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Meningites bacterianas

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• Apresentar os principais aspectos epidemiológicos e clínicos dos processos meníngeos causados 
por patógenos bacterianos nos ambientes comunitário e hospitalar; 
• Discutir o papel da vacinação no controle e prevenção dos casos de meningites bacterianas; 
• Debater sobre o processo de diagnóstico das meningites bacterianas baseado nos achados 
clínicos, epidemiológicos e laboratoriais. 
 
Toda infecção do SNC é de notificação obrigatória e necessita do diagnóstico laboratorial para 
confirmação. Os agentes virais são mais comuns, contudo, a viral é mais branda e a bacteriana é a 
mais agressiva. Muitas pessoas que sobrevivem a um ataque sofrem algum dano neurológico. 
Principais causadores da meningite bacteriana: 
• Neisseria meningitidis – crianças em idade escolar, adolescentes, adultos jovens; 
• Streptococcus pneumoniae – crianças de um mês a quatro anos, além de adultos acima de 50 anos e 
idosos; 
• Haemophilus influenzae B – 6 meses a 2 anos. 
Cada um dos três patógenos tem uma cápsula que os protege da fagocitose enquanto se multiplicam 
rapidamente na corrente sanguínea, a partir da qual conseguem penetrar no líquido cerebrospinal. 
A meningite é o processo inflamatório da meninge (membranas que circundam o cérebro e a medula 
espinhal) e é causada por microorganismo viral, bacteriano, fúngico e também por agente não 
infeccioso, como o traumatismo. 
 
 
 
Os sintomas iniciais da meningite não são especialmente alarmantes: 
• Tríade de febre, cefaleia e rigidez na nuca (sinal de Brudzinski); 
• Náusea e vômitos muitas vezes podem surgir; 
• Alteração do nível de consciência – o mais comum é quando o paciente fala coisas sem sentido e 
depois volta ao normal ou sonolência. 
Dois destes quatro sinais – febre, cefaléia, rigidez na nuca e alteração do nível de consciência – estão 
presentes em 95% dos casos. A ausência dos três primeiros elimina a hipótese de meningite. Isso ajuda 
na especificidade do diagnóstico clínico. 
O sinal de Brudzinski é mais importante em populações de idosos e adultos, pois há diminuição da 
amplitude dos movimentos de articulação, diferente da criança. Nesse caso há outros sinais de 
irritação meníngea. 
Ex: sinal de Kernig – elevação da coxa até o peito e com a presença da dor o 
paciente contrai a perna contrária. 
 
 
 
 
 
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• Sépticas – são meningites causadas por bactérias piogênicas que, para atingir o SNC, precisam 
passar pelo sangue e causar sepse (bactéria não somente no SNC, mas também no sangue). Por 
isso a cultura não é somente do líquor e sim líquor + hemocultura; 
• Assépticas – são as meningites virais e fúngicas, onde não é encontrado crescimento bacteriano 
identificado no exame de LCR e estão obrigatoriamente no sangue. Ex: Herpes vírus que pode 
chegar ao SNC pelo axônio do neurônio afetado. 
 
A punção lombar é utilizada para fazer a avaliação da pressão intracraniana e a composição do LCR 
quanto a anormalidades causada por várias doenças. Através da amostra do líquor é possível observar 
(aspecto macroscópico) se é uma infecção fúngica, viral ou bacteriana. A bacteriana, ao se reproduzir, 
induz a turgidez do líquor, podendo vir turvo, verde (purulenta) ou branco. 
O aspecto macroscópico em uma suspeita de meningite é essencial para o início do tratamento o 
quanto antes, já que as meningites bacterianas são altamente agressivas. 
Não é necessário saber qual bactéria para realizar 
o tratamento. Ele deve ser iniciado o quanto antes. 
Na punção lombar são realizados 2 exames: 
• Exame quimiocitológico do líquor; 
• Cultura – padrão ouro. 
Importante: um paciente que chega à emergência já 
fazendo o uso de antibiótico não realizar a punção 
lombar, pois reduz em menos de 20% a sensibilidade da cultura. 
 
