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Infecções de pele bacterianas

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• Apresentar os principais patógenos bacterianos relacionados a infecções de pele; 
• Discutir as relações entre estes agentes e o hospedeiro; 
• Praticar o pensamento crítico sobre a diferenciação dos patógenos durante o diagnóstico clínico, 
epidemiológico e laboratorial. 
As bactérias trocam materiais através do plasmídeo – pequenos 
segmentos de DNA circular com replicação independente, presentes em 
bactérias. Sendo assim, bactérias da mesma espécie podem ser mais ou 
menos virulenta, isso depende, dentre diversos fatores, da quantidade 
de plasmídeo trocado e mutações, por exemplo. 
Qual a relação que tem com seu hospedeiro? Muitas doenças são 
causadas por membros da microbiota normal (residente). 
Bactérias residentes conseguem se sobressair em indivíduos 
imunossuprimidos – incluindo crianças e idosos – mas também pode 
ter a ver com a virulência de uma determinada bactéria. 
A maior parte das bactérias causam problemas e alteram a homeostase 
corporal pela produção de toxinas. 
Em pacientes imunocompetentes, estreptococos e estafilococos causam 
a maioria das infecções cutâneas, que varia de infecções comuns 
(impetigo) a raras (síndrome do choque tóxico). Doenças sistêmicas e 
imunodeficiência aumentam a possibilidade de infecções bacterianas da pele. Ou seja, acontece em 
pacientes saudáveis, mas com maior índice em pacientes imunossuprimidos. 
O processo de transmissão é facilitado no inverno onde as pessoas se aglomeram em locais fechados. 
 
Quanto ao contato: 
• Primária – é uma infecção aguda que causa a doença inicial. Ou seja, é necessário um evento para 
causar uma patologia. É o primeiro contato (exceto quando é uma bactéria comensal), causando 
uma doença primária. Ex: ebola, influenza; 
• Secundária – é aquela causada por um patógeno oportunista, depois que a infecção primária já 
enfraqueceu as defesas do organismo hospedeiro, ou seja, causada por um patógeno oportunista. O 
primário começa o processo e o secundário se aproveita de um processo infeccioso ou de uma porta 
de entrada. Ex: Influenza (primário) e pneumococo pneumoniae (secundário). 
Quanto ao tempo: 
• Aguda – surge de repente e precisa ser descoberta a causa que, uma vez resolvida, faz desaparecer 
o sintoma inicial. Todas as infecções bacterianas a ser comentadas são do tipo aguda; 
• Crônica – é uma doença que não é resolvida num tempo curto, definido usualmente em três meses. 
Ex: hanseníase, com 5 anos de incubação. 
Quanto à quantidade de patógenos: 
• Monomicrobiana – apenas um patógeno relacionado ao doente; 
• Polimicrobiana – diversos patógenos ou patógenos de espécie diferentes (impetigo) envolvidos 
naquele processo. Também pode ser por duas 
bactérias diferentes (monomicrobiana) que causam 
a mesma sintomatologia. Ex: foliculite, dermatite. 
Quanto à forma de toxicidade: 
• Piogênico – formação de pus (celulite, pus e 
erisipele); 
• Toxigênico – formação de citocinas (foliculite 
necrosante por Staphylococcus). 
 
 
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O gênero Streptococcus é uma bactéria em cadeia – em fileira – gram-positiva. 
São classificados de acordo com suas enzimas hemolíticas e antígenos da 
parede celular. 
Classificação quanto ao tipo de hemólise – capacidade de destruir uma hemácia 
(hemólise) através do agár-sangue: 
• β-hemolítico – hemólise completa; 
• γ-hemolítico – sem hemólise; 
• α-hemolítico – hemólise incompleta/parcial. 
Quanto maior sua capacidade hemolítica maior sua virulência. 
 
