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AÇÃO PENAL 6º PERÍODO

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arquivamento do inquérito policial não faz coisa julgada, desde 
que não tenha sido por atipicidade do fato, nem causa 
preclusão, haja vista se tratar de decisão tomada “rebus sic 
stantibus”. É uma decisão administrativa, logo não faz coisa 
julgada! 
550. Errado. Cuidado! A questão foi elaborada antes da vigência da 
Lei 12.033/2009. Este diploma legal modificou a natureza da 
ação penal no crime de injúria racial. Atualmente, o delito de 
injúria qualificada, previsto no art. 140, § 3º, do Código Penal, 
procede mediante ação penal pública condicionada à 
representação do ofendido (anteriormente à precitada lei, 
procedia mediante ação penal privada). O procedimento dos 
crimes contra honra, previsto nos arts. 519 a 523 do CPP, 
aplica-se unicamente aos delitos contra honra de ação penal 
privada. 
551. Correto. O examinador certamente baseou-se na Súmula 330 do 
STJ, que reza ser “desnecessária a resposta preliminar de que 
trata o art. 514 do Código de Processo Penal, na ação penal 
instruída por inquérito policial”. É importante registrar, porém, 
que no julgamento do HC 89.686/SP, a Corte Suprema (STF) 
pronunciou-se de modo contrário, sustentando que o fato de 
haver inquérito policial não autoriza dispensar a fase de defesa 
preliminar contemplada no art. 514 do CPP (12.06.2007). 
552. Correto. Atualmente, de acordo com o art. 394, § 1º, II, do CPP, 
o procedimento sumário deverá ser adotado quando o processo 
tiver por objeto delito cuja sanção máxima cominada seja 
inferior a quatro anos de pena privativa de liberdade, não 
importando a natureza da pena, se reclusão ou detenção. Devese 
excluir, porém, da abrangência desse procedimento, as 
infrações de menor potencial ofensivo. Entretanto, se as 
infrações de competência dos Juizados Especiais Criminais 
forem encaminhadas ao juízo comum, em virtude da 
necessidade de citação por edital ou da complexidade dos fatos, 
deverão ser apuradas por meio do procedimento sumário. 
553. Correto. O procedimento de apuração dos crimes relacionados a 
tóxicos, primeiramente, era regulamentado pela Lei 6.368/1976. 
Posteriormente, foi editada a Lei 10.409/2002, incorporando 
modificações procedimentais. Hoje, as referidas legislações 
encontram-se revogadas, em virtude da entrada em vigor da Lei 
11.343/2006. Não obstante o entendimento do examinador, de 
que se trata de nulidade ‘relativa’, é mister ressaltar que 
prevalece, na Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça, a 
orientação de que configura ‘nulidade absoluta’ a ausência de 
notificação para defesa preliminar, agora contemplada no art. 55 
da Lei 11.343/2006. No julgamento do HC 138.275/SP, em 
05/11/2009, o Ministro Relator Og. Fernandes, ressaltou que a 
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Lei 11.343/06 trouxe nova sistemática às políticas públicas 
sobre tóxicos, revogando a Lei 10.409/02, mas não alterou o 
direito do acusado apresentar sua defesa anteriormente ao início 
da ação penal (art. 55, da Lei 11.343/06). Neste sentido, os 
seguintes precedentes: STJ, HC 54.023/SP, Rel. Min. Nilson 
Naves, 03.03.08; STJ, RHC 21.822/SP. Rel. Min. Arnaldo 
Esteves Lima, 22.10.07; STJ, HC 84.980/RJ, Rel. Min. Felix 
Fischer, 25.10.07. Registre-se, no entanto, que no julgamento do 
HC 94.011/SP, da relatoria do Ministro Menezes Direito, do 
Supremo Tribunal Federal, entendeu-se que a inobservância da 
defesa preliminar configura apenas ‘nulidade relativa’, estando 
condicionada, logicamente, ao efetivo prejuízo (12.09.2008). 
Questão, portanto, bastante controversa! 
554. Errado. O procedimento de ofício aplica-se aos crimes contra a 
economia popular (art. 7º, da Lei 1.521/51). É mister salientar 
que a questão elaborada pela banca examinadora não tem 
conteúdo esclarecedor.  