Este exame pode variar muito e acabar não sendo tão bom para indicar qual tipo de agente está 
causando a infecção. Contudo, é possível diferenciar a infecção séptica ou asséptica, através: 
• Celularidade – na séptica tem uma celularidade muito mais aumentada e com predomínio dos 
neutrófilos (polimorfonucleares); 
• Glicose – nas infecções bacterianas/sépticas a glicose estará reduzida de forma extremamente 
importante por consumo das bactérias no líquor (glicoraquia). Enquanto que na asséptica a glicose 
está normal ou levemente reduzida; 
• Proteína – os vírus e fungos que causam meningite aumentam a proteína por ter presença de um 
patógeno, mas não tanto como o da bactéria, visto que são intracelulares. 
 
Haemophilus influenzae é uma bactéria gram-negativa aeróbia, membro comum da microbiota normal 
da garganta. Às vezes, porém, ela entra na corrente sanguínea e causa várias doenças invasivas. Além 
de causar a meningite, ela frequentemente também é uma causa de pneumonia, otite média e 
epiglotite. A única capaz de causar inflamação e patologias no SNC humano é o tipo B (Hib). 
A meningite causada por Hib ocorre principalmente em crianças com 
idade inferior a 4 anos, em especial por volta dos 6 meses de idade, 
quando a proteção por anticorpos fornecida pela mãe se enfraquece. É 
transmitido por gotículas e sua incidência está diminuindo devido à 
vacina Hib. 
A meningite por H. influenzae tem sido responsável pela maioria dos 
casos registrados de meningite bacteriana (45%), com taxa de 
mortalidade de aproximadamente 6%. 
 
A meningite meningocócica é causada pela bactéria Neisseria meningitidis (o meningococo). Trata-se 
de uma bactéria gram-negativa aeróbia com uma cápsula de polissacarídeo que é importante para a 
sua virulência. Assim como Hib e o pneumococo, ela frequentemente encontra-se presente no nariz e 
na garganta dos indivíduos portadores sem causar sintomas de doença. 
A transmissão é realizada por gotículas de aerossóis ou pelo contato direto com secreções. 
Diferencia-se de outras bactérias por ser oxidase positiva. 
 
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Os sintomas da meningite meningocócica são causados principalmente por uma endotoxina chamada 
de LPS, presente na superfície da bactéria e produzida de modo muito rápido e que é capaz de causar a 
morte dentro de poucas horas. O LPS induz o sistema imunológico a produzir TNF. 
Sorogrupos mais importantes – A, B, C, Y, W-135. 
 São bactérias extremamente virulentas, sendo a mais agressiva a B. E, no Brasil, a vacinação 
oferecida pelo SUS protege para o tipo C. 
 
A característica mais marcante é uma erupção cutânea (rash cutâneo/exantema) que não desaparece 
quando pressionada. 
Um típico caso de meningite meningocócica se inicia com infecção de garganta (faringite), que resulta 
em bacteremia e, por fim, em meningite. Em geral, a doença ocorre em crianças com menos de 2 anos. 
Boa parte dessas crianças apresenta danos residuais, como a surdez. 
Só será confirmatório o quadro de meningite após o resultado do padrão ouro (cultura). A cultura 
ocorre pelo líquor ou exsudatos corpóreos – como a mucosa da nasofaringe. Principalmente para a 
identificação de portadores assintomáticos. 
É realizado a quimioprofilaxia – além do paciente, os contactantes, também deverão ser tratados. 
 
A meningite pneumocócica é causada pelo Streptococcus pneumoniae e, assim como H. influenzae, é um 
habitante comum da região nasofaríngea. 
O pneumococo, assim denominado porque é mais conhecido como causa de pneumonia, é um diplococo 
gram-positivo encapsulado. É a principal causa de meningite bacteriana, agora que uma vacina Hib 
eficaz está em uso. Para uma doença bacteriana, a taxa de mortalidade é muito alta: cerca de 30% em 
crianças e 80% em idosos. 
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