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TEORIAS DA APRENDIZAGEM

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das histórias 
das comunidades do interior.
 Texto livre – essa atividade é voltada para o desenvolvimento das 
habilidades lingüísticas, criativas, reflexivas, afetivas e lógicas dos 
alunos, pois se refere ao desenvolvimento de um texto (redação) a partir 
de um tema livre, por meio do qual o aluno pode expressar o que quiser.
 A livre expressão pode ser desenvolvida, segundo Freinet, não só em 
textos, mas também em atividades artísticas como as que seus alunos 
desenvolviam em ateliês de arte, o que pode ser feito em atividades de fala, 
escrita, dança, pintura, expressão corporal, dramatização, entre outros.
 Plano de trabalho – atividade que tem como proposta auxiliar os alunos a 
organizarem os conteúdos curriculares e as estratégias de aprendizagem a 
serem utilizadas por eles durante as aulas e na execução de seus trabalhos 
semanais. Tal atividade deve ser feita, preferencialmente, em cooperação.
 Correspondência intra­escolar – atividade similar ao intercâmbio 
interescolar, mas que é realizada no interior da própria escola pela 
correspondência entre crianças de classes e séries diferentes. As 
informações entre os alunos podem ser trocadas por meio de cartazes, 
cartas, bilhetes, cds, e­mails, vídeos, textos, entre outros. 
A Educação pelo trabalho
Falar de Educação pelo trabalho significa falar da Educação por meio 
da experiência concreta, como já vimos, e isso era realizado por Freinet com 
atividades de trabalho pedagógico ou mesmo de trabalho real, a partir de 
iniciativas politécnicas, como no caso da experiência com alunos na utilização de 
impressoras, teares, ateliês de artes, hortas, atividades agrícolas, de marcenaria, 
de jardinagem, entre outras. 
O trabalho, na pedagogia de Freinet, é entendido como um princípio educativo, 
na qual os alunos aprendem de forma lúdica, cooperativa/coletiva a pensar e atuar 
em prol do bem comum, como no caso do cuidado com as hortas, por exemplo. 
Desse modo, nos diz Freinet que devemos aproveitar as características infantis 
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como a capacidade de criação, a curiosidade e a vontade de agir para satisfazer 
uma outra necessidade da criança, a do trabalho, que, segundo ele, desenvolve-se 
em todas as crianças.
A avaliação na pedagogia de Freinet
Tomando como ponto de partida as atividades de avaliação propostas por 
Freinet, a saber, as fichas de estudo e os planos de trabalho, podemos afirmar 
que a avaliação na teoria de Freinet baseia-se em princípios hoje denominados de 
avaliação em processo ou avaliação processual. 
Freinet costumava também se reunir com seus alunos, pelo menos uma vez 
por semana, para discutir com eles os conteúdos estudados e as construções de 
cada aluno sobre os conhecimentos apresentados, ou seja, suas dificuldades e 
articulações de conhecimentos.
 Escolham uma das atividades propostas por Freinet e tentem desenvolvê-las na turma de vocês, 
procurando relacionar as atividades a algum tema que esteja sendo estudado na ocasião.
Para uma melhor compreensão dos estudos de Freinet, sugerimos o livro Da psicologia soviética 
à pedagogia de Freinet, escrito por Agostinho Minicucci, da editora Dimensão.
A pedagogia libertadora 
de Paulo Freire
A educação bancária, em cuja prática se dá a 
inconciliação educador-educandos, rechaça este 
companheirismo. E é lógico que seja assim. No 
momento em que o educador “bancário” vivesse a 
superação da contradição já não seria “bancário”. Já 
não faria depósitos. Já não tentaria domesticar. Já não 
o prescreveria. Saber com os educandos, enquanto 
estes soubessem com ele, seria sua tarefa. Já não 
estaria a serviço da desumanização. A serviço da 
opressão, mas a serviço da libertação.
Freire.
História pessoal
P aulo Freire nasceu Paulo Reglus Neves Freire, em Pernambuco, em 1921. Filho de pais pobres experimentou, no seio das classes populares, as dificuldades comuns num país marcado por extremas desigualdades 
como o Brasil.
