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Infestações de pele - IAH I

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Apesar de classificadas como infecções de pele, devem ser chamadas de infestações, pois são parasitas 
localizados na parte externa do corpo. Infecção é a entrada do microorganismo no corpo. 
 
As infestações por piolho são chamadas de pediculose. 
Os piolhos são hematófagos e gera coceira pela resposta de hipersensibilização à saliva do artrópode. O 
ato de coçar pode gerar infecções bacterianas secundárias. 
São insetos adaptados dos seres humanos, ou seja, a transmissão ocorre ser humano para ser humano. 
Os causadores são insetos com três tipos principais de parasitas com características físicas diferentes: 
 
• Piolho da cabeça (Pediculus humanus capitis); 
• Piolho do corpo (Pediculus humanus corporis); 
• Piolho do púbis (Pthirus pubis). 
 
O piolho da cabeça (Pediculus humanus capitis) não é o mesmo que o piolho do corpo (Pediculus 
humanus corporis). Ambos são subespécies de Pediculus humanus que se adaptaram a diferentes 
áreas do corpo. Apenas o piolho do corpo dissemina doenças, como a febre tifóide. 
Os ovos, ou lêndeas, são objetos brancos e arredondados, que podem ser encontrados fixados à raiz do 
cabelo ou nas roupas. 
Características do artrópode: 
• Possui cabeça mais estreita que o ventre; 
• Aparelho bucal picador sugador – sua alimentação se dá através da formação de uma lesão que 
gera prurido; 
• Corpo achatado dorsoventralmente – não tem a mesma agilidade da pulga; 
• Não pulam e nem voam (não tem asas). 
Ciclo de vida: os piolhos vivem em torno de 30 a 45 
dias, onde a fêmea coloca de 4 a 10 ovos por dia e 
eclodem após 6 dias. Enquanto se alimentam do sangue 
do seu hospedeiro eles defecam. 
A ninfa é denominada pelo 1°, 2° e 3° estágio do 
desenvolvimento. Após ele já são considerados adultos. 
É na forma de ninfa e adulto que ocorre a transmissão. 
Após copular, a fêmea do piolho de cabeça coloca seus 
ovos a base dos fios do cabelo. Os ovos são colocados 
junto com uma substância chamada de cimentante, o 
que impede a saída dos ovos com shampoo, escovação e 
dentre outros, e, por isso, não está relacionado à 
higiene. 
 
É o tipo de pediculose mais comum, principalmente em crianças de idade escolar. Apesar de 
estigmatizante e causador de bullying não está relacionado a condições sanitárias inadequadas ou 
socioeconômicas. 
O piolho da cabeça possui pernas especialmente adaptadas para se agarrar ao fio do cabelo, no início 
do couro cabeludo. Por isso, o constante contato físico favorece seu deslocamento, assim como o 
compartilhamento de pentes, escovas, bonés e fronhas, por exemplo. 
• Couro cabeludo e nuca. 
 
 
 
 
 
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Faz sua ovoposição no tecido da roupa, incluindo roupa de cama. Localizando-se principalmente nas 
roupas e não no corpo. Em locais frios e no inverno é mais comum o piolho de corpo por haver uma 
troca de roupa menor. 
Diferente do piolho de cabelo, o piolho de corpo está muito relacionado à higiene, quando não há troca e 
lavagem constante da roupa. Ex: asilos, instituições de caridade e presídios. 
Eles se movem para o corpo para se alimentarem, e retornam para as roupas após a hematofagia. 
É o parasita que dissemina doenças como febre tifóide. 
• Parte superior do dorso, ombros, axilas, cintura, regiões glúteas e coxas. 
 
É também chamado de chato, pitiríase ou fitiríase, pode ser encontrado na região genital ou perianal. 
Ainda que em menor incidência, pode ser encontrado na barba, sobrancelha e axila. 
Sobrevivem de hematofagias ao redor dos pelos das regiões púbicas e perianais do corpo. São 
transmitidos de uma pessoa para outra pelo contato sexual (principal forma de transmissão) e 
assentos de banheiros contaminados ou roupas. 
Tanto a pediculose de corpo como a pitiríase podem estar associadas a condições socioeconômicas 
baixas e falta de higiene. Podem ser observados aderidos aos pelos. 
Tem seu ciclo de vida semelhante ao piolho da cabeça, porém na região pubiana. 
• Virilha, períneo e coxas. 
 
