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Cardio: eletrofisiologia cardíaca

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a corrente de efluxo, mantendo a membrana despolarizada. 
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Resumindo: o platô do PA é mantido pelo influxo de Ca2+ através de canais Ca2+ do tipo L. O 
influxo de Ca2+ é lentamente inativado durante o PA, mas alguns canais Ca2+ permanecem 
abertos para prolongar o platô e assegurar que a liberação de Ca2+ e a contração se completem 
antes que a excitação termine. 
• Fase 3: a fase de repolarização rápida final caracteriza-se pela predominância de correntes de 
efluxo, já que, na fase 3, as correntes de influxo presentes durante o platô decaíram 
completamente. Nesta fase a condutância do potássio depende de um canal iônico diferente do que 
determina o potencial de repouso. Ela está diretamente associada com a ativação dos canais de 
potássio dependentes de voltagem, retificadores retardados, promovendo um grande efluxo de K+, o 
que leva à rápida repolarização característica da fase 3. Este processo permite a reabertura do 
canal K+, o que contribui para o processo de repolarização. A fase 3 é um dos determinantes da 
duração do PA e portanto de todas a propriedades que dependem deste parâmetro. 
• Resumindo: os canais de cálcio fecham e o de potássio abre, permitindo a saída de K+ e 
Na+/K+ATPase não permite hiperpolarização. A repolarização da membrana na fase 3 é mediada 
pela ativação tardia do influxo de K+. 
• Fase 4: o intervalo entre os PA é utilizado para que o Ca2+ retorne aos estoques intracelulares e 
para bombear Na+ para fora da célula em troca de K+, gerando um balanço entre correntes de 
efluxo e influxo de modo que o saldo é uma corrente efetiva nula, como ocorre no miocárdio atrial e 
ventricular. 
Muito rápido: as fibras de Purkinje são destinadas a conduzir a onda de excitação em altas 
velocidades. Suas membranas contêm mais canais Na+ e menos Ca2+ do que os miócitos ventriculares, 
ou seja, a fase 0 segue mais próxima do influxo de Na+. É a 
velocidade de despolarização da fase 0 que determina a 
velocidade de condução. As fibras de Purkinje são também três a 
quatro vezes maiores do que os miócitos ventriculares, o que 
permite velocidades mais altas de condução. 
 
As células nodais apresentam PA lentos dominados pelo influxo 
de Ca2+. A razão principal para isso é que as células nodais têm 
um potencial de membrana de repouso que é significativamente 
mais positivo do que o dos miócitos contráteis. 
Os canais Na+ são inativados e não podem ser abertos a 65 mV, 
forçando as células nodais a dependerem dos canais Ca2+ para 
gerar a fase ascendente do PA. 
• Fase 0: a fase ascendente de um PA lento é promovida por 
influxo de Ca2+ através de canais Ca2+ do tipo L (gera 
despolarização), os quais se ativam de forma mais lenta que 
os canais de Na+. Como consequência, os PA lentos se 
propagam muito devagar. 
Nessa fase não há canal de sódio dependente de voltagem, 
apenas a abertura de cálcio tipo L que caracteriza a fase 
lenta. 
• Fase 1 e 2: não existe no PA lento. 
• Fase 3: é a fase de repolarização mediada pelo influxo de K+. 
Fase 4: Os canais If (funny) passam tanto o Na+ como o K+. Contudo, passa mais sódio que 
potássio, por questão de afinidade com o sódio. Dessa forma, vai ocorrer uma despolarização um 
pouco mais lenta até chegar a um limiar e abrir os canais de cálcio do tipo L e entrar na fase 0. 
Resumindo: A fase 4 corresponde a um período de recuperação. É uma fase instável que se 
tornam progressivamente positivas com o passar do tempo. A transição é causada pela corrente 
funny, essencial para as funções de automatismo e marca-passo. 
 
