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Cardio: hemodinâmica e microcirculação

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depois passam para a 
circulação linfática, por onde voltam para a circulação venosa. 
Somente uma pequena quantidade de proteína extravasada retorna à circulação venosa. Por isso, ela 
tende a se acumular no líquido intersticial e aumentar a pressão oncótica desse líquido. Além de 
deslocar esse líquido em favor da filtração para o interstício. 
O sistema linfático traz de volta para a circulação pequenas quantidades de proteínas e 
líquidos em excesso que extravasaram do sangue para os espaços intersticiais. 
A bomba linfática é dada pela contração dos músculos esqueléticos, movimentação das partes do corpo, 
pulsação da artéria e compressão dos tecidos. 
É importante ressaltar que os vasos linfáticos transportam para fora dos espaços teciduais proteínas e 
grandes partículas que não podem ser removidas por absorção direta dos capilares sanguíneos. 
O líquido que retorna à circulação pelos vasos linfáticos é extremamente importante por conter 
substâncias de alto peso molecular que não podem ser absorvidos por outra via. 
Esse sistema tem uma válvula que se abre para o interior do capilar 
linfático, em que o líquido intersticial, junto com as partículas 
suspensas, podem pressionar e abrir a válvula. 
A medida que a pressão aumenta para 0mmHg (pressão atmosférica), o 
fluxo aumenta por mais de 20 vezes. Isso faz com que aumente a 
pressão do líquido intersticial, que também aumenta o fluxo linfático. 
Esses fatores são: 
• Pressão hidrostática capilar aumentada 
• Pressão oncótica do plasma diminuída 
• Pressão oncótica do líquido intersticial aumentada 
• Permeabilidade aumentada nos capilares 
Portanto, ela desempenha um papel no controle da concentração de proteínas, do volume e da pressão 
do líquido intersticial. 
Transdudato – edema apenas com água 
Exsudato – edema com água, sais minerais, células e proteínas devido a alta pressão oncótica no 
interstício. Se houver um processo inflamatório ocorre edema exsudato. Ex: filariose, picada de abelha. 
 
 
 
 
 
 
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O excesso de filtração causa edema, enquanto a incapacidade de recuperar o líquido filtrado pode 
comprometer a pré-carga do ventrículo esquerdo e a pressão arterial média. 
As forças de Starling determinam se o líquido se moverá do sangue para o interstício ou 
vice-versa. Logo, existem quatro principais forças de Starling que governam o movimento dos 
líquidos, as quais estão relacionadas na lei de Starling do capilar: 
• Pressão hidrostática capilar (Pc): força o líquido a ir para fora, através da membrana do 
capilar. A pressão hidrostática capilar é a principal força de filtração. 
• Pressão oncótica do plasma (Po): provoca a difusão do líquido para dentro da membrana 
capilar. A principal força que se opõe à Pc é a pressão oncótica criada pelas proteínas 
plasmáticas. 
• Pressão do líquido intersticial (Pi): força o líquido a ir para dentro da membrana capilar 
quando Pi é positiva. A Pi geralmente fica entre 0 e 3 mmHg sob condições normais, graças, em 
grande parte, à sucção linfática. 
Entretanto, o sistema linfático tem uma capacidade finita de remoção de líquido, e, se o líquido 
for filtrado dos vasos sanguíneos mais rapidamente do que ele pode ser removido, o tecido 
incha. 
• Pressão oncótica intersticial (Poi): provoca osmose do líquido para fora da membrana 
capilar. O interstício sempre contém uma pequena quantidade de proteínas que cria uma 
pressão osmótica de 5 mmHg, favorecendo o movimento dos líquidos para fora dos vasos 
capilares. O sistema linfático remove proteínas juntamente com o líquido, mas os capilares 
continuamente deixam passar proteínas através de grandes fenestrações e fendas 
intercelulares. 
Se a soma dessas forças (pressão efetiva de filtração) for positiva, ocorrerá filtração do líquido pelos 
capilares. Se a soma for negativa, ocorrerá absorção do líquido. 
→ PEF= Pc - Pi - Po + Poi 
Logo, como ocorre a filtração? Há dois tipos de força importante: absorção – resultante de força 
do interstício para o capilar – e a filtração. 
A filtração do líquido pelos capilares é determinada pelas pressões oncóticas e hidrostáticas. 
A pressão hidrostática nos capilares tende a forçar o líquido e as substâncias dissolvidas nele ir do 
capilar para os espaços intersticiais, através dos poros. É uma pressão que empurra, logo, a resultante 
será uma força resultante de filtração, que será sempre do capilar para o interstício. 
A pressão oncótica, gerada pelas proteínas, faz com que o líquido se movimente por osmose dos 
espaços intersticiais para o sangue. Essa pressão impede a perda de líquido excessiva do sangue para 
os espaços intersticiais. Vai no sentido do interstício para o capilar, ela puxa o líquido para o capilar, 
absorve. A pressão oncótica é semelhante a pressão osmótica, onde a albumina, por exemplo, é uma 
proteína negativa por ter cloreto na sua estrutura e tende a puxar água por se ligar ao sódio ao tornar 
o meio hipertônico. 
A pressão oncótica será maior no capilar, então, a força resultante é a absorção. A pressão 
hidrostática capilar será maior na filtração. 
 