 
O laboratório não está envolvido no diagnóstico. Lêndeas fluorescem sob a luz ultravioleta da 
“lâmpada de Wood”, que pode ser utilizada para a varredura dos cabelos de grande número de 
indivíduos. 
O diagnóstico começa pela anamnese colhendo informações como coceira, vermelhidão e na inspeção 
observa-se a presença de lêndeas, ninfas e/ou adultos. 
 
Medicamentos são ineficazes nos ovos, por resistência a medicamentos. É indicado: 
• Pente fino (mais indicado); 
• Vinagre para soltar as lêndeas com presença de substância cimentante; 
• Medicações tópicas (benzoato de benzila, permetrina); 
• Medicamentos sistêmicos (ivermectina, sulfametoxazoltrimetropina) – não aprovados pelo FDA 
(órgão americano); 
• O tratamento do piolho da roupa é ideal através da retirada da roupa e lavagem da mesma. 
 
Sua prevenção é basicamente através do controle, evitando o contato físico e com fômites de indivíduos 
infectados, inspeções periódicas e tratamento dos infestados. 
 
A escabiose é causada pelo ácaro da “sarna”, Sarcoptes scabiei. 
Os ácaros são artrópodes pequenos, de oito patas, caracterizados 
por um corpo globoso e sem antenas, que cavam túneis na pele 
(escavadores). Dentro dessa espécie há algumas variedades: 
• Sarcoptes scabiei var. hominis – homem; 
• Sarcoptes scabiei var. suis – suínos; 
• Sarcoptes scabiei var. bovis – bovinos; 
• Sarcoptes scabiei var. ovis – ovinos. 
São bastante adaptadas aos respectivos hospedeiros e com alta 
especificidade parasitária, sendo assim, a sarna do cão não passa para o homem como é popularmente 
conhecido. Quando ocorrem infestações cruzadas os parasitos não conseguem se estabelecer no 
hospedeiro para o qual não estão adaptados – dermatite transitória. 
 
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O ácaro S. scabiei causa uma doença infecciosa de pele variavelmente conhecida como escabiose, sarna 
ou coceira. A doença envolve uma intensa coceira local e é causada pelo minúsculo ácaro Sarcoptes 
scabiei, que escava túneis sob a pele e deposita seus ovos. 
Pode surgir na forma de várias lesões inflamatórias na pele, muitas delas causadas por infecções 
secundárias, originadas do ato de se coçar. 
São esbranquiçados, com corpo mole e estriado. 
Ciclo de vida: Precisam escavar galerias nas camadas 
profundas da epiderme, onde as fêmeas colocam ovos. 
O ciclo dura em torno de 15 dias. Os ácaros adultos 
acasalam na parte superficial da pele, o macho morre e a 
fêmea penetra na pele. 
Uma fêmea coloca de 1 a 3 ovos por dia. Após o 
nascimento as ninfas vão para a parte superior da pele. 
• Ovo → Larva → Ninfa → Adulto 
 
Ocorre através do contato de uma pessoa sadia com 
outra pessoa infectada. 
A sarna é transmitida por contato íntimo, inclusive sexual, sendo encontrada com mais frequência em 
membros de uma mesma família e residentes de casas de repouso. Além da transmissão pelo contato 
direto também ocorre através de objetos contaminados (fômites), como roupas. 
Sobrevivem alguns dias no ambiente – 24 a 48 horas fora do hospedeiro, podendo viver 6 dias. 
Altamente transmissível durante todo o período da doença. 
 
O sintoma quase determinante de diagnóstico e destacável é o intenso prurido, normalmente nas 
dobras interdigitais e laterais dos dedos, nádegas, genitália externa, pulsos e cotovelos. O prurido 
intenso normalmente leva à escoriação da pele, secundária à coceira, que por sua vez produz crostas e 
infecção secundária bacteriana. 
Alguns indivíduos imunodeficientes podem desenvolver uma variante da escabiose, denominada sarna 
norueguesa,