A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
204 pág.
TEORIAS DA APRENDIZAGEM

Pré-visualização | Página 39 de 50

de assombrar-se; o enfrentar-se com o caos criador; a 
ansiedade e o medo no encontro com o novo.
Para tanto, temos que educar a flexibilidade e a imaginação, para trabalhar a organização 
e o planejamento, que são ingredientes básicos da disciplina sem a qual não se constrói 
conhecimento.
Não existiria conhecimento sem a pergunta. A pergunta não teria sentido se não houvesse o 
conhecimento a ser conquistado, produzido.
Madalena Freire e a aprendizagem profissional
123
Ansiedades, confusões e insegurança são constitutivas do processo de pensar e aprender. 
Assim como também o imaginar, o fantasiar e o sonhar. Não existe pensamento criador sem esses 
ingredientes.
Educador ensina a pensar. Mas somente pensar não basta. Educador ensina a pensar e a agir, 
segundo o que se pensa, enquanto se faz.
O sujeito é uma totalidade de ação e pensamento. Afetividade e cognição. Prática e teoria. 
Por tudo isso, pensar não é fácil, nem inofensivo. Em muitas situações subverte a ordem, tira o 
sono, quebra o estabelecido. Dá e provoca muito medo. Medo da desorganização de idéias, do 
emaranhamento do velho com o novo, da procura aparentemente desordenada da nova forma. Medo 
do caos criador. Mas não existe processo de autonomia (libertação) sem criação e apropriação do 
pensamento, dos desejos e dos sonhos de vida. É por meio da reflexão (no desenvolvimento de suas 
hipóteses) que o educando se apropria do seu pensamento, no contato com o pensamento dos outros 
– iguais e teóricos.
Para pensar, conhecer um objeto, é necessário recriá-lo, reinventá-lo. Nesse processo ocorrem 
mudanças não somente no objeto mas também no sujeito que atua. 
O processo de aprendizagem é constituído por esses movimentos de mudanças. Aprender 
significa mudar, transformar.
Ensinar significa acompanhar e instrumentalizar com intervenções, devoluções e 
encaminhamentos esse processo de mudança, de apropriação do pensamento, dos desejos e 
sonhos de vida. Educador ensina, enquanto ensina aprende a pensar (melhor), e a construir 
seus sonhos de vida.
1. Procure discutir, com base na teoria de Madalena Freire, de que maneira a cooperação e as 
relações de afeto contribuem para o desenvolvimento da aprendizagem.
Teorias da Aprendizagem
124
2. Analise a maneira como Madalena Freire compreende a ação pedagógica pautada na prática 
docente.
Para uma melhor compreensão da pedagogia de Madalena Freire, indicamos a leitura do livro 
A paixão de conhecer o mundo, da Editora Paz e Terra.
Bruner e a 
aprendizagem em espiral
É possível ensinar qualquer assunto, de uma maneira 
honesta, a qualquer criança em qualquer estágio de 
desenvolvimento. 
Jerome Bruner
História pessoal
J erome Bruner nasceu em 1915, na cidade de Nova York, nos Estados Unidos da América. Como psicólogo, interessou-se por estudar os processos de desenvolvimento da cognição humana. Como cognitivista, entende a 
aprendizagem como um processo de reorganização das estruturas internas da 
mente.
Suas considerações sobre a aprendizagem passam pelas análises sobre a 
participação ativa dos alunos no processo de aprender (o que ocorre por meio da 
aprendizagem por descoberta, exploração de alternativas), pelo currículo em espiral 
(forma de apresentação da matéria) e pelo desenvolvimento intelectual do aluno.
Sua teoria tem íntima relação com a teoria de Jean Piaget, uma vez que 
também compreende o desenvolvimento da inteligência humana como um 
processo biológico evolutivo, pautado em estágios de desenvolvimento. Segundo 
Moreira (1983, p. 38), “a idéia de desenvolvimento intelectual ocupa um lugar 
central na teoria de Bruner”.