 
 
 
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Células marca-passo têm capacidade de iniciar um PA na ausência de um estímulo interno, como 
acontece no nó sinoatrial. Todas são capazes de gerar PA através do estímulo externo. O marca-passo 
substitui o nodo sinoatrial. 
A capacidade de marca-passo é conferida às células pelos canais HCN. Quando abertos, esses canais 
fazem com que o potencial da membrana seja capaz de gerar um PA. A dependência desses canais em 
relação ao AMPc também confere ao SNA uma via de regulação da velocidade de despolarização na 
fase 4, a qual, por sua vez, regula a FC. 
Quando os níveis intracelulares de AMPc aumentam, aumenta a probabilidade de abertura dos canais 
HCN, e o potencial da membrana despolariza em uma velocidade acelerada. Caindo os níveis de AMPc, 
diminui a abertura dos canais HCN, e a velocidade de despolarização da fase 4 fica mais lenta. 
→ Uma vez que a manutenção de batimentos cardíacos regulares é crítica para a sobrevivência, 
três tipos celulares diferentes possuem a capacidade de funcionar como marca-passos: as 
células nodais SA, as células nodais AV e as fibras de Purkinje. 
• NO SINOATRIAL 
O nodo SA é o marca-passo primário do coração, é o mais rápido e eficiente. 
Ele tem uma taxa intrínseca de aproximadamente 100 batimentos/minuto, 
mas a FC é geralmente mais baixa, porque o SNAP reduz a FC quando a 
necessidade predominante do débito cardíaco (DC) é baixa. 
O rápido ou lento é relativo à velocidade total, tempo do potencial de ação e 
sim que a velocidade da fase 0 de cada um desses potenciais. Ou seja, varia 
acordo com a despolarização da fase 0. 
Nodo sinoatrial não tem presença de Na+ e o canal de Ca2+ demarca a 
subida do potencial de ação na fase 0. 
• NO ATRIOVENTRICULAR 
Se o nodo SA for danificado e se tornar silencioso, então o nodo AV toma 
conta da atividade de marca-passo. 
O nodo AV é geralmente subordinado ao nodo SA, porque sua taxa 
intrínseca é de 40 batimentos/min. 
• FIBRAS DE PURKINJE 
As fibras de Purkinje são marca-passos terciários. Sua velocidade 
intrínseca é muito baixa (em torno de 20 batimentos/min), em parte pelo 
fato de que o seu Vm é aproximadamente 25 mV mais negativo do que o 
das células nodais, e, assim, levam muito mais tempo para que o Vm atinja 
e ultrapasse o limiar a partir desse nível mais negativo. 
• CORRENTE FUNNY 
Os são receptores acoplados à proteína G que aumentam a atividade da 
adenilato ciclase e a concentração intracelular de AMPc. O AMPc se liga 
aos canais HCN, aumenta sua probabilidade de abertura e acelera a 
velocidade de despolarização da fase 4. Assim, a FC aumenta 
(cronotropismo positivo). 
As terminações do SNAP liberam acetilcolina sobre as células nodais. A 
ACh se liga a receptores muscarínicos do tipo 2, que também são acoplados 
à proteína G e que diminuem a atividade da adenilato ciclase e diminuem 
a formação de AMPc. A velocidade de despolarização da fase 4 fica mais 
lenta e a FC diminui (cronotropismo negativo). 
Os canais de sódio têm três estados: 
• De repouso 
• Ativo 
• Inativo – fica inativo após várias despolarizações, onde um segmento do canal fecha e inativa o 
mesmo. Quando o canal está fechado, uma despolarização o abre; quando o canal está inativo, 
apenas a repolarização abre. 
 
 
 
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É o intervalo de tempo após o disparo de um potencial de ação, quando a membrana celular foi 
alterada para um estado não excitável e está gradativamente voltando ao estado de repouso 
(excitável). Durante o período refratário absoluto (PRA), nenhum estímulo pode desencadear uma 
resposta. O PRA é seguido por um período refratário relativo, durante o qual a célula torna-se 
gradativamente mais excitável e o impulso de alta intensidade (necessário para provocar uma 
resposta) gradativamente diminui até alcançar a intensidade necessária durante o estado de repouso. 
Durante o período refratário a célula excitável não pode gerar outro potencial