Após ter trabalhado no Serviço Social da Indústria (Sesi), alça seus 
primeiros vôos em relação a sua metodologia enquanto lecionava na Universidade 
do Recife onde, além de atuar no Serviço de Extensão Cultural, é admitido como 
professor de História e Filosofia. São essas experiências em torno de sua jornada 
na Universidade de Recife que divulgam a obra de Paulo Freire. Mesmo assim, o 
que o torna conhecido é sua experiência de alfabetização de adultos na cidade de 
Angicos, Rio Grande do Norte, em 1963.
Por ter assumido uma postura de contestação às práticas educativas 
tradicionais e tecnicistas e, mais ainda, por ter assumido uma postura política de 
conscientização dos oprimidos por meio do ato educativo (ao modelo Gramsciano 
de Educação), é visto pela ditadura militar instalada em 31 de março de 1964 
como um inimigo político, sendo exilado do país.
Mesmo exilado, sua proposta educacional atinge vários educadores que se 
encontravam, há muito, insatisfeitos com as práticas pedagógicas encerradas atrás 
dos muros escolares. Além disso, ao ser exilado passa a divulgar seu método 
de alfabetização em universidades de várias partes do mundo por onde passou. 
Trabalhou em Harvard (EUA), em Genebra (Suíça), na África, na China, no Chile, 
no Peru e no Brasil.
Pelo conjunto de sua obra e por seus ensinamentos, Paulo Freire ganhou 
vários prêmios e homenagens internacionais. Dentre eles, podemos citar os vários 
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títulos de doutor honoris causa por 27 universidades; o prêmio rei Balduíno 
para o desenvolvimento (concedido na Bélgica em 1980); o prêmio Unesco da 
Educação para a paz (em 1986) e o prêmio Andrés Bello (como educador dos 
Estados Americanos).
Além de seus muitos prêmios, Paulo Freire também ficou conhecido pelos 
livros que publicou sobre a Educação e sobre seu método pedagógico. Entre eles, 
podemos citar Pedagogia do oprimido; Pedagogia da esperança; e Pedagogia 
da autonomia, responsáveis por alterar radicalmente o pensamento pedagógico 
brasileiro.
Paulo Freire morreu em maio de 1997.
A Educação segundo Paulo Freire
A pedagogia freireana se insere no conjunto de propostas pedagógicas 
conhecidas como progressistas, que surgiram em oposição à pedagogia liberal, 
tendo como seu principal objetivo os interesses da maioria da população, partindo 
de uma análise crítica da sociedade capitalista. 
Para a pedagogia progressista, a Educação não é neutra e os problemas 
educacionais são os reflexos do contexto social no qual o indivíduo está inserido. 
A Educação não está centrada no professor ou no aluno, mas sim na relação entre 
os indivíduos envolvidos nesse processo de formação do cidadão consciente. 
As práticas pedagógicas progressistas estão divididas em três grupos: o da 
pedagogia libertadora, o da pedagogia libertária e o da pedagogia crítico-social 
dos conteúdos.
O modelo educacional adotado por Paulo Freire se insere no conjunto de 
práticas relacionadas com a pedagogia libertadora, uma vez que questiona a 
realidade das relações do homem com a natureza e com os outros homens, visando 
a uma transformação. Por isso, ela é chamada de educação crítica. Trabalha-se 
com temas geradores centrados na realidade social, na qual o importante não 
é a transmissão dos conteúdos específicos e sim despertar uma nova forma 
de relação com a experiência vivida, tendo em vista a ação coletiva diante de 
problemas e realidades do meio socioeconômico e cultural da comunidade local. 
O conhecimento é transmitido pelo diálogo, pois este engaja ativamente a ambos 
os sujeitos do ato de conhecer: educador-educando e educando-educador. 
Assim, Paulo Freire, na sua prática educacional, preocupou-se com as classes 
populares. No contexto do que denominou ser uma “pedagogia do oprimido”, 
construiu uma verdadeira concepção política do ato de educar, adotando como 
princípios fundamentais a valorização