Por isso mesmo, ao falar de desenvolvimento da intelectualidade humana, 
Bruner (1969 apud MOREIRA, 1983, p. 38) considera que
 o desenvolvimento intelectual caracteriza-se por independência crescente 
da resposta em relação à natureza imediata do estímulo;
 o desenvolvimento intelectual baseia-se em absorver eventos, em um 
sistema de armazenamento que corresponde ao meio ambiente;
 o desenvolvimento intelectual é caracterizado por crescente capacidade 
para lidar com alternativas simultaneamente, atender a várias seqüências 
ao mesmo tempo, e distribuir tempo e atenção, de maneira apropriada, a 
todas essas demandas múltiplas.
Diante disso, Bruner também considera que para desenvolver cognitivamente 
um aluno, faz-se necessário que o professor, enquanto motivador da aprendizagem, 
atue de forma coerente com o que pretende ensinar.
Teorias da Aprendizagem
126
Assim, no desenvolvimento de seus estudos e pesquisas, a partir de 
análises sobre o processo de ensino, ele interessou-se por compreender como a 
aprendizagem ocorre, buscando entender as condições de aprendizagem e discutir 
suas bases de organização. Essas bases dizem respeito à estrutura da matéria, ou 
seja, à maneira pela qual um determinado conteúdo é transmitido aos alunos.
Segundo Moreira (1983, p. 37), “a tarefa de ensinar determinado conteúdo 
a uma criança, em qualquer idade, é a de representar a estrutura deste conteúdo 
em termos da visualização que a criança tem das coisas”. Isso significa dizer que 
a transmissão de qualquer conteúdo deve ser feita partindo-se da compreensão de 
como a criança, ou qualquer outro aprendiz, significa o mundo, ou melhor, de como 
o aprendiz percebe o que lhe está sendo ensinado, adquirindo meios de representar 
o que ocorre no seu ambiente.
É preciso dizer neste momento que a teoria de Bruner sofre algumas alterações 
durante seus estudos. Inicialmente, o autor enfatiza a estrutura da matéria como base 
para um bom desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. Porém, mais tarde, 
Bruner abre mão de tais considerações e passa a reconsiderar o papel da estrutura 
da matéria na aprendizagem dos alunos, chegando a afirmar que, se fosse possível, 
retiraria de seus escritos a ênfase na estrutura da matéria. Isso ocorreu, segundo 
Bruner, porque à época em que desenvolveu sua teoria (década de 1950), o que 
prevalecia eram as idéias em torno de uma aprendizagem pautada na compreensão 
lógica do conhecimento, a partir da compreensão da estrutura do conhecimento, o 
que serviria para auxiliar novas conquistas sobre o assunto estudado.
Tais idéias levavam em consideração, segundo Moreira (1983, p. 46), que o 
aprendiz prosseguia a busca por novos conhecimentos pautado numa motivação 
interna e, além disso, que ao entrar na escola os alunos já apresentavam habilidades 
específicas treinadas em seu convívio familiar, que facilitariam a aprendizagem. 
É esse justamente o ponto que leva Bruner a se desfazer de suas idéias sobre a 
estrutura do ensino: perceber que os alunos não estão motivados internamente, 
mas que tal motivação precisava partir do próprio processo pedagógico, e entender 
que os conhecimentos prévios necessários à aquisição de novos conhecimentos 
pelos alunos não estavam prontos ao chegarem às escolas, mas sim que tais 
conhecimentos e habilidades estavam diretamente relacionados com a realidade 
socioeconômica de cada aluno, podendo estes não possuirem nenhuma habilidade 
para lidar com os conhecimentos formais apresentados pela escola.
Mas então, para que estudamos a teoria de Bruner se ele mesmo, como 
estudioso, percebeu que suas análises não fazem referência com as situações 
atuais de ensino?
Achamos relevante tratar da teoria da instrução de Bruner por considerar 
que nosso ensino, apesar dos avanços em torno das questões pedagógicas, ainda 
se baseia na instrução, assim como apontava Bruner, ou seja, que nossas escolas 
ainda se utilizam do modelo de transmissão do conhecimento a partir de uma 
organização prévia de conteúdos considerados por alguns poucos como sendo 
importantes de serem transmitidos. 
Bruner e a aprendizagem em espiral
127
Neste sentido, se vamos utilizar uma forma de ensinar pautada na instrução 
(modelo