Streptococcus pyogenes é uma bactéria β-hemolítica causadora da: 
• Foliculite; • Escarlatina; 
• Erisipela; • Impetigo. 
Classificação de Lancefield para Streptococcus – faz parte da classificação A, em que todos que são β-
hemolítico através das hemotoxinas. 
Sua virulência está associada a causar danos através da 
conjugação, troca de plasmídeos e mutação e sua 
transmissão se dá através de hábitos cotidianos como 
tosse, abraço, aperto de mão, espirro, beijo e etc. Qualquer 
movimento que faça contato entre pele, mucosa e trato respiratório superior. 
É a principal causa de bactérias da amigdalite. 
 
Quando o Streptococcus pyogenes que causa a faringite estreptocócica produz uma toxina eritrogênica, 
a infecção resultante é chamada de febre escarlate ou escarlatina. Para produzir essa toxina, a 
bactéria foi antes infectada por um bacteriófago lisogênico. Ou seja, nem todo Streptococcus é capaz de 
causar escarlatina, apenas com a presença de uma cepa produtora de toxina eritrogênica no seu 
material genético. 
A toxina causa uma erupção de cor avermelhada na pele, que é 
provavelmente uma reação de hipersensibilidade da pele à toxina 
circulante, e também febre alta. A língua adquire uma aparência 
manchada, semelhante a um morango. 
Classicamente, considera-se que a febre escarlate esteja associada com a 
faringite estreptocócica, mas pode acompanhar uma infecção 
estreptocócica da pele. 
Um a dois dias após os sintomas clínicos iniciais de faringite se 
desenvolverem, surge uma erupção eritematosa difusa na região 
superior do tórax, que se espalha para as extremidades. A erupção, que 
clareia quando pressionada, é mais bem visualizada no abdome e nas 
dobras da pele. A erupção desaparece após cinco a sete dias e é seguida 
de descamação da camada superior da pele. 
O exantema é causado pela exotoxina. Não é um exantema com prurido 
ou dor e está relacionado à macropapulas. 
• Lesões hiperemiadas, circulares, confluentes, difusas que surgem na 
parte superior do tórax e se dissemina. 
Sinais de escarlatina: 
O histórico da amigdalite é fundamental para seu diagnóstico. 
Uma amigdalite não tratada que, após 3 ou 4 dias, surgem exantemas 
que começam pela parte superior do tórax e pode se espalhar por todo 
corpo. A criança é o principal perfil da escarlatina. 
 
 
 
 
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Quando o S. pyogenes infecta as camadas da derme, ele pode causar uma doença séria, denominada 
erisipela. Nessa doença, a pele apresenta erupções formadas por placas avermelhadas e de bordas 
elevadas. A doença pode progredir e causar a destruição de tecidos locais ou mesmo atingir a corrente 
sanguínea, causando sepse. 
A infecção em geral inicia na face e frequentemente é precedida por dor de garganta. 
• Erisipela é uma inflamação aguda da pele, hiperêmico com 
comprometimento dos vasos linfáticos cutâneos, principalmente nos 
membros. 
Pode ser causado por outros patógenos bacterianos, mas principalmente 
Streptococcus – bactéria comensal que se aproveita de uma porta de 
entrada. Tem que ter vaso linfático comprometido. 
 
Gênero Staphylococcus são bactérias gram-positivas em cacho de uva, de maneira tridimensional. 
Todos Staphylococcus produzem catalase – enzima que processa e degrada o 
peróxido de hidrogênio, por isso são catalase positivo. É um importante fator de 
virulência, uma vez que o H2O2 produzido pelo organismo é microbicida e sua 
degradação limita a capacidade dos neutrófilos. 
Coagulase positiva e negativa: a coagulase é uma enzima que provoca a 
coagulação do plasma ao ativar a protrombina, originando trombina. A trombina, 
então, catalisa a ativação de fibrinogênio e origina o coágulo de fibrina. A 
coagulase, por promover a coagulação do plasma, atua na contenção do sítio infectado, retardando, 
assim, a migração de neutrófilos ao sítio. 
A negatividade no teste da coagulase exclui presença de S. aureus e S. intermedius. 
Há três espécies com relevância clinica: 
• S. aureus – principal bactéria Streptococcus; 
• S. epidermidis – principalmente