Insuficiência cardíaca congestiva (ICC) – a insuficiência ventricular esquerda se apresenta como 
uma incapacidade de manter a pressão arterial em níveis que assegurem uma perfusão tecidual 
adequada. O corpo compensa, retendo líquido para aumentar o volume de sangue circulante e a 
pressão venosa central. O sistema linfático ajuda a compensar a grande quantidade de líquido que 
agora é filtrada dos vasos sanguíneos para o interstício, mas a tendência para a formação de edema 
(congestão dos tecidos) fica muito aumentada. Inicialmente, isso pode manifestar-se como inchaço dos 
pés e dos tornozelos, mas nos estágios mais adiantados da insuficiência pode ocorrer também edema 
pulmonar. 
Ou seja, ocorre diminuição da pressão no bombeamento e o sangue congestiona na periferia, gerando 
alta pressão hidrostática do capilar ou alta pressão oncótica do interstício e consequente transdudato. 
Se há um aumento da pressão venosa e acumulo sangue, há um aumento a pressão hidrostática. 
 
 
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Filariose linfática – é uma infecção causada por um parasita nematódeo e é popularmente conhecida 
como elefantíase, causando inchaços na perna, braços e genitálias. 
A infecção se dá por meio da picada de um mosquito, o qual injeta em seu hospedeiro as larvas do 
nematódeo. Essas larvas migram e se estabelecem nos vasos linfáticos, onde maturam, acasalam e se 
reproduzem, produzindo microfilárias (larvas). A presença das larvas dentro dos vasos linfáticos 
interfere na drenagem e causa edema exsudato ao gerar um aumento da pressão oncótica do interstício 
para equilibrar a concentração de células inflamatórias. 
Síndrome nefrótica e insuficiência hepática – em ambas as doenças ocorrem diminuição da 
pressão oncótica do capilar e consequente não absorção de água para equilibrar a concentração, 
gerando edema transdudato. 
 
 
Um dos princípios mais fundamentais da função circulatória é a capacidade de cada tecido controlar 
seu próprio fluxo sanguíneo de acordo com a sua necessidade metabólica – necessidade de oxigênio, 
glicose, remoção de hidrogênio e dióxido de carbono. 
O fluxo sanguíneo não pode ser grande o tempo todo, pois acaba sendo maior que o coração pode 
bombear. 
O controle local do fluxo sanguíneo pode ser dividido em duas fases: 
• Controle agudo – realizado por rápidas variações da vasodilatação ou vasoconstrição local das 
arteríolas, metarteríolas e esfíncteres pré-capilares. Ocorrendo em segundos ou minutos, 
apenas para permitir a manutenção