555. Errado. Não se trata de mera irregularidade! “É absoluta a 
nulidade do julgamento, pelo júri, quando os quesitos da defesa 
não precedem aos das circunstâncias agravantes” (Súmula 162 
do STF). 
556. Errado. “É nulo o julgamento ulterior pelo júri com a participação 
de jurado que funcionou em julgamento anterior do mesmo 
processo” (Súmula 206 do STF). 
557. Correto. Se os peritos concluírem que o acusado era, na época 
do fato, inimputável por doença mental, o incidente de 
insanidade mental deve ser apensado ao feito, que terá 
prosseguimento, assistido o réu, contudo, por curador. Se se 
verificar que a doença mental sobreveio à infração, o processo 
continuará suspenso até que o réu se restabeleça ou ocorra a 
extinção da punibilidade, pela prescrição (que não fica 
suspensa). 
558. Correto. O Superior Tribunal de Justiça, no tange ao tema, 
editou a Súmula 330, dispondo que é desnecessária a resposta 
preliminar de que trata o art. 514 do Código de Processo Penal, na 
ação penal instruída por inquérito policial. Por um tempo, o STF 
acompanhou o entendimento do precitado Tribunal da 
Cidadania, asseverando que a resposta preliminar fica restrita 
aos casos em que a denúncia-crime apresentada estiver 
baseada, apenas, em documentos carreados à representação 
(AgRg no Ag 703.123/RJ, DJ 15.09.2008). Entretanto, no 
julgamento do HC 89.686/SP (12/06/2007), a Corte Suprema 
mudou de opinião, assentando que o fato de haver inquérito 
policial não autoriza dispensar a fase de defesa preliminar 
contemplada no art. 514 do CPP. 
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559. Errado. Nada impede que o incidente de falsidade documental 
seja desencadeado, “ex officio”, pelo juiz, conforme prescreve o 
art. 147 do CPP. Qualquer que seja a decisão do incidente de 
falsidade documental, é possível impugná-la mediante recurso 
em sentido estrito (CPP, art. 581, XVIII) – quer procedente, quer 
improcedente. Ademais, qualquer que seja a decisão, não fará 
coisa julgada em prejuízo de posterior processo penal ou civil 
(CPP, art. 148). 
560. Correto. O examinador considerou a questão ‘correta’, no 
entanto, a Corte Suprema já se manifestou, recentemente, de 
forma diversa. Vejamos: “Se o Estatuto da Criança e do 
Adolescente não permite sequer a internação definitiva do menor, 
em se tratando de ato infracional cometido sem violência ou grave 
ameaça, impossível sua segregação provisória” (STF, HC 
98.985/MS, Rel. Min. Jane Silva, 6ª T., DJ 12.05.2008). 
Importante: observar o julgamento do HC 142.289/SP, da 
Relatoria da Ministra Laurita Vaz (STF, DJ 20/08.2009), 
respeitante ao tema. 
561. Correot. Reza o art. 65 da Lei 7.210/1984, que a execução penal 
competirá ao magistrado indicado na lei local de organização 
judiciária e, na sua ausência, ao juiz da sentença. 
562. Errado. Os congressistas dispõem da prerrogativa processual de 
serem inquiridos em local, dia e hora previamente ajustados 
entre eles e autoridade competente, quando arrolados como 
testemunhas ou na condição de ofendidos (observar o que 
estabelece o art. 221 do CPP). Contudo, a Corte Constitucional 
(STF) tem reiterado que essa prerrogativa não se estende aos 
deputados federais e senadores quando indiciados em inquérito 
policial ou quando figurarem como réus em processo criminal 
(Inq. 2.839/SP, Rel. Min. Celso de Mello, 05.10.2009). 
563. Errado. Os deputados federais e senadores dispõem da 
prerrogativa processual de serem inquiridos em local, dia e hora 
previamente ajustados entre eles e a autoridade competente, 
quando arrolados como testemunhas ou quando ostentarem a 
condição de vítimas (observar o art. 221 do CPP). 
564. Errado. “O membro do Congresso Nacional, quando ostentar a 
condição formal de indiciado ou réu, não poderá sofrer condução 
coercitiva, se deixar de comparecer ao ato de seu interrogatório, 
pois