direito de identidade e reconhecimento de gênero dos indivíduos. Note-se que, dando especial atenção ao princípio da dignidade humana e à Constituição Federal que em seu art. 5º aduz que todos são iguais perante a lei, sendo estes direitos fundamentais do homem, não é exatamente isso que se vê quando o problema envolve indivíduos transexuais.
A identificação do indivíduo como sendo de um ou de outro gênero é uma questão que ultrapassa o campo da psicologia e acaba por adentrar os ramos do direito, vez que a mudança nos registros implica uma modificação de todo o histórico civil e jurídico da pessoa. Deixar de ser Maria para ser João é mais do que apenas mudar o nome, é alterar toda a estrutura jurídica de como este ser passará a ser visto, não apenas socialmente, mas também para o âmbito do Direito.
4. NOME CIVIL X NOME SOCIAL
Antes de qualquer introito a respeito do nome, deve-se observar que todo indivíduo é dotado de personalidade. Ela está diretamente relacionada a quem o indivíduo é e como ele existe para o Direito. De acordo com Gonçalves (2012, p. 91) “Todo aquele que nasce com vida torna-se uma pessoa, ou seja, adquire personalidade.” Desta forma, depreende-se que a personalidade é pressuposto para inserção e atuação do indivíduo na ordem jurídica.
A personalidade é, portanto, o conceito básico da ordem jurídica, que a estende a todos os homens, consagrando-a na legislação civil e nos direitos constitucionais de vida, liberdade e igualdade. É qualidade jurídica que se revela como condição preliminar de todos os direitos e deveres. (GONÇALVES, 2012, p. 91)
Fazendo uma correlação com o Código Civil, todo ser natural que tem personalidade, tem direito ao nome, como preceitua o artigo 16 do referido Codex: “Art. 16. Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome”. Assim, é possível fazer a definição de nome civil como sendo o conjunto de caracteres constituído pelo prenome e sobrenome que todas as pessoas naturais tem direito de possuir.
O nome é a expressão que identifica o indivíduo na sociedade e o diferencia dos demais membros de um grupo. Silva (1993, p. 245) o conceitua como "o sinal de identidade, instituído pela sociedade, no interesse comum, a ser adotado obrigatoriamente pela pessoa". E, por se tratar de um direito, tem proteção legal.
O nome civil é um direito da personalidade, não podendo ser renunciado, transferido a outrem, é inalienável, sem valor econômico e imprescritível. É elemento obrigatório ao indivíduo quando do seu nascimento. Ele possui dois aspectos, público e privado. O primeiro diz respeito ao interesse do Estado, pois o nome é a identificação do sujeito, o que traz segurança ao Poder Público. O segundo é o direito que cada um tem de ter um nome e defendê-lo, bem como o direito de ser reconhecido e chamado por tal. E, neste aspecto, representa a garantia de que exercerá seus direitos e cumprirá seus deveres.
Em regra, o nome civil é inalterável, mas com as mudanças que ocorreram na sociedade moderna e contemporânea em relação aos ajustes relativos aos direitos de gênero, essa realidade foi modificada drasticamente. Com o advento da Lei 9.708/98, o artigo 58, caput, da Lei dos Registros Públicos foi derrogado, sofrendo uma grande mudança, passando a ter a seguinte redação: “Art. 58. O prenome será definitivo, admitindo-se, todavia, a sua substituição por apelidos públicos notórios.”
Assim, surgiu o conceito de nome social, que é um nome civil que não aderiu à personalidade da pessoa natural, sendo um prenome utilizado de forma pública, distinto do nome civil de quem o utiliza. É diferente, entretanto, de apelido que é uma forma pejorativa ou o diminutivo do nome, utilizado para identificar alguém. 
O nome social, regulamentado por meio do Decreto nº 8.727/16, é comumente utilizado por travestis ou transexuais para que se possa ser reconhecido o seu direito de identidade de gênero e, assim, possa ser identificado na sociedade. 
É notório que o uso de um prenome diferente do nome civil ante a sociedade reduz o dever de utilização do nome civil, no entanto, em tais casos dá-se prioridade à personalidade e respeito àqueles que, por razão óbvia, querem ser chamados por outros nomes que não o constante em seus registros. Vale salientar que os transexuais podem demandar ação judicial para alterar seu nome civil, não obstante, o processo é longo e complicado, o que faz com que o nome social seja um paliativo à esse obstáculo.
5. ALTERAÇÃO DO NOME CIVIL DE TRANSEXUAIS
Outra questão que tem tido grande repercussão nos tribunais brasileiros, com especial atenção e precedentes nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul é a alteração do nome civil do transexual.
Essa demanda constitui-se em controvérsia, o que incita imensa discussão no âmbito jurídico.